Notas iniciais
Editado em: 17/04/2013

Nos separamos e ficamos olhando um para o outro feito dois adolescentes surpresos. Eu buscava alguma coisa para dizer, mas em minha cabeça havia um vazio tão grande que chegava a dar um nó na garganta.

Fabrícia, com aquele beijo leve, sugara-me a alma...

Esse silêncio durou horas, um silêncio pesado que enevoava o lugar onde estávamos, e o ambiente só se deixou desembaçar quando Marinho sentou-se no meio de nós dois com a sua bola azul:

— Ai, cansei! Mãe, tem água?

Ela voltou a si e olhou para o menino:

— Ah, tem sim, meu anjo. — Abriu a cesta e tirou uma garrafa.

— Obrigado.

Eu respirei fundo e sacudi a cabeça:

— Acho que já deu a minha hora. É melhor eu ir.

— Mas, já, tio Mário? Eu e o senhor nem brincamos ainda!

— Em primeiro lugar, senhor, não, mocinho, pode me chamar por "você", afinal, somos amigos, certo?

— Certo.

— E vamos deixar a nossa brincadeira para outra hora.

— Promete?

— Sim, senhor.

— Então, até mais, tio Mário.

Baguncei o cabelo dele olhando para Fabrícia:

— Tchau, xará... ...Tchau, Fabrícia.

Em seu rosto estava desenhado um semblante tão abandonado e triste que quase não saí do lugar:

— Tchau, Mário — ela disse depois de uns segundos em silêncio.

Juntei todas as minhas forças e saí dali rapidamente, minha cabeça estava explodindo.