Notas iniciais
Espero humildemente que gostem! Espero conseguir algum comente em algum momento dessa fic!

“Onde eu estou?”

Um local escuro e vazio, a penumbra negra que se ergue e aos poucos é encoberta por uma fumaça branca que não passa dos joelhos do rapaz. Ele ouve sussurros como se algo o observasse, sente arrepios e calafrios como se alguma coisa lhe passasse pelas costas e pelos lados do corpo, uma sensação constante de opressão.

“Que droga é essa? Quem está aí?”

O homem grita, mas nenhum som se ouve, sua boca não se abre e ele sente a constante pressão em seu peito como se uma força o empurrasse.

“Venha”

Um sussurro. Uma voz feminina.

“Chegue mais perto nobre guerreiro”

Mais audível.

Ao olhar para os pés tudo o que ele enxerga é a fumaça branca que é limpa e constante, como se puxasse ele, como se quisesse engoli-lo.

Ele se agacha e coloca a mão abaixo da fumaça, a princípio não sente nada so um ar gélido, aos poucos sua mão entra em uma gosma gelatinosa que com o passar do tempo se torna líquida.

“Venha para que eu coma sua cabeça e ossos como os outros!”

Uma gargalhada maléfica ecoa e ele retira a mão da fumaça já podendo ver o sangue em sua mão e que está no chão também, cabeças e crânios espalhados por todo o local depois que a nuvem branca se dissipa. Ao erguer a cabeça ainda perplexo ele identifica uma figura branca que vem voando sobre ele.

“Não! Não!”

Ele grita erguendo os braços a frente do rosto e fechando os olhos.

*****

Ao abrir os olhos novamente ele se vê no barco onde estava antes, no deque superior.

Bryan! Bryan! – Uma mão aberta estapeia seu rosto. – Acorda cara! Precisamos de ajuda e a situação não tá muito boa.

O homem olha para o velho Lucian.

— Vem!

Ele vê marinheiros e um cara grande, alto e gordo correndo com dificuldade para a proa do navio onde mais caramujos pulam sobre o deque e correm na direção dos homens da tripulação que tenta de qualquer maneira expulsar os seres indesejados do seu “domínio”.

Ao reparar do outro lado um ser esguio surge da água pela lateral do barco, seu corpo é escamoso e liso, ele não tem patas somente uma calda lisa e longa que é como ele se move, como se fosse uma cobra, no lugar de dedos possui garras e não tem pelo algum no corpo, sua cabeça lisa não possui olhos só pele e uma bocarra com 4 fileiras de dentes pontiagudos. Esse ser demoníaco não tem nome conhecido uma vez que os poucos que o viram morreram e não puderam contar a história.

O demônio puxa o primeiro que passa em sua frente e abrindo a bocarra ele engole a cabeça do homem de uma só vez, sem arrancá-la do pescoço somente jorrando um líquido branco que deteriora a cabeça do homem que grita em desespero enquanto seus olhos estouram dentro das órbitas e seu cabelo escorre em uma pasta preta e a pele é aos poucos aberta mostrando o sangue que se mistura a água da chuva torrencial que já judiava do barco momentos antes deles subirem de uma maneira, que agora se mostra como mágica, para o deque superior.

— O que é isso?

— Isso? – Lucian aponta seu cajado para a criatura. – É um demônio submerso, em geral de algum marinheiro que morreu no mar ou em um acidente num navio ou coisa do tipo. Cuidado que ele te viu. – Ele sorri e corre para encontrar um amigo para lhe ajudar com cordas.

O navio é castigado pelos seres estranhos que todo combatem, Dormen e Lucian lutam contra o Demônio Submerso sem muito êxito e luta se estende com cada vez mais mortos e menos combatentes. Em certo ponto tudo o que eles conseguem ver é um monstro que se ergue do mar, um ser sem pescoço ou qualquer corpo que possa ser identificado.

O ser é grande, imenso. Seu corpo é como pedra uma couraça dura e blindada. Seus olhos negros e boca com milhares de dentes do tamanho de 3 homens um em cima do outro. Dois membros derivam do tronco, ou o que parece ser o tronco, no final patas com 4 extensões e no final unhas pontudas. O resto está abaixo da água e ninguém consegue ver como ele é.

— Que merda é essa Lucian?! – Dormen grita ao longe enquanto arranca um caramujo que o mordeu na perna deixando marcas de dentinhos serrilhados.

— Esse é o monstro mais lindo já criado, meu amigo! – Ele sorri rebatendo um caramujo para fora do navio. – Sugiro irmos nadando até a praia que está à alguns metros a frente.

Seu cajado se estende em direção à proa do barco e Dormen enxerga ao longe o resquício do que pode ser terra e uma mata.

Dormen sem pensar duas vezes corre até a proa e olha para Lucian que o segue correndo com seu cajado em mãos e rebate por instinto na cabeça de outro Demônio Submerso que se ergueu assim que Dormen passou.

Eles saltam na água enquanto de maneira quase instantânea o monstro gigante arrebenta a lateral do barco com sua couraça abrindo ele ao meio até a metade, aos poucos e aproveitando cada momento dos que ainda estão vivos o monstro então se ergue e bate no barco com os dois membros que possui fazendo com que os corpos mutilados e o sangue na madeira subissem juntamente com os que ainda estavam vivos e perplexos olhando para o monstro que com tal magnificência destroi tudo o que quer e está em seu caminho.

Já na praia Dormen e Lucian vêm o espetáculo criado pelo mar que eles não conhecem nada e pelos seres que lá habitam.

— Bem-vindo caro amigo! – Ele se vira para a mata sabendo onde eles estão. – Bem-vindo à terra de Wraeclast!

Dormen de joelhos fica fraco e desmaia na praia com a chuva torrencial em suas costas e sua respiração forte.

*****

“Bryan. Bryan, acorde! Acorde, querido!”

Uma voz feminina enche a mente do homem, ele sente calma e paz, reconhece a voz aos poucos... é a voz de sua esposa.

“Eu preciso levantar.”

“Querido, não se torne vingativo e continue sendo o homem que eu conheci, mas agora deve lutar para sobreviver, eu sempre estarei com você!”

Ele enxerga uma luz branca que ofusca sua visão, uma luminescência que força o homem e tentar enxergar por entre os dedos. Ele vê sua esposa e seu filho.

“Eu vou estar com vocês... eu prometo que não desistirei de estar com vocês.”

*****

O homem acorda com dificuldade. Ele sente a água do mar subindo pela areia e indo até seu pescoço, ele se levanta, olha envolta e tudo o que vê são corpos.

Ainda é noite e a visão é turva, aos seu lado Lucian deitado com seu cajado ao lado sorri.

— Por que está sorrindo?

— Estamos vivos, meu caro.

A voz meio esganiçada volta ao normal com um pigarrear rápido.

— Encontre algo para usar como arma. – Lucian adverte se levantando e limpado as vestes improvisadas que ele usa, um manto branco e um cinto de couro com uma pedra amarela no fecho.

Dormen procura dentre os destroços trazidos pelo mar do barco onde ele estava, ele encontra uma massa com fios de aço enrolados na ponta.

— Isso vai servir.

Seu olhar para Lucian se torna confuso.

— Só vai levar isso? Um cajado?

— É só o que preciso.

— Vai me dizer que você tem poderes mágicos? – Zombeteiro ele ri quando Lucian assente.

— Você vai entender.

*****

Eles andam pela praia vigilantes e astutos a qualquer sinal de ataque e a frente encontra corpos cinzentos e roxos que denotam terem se afogado antes de chegarem à praia.

Lucian para e analisa os corpos enquanto Dormen continua andando.

— Espere! – Lucian grita.

— O que foi?

— Esta terra foi cruelmente amaldiçoada e o Espírito Negro ainda está nela criando seres monstruosos.

— Que história é essa, cara?

— Observe. – Ele aponta para um grupo de seres com andar trôpego que aparentam ser iguais aos que estão caídos envolta deles.

— Sobreviventes!

— Espere, Dormen... não são sobreviventes.

Um dos seres vem em direção aos homens, seu andar trôpego e difícil mostra que sua mentalidade não está perfeita, ao se mostrar na pouca luz que o luar proporciona os dois conseguem ver os olhos brancos sem vida e o corpo cinza enrugado mostrando que ele foi afogado no mar e voltou para a praia. Parte da cabeça sem cabelo e seus braços balançam ao lado do corpo.

— Esse é o nosso mundo agora! Aberrações e seres que vem de um lugar que nós nem imaginamos. – Lucian aponta para o agora, distinguível, homem morto.

Dormen ainda perplexo olha para a criatura que usa somente um calção marrom já apodrecido pelo tempo e a pele enrugada se mostra com manchas e feridas de onde vermes podem ser vistos inclusive insetos que comem o pus e o sangue já seco dessas feridas que se espalham por todo o corpo.

Com um levantar imponente da massa de Bryan ele golpeia de um lado para outro e o homem vai ao chão ao mesmo tempo que o caçador corre e golpeia a cabeça do ser com violência tamanha que tudo o que resta ao final é uma pasta vermelha, branca e cinza misturada com a pele e os ossos que ali estavam antes.

— Tenha força, meu bom homem. – Lucian coloca a mão no ombro do rapaz enquanto ele se comove e chora.

— Eu nunca tive a capacidade de matar um ser humano... mas se agora é o que devo fazer então que seja. – Ele fita a multidão de seres mortos-vivos que está à frente e ele investe contra os mesmos golpeando certeiramente e algumas vezes a esmo os corpos, cabeças e membros daqueles seres amaldiçoados. – Vamos Lucian! – Ele localiza ao longe uma área de pedras e madeira. – Parece um forte, chegaremos lá. – Ele sorri.

Lucian olha aquela violência e força do homem.

”Finalmente ele entendeu.”

Lucian sorri.

*****

Eles correm matando mortos-vivos por toda a extensão da praia até encontrarem algumas proteções feitas com madeira e cordas. A frente somente a construção antiga de onde uma luz de fogueiras e tochas é possível ser vista.

— Vamos! – Lucian diz isso e é puxado para trás da cerca de madeira novamente. – Ei?!

— Observe.

Lucian olha a sua volta, a princípio nada, segundos depois uma figura enorme se ergue com uma armadura velha e enferrujada, mas ainda maciça.

— O que acha que é? – Bryan pergunta sentando no chão depois da frenética campanha para chegar até lá.

— Não sei, nunca vi nada igual, mas com certeza é um morto-vivo.

— Devemos mata-lo para conseguir entrar no forte. – Dormen acrescenta.

Eles saem devagar de trás das madeiras e a luz das tochas atrás do estranho ser os ilumina.

— Ei! – Bryan grita e o ser os olha.

Por um momento ninguém diz nada, o vento aumenta e a chuva aos poucos cessa.

Eles não temem, sentem somente a alta percepção das coisas, o vento nos cabelos, o peso das armas, o cheiro de morte.

— Vocês querem passar? – O homem morto abre sua boca enorme e com dificuldade pronuncia as palavras. – Espero que sejam melhores do que os últimos. – Ele mostra as cabeças de mais de 20 homens em estacas na praia e ao final da frase lança uma gargalhada aterradora.

O homem é alto, tem pelos menos 2 metros e 30 centímetros, a armadura prateada agora gasta e enferrujada se mostra a luz do luar, o rosto possui o lábio inferior faltando e os dentes podres à mostra enquanto os olhos negros emanam um tom de morte, a clava nas mãos demonstra o poder físico do ser juntamente com os músculos do braço direito e os mesmo músculos à mostra do braço esquerdo devido a uma ferida não cicatrizada.

Dormen e Lucian não sabem o que fazer, não sabem se investir é a melhor alternativa, o ser monstruoso ri deles e gargalha ao luar mostrando força. Aos poucos eles percebem cabeças curiosas pelos buracos do forte mostrando que há vida depois do inferno.

Dormen avança de maneira inesperada e Lucian se assusta. O rugir de seu grito é longo e prolongado.

Ele corre em direção ao monstro e o golpeia no abdome amassando a armadura que ele veste, a investida do monstro é pura ele golpeia a esmo o ar quando percebe que não acertou nada, outra pancada de Bryan acerta em cheio a fonte do monstro que cambaleia.

Lucian retira a pedra amarela do cinto e com as duas mãos cobre a mesma e fecha os olhos, aos poucos uma luz branca emana da pedra e é passada diretamente aos olhos do velho homem que conjura um tipo de mágica.

A luta prossegue feroz enquanto o monstro tenta acertar o rapaz que desvia de um golpe esmagador, mas recebe um punho que vem de encontro ao estômago fazendo com que ele cuspa sangue.

— Lucian se quiser se junta... não me incomodo! – A fala é dificultada por um golpe que é defendido fazendo com que ele mesmo abre valas na areia com os pés.

— Só um minuto! – Lucian passa a energia acumulada para as mãos. – Distraia ele!

Dormen leva outro soco agora no rosto.

— Distrair mais?! – Ele berra empurrando o grandalhão pra trás e ganhando algum tempo.

Lucian termina a conjuração no momento em que Bryan acerta uma investida vertical ao ser que se ergue e a cabeça fica a prêmio.

— Dormen, abaixa!

Lucian grita e só o que o home vê são raios e um globo de eletricidade passar por ele explodindo a cabeça do monstro e fazendo o corpo inerte cair expelindo uma nuvem de sangue vermelho e um jorrar que suja parte do braço de Bryan.

Bryan olha para o velho, sua respiração pesada e ofegante.

— Você tá louco? Quase me acertou!

— Mas nós matamos ele.

— Podia ter feito isso antes!

— Eu sei, mas requer mais do que minutos de prática.

— Vá se ferrar.

Bryan olha para o corpo no chão inerte e sem vida.

— Gostei disso aí, pode me ensinar?

— Quando chegar a hora caro amigo.

— Vamos entrar.

— Sabe, achei que você não seria capaz de fazer isso... – Lucian dá uma batida cordial nas costas de Bryan. – Gostei disso aí, pode me ensinar? – Ele olha para Dormen e sorri.

— Quando chegar a hora meu caro amigo.

O dois riem e se dirigem para as portas do forte onde pessoas sorriem e comemoram algo que eles não sabem o que é, mas que teve um impacto maior do que eles imaginam.

No corpo inerte uma luz verde brilha depois que eles saem, e um círculo verde cintilante emana de dentro do corpo, o mesmo círculo se ergue e depois com um estalar se desfaz no ar.

Notas finais
E aí pessoal? O que acharam? Se gostou deixe aquele coment, aquela crítica gostosa que isso me ajuda muito a melhorar os capítulos e cada pontinho da história!! Fiquem com os anjitos e até o próximo capítulo!!!