Notas iniciais
Lambda, lambda, lambda Nerds!

Voltando após muito tempo... espero que gostem galera, eu costumava ter outra conta, mas fiz uma nova, novos tempos, novas ideias, segue o capítulo.

Comentem!!!

Os primeiros raios de sol invadem o pequeno quarto, a alvorada limpando todo o orvalho e esquentando o ambiente após uma noite fria e difícil para a pequena casinha nos arredores do castelo.

Aos poucos e bem lentamente uma figura pequena e preguiçosa se ergue dentre os cobertores de pele de urso e coça os olhos enquanto a boca se abre em um bocejo prolongado e exagerado.

— Papai – A figura empurra um ser grande e forte deitado ainda de bruços na cama. – Estou com fome.

O homem abre um olho, o sol já é forte o suficiente para aquecer todo o pequeno quarto mesclado com sala de estar. O olho se fecha e ele respira de maneira longa e pesada.

— Acorda! – A pequena pessoa, quase um anão, pula sobre o corpo imóvel na cama que range com o impacto.

— Ok, ok, já estou indo.

O homem se levanta, os músculos ainda se esticando, ele se arruma com sua pequena veste de linho, custou tempo a conseguir comprar uma para ele já que a esposa falecera há muito tempo e o primeiro presente veio para o filho. Num lado do cinto a machadinha pequena e de fácil acesso no outro a espada longa e afiada. O cabelo lhe corre pelas costas e sua face moldada pela idade, pouca, mas aparente, o dá um ar de seriedade e experiência.

— O que deseja para o café de hoje? – o homem pergunta com um sorriso único e reconfortante.

— Ovos de marin com tiras de porco! – o garotinho se senta na mesa simples com apenas duas cadeiras, porém uma mesa esculpida a mão da madeira inicial ao final de cada detalhe polido.

— Então teremos isso!

Um beijo na testa e um carinho no cabelo fazem com que o pequeno sorria e se incline na mesa com felicidade.

Os dois se sentam à mesa um banquete para aquele começo de dia, os barulhos vindouros de fora denotam que seria um dia de sol, pássaros voam e alguns esquilos aparecem nas janelas e na porta um pequeno cachorro vermelho surge. O garoto após o café se aproxima do animal que está sentado à porta sem latir ou se mover. Um gesto lento. O carinho no pelo espesso do animal. O homem sorri e o filho retribui sem perigos, incertezas ou dúvidas.

Tudo corre bem, o caçador e o filho, “benção divina” como diria sua esposa. Aos poucos o dia se vai, a manhã calma e límpida, a lenha a ser cortada e o filho que brinca com o novo conhecido que em certo momento fica sério, realmente ele se vira para a estrada que vai de encontro a cidadela e o castelo, o caçador sente o chão tremer e vai para perto do animal que rosna e fica inquieto como se sentisse ou pressentisse o mal. Uma comitiva ao longe esquadrinha e vasculha as casas próximas a cidade, entrando e retirando pessoas e objetos com violência tal que se torna difícil imaginar. O homem que já sente algo diferente, não medo somente a alta percepção das coisas, diz ao filho para que entre a comitiva pára a frente dele seis cavalos e quatro soldados munidos de espadas, escudos e lanças.

— Sua propriedade será revistada de acordo com o artigo terceiro das leis reais, alguma objeção? – Um homem esguio e magro lhe dirige a palavra, aparentando ser o comandante.

— Somente uma senhor e perdão por isso, mas, qual a acusação?

— Crimes contra a coroa. – O homem passa por ele em direção a porta da frente.

— Mas senhor, não cometi crime algum, faz mais de um mês que não... ei! – Um guarda o senhor pelos braços e outro lhe dá um soco no estômago que o faz cair ao chão. – Vocês não têm... não têm... o direito de fazer isso!

— Prendam-no! – O homem esguio comanda e dois guardas amarram as mãos e os pés do homem.

— Darius corra! – O homem grita ao ver o filho na porta.

— Matem o fedelho.

O caçador caído tenta se soltar e se mexer, mas só o que sente é o punhal de uma espada em sua cabeça e ele desmaia enquanto observa com os olhos semicerrados dois guardas trazendo o filho e depois seus olhos se fecham por completo.

*****

Os olhos se abrem lentamente. Um ambiente escuro, fétido e úmido. A sensação de um desconforto e o balançar de algo, na verdade quem tudo está balançando, dor nos punhos e calcanhares.

— Eu vi o que te aconteceu. Ei! Você!

A cabeça gira lentamente e com dificuldade.

— Eu?

— Sim você, seu idiota, eu vi o que aconteceu a você e seu filho.

Os olhos semicerram e ele encontra uma figura deitada no canto do que parece uma prisão, mas esta se move para um lado e para outro.

— Quem é você? – O homem recobra seu senso e pergunta ao... agora mais visível... velho que está sentado.

— Me chamo Lucian, mas na verdade a pergunta é quem é você? – Ele estende um cajado com uma pedra na ponta na direção do nariz do homem que com um tapa repele o bastão.

— Me chamo Dormen, Bryan Dormen.

— E o que lhe trouxe a este lindo local? – O homem sorri e depois ri.

Quando Dormen se dá conta ele percebe que está numa prisão... que flutua. Um barco!

Em qualquer lugar daquela sala grande somente pessoas, desesperadas, com apenas algo que possa lhes cobrir as regiões intimas e um pouco de esperança de não morrer de fome, ao lado dele um corpo em necrose aberto por completo e suas vísceras para fora, o estômago jogado na madeira do barco e a poça de sangue já seco cheira mal, no outro lado uma mulher aparenta guerrear com ela mesma na dúvida se irá sobreviver ou não, e nos cantos do local algumas pessoas que de certa maneira já passaram por muito na vida e somente querem estar vivas no próximo dia.

Não há iluminação e a noite irrompe pelos buracos circulares por onde água também passa, mesmo que pouca, mas passa. O homem vê mortos deitados em locais não apropriados e muito menos limpos para estarem, se decompondo minuto a minuto, não há higiene, não há comida, não há água, não há vida.

— Ei! Ei! – Lucian estala os dedos na frente do rosto do caçador. – Não perca a cabeça ainda, pelo que sinto precisaremos de você.

Com um balanço para os lados Bryan volta a razão.

— Por que estamos aqui?

— Crimes contra a coroa, mas adivinhe, nenhum de nós cometeu nada. – Ele o olha de maneira questionadora. – Você cometeu? – Ele sorri – Claro que não, certo? Do contrário não teriam porque matar seu filho.

— Mataram meu filho? – Ele agarra Lucian pelo pescoço e o empurra contra a parede.

— Você é um cara forte, não se perca assim para a loucura da perda, pense... – A mão se fecha aos poucos impedindo a fala perfeita – na sua vingança... primeiro.

A mão se abre, o homem vai ao chão tossindo de maneira desordenada e forte.

— Como posso me vingar se estou preso aqui?! – O homem grita cerrando os punhos e golpeando a madeira com violência.

O velho o observa.

— Já terminou o show?

Ele olha em volta, todos fitam-no de maneira perplexa.

— Escute, estamos para chegar ao nosso destino, estamos a alguns quilômetros de Valhalla e chegando em Wraeclast. Não deixe que sua mente se perca, espere. O show... ha... está apenas começando.

Ele sorri para Dormen e aponta para o pequeno buraco na lateral do barco onde ele vê algo esguio e melequento se elevando pela parede do barco, alguns caramujos, ou pelo menos é o que parecem, entram pelas paredes e saem do que muito de longe parece ser um tentáculo.

— Cuidado!

Ambos se afastam enquanto observam uma dúzia desses caramujos infernas do tamanho de melancias correrem para o corpo aberto no canto e iniciarem sua busca por alimento enquanto sugam as vísceras do corpo e o sangue seco, aquilo é repugnante e totalmente nojento, dentes pequenos em fileiras sequencias se abrem para cuspir um musgo verde que derrete os nervos e músculos enquanto eles engolem e trituram qualquer coisa que sobre ainda sólida no que se torna aos poucos uma pasta branca e gelatinosa de pele, ossos, sangue e músculos.

— O que são essas coisas? – Dormen questiona enojado.

— Somente o início.

Lucian se volta para a janela enquanto pode notar que algo realmente está querendo sugar o barco para as profundezas. Dormen se lembra do que o homem disse e é como se um flashback passasse em sua cabeça dizendo: “O show está apenas começando”.

O velho sorri, observador e astuto, vê aquela forma asquerosa de um tom azulado subir pela lateral do barco subindo sem áreas se sucção venosa, apenas uma forma circular gigantesca, algo diferente de tudo o que já foi visto por qualquer um que estivesse em sua sanidade mental intacta.

— E as águas de Wraeclast nos dão as boas-vindas! – Uma risada maléfica e o olhar triunfante.

— Você é louco!

— Meu caro Bryan, se você não se acostumar com isso você ficará louco. Eu sou o oposto de você por isso estou tão calmo. Me acompanhe, eu tenho um plano e podemos escapar, com uma grande chance de morrer no meio do caminho.

Bryan não entende no começo, mas aos poucos as ideias clareiam em sua mente e ele percebe que num lugar louco a sanidade te fará enlouquecer, se tornar louco fará com que ele mantenha a sanidade.

— Que o show comece! – Lucian grita!

Após o silêncio só é possível ouvir as vozes no piso superior que gritam e esbravejam tentando fugir de algo que ninguém sabe o que é.

— Que monstruosidade existe nesse lugar?

Lucian olha para Dormen. Sorri lhe estende a mão.

— Quer viver?

Dormen olha para a mão do homem, calejada e branca, em um movimento louco e impulsivo ele agarra a mão do homem.

— Prepare-se. – Ele sorri enquanto seu cajado vai ao chão e abre um círculo em volta deles. – A viajem vai ser turbulenta. – Ele olha em volta percebendo uns poucos que podem sobreviver com ele. – Quem quiser se salvar entre no círculo!

Em questão de segundos Dormen olha para Lucian que sorri e fecha os olhos.

— Três... dois... um!

Eles desaparecem.

Notas finais
Enfim pessoal, o que acharam?

Comentem para que eu fique feliz.

Abraços e nerd power pra todos!!!