Notas iniciais
Editado em: 11/04/2013

Ali, dentro do elevador, foi a primeira vez em que pude reparar nela desde então: Fabrícia estava bem diferente do que era sete anos atrás: cortara o cabelo na altura do queixo com repicados bem assimétricos, mais compridos na frente, fazendo a volta do rosto. Pintara-os de um vermelho cereja e só os olhos azuis e as sobrancelhas um pouco mais claras é que denunciavam o loiro original. O contraste do vermelho com a brancura da sua pele era encantador.

O corpo permanecia o mesmo. Fora o vestuário que agora estava mais sóbrio e uma ligeira impressão de que estava mais encorpada, continuava magra e com uma silhueta hipnotizadora, ninguém nunca poderia dizer que já tinha um filho.

Daí saíram as únicas palavras que consegui trocar com ela durante esse percurso no elevador:

— Com todo respeito, você continua linda.

Ela sorriu:

— E você continua o mesmo! Já estava reparando em mim, Mario?

Aconteceu uma coisa que nunca me tinha acontecido diante de uma situação dessa: Fiquei sem graça.

Sorte minha que o elevador parou e a se porta abriu, não precisei dizer nada, nem me explicar. Não sou homem de remediar o que fala, isso é coisa de gente insegura.

Acontece que saímos não havia ninguém nos esperando. Daniela se tinha ido.

Fabrícia respirou fundo:

— Ai! Não acredito que ela não me esperou!

Ela, então, pegou o celular, mas viu que tinha uma mensagem. Era de Daniela. Fabrícia leu e bateu o pé no chão:

— Acredita que ela já foi, Calderón? Disse que como eu estava demorando não quis atrapalhar nós dois, pode? Pior é que o Marinho está com ela! Detesto quando ela fica com ele porque ela não olha o menino direito.

Fiquei gelado de novo. Tudo o que tinha a ver com esse menino me deixava constrangido.

Fabrícia me pegou pelo braço:

— Vamos logo!

Foi uma cena engraçada para quem estava de fora: uma mulher arrastando um homem pelo braço como se ele fosse uma criança.