Caminho de Lágrimas
28 O Fim
Notas iniciais
Boa Leitura.
“Harry Potter está morto. Foi abatido em plena fuga, tentando se salvar enquanto vocês ofereciam as vidas por ele. Trazemos aqui o seu cadáver como prova de que o seu herói deixou de existir.
“A batalha está ganha. Vocês perderam metade dos seus combatentes. Os meus Comensais da Morte são mais numerosos que vocês, e O-Menino-Que-Sobreviveu está liquidado. A guerra deve cessar. Quem continuar a resistir, homem, mulher ou criança, será exterminado, bem como todos os membros de sua família. Saiam do castelo agora, ajoelhem-se diante de mim e serão poupados. Seus pais e filhos, seus irmãos e irmãs viverão e serão perdoados, e vocês se unirão a mim no novo mundo que construiremos juntos.”
Ouvi a voz sinistra de Voldemort reverberar ao longe nos meus ouvidos inertes. Estava saindo da casa do Gritos e a certeza de que agora a guerra estava ganha para Voldemort não era nem de longe consoladora. ‘A condenação final’, pensei.
O sol despontava laranja ao horizonte, solitário em toda sua beleza e magnitude, e de repente me senti muito pequena se comparada á ele. Quem me dera ter a sorte que ele tinha, de apenas nos observar de longe sem verdadeiramente se importar, sem que nada que acontecesse aqui afeta-lo.
Refiz o feitiço de desilusão rapidamente, não queria que ninguém me importunasse.
Tudo que eu queria a partir do momento que sai de perto do corpo de Severo era parar um pouco e pensar, arquitetar um plano contra Voldemort, por que mesmo eu sendo mais poderosa ele tinha cartas na manga que eu nem poderia imaginar, e um conhecimento em magia tão extenso que me botaria de joelhos diante dele em segundos, perdendo muito provavelmente apenas para Dumbledore.
Mas sabia que deveria voltar para Hogwarts e dar explicações, para as quais eu nem ligava no momento, sobre o que eu estava fazendo enquanto os outros Comensais arriscavam sua vida por ele. Porém fui o mais lentamente que pude, meus pés se arrastando pelo chão de terra, sujando o sapato de salto preto que eu usava.
Até que ouvi gritos á distancia, vindos de Hogwarts, e a força da magia que Voldemort me lançara fez-me cambalear e perder o ar. Ele estava em perigo, e a ordem que ele me dera de protegê-lo deveria ser cumprida.
Fiz de tudo para evitar, tentei usar minha própria magia para prender meus pés ao chão, mas meu corpo me traia não querendo obedecer-me. Tentei então me segurar ao meu próprio esforço, caindo de joelhos no chão de pedras quando a pressão incrivelmente dolorosa na minha cabeça me fez perder as forças.
E então eu comecei á rezar. Á qual Deus eu não sei, se é que existe algum, mas quando minhas pernas começaram á se mover por conta própria até Hogwarts para salvar aquele que desgraçara minha vida o desespero me tomou por completo.
Não podia terminar assim, eu não podia, não deveria acabar salvando o homem que matou não só á mim, mas á milhares e talvez milhões de pessoas sem ao menos encostar nelas, acabando com suas vidas aos poucos... primeiro os parentes, depois os amigos, os amados, até levá-las também, por uma causa que apenas ele julgava realmente verdadeira.
Mas quando percebi já caminhava pelos terrenos de Hogwarts, a pior luta que eu já tivera em toda minha existência se passava em minha própria mente, e o esforço que eu fazia para desacelerar meus passos e conter meus gritos era sobre humano.
Algumas pessoas olharam atordoadas para o meu lado enquanto eu passava, mas eu sabia que nenhuma delas me via. Não ataquei ninguém, eu era como um fantasma em meio á eles. Gigantes, centauros, bruxos e várias outras criaturas mágicas se confundiam em meio á baderna da guerra, e os Comensais estavam visivelmente em desvantagem quando passei pelas portas de entrada da escola, seguindo provavelmente para o Salão Principal, que era uma estrutura parecida com um refeitório, mas sem mesas e completamente lotada de bruxos que lutavam entre si.
Alguns Elfos Domésticos se movimentavam á minha volta tentando furar as canelas dos comensais com garfos. Mas eu estava completamente alheia á tudo que acontecia, concentrada na guerra que ocorria dentro de mim.
Olhei para cima com os olhos cheios de lágrimas pelo esforço vão, e tudo que vi era o céu meio alaranjado do amanhecer.
Então tudo parou.
_ Protego! — berrou Harry Potter, e o Feitiço Escudo expandiu-se no meio do Salão Principal, e percebi que até Voldemort olhou admirado ao redor, procurando de onde viera, ao mesmo tempo em que Harry despia uma Capa da Invisibilidade. Caminhei lentamente em volta do Salão, esquadrinhando tudo com olhar, tentando me concentrar nas pessoas á minha volta e me esforçando para não interferir.
Berros de choque, vivas, gritos de todos os lados de “HARRY!”, “ELE ESTÁ VIVO!” foram imediatamente sufocados. A multidão se amedrontou, e o silêncio caiu brusca e completamente quando Voldemort e Harry se encararam e começaram no mesmo instante a se rodear.
_ Não quero que mais ninguém tente ajudar — disse Harry em voz alta e, no silêncio total, sua voz ecoou como o toque de uma trompa. — Tem que ser assim. Tem que ser eu.
Voldemort sibilou. Não sabia que eu estava ali, mas eu tinha certeza que minha ausência passava em sua mente como a salvação necessária.
_ Potter não está falando sério — disse ele, arregalando os olhos vermelhos. Eu sabia o que ele estava fazendo, estava ganhando tempo.— Não é assim que ele age, é? Quem você vai usar como escudo hoje, Potter?
_ Ninguém — respondeu Harry, com simplicidade e eu sinceramente admirei o garoto pela forma que ele enfrentava Voldemort. — Não há mais Horcruxes. Só você e eu. Nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver, e um de nós está prestes a partir para sempre...
_ Um de nós? — caçoou Voldemort, e todo o seu corpo estava tenso e seus olhos vermelhos atentos, uma cobra armando o bote. -Você acha que vai ser você, não é, o garoto que sobreviveu por acaso e porque Dumbledore estava puxando os cordões?
_ Acaso, foi? Quando minha mãe morreu para me salvar? -desafiou Harry. Eles continuaram a se movimentar de lado, os dois, em um círculo perfeito, mantendo a mesma distância entre si. — Acaso, quando decidi lutar naquele cemitério? Acaso, quando não me defendi hoje à noite e, ainda assim, sobrevivi e retornei para lutar?
_ Acasos! — berrou Voldemort, mas ainda assim não atacou, e os circunstantes permaneceram imóveis como se estivessem petrificados, e, das centenas de pessoas no salão, ninguém parecia respirar,exceto os dois e eu, que me contorcia de dor encostada na parede, meio sentada meio agachada. Coloquei o punho na boca tentando evitar que algum som saísse dela, naquele silencio até o menor gemido poderia ser ouvido. — Acaso e sorte e o fato de você ter se escondido e choramingado atrás das saias de homens e mulheres superiores a você, e me permitido matá-los em seu lugar!
_ Você não matará mais ninguém hoje à noite — disse Harry, enquanto se rodeavam e se encaravam nos olhos, verdes e vermelhos. — Você não será capaz de matar nenhum deles, nunca mais. Você não está entendendo? Eu estive disposto a morrer para impedir que você ferisse essas pessoas...
_ Mas você não morreu!
_ ... Mas tive intenção, e foi isso que fez a diferença. Fiz o que minha mãe fez. Protegi-os de você. Você não reparou que nenhum dos feitiços que lançou neles são duradouros? Você não pode torturá-los. Você não pode atingi-los. Você não aprende com os seus erros, Riddle, não é?
_ Você se atreve...
_ Me atrevo, sim. Sei coisas que você ignora, Tom Riddle. Sei muitas coisas importantes que você ignora. Quer ouvir algumas, antes de cometer outro grande erro?
Voldemort não respondeu, continuou a rondá-lo em círculo, e eu percebi que Harry o mantivera temporariamente hipnotizado e acuado, detido pela tênue possibilidade de que Harry pudesse, de fato, conhecer o segredo final...
Eu cai de joelhos no chão meio inconsciente pela dor. Uma mulher que estava á minha frente foi atingida por mim e cambaleou por um segundo se virando para olhar para trás. Me afastei dela silenciosamente e sentei no chão encostada na parede, tudo que eu precisava fazer era não interferir, e iria me esforçar até a morte se fosse preciso para fazê-lo.
_ É o amor de novo? — disse Voldemort, com a voz repleta de ironia . — A solução favorita de Dumbledore, amor, que ele alegava conquistar a morte, embora o amor não o tivesse impedido de cair da Torre e se quebrar como uma velha estátua de cera?
Amor, que não me impediu de matar sua mãe sangue-ruim como uma barata, Potter; e ninguém parece amá-lo o suficiente para se apresentar desta vez e receber a minha maldição. Então, o que vai impedir que você morra agora quando eu atacar?
_ Só uma coisa — respondeu Harry, e eles continuavam a se rodear, absortos um no outro, separados apenas por aquele último segredo.
_ Se não for o amor que irá salvá-lo desta vez — retrucou Voldemort—, você deve acreditar que é dotado de uma magia que não tenho, ou, então, de uma arma mais poderosa do que a minha?
_ Creio que as duas coisas — replicou Harry, e o choque perpassou o rosto de cobra do Lord das Trevas para instantaneamente se dispersar; Voldemort começou a rir, e o som era mais apavorante do que os seus gritos; desprovido de humor e sanidade, o riso ecoou pelo salão silencioso.
Eu me encolhi pela dor, completamente acuada, um gemido repleto de agonia escapou dos meus lábios, e a mesma mulher que eu quase tinha derrubado se virou e franziu a testa desconfiada.
_ Você acha que conhece mais magia do que eu? Do que eu, do que Lord Voldemort, capaz de magia com que o próprio Dumbledore jamais sonhou?
_ Ah, ele sonhou, sim, mas sabia mais do que você, sabia o suficiente para não fazer o que você fez. – Retrucou Harry, e eu senti minha admiração pelo garoto crescer mais um pouquinho á cada palavra que ele dizia. Agora eu entendia por que todas aquelas pessoas dariam suas vidas pela dele, Harry Potter era sincero, justo, quando eu olhava para ele era como se visse a lealdade, coragem e bondade que ele carregava passarem pra mim, se fosse alguma daquelas pessoas no salão, qualquer uma, também daria minha vida por ele, e naquele momento eu estava disposta á fazê-lo.
_ Você quer dizer que ele era fraco! — berrou Voldemort. — Fraco demais para ousar, fraco demais para se apoderar do que poderia ser dele, do que será meu!
_ Não, ele era mais inteligente do que você, um bruxo melhor e um homem melhor.
_ Eu causei a morte de Alvo Dumbledore!
_ Você pensa que causou, mas se enganou. -Pela primeira vez a multidão que assistia se moveu quando as centenas de pessoas em torno das paredes unanimemente prenderam o fôlego. Eu apurei os ouvidos e estreitei os olhos deixando a dor em segundo plano por um momento. Voldemort estava á ponto de explodir de raiva, e eu iria junto, só que no meu caso era de dor.
_ Dumbledore está morto! — Voldemort atirou as palavras para Harry como se pudessem lhe causar uma dor insuportável. — O corpo dele está apodrecendo no túmulo de mármore nos jardins deste castelo, eu o vi, Potter, e ele não irá retornar!
_ Dumbledore está morto, sim — respondeu Harry, calmamente—, mas não foi você que mandou matá-lo. Ele escolheu como queria morrer, escolheu meses antes de morrer, combinou tudo com o homem que você julgou que era seu servo.
_ Que sonho infantil é esse? — exclamou Voldemort, mas, ainda assim, ele não atacou, e seus olhos vermelhos não se afastaram dos de Harry. Eu estava curiosa, Snape havia matado Dumbledore, quer dizer que esse tempo todo Snape era o ‘mocinho’ da história?
_ Severo Snape não era homem seu. Snape era de Dumbledore, desde o momento em que você começou a caçar minha mãe. E você nunca percebeu, por causa daquilo que não pode compreender. Você nunca viu Snape conjurar um Patrono, viu, Riddle? — Voldemort não respondeu. Eles continuaram a se rodear como dois lobos prestes a se estraçalhar. E o rumo da conversa deles estava para se tornar tão doloroso quanto as pontadas ininterruptas no meu cérebro.
_ O Patrono de Snape era uma corça — disse Harry —, o mesmo que o de minha mãe, porque ele a amou quase a vida toda, desde que eram crianças. Você devia ter percebido — disse Harry quando viu as narinas de Voldemort incharem —, ele lhe pediu para poupar a vida dela, não foi?
Isso explicava muita coisa. Um amor provavelmente não-correspondido e trágico, explicava muito, explicava tudo, e nem por isso diminuiu a dor que eu sentia por ele ter amado e amar até á morte uma outra mulher, um amor tão grande que deixava aquilo que eu achava que ele sentia por mim aos seus pés, pois para se sacrificar do modo que ele fez por Harry...
_ Ele a desejava, nada mais — desdenhou Voldemort que estranhamente desviou o olhar para minha direção, só para voltá-lo quase imediatamente para Potter—, mas, quando ela se foi, ele concordou que havia outras mulheres, de sangue mais puro, mais dignas dele...
_ Naturalmente foi o que Snape lhe disse, mas ele se tornou espião de Dumbledore a partir do momento em que você a ameaçou, e dali em diante trabalhou contra você! Dumbledore já estava morrendo quando Snape o matou!
_ Não faz diferença! — guinchou Voldemort, que acompanhara cada palavra com extasiada atenção, mas, em seguida, soltou uma gargalhada demente. — Não faz diferença se Snape era meu seguidor ou de Dumbledore, ou que mesquinhos obstáculos ele tentou colocar em meu caminho! Eu os esmaguei como esmaguei sua
mãe, o pretenso grande amor de Snape! Ah, mas tudo isso faz sentido, Potter, e de modos que você não compreende!
“Dumbledore tentou me impedir de possuir a Varinha das Varinhas! Queria que Snape fosse o verdadeiro senhor da varinha!
Mas passei à sua frente, garotinho: cheguei à varinha antes que você pudesse pôr as mãos nela, compreendi a verdade antes que você a percebesse. Matei Severo Snape há algumas horas, e a Varinha das Varinhas, a Varinha da Morte, a Varinha do Destino é realmente minha!
O último plano de Dumbledore falhou, Harry Potter!”
_ É, falhou. Você tem razão. Mas, antes de você tentar me matar, eu o aconselharia a pensar no que fez... pensar, e tentar sentir algum remorso, Riddle...
_ Que é isso? — De tudo que Harry lhe dissera, acima de qualquer revelação ou zombaria, nada chocara tanto Voldemort. Suas pupilas se contraíram até virarem finos traços, a pele em torno dos seus olhos embranqueceu.
_ É a sua última chance — continuou o garoto —, e é só o que lhe resta... vi em que se transformará se não aproveitá-la... seja homem... tente sentir algum remorso...
_ Você ousa...
_ Ouso, sim, porque o último plano de Dumbledore não saiu às avessas para mim. Saiu às avessas para você, Riddle.
As mãos de ambos tremiam em volta de suas varinhas. O momento, eu sabia, estava apenas a segundos de distância. Fechei os olhos tentando me concentrar, e a única coisa que vinha na minha mente era o ódio insano que eu sentia por Voldemort, e isso não me ajudava nem um pouco.
_ A varinha não está funcionando corretamente para você, porque você matou a pessoa errada. Severo Snape jamais foi o verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas. Ele jamais derrotou Dumbledore.
_ Ele matou...
_ Você não está prestando atenção? Snape nunca derrotou Dumbledore! A morte de Dumbledore foi planejada pelos dois! Dumbledorepretendia morrer sem ser derrotado, o último e verdadeirosenhor da varinha! Tudo correu conforme ele planejou, o poder davarinha morreria com ele, porque jamais foi arrebatada de suasmãos!
Talvez, pensei, talvez tenha sido por isso que Snape ficara tão perturbado na noite da morte de Dumbledore. Ele nunca quis matá-lo, matar a única pessoa que lhe estendeu á mão, que o aceitou, eu poderia imaginar o quão difícil aquilo tenha sido para ele, apesar de ter sido o certo.
_ Mas, então, Potter, Dumbledore praticamente me entregou a varinha! — A voz de Voldemort tremeu de malicioso prazer. — Roubei a varinha do túmulo do seu último senhor! Retirei-a, contrariando o desejo do seu último senhor! O seu poder é meu!
_ Você ainda não entendeu, não é, Riddle! Possuir a varinha não é o suficiente! Empunhá-la, usá-la, não a torna realmente sua. Você não escutou o que Olivaras disse? A varinha escolhe o bruxo... A Varinha das Varinhas reconheceu um novo senhor antes de Dumbledore morrer, alguém que jamais tinha posto a mão nela. O novo senhor tirou a varinha de Dumbledore contra sua vontade, sem perceber exatamente o que tinha feito, ou que a varinha mais perigosa do mundo lhe dedicara a sua fidelidade...
Eu quase podia sentir a garganta de Voldemort formando encantamento para a maldição, Potter estava á um passo da morte. Ou quem sabe, quem estivesse mais próximo da morte fosse Voldemort... Estava ficando impossível resistir á dor e a pressão, á cada segundo o controle se esvaia mais das minhas mãos.
_ O verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas era Draco Malfoy. – Era quase palpável o aturdimento de Voldemort diante aquela declaração, eu começava á encaixar as peças , mas ainda não entendia tudo com clareza, talvez se minha cabeça doesse menos...
_ Que diferença faz? — perguntou Voldemort, brandamente. — Mesmo que você tenha razão, Potter, não faz a menor diferença para você nem para mim. Você não possui mais a varinha de fênix: duelaremos apenas com a perícia... e depois de tê-lo matado, posso cuidar de Draco Malfoy...
_ Mas é tarde demais. Você perdeu sua chance. Cheguei primeiro. Subjuguei Draco faz semanas. Arrebatei a varinha dele. Então, a questão se resume nisso, não é? — sussurrou Harry. -Será que a varinha em sua mão sabe que o seu último senhor foi desarmado? Porque se sabe... eu sou o verdadeiro senhor da Varinha das Varinhas.
Abri os olhos. O tempo pareceu parar, e não era mais eu quem comandava meus atos.
_ Avada Kedavra! –Disse Voldemort
_ Expelliarmus! – Disse Harry Potter. E mesmo naquele momento eu o achei tolo por tentar combater Voldemort com um feitiço de desarmar.
Observei, levemente petrificada, o jato de luz verde sair da varinha de Voldemort e colidir no meio do caminho com o feitiço azul de Potter, voltando ao seu dono, mas antes que o feitiço mortal atingisse Voldemort um escudo, quase palpável, que fez todos no salão cambalearem perigosamente pela força, fez o feitiço se desviar e atingir uma das paredes do salão.
Completamente derrotada senti o feitiço de desilusão escorrer como água pelo meu corpo, e fiquei visível novamente. Absolutamente todos os olhares se viraram para mim.
Abaixei então minha mão direita, que sem que eu percebesse estava erguida, sustentando o escudo mágico. Voldemort olhava para mim, sua expressão era indecifrável. Harry Potter também em encarava, mas o que eu via em seu olhar não era a surpresa que eu esperava, mas sim pena, uma pena tão grande que me fez sentir péssima e ao mesmo tempo me consolou, eu não queria que ele me odiasse.
_Parece que Dumbledore deixou passar alguma coisa, não é mesmo Potter? – A voz maliciosa de Voldemort me fez voltar á mim, e quase no automático me levantei indo até ele, sendo intensamente observada por todos.
_Estupefaça- Ouvi a mulher na qual tinha esbarrado antes gritar. O feitiço dela simplesmente ricocheteou no meu escudo natural, voltando para ela, que caiu no chão estuporada. A Maior parte das pessoas no salão me olharam aturdidas, menos Voldemort e Potter.
_Katherine... – Ouvi Potter sussurrar em um tom que apenas eu poderia ouvir. Surpresa parei á meio caminho de Voldemort e me virei para ele. Sua expressão era de compaixão, mas também havia um leve resquício de preocupação em suas sobrancelhas franzidas.
_Sabe quem eu sou? – Perguntei ao garoto, analisando minuciosamente cada traço do seu rosto, desde os lábios cortados até os olhos muito verdes, mas sem desviar totalmente minha atenção de Voldemort, que assistia a cena como se fosse um filme interessante, sem se preocupar realmente.
_É claro que eu sei... Mas bem, eu á vi nas memórias de Snape, acho que sabe do que eu estou falando. – seu olhar era sugestivo, ele sabia que eu estava na casa dos gritos quando ele recolheu as lembranças, recordar aquilo fez meu estomago embrulhar. Engoli em seco.
_Ahh... Então sabe que eu não tenho escolha. – falei amargurada, depois de todo aquele esforço... Voldemort continuava vivo, e aparentemente muito impaciente com minha conversa com Potter.
_ Tem sim, Dumbledore não se esqueceu de você. – Os olhos atentos do garoto, quase um homem, iam de mim para Voldemort, até se concentrarem totalmente em mim. – Snape alterou a poção da obediência, você pode desobedecer Voldemort, Katherine. E mesmo se ele morrer... Eu sei onde está a formula para a poção Opprimere. Mesmo se ele morrer você vai continuar vivendo.
Fiz que não com a cabeça, era bom saber que de alguma forma Snape havia tentado me proteger, mas sem ele, não havia por que continuar vivendo.
_Então é esse o nome da poção? – Sorri amarelo para ele.- Mas não conte com isso Potter, talvez seja eu a fraca, mas nunca consegui desobedecer O Lord das Trevas.
Por mais estranho que isso pareça, ele sorriu para mim.
_Há não? E aquela vez que você mentiu para ele e salvou metade da Ordem? E quando você desobedeceu suas ordens e o seguiu até a Casa dos Gritos? Você não precisa fazer nada que não queira Katherine... É só acreditar nisso.
_Imagino que a conversa esteja interessante, mas por que não acabamos logo com isso? – A voz fria de Voldemort chamou á atenção de todos no salão, que ainda continuavam no mais profundo silencio. – Já que, ao que me parece, Katherine não obedece somente á mim, me parece justa um disputa. Que tal se testássemos meu poder sobre ela contra o que Snape? Katherine... Mate Harry Potter.
Pra ser completamente sincera, a primeira coisa que veio á minha mente assim que senti a pressão e as dores já tão familiares foi ‘’Fodeu’’. Acho que é a única palavra que poderia descrever a situação. Meu olhar preocupado se chocou com o apreensivo de Harry, e eu soube que tudo estava perdido. Á não ser que...
Comecei á andar na direção dele. Alguns bruxos se agitaram á nossa volta, como que querendo interferir, mas com um movimento da mão Potter pediu para que não fizessem nada. Ergui minha varinha na direção dele, tentava em vão transmitir apenas com o olhar o que eu pretendia.
_Erga a varinha Potter. Não quero matar um bruxo desarmado. – minha voz soou assustadora no salão silencioso, mas eu pude ver a compreensão nos olhos do garoto, ele sabia que eu estava blefando, ganhando tempo. Tentei ignorar a pressão na minha cabeça e achar um modo de comunicar á ele o que nós deveríamos fazer.
_Você não precisa fazer isso... – Ele começou á dizer, mas antes que pudesse terminar eu ataquei ele com um estupefaça, que para meu alivio foi imediatamente desviado.
Começamos então á duelar. Eu tentava usar feitiços que não causassem muitos danos se o atingissem, mas para não levantar suspeitas lancei alguns Cruciatus em sua direção , todos foram desviados.
É agora, pensei assim que vi uma brecha óbvia na defesa dele. Com um movimento rápido o desarmei, e a varinha que antes o pertencia voou em meio do salão até a minha mão. Lancei um olhar significativo para ele, e fiz seu corpo se erguer no ar, deixando-o no mesmo nível que eu. Ele assentiu minimamente, assinalando que seguiria conforme eu quisesse.
_Sinto muito Harry. Mas parece que Dumbledore e Snape falharam.- Disse me aproximando. Os bruxos em volta pareciam ansiosos, como se fossem intervir á qualquer momento. Quando estava á centímetros dele sussurrei algo no seu ouvido. Ele assentiu, meio que á contra-gosto, dizendo que havia entendido. Disfarçadamente eu coloquei a varinha novamente em suas vestes. – Parece que é o fim.
Me afastei dele vários metros, e eu, Harry e Voldemort formamos um triangulo perfeito. Ergui minha varinha em direção á Potter, pude sentir a apreensão de todos a nossa volta, mas o que saiu dos meus lábios, por mais que eles quisessem dizer, não foi aquilo que Voldemort mandara.
_Finite.- Disse. O feitiço que prendia Harry foi desfeito.
_Avada Kedavra. – Ele gritou apontando a varinha levemente tremula para mim. O feitiço veio na minha direção mas foi desviado por meu escudo, indo na direção de Voldemort, que assistiu atordoado o raio verde atingi-lo.
Ao mesmo tempo que Voldemort caía para trás de braços abertos, as pupilas ofídicas dos olhos vermelhos virando para dentro de seu corpo fraco e encolhido, as mãos brancas vazias, o rosto de cobra apático e inconsciente, eu cai de joelhos no chão, gritando na mais profunda agonia.
A dor mais intensa que eu já sentiria em toda minha vida tomou conta de mim, era tão forte, que eu mal conseguia parar de gritar, e a consciência das coisas á minha volta era mínima.
Pude ouvir os gritos de alegria pela morte de Voldemort serem imediatamente silenciados com meus gritos. Senti duas mãos quentes segurarem meu rosto com cuidado e me fazerem encarar olhos muito verdes.
Agarrei o braço de Harry. Ele dizia alguma coisa, mas eu não conseguia me concentrar o suficiente para ouvi-lo, eu não conseguia pensar direito. Com um esforço muito grande tentei balbuciar algumas palavras para ele, pedindo, implorando para que acabasse com a minha dor.
_Dói.. Dó-i... Demais... Harry, po-por favor... Eu na-não posso agüentar...
A ultima coisa que senti antes de desmaiar foi os braços dele em volta de mim, me pegando no colo, provavelmente tentando salvar a minha vida que não merecia ser salva.
Então a escuridão se fechou ao redor de mim sendo acolhida de braços abertos. Finalmente a dor sucumbiu, e eu fiquei em paz.
Notas finais
Beijinhos *-*
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