Caminho de Lágrimas
5 Susto
Notas iniciais
‘’Ouvi um barulho’’Foi a primeira coisa que pensei assim que acordei.Eu já estava naquela cama a mais de uma semana e dormia a maior parte do tempo.Me sentia mais fraca e dolorida do que nunca já que agora a poção começava a fazer muita falta.Olhei em volta por um momento,minha visão estava incrivelmente embaçada e até minha audição estava ficando prejudicada. ‘’Eu preciso da poção’’ pensei ‘’Sem ela eu só vou morrer mais rápido.’’
Ouvi novamente o barulho que me acordara.Tentei me concentrar pra ver o que era e percebi serem passos se aproximando da porta.Procurei por Severo mas não o vi em lugar algum.’’Deve ser ele...Espero que seja ele’’ Quando a porta se abriu e eu vi um vulto entrando.Tentei ver quem era mas a única coisa que vi foram as vestes escuras e os cabelos negros.Poderia ser Severo,na verdade,deveria ser ele mas algo me dizia que não era.Inspirei profundamente e percebi opor que disso.Snape tinha um cheiro de almíscar amadeirado e canela.O cheiro que eu sentia era doce e enjoativo,nada parecido com o de Severo.
Apertei meus olhos tentando enxergar mas a luz foi apagada o que dificultou ainda mais minhas tentativas inúteis de ver quem invadia meu quarto.O vulto fechou a porta com cuidado deixando o aposento na mais profunda escuridão e se aproximou de mim.
Meu coração parou ‘’ O que será que ele quer?’’Me perguntei ‘’Será que eu devo falar com ele?’’ Mas quando eu fui tentar falar senti uma fraqueza tão grande.Tentei erguer meu braço mas só de pensar em tentar eu já sentia ânsia.O vulto começou a se aproximar mais e sentou na minha cama me fazendo pender para um lado.
‘’O que será que vai acontecer agora?’’Pensei desesperada.’’Espero que não seja o que eu estou pensando...Severo cadê você?’’O vulto afastou a coberta de cima de mim e observou meu corpo desnudo por debaixo dela.’’mas que droga por que justo hoje eu resolvi que estava com preguiça demais para me vestir?’’ Me amaldiçoei mentalmente,no dia mais cedo Snape havia me ajudado com o banho e eu me senti tão fraca depois daquilo que não quis me vestir.Eu me via agora,semi-nua na frente de um estranho,desejando morrer.
O vulto continuou olhando para mim por mais uns momentos e sem mais nem menos passou a mãos nos meus seios,fazendo-os ficarem rígidos.Senti meus olhos se encherem de lágrimas ‘’Não por favor,depois de tudo...Não pode acontecer agora,por favor Severo apareça!’’pensei.
Ele começou a acariciar minha barriga que tinha marcas já amarelas da hemorragia,mas que não podiam ser vistas naquele escuro,depois foi descendo a mão até chegar na minha calcinha e quando ele foi por a mão la dentro eu ouvi passos.Ele estacou.E eu deixei as lágrimas caírem,lágrimas de alivio.
_Não pense que se livrou de mim. – Disse o vulto me cobrindo novamente e indo na direção do banheiro onde havia uma janela suficientemente grande por onde ele poderia passar para poder se afastar o bastante da casa e aparatar.
No mesmo instante que eu ouvi ele saindo pela janela a porta se abriu e severo apareceu.Eu suspirei de alívio.Ele acendeu as luzes e veio até com uma expressão de preocupação em vista do meu rosto marcado pelas lágrimas.
_O que houve aqui? – Ele perguntou,eu olhei para ele desconsolada,não tinha forças para responder,a dor era horrível. – me diga,o que houve?
Olhei nos olhos dele e tentei transmitir o fato de que precisava da poção mesmo que ela agravasse meu quadro.Uma expressão de entendimento se espalhou por seu rosto antes de ser substituída por uma de cansaço.Ele tinha olheiras fundas e parecia mais pálido do que o normal. ‘’Mas por que isso?’’ Me peguei pensando’’Se ele passa metade do dia fora e outra parte dormindo?’’.
_Entendi,você precisa daquilo,eu não queria te dar mas parece inevitável... – Ele então tirou o frasquinho com o líquido branco da capa e abriu-o,despejando na minha boca.
Eu senti o fogo mas não gritei.Já estava me acostumando com isso,com a dor,ela fazia parte da minha rotina agora,faziam semanas,talvez meses que eu não passava sem sentir nenhum tipo de dor,desde aquela noite no beco.
Suspirei esperando a dor diminuir para poder falar,percebi o efeito que a poção tinha no meu corpo.Apesar da dor eu me sentia menos fraca,já podia ver e ouvir claramente e senti que poderia me mexer com segurança.Estava forte novamente. Quando falei minha voz estava rouca e estranha.Tossi algumas vezes.
_alguém entrou aqui Severo – Disse usando o primeiro nome dele,depois de alguns dias tendo de ser banhada por ele agente para com as formalidades – Alguém entrou aqui,e...- Engoli em seco tentando controlar as lágrimas que teimavam em encher meus olhos,eu sou muito traumatizada com isso,parece que todos os homens que se aproximam de mim querem sempre a mesma coisa,apenas Snape me tratou com respeito,qualquer outro no lugar dele já teria me violentado á séculos.
Eu ia continuar mas não foi necessário,a expressão de entendimento no rosto dele seguida pela de raiva foi o suficiente para me dizer que ele havia compreendido.Eu não sabia ainda mas ele era uma ótimo legilimens,soube exatamente o que aconteceu assim que me olhou nos olhos.
_Você viu quem foi? – Perguntou ele com os punhos fechados e uma expressão de ódio que me assustou um pouco.
_Não eu não pude...Minha visão estava embaçada demais pela falta da poção e a única coisa que me recordo dele é do cheiro e da voz,o cheiro é doce enjoativo e a voz era fria e grossa...Não deu tempo de ele fazer muita coisa mas se você não tivesse chego... Você tem alguma idéia de quem freqüenta essa casa que poderia ter entrado aqui?
Ele fez que não.Eu não sabia disso mas nós estávamos na mansão Malfoy.Geralmente eles administravam a poção nos trouxas em uma casa abandonada em um subúrbio e como estes morriam instantaneamente eles nunca tiveram o trabalho de trazê-los pra ca,mas como eu sobrevivi eles puderam usar um dos quartos da mansão para mim ficar,contando que eu não soubesse que estava lá,é claro.Acontece que a Mansão Malfoy é freqüentada por todo o circulo intimo de Comensais do Lord das Trevas,ou seja,umas trinta pessoas,dentre elas uns vinte homens,e ainda havia uns 10 ou 15 que moravam lá.Não tinha como saber qual deles tentou se ‘’aproveitar’’ de mim,se eu ao menos pudesse afirmar com certeza como ele era...mas nem isso eu podia.Não dá pra acusar alguém usando como base o cheiro e o tom da voz,é preciso algo mais concreto,algo que não tínhamos.A única opção era deixar isso em aberto.
Suspirei.
_Agora que você esta acordada.- Começou Snape – Eu acho melhor você tentar se levantar,nós temos muito o que resolver.
Ele se aproximou de mim e me apoiou enquanto eu tentava ficar em pe.Com alguns gemidos e dor de minha parte e alguns muxoxos impacientes da parte dele eu consegui ficar em pé sem apoio,mas foram apenas uns 5 segundos antes de eu cair,sendo aparada por ele que com cuidado me botou de volta na cama.
_Acho que amanhã você já vai estar forte o bastante para me acompanhar ao Beco diagonal... – Ele começou dizendo mas quando viu minha expressão confusa se apressou em completar se sentando na poltrona. – Beco Diagonal é o lugar onde os bruxos Londrinos compram seus itens mágicos.Você não precisa de uma varinha para usar magia mas o Lord das Trevas acha bom que você tenha uma,ele pensa que isso pode aumentar seus poderes e quer que em um ano eu te transforme em uma bruxa de verdade. – Severo disse me olhando com raiva,como se isso fosse culpa minha,mas eu já estava acostumada com o mau humor dele então ignorei.
_E vamos comprar essa varinha no tal Beco Diagonal? – perguntei,ele me olhou mais impaciente ainda.
_É obvio que vamos,e espero que você esteja forte o suficiente. – ele me olhou com uma expressão severa como se isso dependesse somente de mim,eu lhe devolvi um olhar irônico.
_E como funcionam essas tais varinhas? – perguntei com a minha melhor cara de anjo tentando não aborrecê-lo muito,ele bufou e revirou os olhos com a minha expressão.
_São objetos mágicos que permitem aos bruxos concentrar sua magia para poder utilizá-la e comandá-la melhor,elas escolhem o bruxo.Vou levá-la amanha ao Olivaras para comprar a sua.
_Mas se varinhas são feitas para bruxos será que funcionam para mim? – Perguntei meio na dúvida.
_Bom isso nós vamos descobrir amanhã. – ele disse aproximando a poltrona da minha cama – agora durma,teremos um dia cheio,você tem que estar forte.
Ele então se aproximou para me cobrir e eu segurei sua mão com força,ele tentou se soltar mas eu não deixei,com a minha melhor cara de cachorrinho sem dono eu pedi:
_Não me deixe sozinha?
Ele bufou e revirou os olhos mas apertou minha mão em sinal de aceitação e ficou do meu lado até eu cair em um sono tranqüilo e sem sonhos,embalada pelo seu cheiro de almíscar e canela...
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