Notas iniciais
Editado em: 13/04/2013

Saímos da lanchonete umas duas horas depois, e Daniela decidiu dar uma esticada até não sei aonde. Não animei, não aquela turma que parecia um amontoado de pontos saltitantes e coloridos. Fabrícia se prontificou a me levar até a casa, se eu não me importasse. Marinho logo interviu:

— Mas primeiro você me leva na Camila, né, mãe? Por favor, por favor, por favor!

— Levo, levo, sim, calma, senhor apressadinho. 'Tá louco pra ver a namoradinha?

— Ela não é a minha namorada! É a minha amiga Camila.

— Tudo bem, tudo bem... — virou-se pra mim — se importa de ir lá comigo, Mário?

— Não, eu não. Betty é que não pode me ver, você sabe.

— Eu a distraio para você trocar uma palavrinha com o Armando.

— Opa, então vamos.

Ao chegarmos, fiquei dentro do carro. Armando veio receber Fabrícia e ela apontou na minha direção. Ele veio ao meu encontro e Fabrícia foi ao encontro de Betty com o menino.

— Fala, mano.

— Tem certeza de que você não voltou com a Fabrícia, Calderón?

— Como assim? Claro que não, só aceitei uma carona, estava com o carro da Daniela, você bem se lembra.

— E você e Daniela ainda estão saindo?

— Mano, eu acho que eu estou apaixonado, aquela garota é um vulcão. Perfeita. Hoje, no cinema, ela me tentou tanto que não aguentei, fizemos amor no banheiro feminino, foi adrenalina pura.

— Mário, que loucura!

— Pode ficar com inveja, pode ficar...

— Fico e não fico, sou feliz com a Betty, me encanta poder acordar do lado dela todo dia. Nenhum dia é como o outro.

— Ah, não acredito nisso, não mesmo...

— Ainda torço para que você descubra isso, Calderón, é melhor do que qualquer coisa que você pode imaginar.

— Não me roga praga, Armando. Ah, não.

— Tudo bem, não está mais aqui quem falou, mas você precisa tomar um jeito, já não é mais aquele mocinho de antes.

— Se você for ficar falando essas coisas, pode descer, que que isso..,

Armando riu:

— Desculpa, desculpa.

— Agora, mudando de assunto, porque este está muito chato, Armando, você sabe quem foi o pai desse filho da Fabrícia?

— Não, por que? — Ele olhou pra esquerda — Espera, espera... Esse menino tem sete anos, na mesma época em que você teve aquele romance com ela... Ele se chama... Ah, não me diga que esse menino é seu, Calderón?

— Sai fora, isola, bate na madeira — dei três socos de leve no painel do carro — nem fala uma coisa dessa que pode atrair coisa ruim. Fiquei encucado com isso, foi só. Mas nunca que esse menino é meu filho.

— Sabe que ele me lembrava alguém que eu conheço? Ele se parece com você...

Cerrei as vistas. Armando ficou rindo.Fabrícia apareceu.

— Vamos?

Armando desceu do carro:

— Descubro esse assunto pra você e te aviso.

— Obrigado, irmão.

E foi-se.

— Do que vocês falavam? — Perguntou ela.

— Coisas de homem... — eu disse, doido para que ela não perguntasse mais nada.