Caminho de Lágrimas

26 Casa Dos Gritos


Notas iniciais
Mil desculpas pelo atraso nos posts, eu realmente não tive tempo nos últimos dias. Espero que me perdoem. Boa Leitura.

A Casa dos Gritos se erguia imponente em meio á escuridão, dando um ar melancólico e assustador ao lugar. Atravessei os antigos portões de madeira, já carcomidos pelas traças e cheguei até a porta da casa aparentemente abandonada.

Tinha certeza que se qualquer outra pessoa estivesse no meu lugar já teria sido morta pelos feitiços de proteção, mas alguma coisa me dizia que apenas Voldemort estava dentro da casa, e que ele sabia que era eu quem estava ali.

Sem pedir permissão adentrei pela porta que rangeu á minha passagem. O chão de madeira tinha uma camada grossa de poeira e eu podia distinguir com facilidade pegadas nela, apenas as segui até uma sala sinistramente decorada em preto e marrom. Uma poltrona estava de costas pra mim, de frente á uma lareira apagada, e uma mão cadavericamente branca acariciava uma cobra enorme que sibilou para mim me encarando com os olhos amarelos.

_Milorde. – Fiz uma pequena mesura á ele. Qualquer um pensaria que ele não podia ver, mas eu sabia que podia, ele via através daquela cobra. Eu sentia isso.

_Katherine. Achei que não viesse mais. – A voz fria me deu arrepios de medo. – E você não vai precisar dessa mascara aqui.

_Desculpe pelo atraso Milorde. Não vai se repetir. – No instante em que eu falei a poltrona foi brutalmente virada, causando um barulho horrível. E Voldemort me encarou com os olhos amarelos, iguais aos da cobra. Com um aceno de varinha tirei minha mascara.

_Realmente espero que não. Já sabe o que vai te acontecer se repetirem-se. – Apenas assenti olhando para o chão, de cabeça baixa em sinal de submissão. – Olhe para mim quando eu falo.

_ Sim Milorde. – Respondi tremula de medo e encarei-o. Ele parecia me analisar minuciosamente, e por um momento me senti exposta, como se estivesse nua á sua frente.

_ Você já deve saber que hoje estamos enfrentando o desfecho da guerra. Harry Potter invadiu Hogwarts. Não me pergunte como, pois eu não sei, mas tenho certeza que tem algo haver com aqueles amiguinhos rebeldes dele. Pelo o que eu pude descobrir ele está atrás de algo. Eu sei o que é e onde está, então não há perigo de que ele o encontre. Mas não sei, estou com uma sensação estranha essa noite. – Ele me encarou, olhando no fundo dos meus olhos, desviei o olhar. – Sensação de que hoje é minha ruína, de que talvez eu perca essa Guerra.

Olhei para ele incrédula. Ele continuava me observando, como que esperando minha reação ás palavras dele.

_ E, me desculpe perguntar, de onde vem essa sensação? Milorde.

Voldemort pareceu pensar um pouco, como se resolvesse se me responderia ou não. Por fim levantou-se de sua poltrona se aproximando.

_Não importa de onde ela vem. – Ele estava cada vez mais perto de mim, e quase instintivamente eu recuei mais e mais, até sentir minhas costas baterem na superfície sólida da parede de madeira. – O que importa que eu quero levá-la em conta. E é ai que você entra Katherine. – Voldemort chegou á centímetros de mim, o corpo quase encostando-se ao meu. Sem perceber comecei a tremer, do mais puro e aterrorizante medo. – Quero que você me proteja com a sua própria vida. Que impeça essa minha sensação de se tornar real. E se for necessário, apenas se eu não puder fazê-lo. Quero que mate Harry Potter.

Ele acariciava meu rosto com os dedos longos. Seu toque queimava na minha pele como veneno. Engoli em seco e virei o rosto encarando os olhos amarelos e assustadores tão próximos de mim.

_Sim Milorde. – Ele aproximou mais o rosto do meu, e de repente desviou-o e o enterrou no meu pescoço, respirando profundamente e fazendo todo me corpo retesar-se de receio. Então com uma rapidez que me impressionou ele se afastou, a expressão séria e indiferente.

_ Ótimo. Agora vamos até a floresta. Fiz um acordo com eles, se Harry Potter vier até mim e se sacrificar eu os pouparei, e tenho certeza que a nobreza tola dele não vai o permitir ter outra escolha. E não quero que você se afaste de mim, á não ser que eu mande.

Dizendo isso ele virou-se me dando as costas. Resignada com meu próprio azar eu o segui. Com uma fúnebre sensação de que essa ordem que ele me dera seria o meu fim.

***

Eu podia ouvir apenas meus próprios passos no chão de terra da Floresta Proibida. Voldemort caminhava á minha frente, mas seus movimentos eram tão fluidos e silenciosos que eu não podia ouvi-los. Ao longe podia distinguir apenas alguns ruídos de conversas, que foram aumentando, até nós entrarmos em uma clareira repleta de pessoas vestidas completamente de negro, algumas usando máscaras, outras não.

Uma meia dúzia dessas pessoas cuidavam de ferimentos, porém a maioria parecia estar perfeitamente bem, alguns com um olhar sádico que apenas assassinos que sentem prazer em matar possuem depois de uma chacina, outros com o olhar frio e indiferente. Não vi Snape em nenhum lugar, por algum motivo isso me preocupou.

Assim que entramos na clareira todos se calaram e viraram-se ao Lord fazendo uma reverencia em sinal de respeito.

_Boa Noite meus queridos companheiros. Hoje nós iremos concretizar nossa vitória e logo seremos nós á dominar e governar todo o mundo, colocando os trouxas, que injustamente nos forçaram á viver escondidos como baratas por séculos, no seu lugar. Hoje isso vai mudar, e é só uma questão de tempo para que aconteça. – Seus olhos amarelos passeavam de rosto em rosto, de mascara em mascara lendo os sentimentos dos vários Comensais presentes. – Fiz um acordo com Harry Potter, vocês já devem estar sabendo. E tenho certeza que mais breve do que esperamos ele estará aqui, entregando sua vida á mim por sua própria decisão e estupidez. Então fiquem atentos á ele, e não abaixem a guarda ainda. Mas quando tudo isso acabar os mais fiéis serão imensuravelmente recompensados. Assim como toda a raça bruxa, que terá de volta o que lhe é de direito.

Quando terminou de falar muitos Comensais assentiam em concordância, mas ninguém ousou se manifestar mais do que isso. Voldemort caminhou até uma espécie de trono negro no meio de clareira e sentou-se. Alguns bruxos, os mais próximos, chegaram perto e começaram á paparicar-lo, mas ele os rechaçou.

Fiquei de pé observando-o por quase meia-hora. Ele tinha um olhar distante, como se refletisse sobre uma decisão importante, e quando faltavam um pouco mais de trinta minutos para o fim do prazo de Harry Potter ele se levantou e disse.

_Tenho algumas coisas para resolver agora. Falta menos de meia-hora para Harry Potter se entregar á mim então se ele aparecer enquanto eu estiver fora segurem-no, mas não o matem. – Se virando para mim falou de modo que ninguém mais escutasse. – Não precisa vir comigo.

Depois caminhou até a saída da clareira enquanto vários bruxos recuavam assustados para deixá-lo passar. E desapareceu com um feitiço de desilusão perfeito.

Perguntei-me por alguns segundos o que seriam essas ‘coisas’ que ele tinha para resolver. Alguma coisa me dizia que eu deveria segui-lo, uma sensação inquietante se apoderava de mim, então quando eu vi que ninguém prestava atenção me desilusionei e entrei na floresta.

Para qualquer bruxo, por mais poderoso que fosse, seria praticamente impossível seguir Voldemort. Era de meu conhecimento que não se podia aparatar nos terrenos de Hogwarts, mas mesmo assim os rastros dele eram invisíveis. Não havia barulho, cheiro ou qualquer pista visível de aonde ele havia ido.

Mas para minha sorte Voldemort era um bruxo poderoso. Tão poderoso que deixava um rastro de magia quase imperceptível, e eu tinha certeza que era a única criatura no mundo capaz de segui-lo.

Qual não foi minha surpresa quando ele acabou na Casa dos Gritos. ‘O que Voldemort foi fazer lá?’ Eu me perguntava. Aproximei-me do lugar tomando cuidado com possíveis feitiços de reconhecimento, os quais desativei todos. Também garanti para que não houvesse rastro de que eu estava lá, apagando minhas pegadas na poeira do chão.

Encontrei Voldemort na mesma sala de antes. Mas agora ele não estava sozinho.

Severo Snape também estava lá.

Notas finais
Então, gostaram? Acho que o próximo capitulo terá duas partes e será definitivamente o final, e depois um epilogo. Nessa fase eu estou completamente refém de vocês, então comentem e recomendem okay? Meus agradecimentos á InLove que me mandou uma recomendação Tãoo, mas tão linda que me inspirou á escrever mais rápido. E á todas as outras leitoras, que fazem meu dia sempre mais alegre com seus comentários.