Calderón e o Cupido
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Chegamos ao Shopping, no local combinado, e Daniela veio correndo em minha direção, pulou no meu pescoço e me beijou na boca. Em seguida, segurou o meu rosto e o virou, mostrando-me aos seus amigos:
— Este aqui é o meu gatinho, Mario Calderón.
Fiquei um tanto sem lugar. Sentia-me um pouco velho pra essas coisas, entretanto, não pude deixar de ficar animado com a recepção.
Fabrícia pegou o Marinho no colo e brincou:
— E este aqui é o meu gatinho — e deu-lhe um beijo estalado no rosto que o menino logo limpou com a mão.
Era bonito vê-la com o menino. Nunca pensei que aquela histérica poderia ser uma boa mãe um dia. Como as pessoas mudam.
Marinho desceu do colo dela e veio colar no meu paletó:
— Olá, senhor Mário. Só vim aqui hoje porque sabia que o senhor viria!
Baguncei o cabelo dele:
— Obrigado pela consideração, xará.
— A gente pode se sentar junto no cinema?
— Dei um sorriso pálido:
— Pode, claro.
Daniela pendurou no meu braço e me tirou de perto dele, levando-me para perto dos dois casais de amigos que trouxera. Alívio. Fabrícia veio atrás com o menino.
Compramos o ingresso. Era um filme de comédia. Sentei-me entre Daniela e Fabrícia que estava com o menino no colo. Situação estranhíssima.
No primeiro minuto de filme, Daniela me puxou pra ela, me beijou e quase me fez subir pelas paredes. Beijou minha orelha e começou a sussurrar:
— Imagina eu beijando seu pescoço... Agora vou descendo um pouco mais e arrancando cada botão dessa camisa sua com os dentes.
O pior é que fui mesmo imaginando...
— Agora, minha mão está te acariciando por cima da calça, e você está louco pra tirar tudo...
Segurei o rosto dela e beijei-a intensamente. Ela se afastou e disse ao meu ouvido:
— Agora vamos fazer isso tudo ali no banheiro, vamos?
Beijei-a de novo:
— Eu saio primeiro porque escutar e imaginar isso tudo tendo que me controlar até dói, sabia?
Ela sorriu como se soubesse disso.
Levantei-me. Estava no corredor quando escutei Fabrícia dizendo:
— Não atrapalha o tio Mário, não, Marinho. Ele vai fazer coisas que menino não pode ver.
Continuei andando sem olhar pra trás e esperei Daniela na porta do banheiro feminino. Ela não demorou muito a chegar. Entramos para o banheiro, tranquei a porta. Coloquei-a sentada na pia, subi sua minissaia jeans e ela entrelaçou suas pernas em mim. Foi desabotoando minha camisa e me beijando em cada ponto, conforme disse, e com a outra mão me acariciava conforme me pedira que imaginasse e eu não aguentava mais. Enrolei-me todo pra desabotoar a blusa dela e ela o fez sorrindo pra mim.
Minha cabeça rodava feito um caleidoscópio desenfreado numa boate barulhenta. Como eu queria essa mulher! Ela conseguia apagar tudo da minha mente e fazer apenas com que a quisesse.
Fizemos amor feito loucos, embora quase sem nenhum barulho. Ao fim de tudo, estávamos exaustos.
Ela beijou-me longamente e intensamente. Depois começou a se ajeitar e e eu também.
Saí do banheiro alinhado, exceto por leves amassados na calça, mas quase imperceptíveis. Uma lição aprendida há muito tempo...
Estava quase na entrada da sala quando dei de cara com a Fabrícia. O menino colou de novo no meu paletó:
— Tio Mário — eu tinha que aguentar cada uma —, senhor me leva ao banheiro. Minha mãe sempre me leva ao banheiro das mulheres e eu sou homem!
Ergui as sobrancelhas. Olhei pra Fabrícia:
— Vai lá, "tio" Mário, faz pelo menos uma coisa útil pr'o menino.
Sorri nervoso. Peguei o menino pela mão:
— Vamos, xará, mas se eu fosse você, aproveitava o máximo possível entrar no banheiro das mulheres pra ver um monte de garota bonita. Se der sorte, pega alguma se trocando.
— Mário! — Fabrícia tinha batido o pé no chão e estava com as mãos na cintura.
Dessa vez eu sorri irônico, triunfante.
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