Calderón e o Cupido
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Armando atendeu e me disse que podíamos nos encontrar. Ele apenas teria de buscar Camilla na escola e depois disso estava tranquilo, porque não voltava mais para a Ecomoda:
— Aconteceu alguma coisa grave? — ele perguntou, tendo em conta a a surpresa da minha ligação.
— Nada, só quero me lembrar de quando saíamos para beber.
— Tudo bem, Calderón, a gente se encontra às sete naquele bar de sempre — eu o conhecia e ele parecia não ter acreditado muito em minha resposta.
— Tranquilo.
Desliguei o telefone e fui a uma papelaria comprar material de desenho. Eu sei, estava à beira da loucura para ter feito uma coisa desse tipo, mas foi a única coisa que me passou pela cabeça no momento.
Comprei os materiais e joguei-os por sobre a cama, não tive coragem de usar nada. Em seguida fui para o banho e depois fui para o local onde combinara com Armando.Ele já estava lá, um copo de uísque na mão.
— Fala, Calderón.
Sentei-me:
— Qual foi a desculpa de hoje? — perguntei a ele, em provocação.
— Nenhuma. Fabrícia está lá em casa... E se você está aqui, exatamente no mesmo momento, talvez o assunto seja o mesmo.
Pedi um uísque também:
— Por que seria?
— Não sei... Será porque tenho visto vocês dois muito juntos ultimamente? Será porque eu tenho visto muito a Fabrícia de segredinhos com a Betty?... — Armando era todo ironia.
— Ah, é? E você sabe o que ela tem falado?
Ele me olhou de cenho fechado:
— Maldito seja, Mário! Você acha que eu vou ficar me metendo em conversa de mulher?
Levantei as mãos:
— Vai ver você escutou sem querer, só fiquei curioso.
— Não iria ficar curioso à toa, pode contar o que houve.
Levei o copo à boca:
— Agentesebeijou... — disse, tomando um gole imediatamente.
— O quê?
Fiz uma careta:
— Não houve nada de mais, só nos beijamos, foi isso.
Armando começou a rir. Não achei a mínima graça.
— E se isso está te preocupando é porque aí tem coisa...
— Foi ela que pulou no meu pescoço, eu não tenho nada com isso. Também não sou de ferro, não vou recusar.
— E como foi?
— Foi... Como eu posso dizer... Foi sutil... Foi, assim...
— Doce?
Olhei para ele de sobrancelhas erguidas. Era essa a palavra exata:
— Não, foi estranho. E a conversa acabou aqui.
Armando tomou outro gole:
— E descobriu mais alguma coisa sobre o menino?
— Não, por quê?
— Andei rondando-a sobre isso... Ela é muito vaga... Não sei, mas se o pai do menino não fosse você, ela falaria logo sobre ele...
Virei o copo que estava na minha mão.
— Por mais que seja uma suspeita bastante forte, Calderón, não é uma certeza, mas, já pensou na real possibilidade de você ser o pai do menino?
— Já... — a frase pulou da minha boca — quer dizer, não... Mas eu sou um camarada que assume os próprios erros, Armando, não vou fugir...
— Já começou errado. Diga isso à Fabrícia e nunca mais a verá de novo.
— Como assim?
— Vai dizer que o filho dela é um erro, Calderón?
— Eu não disse isso!
Ele fez uma careta:
— Cuidado com o que você diz, então, ou tudo pode ficar muito perigoso...
Pedimos mais uma rodada.
— Mas, Calderón, fala pra mim que sou seu amigo: está ou não apaixonado pela Fabrícia? Nunca te vi tão perto de uma mulher quanto está dela.
Eu quis dizer "não", mas ele ficou entalado na garganta e me engasguei com ele.
Fale com o autor