Nesse fim de semana, haveria uma festa privada na boate de Elias, uma daquelas de arrasar, que todo mundo quer ir e fala, o aniversário de um estilista bem famoso. Elias insistiu que eu fosse, fiquei bastante animada com a ideia, já que as pessoas mais conhecidas da minha área estarão lá. Por isso, eu me empenho na produção, quero simplesmente arrasar, percebo que funcionou pela cara de Elias, quando vai me pegar em casa.

O trânsito já está tumultuado nas proximidades e há muita gente na porta da boate. O controle é rigoroso para que não haja penetras, mas, é claro que não precisamos entrar na fila, passamos direto pelos parrudos seguranças. Chegamos cedo, e lá dentro, ainda não tem muitos convidados, Elias circula, falando com um monte de gente, dando ordens e verificando se tudo está certo, me arrastando pela mão, quem sabe, quer me mostrar, até alguém chamá-lo para resolver um problema. Ele me deixa no bar e pede uma bebida para mim, gim tônica, depois, desaparece. Observo o lugar, a multidão aumenta, reconheço alguns rostos ao longe, mas, por enquanto, nenhum amigo. Um cara bonito aparece do nada e me oferece um comprimido, dizendo que era para me ajudar me divertir, digo que não, que não preciso daquilo, que estou bem, colocando a mão sobre o meu copo, contudo, ele insiste.

— Cai fora! Não vê que a moça disse não! — A voz grave ao meu lado ordena, o cara, sem graça, some, olho para o lado e me deparou com um homem alto de uma barba bem aparada e cabelos escuros.

— Ícaro, você veio! — Fico tão feliz ao ver um rosto amigo.

— E você acha que eu perderia uma festa como essa! – Sua voz suaviza, voltando ao tom normal. — Por que está sozinha aqui? Onde está seu namorado?

— Trabalhando. Esse lugar é dele. Achei que eu tivesse falado isso para você.

— Não, não falou. Então, você está namorando Elias Rotten.

Eu não gostei do jeito com que ele falou isso.

— Sim. Você não viu nas redes sociais.

— Não prestei atenção que era esse Elias.

— Você conhece ele?

— Só de nome e de fama.

— Fama?!

— Só estou brincando, deixa para lá! — Ele dá de ombros, me deixando intrigada, conversaremos sobre isso, depois.

— E você veio sozinho? — Torci para que dissesse que sim, pois, pelo menos, teria companhia.

— Não, vim com um amigo, ele foi ao banheiro.

— Um amigo! — Fico animada, principalmente, depois que ele terminou com o namorado.

— Você sabe, a fila anda, mas não é nada sério, por enquanto.

O amigo de Ícaro aparece e é bem bonito, tem um certo ar inglês, ele nos apresenta e pedem bebidas. Sei que não querem me deixar sozinha ali, no entanto, não pretendo estragar a noite deles. Ícaro está especialmente animado essa noite, conta piadas e fatos engraçados sobre ele e alguns dos presentes, e o meu segundo drink ajudou, minha barriga doe de tanto ri. Foi quando Elias surgiu ao meu lado, colocou a mão nas minhas costas, de maneira possessiva, como para marcar território. Eu os apresento, toda animada, Elias foi educado, porém, estranhamente, frio e formal.

— Desculpe, mas preciso mostrar algo a Sabrina — ele fala, segura a minha mão e me puxa dali, sem mais explicações.

Ainda de mãos dados, Elias me arrasta, apressado, pelo meio das pessoas, até alcançarmos um corredor mais vazio e silencioso, no fundo da boate.

— O que houve, Elias? Para onde está me levando?

Contudo, ele não responde até abrir uma porta e me puxar para dentro. Vejo que é uma espécie de depósito, com muitas estantes com garrafas, copos e outros objetos de uso da boate. Está calmo ali dentro, escutamos a músicas e sons de vozes ao longe, ele fecha a porta, gira a chave e se volta para mim.

— O que pensa que estava fazendo com aqueles homens?

Eu rio, deve ser uma espécie de piada, entretanto, seus olhos em fogo demonstram que ele fala sério.

— O quê? Jura que é isso mesmo? Aquele é Ícaro! — Percebo que pelo seu olhar, ele não sabia do que eu estava falando. — O cara com quem eu trabalho!

— Vocês parecem ser muito íntimos! — vocifera, entredentes.

— Sim, nós somos. Tanto que ele estava me apresentando o cara novo com quem está saindo, porque Ícaro é gay!

Elias parece relaxar, soltando o ar com força.

— Desculpe! Eu só fiquei com ciúmes — fala em um modo brando.

— Mas, não precisava ficar assim, se ouvisse um pouco o que eu falo para você — Estou meio desiludida.

— Você está zangada comigo?

— Um pouco — Quero bancar a durona, para não deixar de graça.

— Por favor, me perdoa, Sabrina! — disse, caindo de joelhos bem na minha frente.

— Pare com isso, Elias!

Em vez de me ouvir, ele se arrasta, se aproximando ainda mais de mim, coloca as mãos na minha bunda e a testa no meu ventre.

— Eu sou um cretino, Sabrina!

Eu ponho a mão sobre os ombros dele.

— Não, você não é.

— Sim, eu sou e preciso recompensá-la — sussurra junto a minha barriga, levanta o meu vestido e começa a beijar entre as minhas pernas.

— Não faça isso aqui.

Mas, Elias não para, abaixa minha calcinha e começa a me beijar, lamber, sugar, perco a sanidade, agora, não quero mais que pare, solto um gemido, com isso ele se empenha ainda mais, vou à loucura, meu ventre queima e se contraí com tamanha intensidade que grito quando relaxo, eu gozo, agarrado os seus cabelos com força.

Ele se ergue com um sorriso vitorioso, passa as costas da mão na boca, enquanto recupero o folego.

— Espero que esteja perdoado.

— Sim — murmuro, sem forças.

— Preciso volta para lá, fique aqui o tempo que precisar. — Ele passa a mão pelos cabelos na tentativa de arrumá-los e me beija antes de sair, sinto o meu gosto nele.

Eu me arrumo com calma, ainda tenho as pernas bambas. Passo dedos nos cabelos, para ajeitá-los, então, olho para cima e vejo uma câmera de segurança voltada bem para porta, para o lugar onde estávamos. Entro em pânico, pensando que poderíamos ter sido filmados. Corro para fora e procuro por Elias, desesperadamente, porém o lugar estava lotado, por isso, demorei muito a encontrá-lo, conversando animado com um grupo de pessoas conhecidas. Sorrio sem graça, ao me aproximar. Sem nenhum constrangimento, ele me abraça e coloca a mão na minha bunda e continua conversando, espero por uma oportunidade, até que desisto e falo baixo no ouvido dele:

— Precisamos conversar.

— Se quiser outra rodada, não posso agora — responde no mesmo tom.

— Não é isso. Você sabia que tem uma câmera de segurança no depósito e que devemos ter sido filmados. Você tem que apagar esse vídeo — falo, bem séria.

Ele riu zombeteiro.

— Ah isso! Não se preocupe, está quebrada, há muito tempo, só serve para desestimular possíveis furtos.

— Você tem certeza?

— É claro que eu tenho certeza.

Fiquei um pouco mais calma, mas nem tanto.