Calderón e o Cupido
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Aquilo tudo me deixou muito desnorteado. Sentia-me vazio e sozinho, e, por isso mesmo, peguei o telefone e liguei para Daniela. Ela não atendeu... Bom, perdeu a vez. Liguei para a Helena que atendeu prontamente e aceitou sair comigo.
No horário combinado, fui buscá-la. Ela já me esperava na porta:
— Olá, sumido! Que ótimo receber sua ligação!
— Que ótimo foi você aceitar sair com um cara como eu.
Ela entrou e me deu um beijo no rosto:
— Um cara como você?
— É, um homem carente e solitário — brinquei.
Ela riu alto:
— Você? Quem me dera...Ia te pegar no colo e te levar para casa.
Dei meia-volta no carro:
— Opa, vamos agora, então.
Ela segurou minhas mãos no intuito de me fazer voltar:
— Não, faz isso, Mário! Vai estragar toda nossa noite!
— E pra onde a senhorita pretende me levar?
— Primeiro, que tal para uma danceteria? Depois a gente deixa nossa imaginação tomar conta.
Coloquei a mão no joelho dela:
— Isso vai ser ótimo...
Respirei fundo, satisfeito. As coisas tinham que ser assim.
Ela foi me indicando o caminho e chegamos rapidamente em uma danceteria pequena, mas com um ambiente bem despojado. Bom lugar.
No começo sentei-me no bar e pedi bebida para nós dois. Estava absolutamente incomodado, se pudesse bebia a noite toda sem pausa. Helena sentou-se de frente pra mim e puxei-a para perto pelos joelhos, arrastando a sua cadeira. Ia beijá-la, mas ela recuou:
— Calma, apressadinho, vamos conversar um pouco.
E tão logo ela começou a falar minha paciência esgotou-se e virei o copo de vodca de uma vez, chamando-a para dançar.
Depois disso, tomei mas algumas doses (nem me lembro mais do quanto), e o fato de estar me sacudindo fez a bebida subir mais rápido.
Daí pra frente as luzes, as pessoas, a fumaça se confundiram tudo numa imagem desfocada e as lembranças começaram a vacilar. Só me vi cheio de coragem tomando Helena para mim e beijando-a intensamente. Falei para irmos para um lugar mais reservado e ela foi dirigindo meu carro até um motel nos limites da cidade.
Joguei-a na cama e caí por cima dela, beijando-a, enquanto acariciava suas pernas, sua barriga, seus seios. Tirei sua blusa, seu sutiã, mordisquei os mamilos intumescidos e tive um lapso de consciência absurdo, percebi que não estava com a mínima vontade de fazer sexo. Helena acariciava minhas costas, beijava minha orelha e eu não conseguia me concentrar. Ela desabotoou minha calça, me acariciou com as mãos e, em seguida, com a boca. Fechei os olhos e quando os abri, vi Daniela. Pisquei e vi Fabrícia, aí o desejo veio louco e eu perdi o controle. Fiz amor com ela como um desesperado.
Acordei com o sol nascendo, e ainda estava meio bêbado. A visão daquela morena do meu lado me causou uma repulsa tão grande que meu estômago começou a revirar. Levantei-me rapidamente, me vesti e coloquei o celular para despertar como se estivesse tocando. Ela acordou com o barulho. Fingi atendê-lo:
— Fala, irmão... Mas, agora?... Estou ocupado aqui... 'Tá bom, eu dou um jeito, fica tranquilo, mas... você vai ficar me devendo essa.
Tirei um dinheiro da carteira, coloquei-o sobre a mesinha do lado da cama e aí fingi reparar que ela tinha acordado.
— Oi, bom dia! Olha, eu preciso ir rapidamente buscar um amigo no aeroporto, não vou poder te esperar para te levar a casa, mas deixo o dinheiro para o táxi — já estava la na porta — tchau, depois eu te ligo.
Mandei um beijo de longe e saí dali.
Fale com o autor