Calderón e o Cupido
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Dentro do banheiro, aproveitei para puxar papo com o garoto, que lavava as mãos. Para falar a verdade, mais derrubava água no chão que dentro da pia:
— Mas, Marinho, você nunca viu o seu pai?
— Não, senhor. Minha mãe disse que ele morreu antes de eu nascer.
— E a sua mãe não fala sobre ele?
— É... Sempre que eu pergunto, ela começa a falar, inventa outro assunto, e eu nem percebo, acredita? — Ele ainda lavava as mãos.
— E você sabe no que ele trabalhava?
— É...Minha mãe disse que ele era um grande empresário do mundo da moda.
— Qual é seu nome completo, Marinho, você sabe?
Ele balançou a cabeça em negative:
— Mas a minha sabe, eu posso perguntar para ela!
Afrouxei a gola da camisa. Um grande empresário do mundo da moda chamado Mário... Mais uma coincidência e eu teria um enfarte e cairia duro ali naquele chão mesmo.
O menino secou as mãos finalmente e saímos dali.
Terminamos de ver o filme, embora eu não o tenha visto, de fato, e fomos lanchar. Daniela encontrou uma turma de pessoas; todos muito novinhos e me senti o "Tio" Mário. Ironicamente fui salvo pela Fabrícia que me mostrou uma cadeira do seu lado e me convidou a sentar com os olhos.
Fui pra perto dela.
— Pra você ficar deslocado comigo. Também não aprecio muito essas companhias da Daniela.
Marinho, que estava sentado em cima da mesa, pegou o menu:
— Mãe, eu quero batata frita! Não esquece, tá?
— Impossível, Marinho, já é a terceira vez que você fala isso em cinco minutos.
Ficamos calados algum tempo, ela brincando com o menino, e eu deixado de lado. Comecei a falar qualquer coisa:
— Muita responsabilidade cuidar de uma criança...
— Ah, Mário, não me arrependo uma vírgula! De tudo de ruim que me aconteceu, agradeço a Deus todos os dias pelo presente que foi meu bebê. Não sei o que teria feito sem ele.
— Tudo de ruim?
— É... prefiro não falar sobre isso, se você não se importa. Lembranças tristes, senhor Calderón... — disse, distante.
— Não, que isso... Não, coisas tristes, não... — passei a mão pelo cabelo dela e pousei-a em seu ombro, em solidariedade — você sabe que não sou esse tipo de companhia.
Ela colocou a mão por cima da minha Sorriu-me, triste. Por um raio de segundo tive vontade de abraçá-la. Não tive forças pra tirar a mão de lá.
Marinho nos olhou de sobrancelhas erguidas. Interrompeu o momento para meu alívio:
— Mãe, eu quero batata frita, tá? Pode pedir que o garçom está aqui do lado, só te esperando.
Fizemos os pedidos.
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