Caminho de Lágrimas

24 Vingança e Desconfiança


Notas iniciais
Finalmente,depois de enrolar um pouquinho,admito, consegui postar o capitulo novo.
Podem me xingar,esculachar,o que for por que infelizmente eu parei de atualizar meio por preguiça e meio pela Síndrome de falta de criatividade que se abateu sobre mim.
Mas agora estou voltando e prometo me esforçar para atualizar com frequência.
Desculpem pela demora e boa leitura.(o titulo do capitulo até rimou kkk)

Uma pequena cabana se erguia em meio á floresta. Era antiga e parecia abandonada,não havia nenhum sinal de que fosse habitada,aparentemente. Avery era procurado pelo Ministério e,mesmo com este sendo tomado por Voldemort, tinha que se esconder trocando de moradia toda semana.

Eu sabia onde ele morava por um pequeno detalhe : eu era a comensal mais fiel á Voldemort,mais até que Snape,então cabia á mim fiscalizar os outros e descobrir se vazavam informações ou espionavam para o outro lado.

É claro que eu não fiscalizava Snape,por um motivo mais do que óbvio : ele morava em Hogwarts,e eu não podia entrar lá. Além do que Voldemort tinha total confiança nele.

Mas fiscalizava todos os outros. Sabia dos detalhes mais sórdidos de suas vidas,e eles nem desconfiavam. Mas meu trabalho não era com eles em si,era com informações,por isso não os reconhecia imediatamente. Por isso eu demorei tanto para descobrir que era Avery, apesar de conviver com aquela sensação estranha de deja vú quando o via já á algum tempo.

Todas as janelas da cabana estavam fechadas e o silencio era total. Para um trouxa ou um bruxo qualquer aquilo pareceria um lugar inabitável,mas quando se sabia o contra-feitiço certo,era possível ver uma das janelas iluminadas e pequenos barulhos de cozinha.

Cheguei mais perto sem desfazer os feitiço protetores,sabia o que aconteceria. Em um instante alguém já explodia a porta de entrada e apontava a varinha para mim. Sorri para Avery e ergui ambas as mãos desarmadas em sinal de rendimento.

Ele abaixou a varinha.

_O que faz aqui? – Ele foi rude e seco. Á pouco tempo atrás ele era metido á engraçadinho e pervertido,mas depois que mataram o irmão dele e começaram á persegui-lo ele se tornara mais maduro. Porém continuava o mesmo idiota manipulável.

_Boa noite para você também – Disse com um sorrisinho entre sarcástico e malicioso,a expressão dele era séria,desconfiada. – Não vai me convidar para entrar?

_Não confio em você – Ele disse simplesmente.

Sorri diabolicamente.

_E não deveria. Crucio – Ele gritou caindo no chão de joelhos. Minha satisfação em torturá-lo era deliciosa,sentia como se não estivesse me vingando só dele,mas sim de tudo,de todos. Eu era um monstro. Ainda sou.

_Por que está fazendo isso? – Ele perguntou ofegante tentando se recompor quando eu parei.

_Diversão... Talvez vingança – Me aproximei dele fazendo-o flutuar,tirei-lhe a varinha das vestes e joguei-a em algum lugar da floresta. Encostei seu corpo na parede de madeira da casa e me aproximei o suficiente para encostar a varinha na sua jugular. Seu olhar tinha ódio. – Ou pensa que me esqueci de você e do quanto você estava disposto á se divertir comigo? Por que não fazer o mesmo com você?

_Mas eu não cheguei á fazer nada!

_MAS QUIS ! – Gritei colocando minha raiva para fora. – Mas agora já chega,vou acabar logo com isso.

_Não,não por favor! Eu... Me desculpe,por favor! – Ele implorou pateticamente. Não tinha dignidade nem na sua morte. Olhei-o séria,ele tremia de medo. Eu via nos seus olhos minha imagem refletida. Era como a visão da morte.

_Espero que queime no inferno,assim como eu. Avada Kedavra!

Libertei seu corpo flácido e sem vida que caiu no chão com um baque. Eu sumiria com ele. Arrastei-o com magia pelo chão,fazendo suas roupas se rasgarem e sua pele arranhar-se. Fechei os olhos me concentrando,buscando pela vida ao redor de mim. Uma matilha de lobos me observava já á algum tempo á pouca distancia. Estavam famintos. Larguei Avery e usei a minha magia para oferecê-lo aos lobos.

Um á um eles se aproximaram e começaram á a abocanhar o corpo morto. Assisti aquela cena nojenta por uns dois minutos,até começar a ver alguns ossos dele. Planejava fazer isso com ele vivo mas achei que seria exagero. Me virei dando as costas ,o cheiro de sangue era forte,horrível. Á alguns metros dali aparatei em direção á Travessa do Tranco. De Avery só restariam os ossos e o sangue que a chuva lavaria .

Agora encontraria Snape. E eu ia amar a oportunidade de irritá-lo e extravasar nele as minhas frustrações.

A Travessa do Tranco estava vazia. Apenas alguns bruxos mal-vestidos e com uma índole questionável perambulavam por entre as ruas. Vagueei ali por algum tempo,não queria chegar cedo demais,não queria esperar por Snape.

Á passos incertos me aproximei de um bar com aspecto repugnante, onde desde o chão,as mesas,os copos e até o teto tinham uma camada de sujeira fedorenta. Alguns bruxos conversavam sussurros entre si espalhados pelo bar,e ainda haviam dois bêbados que faziam uma demonstração de duelo trouxa mais ao fundo.

Em um dos cantos um homem com o rosto coberto por um capuz estava sentado. Não sei como,mas eu sabia que era Snape. Talvez pelo copo de wíske de fogo na frente dele,enquanto todos os outros preferiam coisas mais fortes.

Sem pronunciar nenhuma palavra fui até a mesa e me sentei á sua frente. Pude ver seus olhos negros me encarando.

_O que quer? – Minha voz era fria e sem vida,assim como eu me sentia.

_Conversar.

_Sobre o que?Vá direto ao ponto. Não tenho tempo para perder. – Disse impaciente. Ele suspirou.

_Sei o que realmente aconteceu naquela vila Katherine. E vou te avisar para não repetir o ato. – Olhei para ele chocada,mas sem deixar isso transparecer.

_Não sei do que está falando.

_Não se finja de desentendida. Escute,você não pode contrariar os interesses do Lord. Será que você tem alguma idéia do que aconteceria com você se ele descobrisse?

_Não ia matar a Ordem inteira Snape. Ainda tenho esperanças que nós percamos essa guerra. E sei que você pensa o mesmo, por que se não pensasse já teria me entregado. Aliás ,por que está tão preocupado? Achei que me odiasse. – Ele ergueu o rosto e me deu uma boa visão dos seus olhos cheios de raiva. Encarei seu olhar seriamente,sem desviá-lo.

_Não é que eu te odeio... É só que... – Ele suspirou ,a expressão se suavizando. Parecia cansado.

_O que? Responda.

Ele olhou feio pra mim por dá-lo uma ordem, mas desviou o olhar quase imediatamente, os lábios franzidos, preocupado.

_Não deveria te contar isso, mas... Pois bem, o Lord já percebeu que a Maldição Cruciatus não tem o mesmo efeito em você. Ele está procurando outras formas de te castigar,por que pensa que isso dará á ele maior controle sobre você. Ele controla agora seu corpo,mas quer controlar também a sua mente.

_De que outras formas você fala?

_Ele vai atrás de Jean .

_O que? – Jean? Mas por que ir atrás do meu irmãzinho? Só para me obrigar á obedecê-lo? Mas Jean deve estar com 10 anos agora. É só uma criança! – Mas, eu não entendo,ele já tem total controle sobre mim!

_Não, não tem Katherine. Se tivesse você teria matado os membros da Ordem e não mentiria para ele. E ele percebeu isso, aos poucos está vendo que você consegue enfrentá-lo. E como os castigos físicos não se mostram tão eficazes ele quer te pressionar psicologicamente. Sinceramente, se você não for obedecê-lo, ao menos finja melhor. O Lord das Trevas não é tolo,ele percebe todos os seus esforços para contrariá-lo e também tem uma vaga ciência dos seus êxitos.

_Por que está me contando isso? Por que esta se arriscando assim por mim?

Ele olhou feio para mim.

_Não quero o apocalipse. E é isso que vai acontecer se você perder o controle de si própria. Principalmente se for para ele.

E dando a conversa como encerrada ele se levantou e partiu sem olhar para trás, me deixando cheia de perguntas em mente. Essa desculpa que ele me deu pareceu muito furada. No primeiro momento ele me mandava seguir melhor as ordens do Lord. Porém, se eu pensar direito não é isso que ele queria. Não queria me alertar para não ir contra, queria me alertar que ao fazer isso eu deveria me encobrir melhor.

Parecia até que ele desejava que eu saísse do controle de Voldemort. Estranho, Snape poderia ser o Comensal mais fiel á Voldemort,e estava ali,á poucos segundos me aconselhando á desobedecer o Lord de forma mais sutil.

Ignorando as novas informações me levantei e sai de lá o mais rápido possível. Agora estava morando no meu antigo apartamento, apesar de ter dinheiro para pagar algo melhor já que pelo menos nesse quesito o Lord não poupava ‘presentes’ á mim.

Assim que cheguei lá fui imediatamente para o banheiro, precisava se um banho frio urgentemente. Para quem sabe acalmar minhas idéias e me permitir pensar com clareza, resolver o que eu faria.

Aconcheguei-me na banheira, todos os poros do meu corpo gritando em protesto contra a água gelada. Iria proteger Jean. Mas como? Talvez algum feitiço na casa dele? Mas não havia nenhum feitiço que o Lord não pudesse desfazer com facilidade,e mesmo se eu criasse um ele me obrigaria á desfazê-lo. Além do que eu só estaria provando para ele o quanto Jean era importante para mim tentando inutilmente defende-lo.

Talvez o melhor, por hora, fosse deixar tudo como estava. E que o tempo me dissesse como isso iria terminar.

Notas finais
Então,gostaram? Agora mais do que nunca estou carente de reviews de vocês,então mandem,por favor. Beijinhos (recomendações também me deixariam MUITO feliz XD )