Calderón e o Cupido
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Armando se divertia:
— Não pensei que fosse viver para viver isso, Calderón...
Ajeitei a postura, me recompondo:
— Ei, ei, ei, não disse que estou apaixonado. Envolvido, talvez, mas não apaixonado. Ainda vou sair disso tão ileso quanto eu entrei. Deixa-me só passar mais tempo com ela que logo me canso, vai ver.
— Já pensei tudo o que você pensou, Calderón. Também me propus o mesmo, e olha onde estou hoje...
Levantei a mão pedindo para ele parar:
— Já disse para não me rogar praga, Armando.
Ele sorriu de novo, tomou seu último gole, e se levantou:
— No fundo, no fundo, Mário, eu sei que você não está achando a ideia tão má... Amanhã você vai na competição dos meninos?
— Vou, sim.
— Camilla também vai competir, a gente se vê lá, se Betty me deixar conversar com você.
— E você ainda diz que casamento é ótimo.
— Se a parte ruim do meu casamento for a privação de conversar contigo, nem me afeta — disse debochado.
Sorri:
— É... Você sabe que a gente magoa as pessoas que mais ama, não é? Mas eu te perdoo...
— Até mais, Calderón.
— Que Deus te ilumine, irmão.
E ele saiu.
Eu passei o resto da tarde querendo ligar para alguma de minhas amigas, mas pensar no meu último encontro me desanimava por completo. À noite, andando para lá e para cá feito um idiota em volta do celular, disquei um número maquinalmente. Ouvi a voz de Fabrícia:
— Oi?
Aí me dei conta do que tinha feito. Remexi-me na cadeira, incomodado:
— Oi, Fabrícia, desculpa incomodar, só liguei pra... te desejar boa noite.
— Ah, obrigada, Mário. Boa noite pra você também. Amanhã você vai à escola do Marinho, não é?
— Sim, senhora.
— Leva sua máquina fotográfica, por favor! Não sei o que Daniela fez com a minha! Ela não liga!
— Fica tranquila. Eu levo pra você. Boa noite.
— Boa noite, e obrigada por ligar.
— Um beijo.
— Outro.
Envolvido podia até estar, mas apaixonado, não podia ser...
Fale com o autor