Calderón e o Cupido
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Daniela apareceu na cozinha, já vestida.
— Bom, dia, minha linda. Quer café?
— Não, Mário, obrigada, já estou indo.
Ela estava muito séria. Estranhei:
— O que foi?
Ela fechou os olhos.
— Não ia falar, mas você perguntou... Achei você diferente essa noite.
— Diferente? Diferente como?
— Só diferente. Acho que você está precisando ficar um pouco só. Qualquer coisa, me liga, você sabe o meu telefone.
E saiu sem despedir.
Eu só continuava com a Fabrícia e o Daniel na cabeça... Será que eles passaram a noite juntos? Sem pensar, liguei no celular dela.
Fabrícia atendeu sonolenta. Dei-me por mim e desliguei o telefone. Cinco segundos depois ele tocou, era ela. Não tinha o que fazer senão atender:
— Oi.
— O que foi, Calderón? Ah, bom dia. Está me devendo um ótimo sonho.
— Você está em casa?
— Lógico.
— Na verdade eu liguei para saber se o Marinho está acordado — mentira estúpida.
O telefone ficou mudo um tempo:
— Ainda está dormindo aqui do meu lado — alívio. — Falar nisso, o que vocês conversaram ontem no parque?
— Só conto pessoalmente.
Ela riu:
— Essas desculpas para me encontrar estão ficando cada vez mais freqüentes.
— Ora, mas é você quem está interessada no assunto. Se não quiser, não conto, por mim, tudo bem.
— Não, eu quero saber, eu quero! O que você sugere?
— Vai ter uma festa ótima numa casa de shows aqui perto de casa. Você pode colocar o Marinho pra dormir e aproveitar um pouco do seu tempo só.
— Há tanto tempo que eu não faço isso...
— Mais um motivo para fazê-lo.
O telefone ficou mudo novamente.
— É, o que eu tenho a perder? Eu vou!
— Ótimo, te pego às oito.
— Perfeito.
— Beijo e desculpa te acordar, espero que isso te compense.
— Veremos.
Desligou o telefone.
Daí resolvi me perguntar por que tinha ligado.
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