Notas iniciais
Editado em: 17/04/2013

No dia seguinte, fui todo alegre para a escola do Marinho, e nem tinha me passado pela cabeça encontrar toda a família de Fabrícia por lá, incluindo Daniela, obviamente, e muito menos me encontrar com Daniel. De alegre passei a me sentir ridículo, e não sei porque cargas d'águas não me virei com uma desculpa qualquer e fui-me embora.

Fabrícia me cumprimentou de longe, e entreguei-lhe a máquina:

— Eu também vou querer essas fotos.

Ela sorriu. Daniel veio atrás:

— Sabia que te encontraria por aqui, Calderón.

Apertamos as mãos:

— Como vai, Daniel?

— Ocupado como sempre, mas arranjei um tempo para acompanhar Fabrícia.

— Que bom, que bom... — O que ele queria que eu falasse?

Avistei Armando e Betty sentados do outro lado da arquibancada. Ela me olhava séria, e por isso mesmo não achei conveniente cumprimentá-los.

Daniela veio ao meu encontro:

— Legal te ver por aqui, Mário. Estamos todos sentados ali, vamos?

— Obrigado.

Ela chegou mais perto de mim:

— Você fica me devendo essa e pode ter certeza de que eu vou te cobrar — disse maliciosa.

Só ergui as sobrancelhas. Com aquele tom de voz, seria um prazer pagar-lhe o que quer que fosse.

E não demorou muito mesmo para que ela me cobrasse. Mal os meninos pularam na água, ela começou a acenar com a cabeça pedindo para que fosse encontrá-la em algum lugar. Daí ela saiu. Eu cocei a nuca, tive uma breve crise de consciência, questão de segundos, e bastou eu ver Fabrícia e Daniel juntos que me enchi de coragem e fui. Estava passando pelo vestiário à procura dela quando ela me puxou e me beijou intensamente:

— Estava morrendo de saudade de você, Mário.

E me beijou de novo. Estava quase sem ar quando ela se afastou:

— Não some mais de mim, não.

E mais outro beijo. Isso só fazia meu desejo crescer.

— Você me enfeitiça, sabia? — ela disse enquanto beijava minha orelha — Quero saber onde eu estava com a cabeça quando deixei você ir embora.

E mais um beijo que deixou todos os meus nervos em colapso.

Daniela não se demorou, abriu o zíper da minha calça e ficou de joelhos. Eu via tudo em vermelho e as coisas à minha volta rodavam e espocavam. Segurei-a pelos ombros fazendo-a subir. Ergui-a encostada na parede e fizemos amor ansiando um pelo outro desesperadamente, e com a adrenalina da proibição e clandestinidade correndo nas veias.

Cheguei ao fim e abracei-a, ofegante.

— Adoro você, Mário — ela suspirou.

Foi aí que a realidade caiu sobre mim como uma chuva torrencial e eu percebi o que tinha feito. Essa frase soava demasiadamente igual a tudo o que eu tinha vivido, e eu sabia bem que ela era um alarme para me afastar antes que tudo ficasse grande demais. Mas, que diabo, a menina me fazia perder o controle!

— É melhor nos arrumarmos, Daniela, devem estar sentindo a nossa falta.

Separamo-nos e ela se ajeitou:

— Eu vou primeiro.

E saiu.

Cinco minutos depois, liguei no celular da Fabrícia:

— Fabrícia, acho que estou perdido. Só vejo mato à minha volta, acho que estou longe de onde vocês estão.

— Ai, meu Deus, Calderón, só você mesmo! Pior que do jeito que você diz, não posso te orientar! Arruma um ponto de referencia...

— Ah, espera, estou vendo umas quadras de futebol...

— Para o outro lado, Calderón! Deixa as quadras nas suas costas e anda, daí você vai ver uma estradinha de tijolinho amarelo, segue ela que aí você chega.

Não pude deixar de rir:

— Que gracinha...

— Vem logo, Calderón! O Marinho já está aqui do meu lado.

— Que droga, perdi a competição dele.

Desliguei. Cinco minutos depois, estava nas piscinas.

Marinho veio correndo ao meu encontro. Abracei-o. Procurei por Daniela e ela estava sentada na outra arquibancada com Betty e Armando.