Caminho de Lágrimas
25 Destino
Notas iniciais
6 Meses depois
Os últimos meses haviam sido extremamente complicados para mim. Snape estava certo: O Lord das Trevas perdia cada vez mais o controle sobre mim,e percebia isso com rapidez. Dois meses depois de encontrá-lo Voldemort praticamente me obrigou á ir morar na Mansão Malfoy. Talvez quisesse me controlar melhor, seguir e calcular meus passos, ou quem sabe me pegar com a guarda baixa e invadir minha mente em busca de traições.
Não sei o porquê, mas sei que isso transformou minha vida em um inferno. Ele insistiu para que meu quarto fosse ao lado do dele, era grande, bem-decorado e frio, horrível, só de entrar nele minha pele arrepiava-se de medo, provavelmente não por si só, mas pelas coisas que aconteceram dentro dele.
Meu quarto era ligado ao do Lord por uma porta de mogno resistente. Quando cheguei lá a tranca estava enferrujada e dura, parecia não ser usada á anos, mas isso foi mudado em menos de uma semana.
Na minha primeira noite ali,enquanto eu olhava para o teto tentando conciliar o sono e me esquecer das atrocidades que havia feito, ouvi a porta ser lentamente aberta. Meu corpo enrijeceu-se e eu fiquei alerta, pronta para atacar, mas quando eu vi quem era soube que seria inútil, apenas deixei-o fazer o que queria.
Foi assim por quase todas as semanas dos próximos meses: O Lord das Trevas entrava no meu quarto durante a madrugada ,nunca dizia nada, apenas se aproximava da minha cama e deitava-se nela ao meu lado, começa então á me despir, e sem se preocupar em me acariciar, me deixar preparada para recebê-lo,ele se deitava sobre mim e me tinha com violência, até me fazer sangrar.
Eu sou uma pessoa forte, a vida, os acontecimentos que me levaram até ali me fizeram forte ,mas Voldemort era esperto, e gostava de pressionar meu ponto fraco, de mexer com meus traumas, na menor brecha que encontrava invadia minha mente e plantava ilusões. Já era ruim tê-lo de forma tão violenta dentro de mim, mas era dez vezes pior enxergar meu pai, ou Snape no lugar dele, me torturando, me matando aos poucos. E de alguma forma ele sabia das ligações emocionais que eu tinha com Severo. Sabia o que havíamos feito, e durante tempo demais me perguntei se ele tinha contado, revelado algo tão pessoal e importante para mim, mas quando o pensamento se tornou por demais doloroso eu o afastei. Estava cansada de sofrer por dúvidas.
Estava traumatizada, tão fortemente traumatizada que nas poucas vezes que andava na rua e os homens olhavam para mim eu sentia vontade de morrer, ou de matá-los todos. Tinha medo que eles quisessem fazer aquilo comigo, tinha pavor que o fizessem.
Voldemort conseguiu o que queria. Transformou uma mulher forte e decidida em uma criança, que tremia de medo ao vê-lo, toda luta que eu enfrentara tentando me livrar dele fora em vão, ele me controlava,mexia com a minha parte mais sensível , até destruí-la e destruir á mim junto, deixando apenas o que ele queria ter : uma arma. Sem vontade, sem pensamentos ou razão, uma mortal e obediente arma.
Aquela noite seria importante, eu podia sentir isso nos meus ossos, mesmo que não soubesse a razão. O confronto final da Guerra bruxa estava perigosamente perto. Desde que Harry Potter aparecera na Mansão Malfoy capturado por pobres coitados em busca de recompensas por bruxos Nascidos Trouxas os Comensais estavam em alerta total. Harry Potter conseguira novamente,tinha saído de lá vivo,levando ao seu lado os amigos aprisionados. Voldemort ficara furioso, quase fez os bruxos que o deixaram escapar enlouquecerem na dor de uma Cruciatus. E naquela noite me visitou novamente, e me fez sofrer nas suas mãos.
Enquanto ele me fazia sentir a pior das sensações de toda a minha vida eu odiei Harry Potter. A culpa daquilo era dele, se não fosse por ele nós já teríamos ganho, e talvez o Lord não me tratasse daquela forma. Não tinha mais esperanças de perder a Guerra, mas também não queria ganha-la. Queria apenas morrer tentando, mas sabia ser impossível. Talvez se Harry Potter nunca tivesse nascido, eu ainda seria uma trouxa problemática normal. E eu me enganava com esse pensamento, por ser menos doloroso que a verdade.
Voldemort ainda não sabia do meu poder, nem da extensão dele. E se dependesse de mim nunca saberia, eu era submissa á ele, acho que no fundo sempre fui, mas como Snape disse: Não quero o apocalipse... Não ainda.
Naquela noite Voldemort não foi até mim, o que foi um alivio, mas me deixou curiosa. Passei tempo demais me revirando na cama, sem poder dormir, até minha marca arder. E o destino que eu teria que tomar foi o que mais me assustou: Hogwarts. Estava acontecendo uma luta lá, e eu teria que ir encontrar O Lord das Trevas para receber instruções. Eu era a melhor carta dele, e tinha certeza que ele teria planos para mim.
Levantei-me da cama sem pressa. Vesti minhas vestes negras e puis minha mascara prateada. Olhei em volta, o quarto estava escuro como breu, mas eu podia enxergar tudo á minha volta com clareza. Minha imagem na penumbra, fracamente refletida pelo espelho em cima da penteadeira era assustadora.
Eu não parecia uma mulher. Não parecia nem ao menos humana. Meus olhos verdes encarando á mim mesma me davam medo, eram frios, terríveis e misteriosos. Cheio de um ódio profundo e desconhecido para qualquer um que olhasse neles, mas eu percebi naquela hora que se alguém o fizesse seria a ultima coisa que veria em vida. A face da morte.
Desviei os olhos da minha imagem e peguei minha varinha. Sentia que aquela noite mudaria para sempre minha vida, mudaria tudo, quem eu sou, quem eu quero ser. Sentia que seria como um julgamento final, onde eu exporia minha alma á todos, e seria finalmente condenada ao meu próprio destino, pelo meu próprio destino.
Com a pele arrepiada, não de frio ou de medo, mas de ansiedade, apertei firmemente minha varinha e dasaparatei. Eu iria encarar meu futuro, meu destino, e por mais doloroso que fosse eu faria a escolha certa. E pensando nisso apareci em Hogsmeade.
A vila estava escura e vazia,mas eu podia ouvir gritos e explosões vindos do Castelo á minha frente.
Ignorando-os caminhei lentamente até a Casa dos Gritos. Onde a ruína me esperava, aguardando o momento certo para acabar de vez comigo.
* * *
Fale com o autor