Calderón e o Cupido
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Nos separamos e ficamos olhando um para o outro feito dois adolescentes surpresos. Eu buscava alguma coisa para dizer, mas em minha cabeça havia um vazio tão grande que chegava a dar um nó na garganta.
Fabrícia, com aquele beijo leve, sugara-me a alma...
Esse silêncio durou horas, um silêncio pesado que enevoava o lugar onde estávamos, e o ambiente só se deixou desembaçar quando Marinho sentou-se no meio de nós dois com a sua bola azul:
— Ai, cansei! Mãe, tem água?
Ela voltou a si e olhou para o menino:
— Ah, tem sim, meu anjo. — Abriu a cesta e tirou uma garrafa.
— Obrigado.
Eu respirei fundo e sacudi a cabeça:
— Acho que já deu a minha hora. É melhor eu ir.
— Mas, já, tio Mário? Eu e o senhor nem brincamos ainda!
— Em primeiro lugar, senhor, não, mocinho, pode me chamar por "você", afinal, somos amigos, certo?
— Certo.
— E vamos deixar a nossa brincadeira para outra hora.
— Promete?
— Sim, senhor.
— Então, até mais, tio Mário.
Baguncei o cabelo dele olhando para Fabrícia:
— Tchau, xará... ...Tchau, Fabrícia.
Em seu rosto estava desenhado um semblante tão abandonado e triste que quase não saí do lugar:
— Tchau, Mário — ela disse depois de uns segundos em silêncio.
Juntei todas as minhas forças e saí dali rapidamente, minha cabeça estava explodindo.
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