Caminho - os imortais
10 Dez
Notas iniciais
Sua casa é modesta. Mas ao mesmo tempo é aconchegante. Móveis em acabamento de madeira, mas um acabamento incrível, o que chega a me lembrar de minha antiga vida com Endor. E como me faz falta. A promessa de casamento, os momentos no parque e pouco depois sua doença, seguida da minha solidão, seguindo ano por ano, sabendo que isso nunca acabará. Que viverei aqui eternamente. E sozinha.
– Gostou?
– Sim, muito. Sua casa é muito aconchegante.
– Sinta-se em casa. E a propósito não me contou muita coisa sobre você. E acho que tenho muito, a saber.
– E porque você acha isso?
– Bem, acredite se quiser, mas vejo a aura das pessoas. E não estou vendo a sua.
Por isso ele me olhava atentamente. Isso era um passo para que ele começasse a descobrir sobre o que sou. E creio que isso não seja bom. Uma imortal? Acho que seria demais contar a ele. E Jude é o único que me ajudou até agora.
– Davina? – Ele então me desperta dos pensamentos. – Mas enfim, que amigo você está procurando?
– A sim, o motivo de eu estar aqui.
Bem, Roman não era o exato motivo da minha vida até esta cidade. Mas entre falar sobre Roman e falar que uma menina morta me disse para vir até aqui, escolho falar sobre Roman.
– Bem, meu amigo se chama...
Sou interrompida por um toque vindo de outro cômodo. Era o celular de Jude.
– Perdão. Eu já volto.
– Tudo bem.
A distância entre um cômodo e outro é pequena. Logo, consigo ouvir o que ele fala.
– Olá Ever, como estão? Que bom! E quando voltam?
“É feio escutar conversa dos outros.”
Aquela voz novamente aparece. Riley.
– Não estou escutando por querer.
– Sei... Mas e o que está achando de tudo?
– Estou sem entender o motivo de estar nesta cidade.
– A para.
– Roman não está aqui Riley.
– Com o tempo você vai descobrir que até Jude faz parte da sua história. – disse apontando para ele.
Olhei na direção de Jude e ele ainda estava ao telefone. Ao me voltar para Riley não a encontro.
– E novamente ela me deixa sem respostas.
.
.
– Jude, posso lhe fazer uma pergunta?
– Claro. – ele me olhava atentamente. E o calor que ele me passa me deixa um pouco desconfortável.
– Você vê a aura de todos?
– Sim...
– Sei... – isso me deixa cada vez mais preocupada.
– Mas porque a pergunta?
– Porque você diz não ver a minha.
– Às vezes não é nada.
– Posso fazer outra pergunta?
Ele ri desta vez e logo seu sorriso, seu lindo sorriso, se abre. Por um momento, isso me parece familiar, como se Endor estivesse presente. Mas deve ser saudade do passado, de quando conversávamos e ríamos de histórias.
– Claro.
– Quem é Ever? – não sei por que essa pergunta saiu de minha boca. Mas por algum motivo, eu precisava saber quem era ela. E a cara dele parecia confusa. Será porque eu ouvi sua conversa?
– Uma amiga. – ele logo abriu um pequeno sorriso e se virou para seu copo com água.
– Ela está viajando?
– Sim. Ela e seu namorado, Damen. – A partir do nome, recordações do passado seguidas da dúvida e da possibilidade de ser o mesmo Damen que eu conheço. Mas seria algo pouco provável. Mas também não seria algo impossível.
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