Notas iniciais
Editado em 14/04/2013

Daniela apareceu na cozinha, já vestida.

— Bom, dia, minha linda. Quer café?

— Não, Mário, obrigada, já estou indo.

Ela estava muito séria. Estranhei:

— O que foi?

Ela fechou os olhos.

— Não ia falar, mas você perguntou... Achei você diferente essa noite.

— Diferente? Diferente como?

— Só diferente. Acho que você está precisando ficar um pouco só. Qualquer coisa, me liga, você sabe o meu telefone.

E saiu sem despedir.

Eu só continuava com a Fabrícia e o Daniel na cabeça... Será que eles passaram a noite juntos? Sem pensar, liguei no celular dela.

Fabrícia atendeu sonolenta. Dei-me por mim e desliguei o telefone. Cinco segundos depois ele tocou, era ela. Não tinha o que fazer senão atender:

— Oi.

— O que foi, Calderón? Ah, bom dia. Está me devendo um ótimo sonho.

— Você está em casa?

— Lógico.

— Na verdade eu liguei para saber se o Marinho está acordado — mentira estúpida.

O telefone ficou mudo um tempo:

— Ainda está dormindo aqui do meu lado — alívio. — Falar nisso, o que vocês conversaram ontem no parque?

— Só conto pessoalmente.

Ela riu:

— Essas desculpas para me encontrar estão ficando cada vez mais freqüentes.

— Ora, mas é você quem está interessada no assunto. Se não quiser, não conto, por mim, tudo bem.

— Não, eu quero saber, eu quero! O que você sugere?

— Vai ter uma festa ótima numa casa de shows aqui perto de casa. Você pode colocar o Marinho pra dormir e aproveitar um pouco do seu tempo só.

— Há tanto tempo que eu não faço isso...

— Mais um motivo para fazê-lo.

O telefone ficou mudo novamente.

— É, o que eu tenho a perder? Eu vou!

— Ótimo, te pego às oito.

— Perfeito.

— Beijo e desculpa te acordar, espero que isso te compense.

— Veremos.

Desligou o telefone.

Daí resolvi me perguntar por que tinha ligado.