Caminho das Centelhas
26 De volta para casa, Aúdases!
Uma vez mais estávamos a bordo do dirigível de Arkanis Verstappen. Agora, cansados, exaustos, mas com a consciência menos pesada, menos ansiosos do que antes. Nossa missão, estava completa! Era um gosto meio agridoce, apesar do sucesso na missão, tivemos baixas. Pensando do que tem na sala ao lado, onde estão os caixões daqueles que nos seguiram nesta missão, e agora não mais estão aqui. Kaila, Leyrcnith, Sans, Dante e aqueles que nem corpos deixaram para carregarmos, como Esperança e Thomaz. Sword está quase morto, não sabemos como ele está desde que caiu desacordado na ilha. Apesar da quantidade de ferimentos, eu consegui curar Luise, Lara é a que menos tinha ferimentos então foi bem tranquilo e o Tora só estava exausto de tanto usar aura. Foi um longo dia até deixar todos bem, admito que estou cansada – Garrias diz a si mesma em um dos alpendres do dirigível.
-Perdão, te atrapalho? – Tora diz chegando com uma bandeja com biscoitos, xícaras e um pouco de chá quente no bule
— Uma cena que não se vê todos os dias. Um Kini tipo touro imenso carregando biscoitos e chá. Não atrapalha em nada Tora, Só estava aqui distraída nos pensamentos.
-Ah, que bom – ele diz enquanto coloca a mesa – Eu fiquei meio preocupado com você. Não parou de trabalhar desde que saímos da ilha, Garrias. Você cuidou de todo mundo, é uma excelente curandeira, e pensar que faz isso só usando a aura.
-Meus pais dizem que sou especial. Eu duvido muito, sou apenas eu.
-Claro que não! Você é uma manipuladora de aura, uma que consegue curar. Potencial para se tornar uma druida ou xamã. Você realmente é especial, mas não porque nasceu assim, porque escolheu se tornar assim.
-Obrigada Tora. Acho que eu precisava de uma palavra positiva nesses últimos dias – Garrias diz com uma lágrima escorrendo por seu rosto sem seu conhecimento – Opa, desculpa por isso, eu nem percebi
-Está tudo bem Garrias. Todos nós passamos por muita coisa nesses dias. Vocês principalmente, fiquei sabendo até que passaram por Port Seanesse. Somos jovens demais, e infelizmente respondemos autoridade a nossas academias, então quando aventureiros não vão ou são proibidos de ir, acaba sobrando toda essa coisa pra gente. E isso tem consequências, metade de nós morreram hoje, isso me doí demais.
-Isso só mostra que o mundo em que vivemos é injusto, e se queremos combater essa injustiça, temos que ser melhores do que fomos no Arquipélago Zetsuen.
-Com certeza. Isso me lembra que Sword é muito mais forte do que eu esperava. Tínhamos uma noção diferente dele por causa dos documentos que recebemos na academia Eden, mas ele se mostrou muito mais.
-Nem mesmo nós que estudamos com ele sabíamos disso. Aparentemente tem algo a ver com as memorias que ele recuperou na ilha Júbilo. Ele ainda tem que nos explicar essa parte melhor – Garrias diz levantando o pires e logo tomando um pouco de chá
-Bom, dá pra dizer que alguém apenas abriu os caminhos das minhas memorias, elas sempre estiveram lá, só estavam bloqueadas
Garrias e Tora olham para trás e veem Sword, de pé, sem camisa com o peito todo enfaixado, a parte esquerda do seu rosto também está coberta por faixas, tapando seu olho esquerdo. Punhos e braços, canelas e toda a perna seguem enfaixadas também. Com dificuldade e com ajuda de Garrias ele se senta em uma das poltronas que ali estavam.
-O que você está fazendo, deveria estar repousando, você tá quase morto – Garrias diz repreendendo Sword
-Bom, dá pra dizer que esse meu coma repentino é culpa do Setimus, foi ele quem fez isso. Mas agora o efeito já passou. E você diz estar curiosa sobre minhas memorias né? Deixa-me contar como foi. O cristal mater, uma relíquia do passado, desconhecida até então...
Durante aquela expedição, o clã Knight encontrou esse cristal. Estavam pesquisando sobre ele, mesmo o ambiente sendo extremamente hostil, de alguma forma, perto do cristal era pacífico. Dentro do cristal havia algo também, parecia uma pessoa. Enfim, fizeram às pesquisas que tinham que fazer, não foi acaso o clã Knight ter acabado na ilha Júbilo. O tempo se passou e duas pessoas de clãs diferentes se apaixonaram, Sofia Stemma-aurea e Sword Knight começaram apenas com encontros após as buscas de suas famílias terminarem. Até que depois de irem juntos até a provação do julgamento. Bom, a história creio que já foi contada a vocês, Sword falhou e Sofia prometeu passar por todos para salvá-lo. Ela conseguiu, mas havia um preço a ser pago por isso, os testes não são feitos para simplesmente se chegar ao cristal, são feitos para que uma nova pessoa seja colocada no cristal.
—Então, Sofia tomou o lugar da outra pessoa que estava no cristal? Mas esse cristal já não havia sido encontrado antes?
-Sim e não. O que um dia já foi um dos 4 cristais mater foi encontrado com uma pessoa dentro, o que foi encontrado já não tinha brilho algum e era inútil. O que minha mãe encontrou depois dos testes foi um cristal mater ainda ativo.
-Como você sabe sobre esses cristais? – indaga Garrias
-Bom, o diário conta tudo. Enfim, o cristal mater que minha mãe encontrou era o cristal do sangue. O Cristal do Sangue está intrinsecamente ligado ao tecido da vida e à jornada das almas, permitindo um controle sobre o fluxo vital e a eternidade. Aqueles que dominam seu poder podem desbloquear uma série de características, como regeneração a nível celular, controle sobre o sangue, a capacidade de devorar almas e claro, longevidade.
—Isso explica e muito as assombrações devorando memorias. E explica por que as pessoas não envelheciam, mas e quanto a ilha parada no tempo?
—A ilha não é um ser vivo também? – indaga Sword, uma pergunta que mais se parece uma resposta
-Se levar isso em consideração, então a ilha também estava longeva, mas algo tão grande que não envelhece de forma alguma, mesmo com tudo ao seu redor forçando-a a envelhecer, vai muito contra algumas regras que conhecemos – completa Tora – Humanos eu ainda consigo entender, somos insignificantes e o mundo não os preciosa a envelhecer. Mas uma ilha, não só o fator de interferência humana a força a envelhecer, como também o próprio mundo faz isso naturalmente. A solução que a natureza achou pra essa ilha não afetar as coisas, foi isolar ela num tempo somente dela
—Não quero entrar nesse merito, mas acho que é isso mesmo Tora. Continuando, minha mãe teria que assumir o posto, não só para a ilha continuar sendo o que era, mas sim porque a energia vital da pessoa que estava lá antes de minha mãe, já estar chegando ao fim. Entretanto, minha mãe não podia assumir aquele posto ainda, o trato era uma vida por várias outras, no caso uma pessoa se sacrificaria para que toda a ilha pudesse continuar viva! Só que eu já estava no ventre de minha mãe a essa altura, Equinox como deus da justiça não poderia deixar que a troca continuasse, então ele deu um tempo a minha mãe, até o parto do bebê, ela ainda teria sua vida, depois disso, teria que se sacrificar ao cristal.
—Ok, isso explica por que ela ficou presa no cristal, mas não explica por que você recuperou as memorias quando voltou pra ilha – diz Garrias
—Bom, todos que haviam ficado no cristal até então, eram pessoas de fora, sem parente algum na ilha. A pessoa que aceitasse entrar no cristal, abdicava de suas memorias, elas ficariam presas no cristal, e quando libertos, essas memorias seriam libertas junto com a alma da pessoa, para que ela partisse se lembrando de sua vida pelo menos. Quando recusei me juntar ao cristal, e o destruií, as memorias de minha mãe voltaram a ela e a mim. Não só isso, eu voltei a me lembrar de tudo que passei quando criança, me lembrei do porquê perdi as memorias.
—Mas, porque as memorais da sua mãe foram pra você, isso eu não entendi – indaga Tora
-Porque eles têm o mesmo sangue – responde Garrias – Todos os presos no cristal, eram de fora da ilha, então, meio que quem quer sejam seus parentes, estavam longe demais do alcance da ilha e do cristal. Sofia era mãe do Sword, justamente a pessoa que destruiu o cristal, por isso ele recebeu as memorias da mãe e as dele de volta. Mas ainda tenho duas questões, suas memorias não foram apagadas na ilha, então aonde foram? E como o cristal mater do sangue foi parar na ilha Júbilo?
—Respondendo sobre o cristal, isso eu não sei, realmente não sei como ele foi para lá. Agora sobre minhas memorias, elas foram apagadas nos últimos dias do Grão-Ducado de Orchid, pelo meu próprio pai.
—Eu sabia – diz Garrias
-Como assim Garrias? – pergunta Tora
-O sobrenome do Sword, o clã de cavaleiros mais fortes que já pisou por essa terra, os Knights. Eles desapareceram junto com a queda do Grão-Ducado a exatamente...
-O que foi Garrias? – pergunta Tora
-A exatamente 7 anos atrás. Sword, você deu entrada na Academia Thunderbird nessa época, não foi?
-Sim, agora você entendeu Garrias.
-Seu pai usou algo pra apagar suas memorias, que foram devolvidas pelo cristal que achou que elas estavam bloqueadas por causa da maldição do Sangue. Então agora eu te pergunto, sabendo do que você sabe agora, o que vai fazer?
-Ficar mais forte, então retomar o que é meu por direito!
-E o que seria – Tora indaga
-O trono do Grão-Ducado de Orchid. Mesmo que eu pertença a família secundária, não existe mais nenhum outro Knight vivo, então eu vou governar aquele lugar.
O clima na sala fica um pouco tenso, pesado. Até que Verstappen chega a sala
—Jovens aventureiros, chegamos a uma divisa de caminhos. O que faremos agora? Vamos para qual lugar primeiro
—Para a Academia Eden em Bahamut
—Mas e quanto a você Sword? Ainda está um pouco ferido – Diz Tora
-Não se preocupe comigo, eu já estou bem. Vamos para o Eden primeiramente, é o lugar mais perto, não faz sentido irmos para Thunderbird antes. Verstappen vamos para Bahamut, depois, vamos de volta para casa, de volta para Aúdases!
Fale com o autor