Caminho das Centelhas

20 O Ventre Amaldiçoado parte 2 - Ascensão Verdadeira


Não conseguimos pousar na ilha, Verstappen nos deixou perto, tivemos que nadar metros até a praia. A visão que tínhamos era de pessoas saindo da ilha de barco, todos andavam agachadas, o motivo era simples, a pressão de mana que o ventre amaldiçoado fazia não permitia nem que as pessoas ficassem de pé.

-Luise, lembra de tudo que aprendemos antes de virmos para a ilha?
-Sim, as aulas de preparação para Zetsuen
-Esqueça tudo, esse ventre já está num estágio tão avançado que não podemos ficar aqui mais do que 1 dia. Com o tempo, nossos corpos vão começar a sentir essa mana e vai afetar nosso bem-estar. Para falar bem a verdade, isso pode nem ser mais mana, talvez seja Nam.
-Então nossa estadia vai ser curta. Bom, vamos achar logo o ventre, antes que o Setimus nasça – afirma Sans
-Não levem nada além do que precisem. Não vai ser legal subir montanha acima com muito peso – digo olhando para Tora – Você infelizmente não tenho como dizer isso né?

Todos apenas se armaram e pegaram seus cantis, comida aqui não vai ser necessário e nem é opção. Tora colocou sua armadura O elmo é projetado para se encaixar perfeitamente na cabeça, protegendo seu crânio e rosto. É feito de aço endurecido e possui chifres ornamentais esculpidos, que aumentam a aparência feroz que ele já possuía, o peitoral é composto por placas de aço reforçado, habilmente moldadas e conectadas por tiras de couro grosso. Ele empunha seu escudo extraordinariamente grande, o escudo se parece como uma mesa de braço, cerca de 1,8 metros de altura, proporcionando uma ampla cobertura.

Kaila, coloca seu capuz e máscara. O capuz tem um design que imita as penas de um pássaro. Parecia que ela estava usando uma blusa, mas era um traje de combate, ajustado ao corpo, feito do que parecia ser um tecido flexível. Eu não havia percebido antes, mas Kaila não tinha duas asas, apenas uma asa que cobria toda a suas costas com uma penugem única.

Leyrcnith parecia ser o mais preparado, sua armadura élfica feita de um material leve, mas resistente, como uma combinação de couro e aço negro. Projetada para permitir movimentos ágeis e silenciosos. Ele carregava consigo uma adaga élfica, com uma lâmina curva e detalhes em prata ou aço negro. Um arco negro longo, além de uma pequena espada em sua cintura.

Do outro lado, Dante afrouxava as bandagens do que ele carregava, e como todos suspeitavam, era uma espada, sua bainha era extremamente bem ornamentada, agora que as bandagens foram soltas, se percebia o tamanho daquela arma. A forma de uma Zweihänder, uma espada de duas mãos com duas empunhaduras. Seu design é imponente. A lâmina é longa.

-Ela é forjada com um metal antigo e raro, conhecido como éterium, que irradia um brilho suave e sutil – diz Dante olhando em minha direção – Achei que estaria curioso já que está encarando tanto
-Não me entenda mal..., mas porque um suporte carrega uma arma como essa aí?
-Eu a encontrei em uma exploração uma vez, desde então a uso em missões muito importantes, essa parece ser uma bem importante.
-É você está certo Dante... Muito bem, todos vocês. Não sabemos onde está o ventre, sabemos que o Setimus ainda não veio a vida, então vamos a procura do ventre.
-E como vamos fazer isso? – indaga Kaila
-Simples, vamos seguir os carnicinhas – diz Luise
-Seguir quem? – indaga novamente Kaila
-Carnicinhas. Volans quisquiliae foetidus ou apenas carnicinha. Esses pássaros comem Nam para se alimentar, eles acabam purificando o local de onde estão próximos, normalmente rios – continua Luise – Onde há poucos carnicinhas, quer dizer que há uma quantidade menor de Nam, onde há vários, significa que é uma concentração grande de Nam. Ventres amaldiçoados acabam espalhando muito Nam por causa do processo de nascimento do Setimus.
-Exatamente Luise, sigam os carnicinhas e vamos achar o ventre

Antes que eu pudesse terminar de falar, sou interrompido, a ilha começa a tremer, no topo de uma das montanhas, um clarão, um feixe de luz vermelha e preta é jogado aos céus. Da pra ouvir os animais da ilha, o temor deles para com o que está acontecendo ali e agora. Às árvores estão nas últimas, começam a morrer após o despertar. Olhando para trás, os Kini’s estão com às mãos nos ouvidos.

-Que droga é essa? – Kaila pergunta gritando
-Eu disse que Kini’s eram sensíveis a isso. Parece que o Setimus nasceu, chegamos tarde demais.
-Só que esse sempre foi o plano, não é? – Luise indaga
-Dividam-se, Kaila, guie seu grupo para o ventre
-Como sabe que eu vou para o ventre e não para o Setimus?
-Quem está emitindo toda essa energia é o ventre. O Setimus ainda não faz ideia do poder dele.
-Certo, bom, boa sorte para vocês e não morram – Kaila diz tomando frente

Eu não esperava, Luise se despede e segue com o grupo, Garrias fica para trás. Ela corre em minha direção e me dá um abraço, não um abraço de despedida, mas um abraço de medo... esse medo não era por ela, era por mim! Um medo de que eu não voltasse. A única coisa que me veio à cabeça para dizer a ela naquele momento foi; “Acho que no fundo de toda essa camada de ódio, é só uma garota que quer um abraço para voltar a superfície.” Ela esboçou um leve sorriso, retomou seu lugar no seu grupo e seguiu.

-Agora que eles já foram, pode dizer a verdade sobre esse grupo ir enfrentar o Setimus? – Indaga Dante
-Uai, como assim verdade sô? — Lara também pergunta confusa
-Bom – começo a explicar – A verdade é que eu pedi um favor para a diretora Irons assim que saímos da ilha Júbilo. Pedi a avaliação de cada um referente a ao poder verdadeiro.
-Agora faz sentido – Tora completa – O que você sempre quis foi a Ascensão Verdadeira de cada um, a nossas evoluções primordiais. Gensho Shinka era tudo que você queria desse grupo
-Não posso dizer que é mentira. Eu realmente esperava que Sans por ser membro do pássaro trovão tivesse uma Gensho Shinka, mas ele não tem, então fui atrás dos que realmente tinham. Sendo a Lara nossa atiradora, fiquei sabendo que sua Gensho Shinka é de outro mundo.
-Parece que o homi da cidade fez o dever de casa – Lara responde com um sorriso
-Tora despensa apresentações. Se sua Gensho Shinka realmente for o que disseram no relatório. Cara, é com toda certeza nossa melhor arma. E Dante, faz jus a espada que tem.
-Já te contaram que espada é essa?
-Disseram que ela é o limiar entre paz e caos, mas não disseram qual espada era. Mas imagino que não seja tão forte, já que está nas suas mãos – digo o provocando
-Vai te catar espertinho – ele diz com um sorriso e completa – E você, consegue utilizar uma Gensho Shinka?
-Talvez o Sword que estudou em Thunderbird desde sempre não conseguisse, porque não se lembrava do próprio poder. Mas eu consigo.
-Certo, e como vamos chegar ao Setimus antes que o outro grupo chegue ao ventre?
-Vamos pelas cavernas Tanikt, elas devem dar direto no topo da ilha, onde o Setimus deve estar, vamos atrai-lo para longe do ventre para que o outro grupo possa fazer o trabalho deles.
-Se vamo pelas caverna Tanikt, vamo encontra os Messorem, tem certa disso Sword? – Lara indaga
-Vai ser um bom aquecimento, bom. Vamos lá! E Dante
-Oi?
-Fica atrás dando suporte, só cumpra suas funções de suporte por enquanto, não quero que desperdice a espada antes da hora
-Certo.

Nosso grupo saiu em direção as cavernas, era tudo assim como na simulação que eu, Sans e Luise enfrentamos na academia. E podíamos ouvir o barulho dos Messorem ao longe, mesmo com o risco precisávamos seguir em frente! E o que já esperávamos aconteceu, uma leva de messorem nos parou, 4 no total.

-Não podemos gastar nossos trunfos aqui, apenas sigam, eu dou cobertura – Digo a todos
-E o que vai fazer? Já vai gastar sua Gensho Shinka! – exclama Dante
-Eu tenho outros truques.

Na academia depois do teste da placa de reconhecimento, dizia que “uma tela em branco iria ser pintada”. Foi isso que Galliardos me disse, mas essa tela já foi pintada a muito tempo, só que eu não me lembrava. Meu potencial elemental está bem aqui!

A caverna escura, esquecida, envolta em nevoa, começou a clarear, mostrando suas sinuosas rochas e montantes de pedras. O clarão que iluminava vinha da minha habilidade elemental, "Raijin no Higeki / 雷神の悲劇” (Tragédia do Deus do Trovão). Essa habilidade é só a primeira forma para manipular eletricidade, consigo concentrar energia elétrica no corpo. Um halo eletrificado no topo da minha cabeça, simbolizando a conexão direta com o poder dos raios, relâmpagos e trovões. Meu corpo se torna um condutor eficiente energia, permitindo a manipulação elétrica. O "Raijin no Higeki" é capaz de gerar e projetar raios e relâmpagos com precisão e poder destrutivo. E pensar que eu havia me esquecido de algo tão útil. Agora vem a parte boa. Um dos Messorem vem direto na minha direção!

—Denkō no Tsubasa!

Concentro a energia elétrica nas costas, manifestando asas feitas de pura eletricidade. As asas elétricas permitem eu me locomover mais rapidamente pelo chão, não posso voar, mas ir muito mais rápido que qualquer uma dessas coisas. Na direção desse mesmo Messorem, desfiro um soco que é aumentando pela velocidade e eletricidade, causando a reação necessária. Quando o punho eletrificado toca a barriga do Messorem, uma explosão no seu interior se forma e a coisa começa a morrer de dentro para fora, agonizando e se contorcendo, até que seus ossos e pele começam a derreter. Eu já aprendi como acabar com vocês antes. Obrigado professor Barbatos!

Avanço contra os outros 3, me posiciono no meio deles e utilizo outra variação do Raijin no Higeki. Acertando os 3 ao mesmo tempo


—Kaminari no Kekkai

Crio uma esfera de eletricidade ao meu redor e começo a expandir a mesma, formando uma barreira defensiva, o que está de fora não me atinge dentro e o que está dentro é atingido por pulsos elétricos intensos, ataque e defesa ao mesmo tempo. O corpo dos Messorem ficam eletrificados, mas não é o suficiente para causar reação em cadeia. Apensa finalizo eles com:

—Raimei Hekireki

Concentro energia elétrica e disparo um feixe de eletricidade concentrada em direção aos Messorens. A mesma reação acontece com eles. Avanço em direção ao grupo.

-Cara, quantos truques mais você tem escondido? – pergunta correndo Dante
-Não era para ser algo secreto. Eu só não me lembrava mesmo.
-Muito bem, teremos mais Messorens a frente, não baixa a guarda agora vira-lata.
-Vira-lata? De onde veio isso
-Ouvi que te chamaram de cão ensandecido em Port Seanesse. Não acho que você seja mais que um viralata
-Muito engraçado
-Você quem disse que seria nossa guarda alta até chegarmos no Setimus.
-E vou ser. Não se cansem agora, deixem que eu lido com eles o resto é com vocês.

Seguimos subindo pelas cavernas, no total encontramos 24 Messorens. Apesar de tudo, não é igual a antes que eu me sentia exausto só de usar uma forma incompleta da minha habilidade como a espada sem forma. É como se eu tivesse me lembrado como utilizar de forma eficiente o mana. Meu corpo nunca esqueceu, mesmo eu fazendo de forma errada, meu corpo ainda sim dava um jeito de me limitar, é como se a memória muscular fosse mais forte que a memória a longo prazo. Dante fazia um trabalho excepcional como suporte, desde a revigoração do grupo, até mesmo no concerto das minhas espadas.

-Até que você é bom para um suporte
-Cala a boca vira-lata
-Haha. Ainda bem que trouxe você Dante.
-Ainda bem que eu vim. Deu pra ver que você não é tão exibido assim, até que você tem umas habilidades legais. Onde aprendeu tudo isso?
-Com meu pai.
-Não estou te chamando de mentiroso, mas os relatórios que recebemos no Eden diziam que você não conhecia nem seu pai e nem sua mãe
-Como eu disse, recuperei minha memória depois da ilha Júbilo, não é que minha memória estava presa em algum local lá. Só que algo parecido que meu pai fez pra mudar minhas memorias aconteceu quando encontrei o cristal, recuperei muita coisa. Inclusive o conhecimento das minhas habilidades.

Continuamos andando, chegamos ao topo da montanha, a visão lá de cima era terrível. A ilha já havia sido muito corrompida. Biomas inteiros agora era vestígios da passagem de Nam. Animais mortos por toda parte.

-Que merda, acabaro com a ilha sô – Lara entona
-O outro grupo deve levar mais algumas horas, estão subindo pela encosta da montanha. Consigo sentir a energia do ventre vindo dali, adiante.
-Como você consegue sentir isso? Achei que somente nós éramos sensíveis a isso – Tora indaga
-Eu consigo sentir isso por outros motivos Tora
-Vira-lata?
-É Dante, Vira-lata.
-Entendi.

Não foi nem muito difícil encontra o Setimus, ele estava na beira do penhasco, olhando, fitando o infinito. Ele tem uma aparência peculiar e uma energia caótica que parece emanar dele desde o momento em que nasceu. Apesar de ser um recém-nascido, possui uma aparência física que se assemelha a um jovem adulto de vinte anos de idade.

Ele tem cabelos negros como ébano e olhos de um azul profundo, que brilham com uma intensidade gélida. Sua pele é pálida e fria ao toque, como se sempre estivesse envolta em uma fina camada de gelo. Sua presença é envolvente e misteriosa, causando uma sensação de arrepio em quem o encontra. Diferente do que ocorria com toda a ilha, perto dele às coisas congelavam, se tornando lindos cristais de gelo, uma rosa perto dele se tornou sua versão mais bela quando cristalizada. Ele estava quieto, olhou para nós, estranhou, sorriu e estava vindo em nossa direção. Até que uma voz feminina disse; “Não Aiden, eles são os inimigos”, uma mulher de meia-idade, com cabelos castanhos desgastados e alguns fios grisalhos que se destacam. Seu rosto revela rugas profundas ao redor dos olhos, resultado de noites sem dormir e talvez de preocupações constantes. Seu olhar é cansado, mas também transmite uma mistura de amor e preocupação.

-Droga, o que essa mulher está fazendo ali, ela vai morrer se não sair – Dante diz colocando a espada na cintura
-Ela é o ventre Dante.
-Como é que é? Isso é possível?
-É extremamente raro um ser humano se tornar um ventre amaldiçoado, mas não é impossível. Os piores Setimus vem desse tipo de ventre. Parece até que ela já deu nome ao Setimus
-Senhora, qual seu nome? Tem que deixar essa coisa com nois – Lara diz empunhando o revólver
-Meu nome é Evelyn e esse é meu filho Aiden, não somos perigosos, por favor, deixe que vivamos em paz aqui.
-Desculpa Evelyn – Digo empunhando os deixe Bradamante – Mas esse é o segundo maior arquipélago de ilhas já catalogado em toda história. Milhões de pessoas vivem nele, não podemos privar todo o lugar para você e seu filho. Peço que se entregue e entregue seu filho!
-Aiden, os inimigos vão atrapalhar que eu e você fiquemos juntos, tem que evitar isso!
-Sim, mãe

Foi por apenas um instante. Sol já se punha na Ilha de Zetsuen, o crepúsculo banhava a paisagem com tons dourados, enquanto uma brisa suave soprava através das colinas ondulantes. Nós avançamos, confiantes e destemidos. Uma lâmina de gelo quase cortou a todos, intervi utilizando Bradamante. Todos caímos do penhasco junto do Setimus, separando-o do Ventre assim. Dante revitalizou a todos, a queda quase não fez efeito graças a isso. Estávamos na floresta, escura e morta. De repente, uma névoa gelada começou a se formar ao redor, deixando os cabelos nos braços eriçados. Um arrepio percorreu as espinhas de todos, alertando-os para a chegada iminente de um desafio sinistro. Então, emergindo das sombras da floresta, surgiu, sem expressão, sem ódio, sem nem um pouco de esforço, o até então nomeado Aiden, brandindo uma lâmina feita de gelo. Seu cabelo fluía como uma cascata congelada, complementando perfeitamente a palidez translúcida de sua pele. Seus olhos, cristais azuis penetrantes, irradiavam um brilho gélido e intenso, refletindo a alma fria e misteriosa que habitava seu ser.

Tora se pôs a frente impedindo o primeiro ataque com seu escudo, Aiden recuou, ergueu as mãos, e a atmosfera ao redor se transformou instantaneamente. Flocos de neve começaram a cair delicadamente, como lágrimas gélidas do próprio céu. A temperatura caiu abruptamente, congelando o ar e provocando uma névoa etérea. De sua palma estendida, um raio de gelo se projetou, cortando o ar com um estalo agudo. O feixe se dividiu em vários tentáculos congelados, cada um deles serpenteando em direção a nós. As lâminas de gelo cintilavam à luz do entardecer, hipnotizando e intimidando. Avançamos com determinação, cada passo deixando pegadas congeladas em seu rastro. Minhas espadas ressoavam com força contra às lâminas de gelo, nem pareciam realmente serem de gelo, Lara e Dante tentavam se posicionar tentando desviar as investidas de gelo, mas a habilidade de Aiden comandando as correntes congelantes era implacável. Pouco tempo de combate e o ar se tornou denso e pesado, impregnado com a eletricidade estática da batalha iminente. Cada movimento era um desafio desesperado contra a perfeição fria do recém-nascido. A cada golpe, a terra parecia tremer, ecoando o impacto das suas armas contra as garras de gelo. Enquanto os lutávamos, nossos fôlegos se transformavam em nuvens brancas flutuantes, exaladas como suspiros desesperados. A luta se desenrolava em meio a um palco de beleza e perigo, onde a pouco luz dos raios de sol dançavam entre os cristais de gelo suspensos no ar.

Aiden continuava a exibir seu domínio cruel e artístico. Um movimento gracioso das mãos e um poderoso redemoinho de gelo envolveu todos, um passo para trás e um reforço de aura, algo que deveria pouco me lembrar, mas que agora me é útil “Passo do Céu”, me coloquei fora do alcance do redemoinho, mas os outros... congelando-os lentamente em um bloco de gelo sólido. O ar estava carregado com a sensação de desespero e uma promessa implícita de uma derrota inevitável.

A cena era um testemunho vívido da dualidade do poder e da fragilidade humana, onde a beleza gélida e a perigosa magia se encontravam em um só ser. Aiden continuava a desafiar os limites da imaginação. O único problema desse showzinho dele, é que às coisas não podem terminar assim!

Acalma-te, respira. enquanto meus dedos envolveram com reverência o punho de Bradamante. Meus olhos se fixaram na lâmina de aço polido, que brilhava com um reflexo prateado, refletindo a luz em um espetáculo deslumbrante. Era uma arma simples, mas carregava consigo um significado profundo e uma esperança inabalável.

Movimentos precisos, deslizou-se suavemente a espada para fora de sua bainha, revelando-a outra vez mais ao mundo. Um som agudo e melódico ecoou pelo ar, como se uma canção antiga e poderosa estivesse sendo entoada. Cada centímetro da lâmina foi revelado gradualmente, revelando seu fio afiado e imaculado, perfeitamente moldado para cortar através do mal que assolava o mundo.

Como na primeira vez, a espada parecia ter um peso próprio, uma presença majestosa que ao mesmo tempo que me enchia de determinação, também pesava como um elefante. Cada entalhe cuidadosamente trabalhado na guarda e no cabo era uma história silenciosa, um testemunho daqueles que a empunharam antes de mim! Ninguém, mas eu sentia que havia vidas antes de eu empunhar tal espada.

Coragem, de uma tradição de bravura? Não importa agora! Era um farol de esperança em um mundo sombrio, uma centelha ardente em meio à escuridão. A espada irradiava uma altivez silenciosa, uma força silenciosa que se estendia além de seu peso físico. Era mais do que um pedaço de metal afiado; era um símbolo de resistência, um lembrete a mim mesmo, de que se eu acreditar serei capaz de enfrentar qualquer adversidade.

A neve, a luz, a espada. Enquanto a espada se erguia, sua sombra projetava-se como uma promessa de triunfo. Cada centelha de luz refletida na lâmina era uma faísca de esperança, uma chama que aquecia o coração e acendia o espírito de todos aqueles que acreditavam na vitória.

—Faça luz contra a escuridão! Gensho Shinka, Kyokuchi Sousei: Shin'en Zan!!

A penumbra enevoada abraçava o palco da batalha, onde a dança letal entre luz e sombra estava prestes a se desdobrar. A lâmina de Bradamante se torna um espelho, refletindo um abismo, desse abismo vinha meu poder. Espada sem forma? Fantasma da Espada? Passo sombrio? Limite da Razão? Todas essas técnicas eram derivadas de uma só técnica, era minha mente tentando se lembrar do meu verdadeiro eu e aqui está ele, minha ascensão verdadeira, minha evolução primordial. “Kyokuchi Sousei: Shin'en Zan” consiste em tirar o poder máximo do abismo e concentrar em um corte apenas.

A superfície polida da espada refletia a obscuridade do abismo, revelando uma sinistra paisagem de sombras e segredos ocultos. A energia do abismo, pulsante e enigmática, emanava do espelho-lâmina, criando uma névoa etérea que dançava ao redor de mim. Os olhos de brilhavam com uma luminosidade intensa. Os cabelos se erguiam ao sabor de uma corrente invisível, enquanto uma sensação de poder primordial percorria minhas veias. Cada célula parecia vibrar em ressonância com a própria essência do universo.

Do lugar onde eu estava, longe de Aiden. Desferi um golpe certeiro, um clarão de luz explodia em um espetáculo deslumbrante. O espelho-lâmina refletia o abismo, convocando sua energia sombria para transformá-la em uma força destrutiva incomparável. O impacto do ataque gerou uma onda de energia negra! Essa é minha Gensho Shinka, uma técnica que consiste em invocar o poder do abismo em uma lâmina, o caos reina somente com um golpe!

Aiden sofreu todo o dano do ataque, seu corpo nu foi cortado de ponta a ponta na diagonal, um urro de dor reverbera, mas aquela coisa insiste em se colocar de pé. A rajada de vendo que perpetuou foi o suficiente para quebrar o gelo onde Lara, Dante e Tora estavam congelados.

—Que frio da peste sô, o que aconteceu? – Lara indaga
-Usei minha Gensho Shinka.
-Droga, e eu perdi – Dante diz se levantando
-Essa energia... você, sua Gensho Shinka. Um filho do abismo – Tora afirma
-Este sou eu Tora. Mas agora, hora de vocês usarem às suas, pois aquela coisa está vindo com força total!

Aiden se levantava do outro lado, ferido, mas de pé, e diferente de antes, agora ele tinha raiva, muita raiva!