Caminho das Centelhas
27 Um novo desafio. O Torneio Fronteira!
Após deixarmos Tora e Lara em Bahamut na academia Eden, o único caminho a frente era Aúdases. Não foi a melhor experiencia do mundo desembarcar caixões, os rostos dos pais que aguardavam o retorno de seus filhos, era doloroso demais olhar para eles.
Ainda haveria algumas horas de viagem até finalmente chegarmos a Aúdases. Toda a situação do nosso retorno foi comunicada a diretora Irons, então liberaram a pista de pouso da academia para Verstappen. Iriamos chegar pela noite, então não teriam pessoas para incomodar. Um alívio, eu realmente não tinha nenhuma bateria social para conversar com pessoas curiosas sobre o ocorrido em Zetsuen. Fora a notícia que saiu no momento que atracamos em Bahamut, sobre “jovens de academias estarem resolvendo problemas de aventureiros” eu não me dispus a ler mais nada sobre o que aconteceu em Zetsuen, as notícias não se preocupavam em mostrar a verdade, apenas difamar as escolas e usarem em vão os nomes daqueles que morreram.
Interrompendo meus pensamentos, ouço vagarosos passos adentrando o salão onde eu estava. Era Luise, também com várias partes do corpo enfaixadas. Ela se senta no mesmo sofá que eu. Estando ela numa ponta e eu na outra. Dava para ouvir sua respiração forte, como se algo a impedisse de sugar o oxigênio necessário, talvez, assim como eu, sempre que respiro dói.
—Então você venceu o Sétimus? – Pergunta Luise
—Você venceu o guardião do Sétimus? –retruco com outra pergunta
—Sim.
—Sim – contínuo – Também.
—Então isso faz de você um aventureiro? Afinal você derrotou um ventre amaldiçoado.
—Isso faz de você uma pessoa sortuda? Afinal você derrotou uma pessoa que manipula a sorte
—Vai responder todas as minhas perguntas com outras perguntas?
—Não sei, você vai responder todas as minhas perguntas?
Ela e eu olhamos um para o outro, então começamos a rir. O silencio paira mais uma vez após as risadas, o clima toma outras proporções e finalmente nos damos conta da situação em que estávamos.
O dirigível balançava suavemente, seu motor zumbindo em um ritmo constante enquanto cortava os céus. Luise e Sword estavam sentados em um sofá na sala de estar improvisada, ambos cansados e com ferimentos visíveis. As sombras dançavam ao redor deles à medida em que o fim da luz do sol entrava pelas janelas. Luise olhou para Sword, preocupada, e perguntou com uma voz suave, mas cheia de cuidado: "Sword, como você está se sentindo? Essa última batalha foi realmente intensa."
Sword esboçou um sorriso fraco enquanto tocava o curativo em seu ombro, o ombro direito do qual seu braço havia sido decepado. "Estou vivo, Luise, e isso é mais do que eu poderia pedir. E você, como está?"
Ela olhou para a perna enfaixada e suspirou. "Vai demorar um pouco para me recuperar, mas ficarei bem."
—Estamos ambos na merda hein? – diz Sword em tom de ironia
Houve um breve silêncio, e Sword decidiu mudar o assunto, embora a pergunta estivesse pesando em seu coração. "O que você acha que faremos quando voltarmos para casa, Luise? Quero dizer, depois de nos recuperarmos totalmente."
Luise olhou pela janela, contemplando o futuro incerto. "Eu não sei, Sword. Talvez seja hora de pensar em aposentadoria precoce das batalhas. Nossas famílias devem estar preocupadas conosco, e há tanto que podemos fazer além disso. Afinal, temos apenas 15 anos, ainda há muito pela frente."
—Tá pensando em desistir por causa das mortes, não é?
—Você não? Nossos amigos morreram! Foram corajosos, lutaram e fracassaram
—Eles só irão fracassar se nós desistirmos. Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o corajoso experimenta a morte apenas uma vez. Eles morreram, como os bravos aventureiros que são, não tire o mérito dessas mortes Luise.
Os olhares deles se encontraram, e por um momento, o mundo exterior parecia desaparecer. Havia algo mais profundo em seus olhos, algo que transcendia a amizade. Mas nenhum dos dois ousou falar sobre isso diretamente.
Luise soltou uma risadinha leve. "Bem, Sword, agora você tem uma desculpa perfeita para não fazer tarefas domésticas quando voltarmos para casa. 'Desculpe, mas perdi meu braço direito na batalha'."
Sword fez uma careta de brincadeira. "Ah, como você é engraçada, Luise. Mas você não vai escapar das tarefas tão facilmente. Você ainda tem uma perna esquerda para andar."
Luise riu, mas depois fez uma expressão de dor ao mover a perna enfaixada. "Talvez eu possa usar isso como desculpa para receber massagens nos pés o tempo todo."
Sword levantou uma sobrancelha, fingindo estar ofendido. "Massagens nos pés? E o que eu ganho com isso?"
Luise sorriu maliciosamente. "Bem, eu prometo que não vou fazer você lavar a louça por um mês inteiro."
Sword fingiu considerar a oferta. "Hmm, parece tentador. Mas acho que eu vou pedir uma prótese e continuar ajudando com as tarefas."
Eles riram juntos, apesar da dor. Era reconfortante poder brincar um com o outro, mesmo nas circunstâncias difíceis em que se encontravam.
Luise então olhou para o braço enfaixado de Sword, com um brilho travesso nos olhos. "Mas falando sério, Sword, acho que agora você tem uma desculpa perfeita para aprender a lutar com a mão esquerda. Você pode se tornar um espadachim ambidestro."
Sword balançou a cabeça, sorrindo. "Você não perde uma chance de me provocar, não é, Luise? Mas você está certa. Talvez eu possa fazer algo surpreendente com a mão esquerda. Vai ser um desafio, mas estou disposto a enfrentá-lo."
Luise colocou a mão no ombro de Sword com carinho. "Eu sei que você é capaz de qualquer coisa, Sword. E eu sempre estarei aqui para te apoiar, mesmo que você se torne o melhor espadachim canhoto do mundo."
Ambos riram da piada, por algum motivo, mesmo se conhecendo pouco. Luise e Sword eram mais próximos do que se conhecessem a vida toda.
Verstappen chega até o salão onde estava Sword e Luise. Desconfortavelmente, Luise se desapoia do ombro de Sword e volta para a outra ponta do sofá.
—Ah, me desculpem por interromper
—Não interrompeu nada –ambos dizem nervosos ao mesmo tempo
—Bom, só vim dizer que estamos quase chegando em Aúdases, como previsto, chegaremos pelo anoitecer.
—Ok – assente Sword
—Quase me esqueci, a diretora Irons pediu para avisar vocês sobre algo, Garrias está descansando, eu já disse a ela mais cedo e ela disse não.
—Disse não para o que? – indaga Luise
—O Torneio Fronteira. Apesar de vocês já terem passado por tudo isso, o Torneio Fronteira abriu suas inscrições nesse meio tempo. O Torneio só começo em 3 meses, mas as inscrições irão finalizar daqui a pouco. Irons disse que reconhece a situação de vocês, mas pediu para considerarem uma possível participação no Torneio Fronteira desse ano. Se aceitarem, é só assinar esta planilha com suas digitais
Verstappen coloca duas planilhas sob a mesa. Basta os dois colocarem suas digitais para aceitar a participação no torneio.
—O Torneio Fronteira? Cara, isso é sério, não brinca com a gente Verstappen – diz Sword surpreso
—Não estou, apenas repasso as palavras de sua diretora.
—Mas porque a Irons está dando de bandeja essas duas vagas para nós dois? – indaga Luise
O Torneio Fronteira é um evento grandioso que ocorre a cada sete anos, reunindo as mentes mais brilhantes e os talentos mais promissores de sete nações distintas. Com cada edição do torneio, uma nação diferente tem a honra de sediá-lo, tornando-se o centro das atenções por um breve, porém intenso, período de tempo. Nesta ocasião, a capital do Reino Aúdases, Vinceres, foi escolhida para ser o palco deste espetáculo épico. As sete maiores academias de cada reino, cada uma representando uma nação, selecionam cuidadosamente 13 de seus alunos mais excepcionais para competir no Torneio Fronteira. Esses jovens são os futuros líderes, estrategistas, e visionários de suas nações, e o torneio serve como um teste de suas habilidades e determinação. A academia vencedora do Torneio Fronteira ganha prestígio internacional e vantagens significativas para sua nação. Isso inclui financiamento adicional para pesquisa e educação, bem como influência política e comercial. Mas talvez o prêmio mais cobiçado seja concedido ao aluno que se destaque como o vencedor geral: um desejo concedido pela misteriosa Caixa do Milênio, que dizem ter o poder de realizar praticamente qualquer desejo.
Sword olhou para Luise, esperando ansiosamente por sua resposta. "Então, Luise, o que você acha?"
Luise suspirou profundamente, ainda relutante. "Sword, eu aprecio muito a oferta, mas eu não posso aceitar. Há algo estranho nisso tudo. Por que a diretora Irons estaria nos dando essas vagas de bandeja?"
Sword franziu a testa, considerando as palavras de Luise. "Você acha que há alguma armadilha nisso? Algum motivo oculto?"
Luise assentiu, seu olhar sério. "Sim, é exatamente isso que eu estou pensando. Algo simplesmente não parece certo. O Torneio Fronteira é uma competição de alto nível, e não acredito que nossa diretora simplesmente nos presenteou com essas vagas sem motivo aparente. Principalmente após saber que nossas condições físicas não são as melhores."
—Bom, sabe que eu não posso recusar essa oferta né?
—Eu entendo Sword, você quer retomar seu lar, ter um desejo da caixa do milênio ajudaria muito você.
Enquanto Luise não concorda com a participação, Sword sela seu acordo para a participação do mesmo. A noite caía suavemente sobre o horizonte enquanto o dirigível se aproximava da Academia Thunderbird. Luise e Sword estavam de pé junto à borda da cabine, olhando para o cenário que se desenrolava abaixo deles.
Sword quebrou o silêncio. "Luise, o que você planeja para o futuro? Sabe, depois de tudo, você ainda quer ser uma cavaleira?"
Luise olhou para ele com determinação. "Eu pretendo seguir os passos da minha família e me tornar uma cavaleira. É o que eu sempre quis, Sword, e agora depois de tudo que aconteceu, sinto que comecei a jornada para concluir meu objetivo"
Sword sorriu, orgulhoso. "Eu não duvido de que você se tornará uma cavaleira incrível, Luise. E eu... Eu vou tomar o que é meu por direito. Há algo que eu tenho procurado por muito tempo, e agora é a hora de reivindicá-lo."
Luise olhou nos olhos de Sword, percebendo a determinação e o mistério em seu olhar. "Sword, você parece tão decidido. O que exatamente você está planejando? Vai só chegar nas terras que eram da sua família e dizer que são suas? O que o desejo vai te ajudar se você vencer o torneio?"
Ele hesitou por um momento, antes de sorrir enigmaticamente. "Você descobrirá em breve, Luise. Por enquanto, quero apenas aproveitar o momento."
Os dois se aproximaram um do outro, seus olhos se encontrando em uma troca intensa de olhares. Sword olhou profundamente nos olhos de Luise, seu olhar transbordando de emoção. Seu coração batia forte no peito. Luise, por sua vez, sentia a tensão no ar, a eletricidade que parecia enredá-los. Parecia que, apesar dos caminhos diferentes que estavam prestes a seguir, algo os mantinha unidos.
Os lábios de Sword se aproximaram dos de Luise, devagar, como se ele estivesse medindo cada centímetro do caminho. Luise fechou os olhos, perdendo-se na proximidade e na promessa contida nesse gesto. Ela também inclinou a cabeça, seus lábios quase tocando os dele. O mundo ao redor parecia desaparecer, e por um momento, era apenas o som suave da respiração deles que preenchia a cabine. A tensão aumentou, e o desejo queimou em seus corações.
Mas antes que seus lábios se encontrassem em um beijo apaixonado, Garrias, recém acordada, apareceu de repente na cabine com um sorriso travesso. "Chegamos...”
Antes de terminar de falar, Garrias também fico sem graça com o que acabou de ver. Luise e Sword se afastaram um do outro, com olhares tímidos.
—Bom, voltamos. Estamos de volta a Academia Thunderbird – diz Sword, descendo pela rampa
—Finalmente, não voltamos da forma que queríamos, mas aqui estamos – Garrias diz acompanhando Sword
De longe Luise olha os dois, ela sabia que uma boa amizade nasceria entre Garrias e Sword, mas estava mais frustrada pois aquela era a última vez que os dois iriam trabalhar juntos numa missão. Do outro lado, aguardando o retorno deles, estava a diretora Irons, a família de Luise, a família real aguardando Garrias e correndo para um reencontro, Ania Grace Lion abraça forte Sword e o repreende ao mesmo tempo.
—Nunca mais me preocupa desse jeito ouviu?
—Eu vou tentar Ania.
A cena termina com o caixão de Sans sendo retirado de dentro do dirigível, todos olham entristecidos com a cena.
—A próxima vez, não vai haver baixas, eu prometo – diz Sword cerrando os punhos.
Mundos irão colidir, as fronteiras estão prestes a ir para Aúdases, vários talentos, de várias academias estão chegando, o que o futuro aguarda para Sword?
FIM DO PRIMEIRO ARCO: O VENTRE AMALDIÇOADO!
Fale com o autor