Caminho das Centelhas

21 O Abraço Frio, Aquece a Morte


“No gélido abraço do inverno,

A morte dança em passos ternos.

Mas na sua sombria chegada,

A vida é mais valorizada.

O frio cortante traz lamentos,

Envolto em prantos e lamentos.

Mas nas sombras que se estendem,

Um lembrete de que o tempo não se rende.

Em cada floco de neve que cai,

Uma lágrima pela vida que se vai.

Mas no silêncio da noite fria,

A esperança se renova, bravia.

Pois ao enfrentar o frio implacável,

A vida revela seu valor inestimável.

E na jornada da morte e do gelo,

Encontramos o calor de um último apelo.

Que a morte, em sua frieza crua,

Nos ensine a abraçar cada hora.

Que o frio nos lembre com fervor,

Apreciar cada sopro de calor.

Assim, no ciclo eterno de partida e chegada,

Encontramos a beleza em cada jornada.

Pois o frio e a morte, por mais sombrios que sejam,

Nos mostram o quanto a vida é preciosa, além do além...”

Enquanto a mãe de Aiden, Evelyn Frostbourne, se esforçava para transferir sua energia vital, fortalecendo seu filho. Assim como Sword disse, o elo entre o Ventre e o Setimus fortalecia o Setimus, até que o Ventre encontre um fim.

O segundo grupo, composto por Kaila, Luise, Leyrcnith, Garrias e Sans avançava pela encosta da montanha. Cada passo era uma declaração de determinação, suas expressões sérias e determinadas refletindo a importância da missão que tinham pela frente, mas também mostrava o nervosismo de cada um ali.

No centro desse grupo, encontrava-se Kaila, sua habilidade inata de manipular mentes a tornava uma força importante demais para o sucesso da missão. Seus olhos brilhavam com uma intensidade feroz, enquanto ela focava sua mente no objetivo crucial: quebrar a conexão entre o Setimus e o Ventre. Suas mãos estavam firmemente cruzadas, a concentração se espalhando como ondas invisíveis ao seu redor. No topo, eles encontraram uma mulher, na encosta do penhasco encontraram algo deixado para trás por Lara, uma bala de revolver apontando para a direção da mulher, era a pista de que eles precisavam para saber quem é o Ventre.

“Mais de vocês?”, a mulher indaga. “Parece que não vai ser um dia fácil para você”, ela completa. Um homem saia de seu esconderijo, era a pessoa que estava protegendo o Ventre. A proteção de Evelyn era formidável. Era uma figura imponente. Seu semblante calmo escondia uma confiança inabalável. Ele emanava uma aura misteriosa, uma sensação palpável de que o destino estava sob seu controle.

—Quem é você? – indaga Kaila ao estranho
-Não sei se tem necessidade de apresentação querida, mas, como você já imagina. Eu sou o cara que vai arrastar a cara de vocês no chão – responde o homem com uma voz rouca

—Eu cuido desse aí, Kailla, foca no objetivo – Sans diz empunhando seu martelo
-Ui, eles têm um cara alto, vamos ver qual é a sua meu bacano. Mas já te aviso, eu tô com sorte hoje!

Apesar da situação, nem parece que aquele homem estava vestido para lutar, chinelo, calça de moletom, sem camisa com somente uma jaqueta, exibindo seu peito forrado de tatuagens. Seus olhos penetrantes, sombreados por sobrancelhas arqueadas e espessas, transmitiam uma determinação feroz. Entre elas, uma pequena fenda vertical, uma marca distintiva que lhe conferia um ar misterioso e perigoso. Seu cabelo de era uma exibição a parte. Com uma cor platinada artificialmente, os fios se erguiam em uma ousada bagunça controlada, acrescentando uma aura de selvageria ao seu porte atlético. Sua cabeça era adornada com tatuagens intricadas, símbolos que testemunhavam sua associação com as gangues das quais ele se tornara parte durante seu passado. Seu rosto era uma combinação de rudes cicatrizes e uma barba por fazer que delineava uma mandíbula forte e determinada. Um bigode fino e bem cuidado adornava seus lábios, acentuando sua expressão.

—Tá esperando o que seu pela saco? Vem pra cima do pai vem – Dizia o homem em tom provocativo.

—Canção do fogo variante A: Salamandra Ardente!!!!

Ao entoar a "Canção do Fogo", uma melodia mística é liberada, envolvendo o martelo e o portador em chamas douradas. A Salamandra Ardente surge das chamas, tomando a forma de uma criatura majestosa com escamas flamejantes. Ela envolve o martelo com sua cauda, conferindo um aumento significativo no poder e intensidade do fogo. Com o martelo em mãos, o Sans desfere um golpe poderoso no chão. O impacto cria uma onda de choque que se propaga pelo solo, gerando fissuras que se enchem de chamas. Em seguida, a Salamandra Ardente dispara uma rajada de fogo concentrado no ponto de impacto. Esse ataque causa uma explosão ardente de fogo, engolfando a área ao redor do oponente. As chamas dançam e se contorcem em uma exibição impressionante de força e poder.

—Sans já usou seu ataque mais forte de cara?
-Como assim Garrias? – indaga Luise
-Eu conheço Sans desde que ele se tornou membro do pássaro trovão. Lembro também que ele se tornou alguém de alto nível, pelo fato de ter se aliado a um espírito elemental do fogo. A Salamandra! Esse ataque, é o mais forte que Sans pode liberar.

—Se recupera disso seu marginalzinho – Sans diz levantando o martelo
Às chamas começam a apagar, e toda a área ao redor do homem se tornou praticamente cinzas, até rochas foram convertidas em pó! Mas o homem está lá, de pé. Sem nem mesmo um arranhão.
—Eu tentei te avisar garoto, eu estou com sorte hoje.

Uma pedra solta desviava um passo, por muito pouco Sans não caiu ao precipício. Ele ergueu o martelo e novamente iria atacar, a Salamandra ainda estava ali. Uma rajada de vento súbita empurrava um ataque para longe do homem. Uma rajada intensa, afinal quanto precisaria para empurrar um ataque daquela magnitude? Uma nuvem sombria cobria temporariamente a lua que acabará de nascer, concedendo uma sombra oportuna para esconder seus movimentos. O homem se colocou frente a Sans, um soco diretamente no olho inutilizava o olho esquerdo de Sans.

—Que merda, de onde você veio? – Sans dizia se recuperando do golpe
—Ué, não me viu chegando? Martelinho – O homem provocava Sans

Os outros entraram no combate, Luise e Leyrcnith atacavam primeiro com suas espadas, mas sem sucesso. Garrias, tentava segurar o homem com suas vinhas de cura, mas elas secavam do nada, é como se o solo não ajudasse. Kailla tentou se concentrar para acertar mentalmente o Ventre, mas o homem percebeu e como num passe, ele acertava Kailla com um chute que quase a deixou inconsciente.
—Vocês até que são divertidos. Ok, vou me apresentar, eu sou Fortus e sou formado em diversas maneiras de lhes descer o cacete! HAHAHA

Cada membro do grupo começava a perceber que, contra Fortus, a sorte parecia conspirar em seu favor. Estratégias cuidadosamente planejadas eram frustradas por uma série de reviravoltas inesperadas. As armas se chocavam com obstáculos que antes nem estavam ali, ataques eram neutralizados por eventos aparentemente fortuitos. A presença de Fortus trazia uma incerteza perturbadora, pois a sorte parecia ser manipulada em sua essência.

Kailla se distanciou, pediu proteção aos outros, para que ela pudesse se concentrar em sua missão, quebrar o elo entre o Ventre e o Setimus.

Ela consegue invadir. Kailla, havia invadido os recônditos mais profundos do pensamento de Evelyn. A mente de Evelyn era um cenário labiríntico, repleto de corredores escuros e câmaras misteriosas. As paredes pulsavam com vida, retratando memórias antigas e emoções profundas. A cada esquina, resquícios da energia vital de Evelyn dançavam como raios de luz, formando uma barreira de proteção ao redor de seu ser. Kailla, determinada a romper essa resistência, projetava ilusões enganosas e teias intricadas de influência mental. Sua presença manifestava-se como uma névoa hipnótica, envolvendo o ambiente com uma atmosfera enigmática. Sua mente, afiada como uma lâmina, buscava penetrar nas defesas de Evelyn e controlar seus pensamentos. A cada movimento, as imagens e as sensações se transformavam. Paredes se desfaziam em pó, revelando abismos vertiginosos que desafiavam a coragem de Kailla. Criaturas feitas de sombras e medos ocultos avançavam com ferocidade, enquanto ilusões visuais distorciam a percepção da realidade. Algo mudava o rumo do possível sucesso de Kailla, a conexão entre Evelyn e seu filho Aiden. Mesmo que sendo um Setimus, ela o amava como se fosse uma criança normal, assim são todas as mães.

Evelyn, impulsionada por um amor inabalável por seu filho, convocava a energia vital dentro de si. Essa chama interior crescia, manifestando-se como uma aura luminosa que se intensificava a cada momento. Sua mente se fortalecia, empoderada pela coragem de proteger e lutar por seu amado filho. Aos poucos, as defesas de Evelyn se fortaleciam. A névoa hipnótica de Kailla se dissipava diante da luz interior de Evelyn, e suas ilusões perdiam o poder de influência. Evelyn, firmemente plantada no solo de sua própria mente, prevalecia contra as investidas de Kailla. Kailla iria falhar em sua única função, mas ainda existia um outro jeito, algo que o clã Kini de Kailla os Rokuharas escondiam e só utilizavam como última método. O salto mais fundo, o mergulho mais distante. Ela começa a absorver às memorias mais profundas de Evelyn, “se você esquece quem você é, você esquece que existe!”, pensa Kailla consigo mesmo. Mas isso tem um preço, Kailla faria isso sacrificando cada pulso de energia de seu cérebro, cada memória sua também se autodestruiria e pior, seu cérebro iria para de funcionar imediatamente quando o processo fosse concluído. Dentro da mente já quase vazia de Evelyn o escuro e silêncio preenche o vazio, ela indaga:

—Por que ir tão longe? Eu só queria ser feliz com meu filho!
-A felicidade sua e de seu amado filho, destruiria milhares de pessoas, minha missão era impedir isso, custe o que custar. Custou muito no fim das contas, mas, por causa disso, várias crianças acordarão amanhã, e isso já é o suficiente para mim!

Evelyn, com sua voz enfraquecida, olha nos olhos de Kailla com compaixão. Seu rosto demonstra tristeza, mas também uma profunda compreensão do que está prestes a acontecer. Ela fala com serenidade, apesar do sofrimento que a consome.

—... Eu entendo agora. Você buscava controle..., mas também estava perdida, assim como eu. Nós nos perdemos no meio das sombras... e agora nos encontramos no fim.
-Com que você está falando? Estamos sós aqui – indaga e completa Kailla
O silêncio preenche o espaço, enquanto a energia vital de Evelyn se esvai e a escuridão envolve Kailla cada vez mais. Em meio às sombras, um último vislumbre de entendimento e conexão se forma entre as duas almas desgastadas.

Os olhos de Kailla começam a pesar, ela lacrimejava como se tivesse areia em seus olhos. O cansaço permeava todo seu corpo. Ela já sabia seu destino, ela já sabia seu fim. Com muito esforço ela abriu seus olhos, viu seus companheiros lutando contra Fortus, e com um último esforço ela soltou singelas palavras ao vento:

—Finalizem ela... Sua mente está morta, mas seu corpo persiste

A morte de Kailla se desenrolou em um espetáculo dramático e ao mesmo tempo fugaz, como um suspiro final de vida que se perde no vento. Ela se encontra em um local desolado, sob um céu quase anoitecido e cravejado de estrelas, cuja luz parece tímida e distante. Um silêncio pesado preenche o ar. Seu corpo traz as marcas de uma batalha árdua, os vestígios de uma existência tumultuada. Seus olhos refletem as sombras que a consumiram, uma janela para uma alma desgastada pela culpa e pelo arrependimento. Kailla começa a andar, montanha abaixo, pela floresta já escura. Através de seus passos hesitantes, ela alcança uma clareira banhada pela luz prateada da lua. Flores silvestres, restantes da tragedia que acometera a ilha dançam ao sopro suave do vento, como testemunhas frágeis e efêmeras dessa despedida derradeira. Kailla se ajoelha na relva macia, seus joelhos tocando o solo com um último suspiro de vida. Seus olhos percorrem o cenário, absorvendo a beleza transitória que a envolve. Ela sente o peso de suas escolhas e a inevitabilidade do seu fim iminente.

Dizem que os Kini Dõbutsushorei são os filhos amados da natureza. Uma melodia suave, carregada de tristeza e resignação, flui no ar, como se a própria natureza lamentasse a partida iminente de Kailla. O vento sussurra segredos desconhecidos e as estrelas parecem piscar em compasso de despedida. Com um último suspiro, Kailla ergue os olhos para o céu estrelado, seus lábios curvando-se em um sorriso triste. Ela sente o abraço da noite envolvendo-a, enquanto uma paz serena invade sua alma atribulada. E, num instante de serenidade e aceitação, Kailla se deita na grama orvalhada. Seu corpo se entrega à quietude, aos braços invisíveis do destino. O universo parece segurar a respiração por um breve momento, como se honrando o último suspiro de uma alma complexa e atormentada. A luz da lua acaricia suavemente o rosto de Kailla enquanto ela fecha os olhos, deixando-se levar pelas mãos do destino. Sua presença gradualmente desvanece, se dissolvendo na eternidade como uma memória distante.

A clareira silenciosa testemunha a partida de Kailla, um adeus solitário, porém repleto de uma beleza inegável. Seu legado, suas ações e suas escolhas complexas ecoarão nas mentes e corações daqueles que cruzaram seu caminho.

E assim, a noite se mantém serena, as estrelas continuam a brilhar e a natureza guarda consigo os segredos de uma vida interrompida. A morte de Kailla se torna um conto poético, uma pincelada efêmera na vastidão do tempo, deixando apenas uma marca indelével na tapeçaria da existência.

Leyrcnith ouve e decide atender a última vontade da companheira. Avança em direção a Evelyn, para finalizar de vez tal ameaça. A atmosfera se torna tensa e carregada de energia quando Leyrcnith, o elfo negro, se aproxima do corpo inerte de Evelyn. Seus olhos brilham com uma determinação sombria, enquanto sua mão estende-se em direção à sua adaga, pronta para desferir o golpe final. No entanto, antes que Leyrcnith possa completar sua ação, Fortus se interpõe.

—Qual é a sua torrãozinho? Acha que vai ser herói aqui? Mais nem fodendo seu pela saco

Fortus se lança ao ataque com uma velocidade impressionante, movendo-se com a agilidade de um predador. Seus punhos se tornam turbinas de socos poderosos, golpes que combinam precisão e força bruta. Leyrcnith, ágil como um felino, desvia habilmente dos ataques, suas lâminas reluzindo perigosamente na penumbra. Cada movimento é calculado, cada estratégia executada com uma maestria única. Os golpes de Fortus encontram seu alvo com uma força avassaladora, enquanto Leyrcnith retalha com a destreza de um espadachim experiente.

—E não é que você é bom mesmo? Acho que você é melhor individualmente do que em equipe orelha pontuda.

Apesar de lutar com todas as suas forças, Leyrcnith começa a ceder ao cansaço e aos ferimentos infligidos por Fortus. Sua resistência se esvai gradualmente, enquanto o lutador continua implacável. Fortus encontra uma abertura. Com um golpe certeiro, ele desarma Leyrcnith e o faz recuar, cambaleando. A adaga de Leyrcnith cai impotente ao chão, enquanto ele se vê diante da inevitável derrota. Tudo acontece em instantes, breves segundos, a adaga cambaleia no chão, Fortus prepara outro soco, em um ato de destreza e agilidade pura, Leyrcnith ativa algo que nem ele sabia que tinha. Sua Ascenção Verdadeira desperta!

A Ascenção Verdadeira nada mais é que o despertar do maior poder de alguém, sua habilidade mais forte, algumas Ascensões podem ter mais de uma habilidade, essas são chamadas de Evoluções Primordiais, Gensho Shinka! "Evolução Primordial" é uma forma avançada de desenvolvimento de poderes que permite que as pessoas atinjam um estado superior de habilidade e transcendam seus limites. Essa Ascensão Verdadeira só pode ser alcançada por indivíduos que possuam uma determinada condição especial. Leyrcnith alcançou isso, e é como se algo conversasse com ele, vozes em sua mente dizendo a ele o que fazer. Tudo ao seu redor começa a sumir, ele mergulha em uma poça de sombras, e fita o abismo. Desaparecendo do local, até Fortus se pergunta a onde ele está.

—Gensho Shinka, Yami no Kōsoku: Ura Shinsekai!

Os sussurros direcionados a Leyrcnith explicavam perfeitamente a habilidade, é como se o abismo dissesse exatamente o que ele tem que fazer.

“Quando utiliza a técnica Yami no Kōsoku: Ura Shinsekai, ele mergulha em um reino obscuro e misterioso, além dos limites da percepção humana. Ao atravessar a barreira entre o mundo real e o abismo eterno, o usuário adentra um novo plano de existência, onde as leis da física são distorcidas e a realidade é completamente invertida. Nesse mundo invertido, a gravidade se torna incerta, as dimensões são alteradas e a própria matéria parece se desfazer e se reconfigurar de maneiras inexplicáveis. O ambiente é banhado por uma escuridão profunda, atravessado por sinuosas trilhas de sombras e iluminação difusa proveniente de fontes desconhecidas. Caminhar nesse mundo invertido como se estivesse percorrendo um atalho secreto através das dobras do espaço-tempo. Sua forma física é distorcida, parecendo se mover entre sombras e luzes, desaparecendo e reaparecendo em locais aparentemente impossíveis. A sensação de se mover nesse ambiente é desconcertante, pois a percepção da direção e da orientação é constantemente desafiada. Além disso, o usuário pode aproveitar as peculiaridades desse mundo invertido para ganhar vantagem tática. Paredes que se tornam pisos, objetos flutuantes, portais que levam a lugares distantes, tudo isso faz parte da realidade transformada dentro do abismo eterno. Pode-se utilizar essas características para se aproximar rapidamente de seus alvos ou surpreender seus oponentes com ataques vindos de ângulos inesperados.”

Leyrcnith reaparece se erguendo das sombras na frente de Evelyn, com uma flecha retirada de sua aljava ele perfura o peito e seu coração. Evelyn morta, agora sua conexão com o Setimus está quebrada.

—Seu desgraçado, comedor de bosta, o que fez? – indaga Fortus
-Não parece obvio? Eu salvei a missão.

Fortus investe mais rápido do que antes, seu poder parece rodear seu corpo agora, não parece aura ou nada do tipo, é algo mais forte. Leyrcnith tenta desviar, mas o custo por usar sua Gensho Shinka pela primeira vez foi muito alto. O golpe atravessa seu peito! Leyrcnith cai silenciosamente ao chão, seus olhos ainda refletindo um último vislumbre de desafio e resolução. A batalha entre eles chega ao fim, com Fortus emergindo como o vitorioso, arrancando seu punho de dentro do peito do elfo. Leyrcnith, o elfo negro, cai de joelhos no chão, sentindo as últimas energias abandonarem seu corpo exausto. Seu olhar, outrora cheio de determinação, agora se torna vago e distante, enquanto ele encara o horizonte com resignação. Seu ferimento sangra profusamente, manchando sua pele e suas vestes escuras. Cada respiração torna-se um esforço árduo, e sua visão começa a ficar turva. A dor se espalha por todo o seu ser, ecoando as consequências de suas escolhas. Os olhos de Leyrcnith encontram Fortus, cuja figura imponente paira sobre ele. A expressão do lutador reflete uma mistura de triunfo e pesar, ciente do destino cruel que aguarda seu adversário. A luta se encerra, mas a jornada de Leyrcnith está prestes a atingir seu fim derradeiro. Com movimentos trêmulos, Leyrcnith estende a mão para o local onde sua adaga caíra, mas suas forças falham. Seus dedos tocam apenas o vazio, enquanto a lâmina de seu orgulho e poder permanece fora de seu alcance. A impotência da situação se instala, e ele compreende que não há escapatória.

A cada batimento de seu coração enfraquecido, a sombra da morte se aproxima. A vida abandona lentamente seu corpo, como uma vela que se apaga ao vento. O elfo negro sente uma calma serenidade envolvê-lo, uma aceitação final de seu destino selado. Enquanto a vida se esvai de seu ser, Leyrcnith fecha os olhos, entregando-se à escuridão iminente. Seus lábios murmuram palavras inaudíveis, talvez uma prece, talvez uma despedida. Sua consciência se dissolve, como um eco que se perde no vazio. A quietude reina no local, quebrada apenas pelo suspiro do vento e pela presença solitária de Leyrcnith. Sua figura tomba suavemente para o lado, abandonando o último sopro de vida. A batalha acabou, e a sombra de Leyrcnith se mescla com a paisagem sombria, sua história chegando ao fim. Seus olhos permanecem fechados, sua face agora pálida e serena. O mundo continua a girar ao seu redor, indiferente ao destino que selou. Leyrcnith se torna apenas uma memória, um fragmento de uma história que será contada em sussurros pelos que sobreviveram.

Enquanto Fortus observa o corpo inerte de Leyrcnith, uma sombra de pesar cruza seu rosto. Apesar da vitória, ele reconhece a tragédia inerente à morte de seu oponente. Uma reverência silenciosa é oferecida ao elfo negro, um respeito por sua coragem e sua determinação final.

—Essa merda tá indo longe demais, não foi pra tirar vidas de adolescente que eu fui contratado.

Restam agora, somente Luise e Garrias contra Fortus. Lá embaixo, a luta contra Setimus lá embaixo, continua árdua!

“...E quando o inverno sombrio abraça a terra, E o frio cortante se espalha por toda a atmosfera, Na ausência de vida, uma melodia se ergue, Em homenagem àqueles que partiram, ao amor que segue...”