Caminho de Lágrimas
29 Epilogo
Notas iniciais
Boa leitura.
Algumas horas depois eu acordei no salão principal, os feridos eram muitos para ficarem na ala hospitalar, Harry ainda estava por perto, quando acordei ele velava os corpos de Remus Lupin, Nymphadora Tonks e Fred Weasley junto com os Weasley e Granger. Assim que ele me viu acordada veio até mim.
Seus olhos estavam tão tristes.
_Como se sente? – Seu tom era baixo.
Sorri amarelo pra ele.
_Na medida do possível... Bem. E você?
_O mesmo. Mas acho que você merece algumas explicações... – Ele olhou em volta por um momento, mas logo tornou á olhar pra mim – Talvez... Eu não posso agora, mas se você esperar alguns minutos eu posso te levar ao escritório do Snape onde tem a formula pra sua poção e um pouco mais dela, te explicar tudo e depois te levar pra casa, já que você não parece em condições de fazer magia, quanto mais aparatar... – Ele parecia levemente encabulado enquanto falava, como se temesse uma reprimenda minha. Apenas assenti concordando e esperei enquanto ele voltava até os Weasley e explicava o que iria fazer.
Vários deles olharam pra mim enquanto Harry falava, e de repente me senti como uma atração de circo. Eu sabia que não era normal, mas entre os comensais os olhares que eu recebia eram no máximo de surpresa, assombro, enquanto ali até alguns dos Weasley me olhavam como se eu fosse exatamente uma atração de circo (isso se resume ao Percy e ao Carlinhos, um me olhando como se eu fosse um animal nojento, e outro como se eu fosse uma criatura levemente interessante). Então minha ficha caiu: eu ia ficar famosa no mundo mágico, e os únicos olhares que eu receberia dos bruxos por um bom tempo seriam esses. Perguntei-me como Harry Potter sobreviveu sendo tratado assim a vida inteira.
Então eu me lembrei que isso não era nada, por que se importar com o que os outros pensam? Severus também não se importava com a opinião alheia... Severus... Meu estomago embrulhou quando pensei nele, senti uma vontade incontrolável de chorar. Mas eu não podia, não naquele momento, então me forcei á ignorar esse pensamento, mesmo sabendo que isso seria impossível.
Alguns minutos depois Potter veio até mim e me ajudou a levantar, eu estava fraca, e a dor ainda era intensa, mas eu já estava acostumada com isso. Rapidamente me livrei do abraço de Harry e comecei á andar junto com ele até as masmorras. A dor de caminhar assim era intensa, mas o orgulho jamais me deixaria ser amparada por alguém mais do que o estritamente necessário, ainda mais por Harry, que deveria estar tão destruído quanto eu.
Depois de um tempo torturosamente longo e silencioso chegamos aos antigos aposentos de Severus, onde ficava seu escritório, quarto e laboratório.
Potter sussurrou a senha e a porta se abriu. Ele atravessou a sala e tocou com a varinha um ponto da parede, sussurrando novamente alguma coisa. Uma porta se materializou. Depois deu a volta na sala, observando tudo com atenção, e foi até uma das estantes repletas de criaturas flutuando em recipientes de vidros com líquidos coloridos e fez um movimento com a varinha, dois dos vidrinhos brilharam, ele os removeu com cuidado e tocou na parede. A pedra afundou e revelou um compartimento de tamanho razoável, onde havia uma caixa, algumas cartas e um álbum. Harry olhou curioso para o álbum e as cartas mas logo os ignorou pegando a caixa.
_Aqui. – Ele abriu a caixa, haviam vários frasquinhos com poções simples como de sono ou dor de cabeça enfileiradas lado á lado. Ele retirou as poções com cuidado e tocou o fundo com a varinha. Tirou um pergaminho de dentro e me entregou a caixa. – Ele disse que você saberia.
Peguei a caixa com as mãos tremulas e me sentei em uma poltrona da sala. O cheiro dele estava impregnado em tudo, desde as paredes frias de pedra até os móveis de mogno e a poltrona verde escuro na qual eu estava sentada. Suspirei.
A caixa era pesada e razoavelmente grande. Feita de madeira com detalhes entalhados, alguma coisa estava escrita em uma língua estranha na tampa.
No fundo da caixa havia espaço para quatro caracteres. Pelo o que eu vi poderiam ser qualquer coisa que eu pudesse imaginar, desenhos, formas, letras, números, formulas.
Bufei. Como ele esperava que eu soubesse?
_Você tem alguma idéia de qual seja a senha? – perguntei com a voz fraca olhando para Harry, ele fez que não. Então notei uma coisa. – Espera, que papel é esse?
Ele me observou por um instante antes de responder.
_Snape pediu para te entregar depois que você abrisse a caixa.
Perdi a paciência.
_Mas como ele esperava que eu soubesse a senha? Pode ser qualquer coisa! Qualquer coisa... – Então eu tive um insight repentino.
Usei a varinha para alterar as formas, e com um clique o compartimento se abriu.
Ficou tão pesado, tanto que deixei a caixa cair no chão. Olhei atônita para Harry.
_’’Tudo’’, a senha era tudo... – Ele retribuiu meu olhar e se aproximou. Nós nos ajoelhamos no chão ao lado da caixa. Engoli em seco.
Tudo que eu via dentro da caixa eram galeões, mexi um pouco nela e encontrei jóias, sicles e nuques, e vários outros itens com certeza valiosos, até mesmo uma escritura de alguma casa...
Enfiei o braço lá dentro enquanto era fixamente observada por Harry. Minha mão bateu em alguma coisa, puxei pra cima. Era outra caixa, mas um pouco menor. Quatro caracteres no fundo.
Pensei um pouco, fiz algumas tentativas. Quando já estava frustrada consegui.
_’’Isso’’. – Esclareci para Harry, ele assentiu.
A caixa não foi tão pesada quanto a outra, e com alguma dificuldade levantei ela e me sentei botando-a no colo. Harry me ajudou.
Dentro haviam poções, várias, de vários tipos, mas nenhuma como a minha. Reconheci poções que demoram anos para serem fabricadas, várias eu não sabia o que eram, a única coisa que identificava elas eram números misteriosos nos rótulos. A poção mais simples que eu achei foi Felix Felicis.
Peguei uma das poções, toquei o frasco de vidro com a varinha. Era enfeitiçado, inquebrável. Coloquei meu braço dentro da caixa e desfiz a ordem meticulosa de poções até achar o que eu queria. Outra caixa.
Quatro caracteres. ‘’Vida’’.
E tanto para a minha surpresa quanto para de Harry tudo o que havia ali dentro, quase infinitamente, eram frascos da minha poção. E diferente das outras caixas, essa era leve e pequena. Suspirei pegando uma das poções. Por hora...
Bebi o mais rápido que pude, e tentei não fazer uma careta muito feia com a dor, mas mesmo assim Harry pareceu preocupado. Ele puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado.
Relaxei a expressão.
_Tudo bem? – Ele perguntou.
_Sim... – Respondi com a voz fraca.- Pode me entregar a carta agora por favor?
Ainda meio receoso ele me deu, depois levantou e começou á andar de um lado para o outro.
Katherine Blackwell
No Fim
Estava escrito por fora, com as mãos tremulas rompi o lacre de cera verde com o símbolo da Sonserina. Típico. Harry continuava andando de um lado para o outro.
_Da pra parar? Isso me deixa nervosa.- Ele parou de andar e sentou em uma cadeira á minha frente, ficou me observando enquanto eu lia a carta em silencio.
Tudo que antes me pertencia pertence á você.
Você tem tudo o que precisa para viver, poção suficiente para centenas de anos, mas, caso precise, a formula está no fundo de uma das caixas.
Só quero que você saiba que não foi tudo uma mentira.
Com amor.
Severus Prince Snape.
E eu cai no choro com a ironia de tudo. Por que aquilo era só o que eu teria, mas tudo que eu desejava. Harry apenas entendeu me assistiu chorar, com a mão pousada no ombro. Quando eu finalmente me acalmei ele me levou até a rua da fiação e me deixou lá junto com as caixas, parecendo receoso em me deixar sozinha. Mas eu sabia que ele precisava descansar, precisava velar seus amigos mortos, decidir o que faria dali em diante. Então me despedi e implorei pra que ele fosse sem olhar pra trás. Porém não consegui isso totalmente, Harry prometeu que voltaria assim que pudesse.
Sentindo-me morta eu entrei na casa, tão cheia de lembranças, e me afoguei nas minhas próprias lágrimas durante dias.
E aqui estou eu, não tenho mais lágrimas para chorar, e sei que estou presa, não posso morrer, não posso descansar. Nunca. Então hoje mais tarde eu vou partir, para onde eu não sei, mas só preciso fazer duas coisas antes de acabar. Uma carta para Harry. E uma para Jean, por que eles são os únicos que me restam, minha única família. Não vou precisar dos galeões de Snape, e também não os quero, e como sei que Harry não precisa, vou o mais rápido possível á Gringotes, passar para dinheiro trouxa, e deixar para Jean, para que ele possa ter a vida que eu não pude ter.
Eu já estou morta, é só uma questão de tempo até meu corpo acompanhar minha alma e morrer também. Enquanto isso eu vou vagar, cuidar de Jean e de Harry. E tentar achar um lugar, ou um modo, para que eu possa enfim descansar em paz.
***
Carta Para Harry
Não vou tentar explicar meus atos, até por que eles não tem explicação, mas quero que saiba que mesmo em tão pouco tempo você já é importante para mim, você salvou minha alma. Devo-a eternamente á ti. Mas agora ela sucumbe, pois você me salvou dos outros, não de mim mesma. Só espero que você entenda, nunca vou abandonar aqueles á quem quero bem, mas não posso mais viver sem uma alma, e a minha eu perdi. Não se esqueça de mim, e não se preocupe, na medida do possível, estou bem.
Seja feliz.
Atenciosamente,
K.B.
Carta Para Jean
Lembra de quando nós éramos pequenos, e eu dizia que iria embora ser feliz, e que quando pudesse iria te buscar pra ir comigo? Eu não me esqueci dessa promessa, mas não posso mais cumpri-la. Não se preocupe, como você dizia, ‘’Os monstros não estão mais aqui’’, eu estou bem, mas não posso ficar. Então vou cumprir a promessa de outro modo. Você vai ser feliz. Isso é uma promessa, e dessa vez eu vou cumprir. Aceite meu presente, entregue uma parte, mas não tudo, á sua mãe, para que vocês possam viver confortavelmente. E depois... Eu cuido de tudo.
Com Amor,
Kathy.
PS: Nunca se esqueça de mim.
Notas finais
É, parece que acabou. Minha primeira fic chegou ao fim, e espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu, já tenho projetos para fics futuras então fiquem ligados.
Quero agradecer á todos que leram,recomendaram e mandaram reviews, vocês me fizeram muito feliz!!!
Até a próxima.
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