Calderón e o Cupido
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Saímos da lanchonete umas duas horas depois, e Daniela decidiu dar uma esticada até não sei aonde. Não animei, não aquela turma que parecia um amontoado de pontos saltitantes e coloridos. Fabrícia se prontificou a me levar até a casa, se eu não me importasse. Marinho logo interviu:
— Mas primeiro você me leva na Camila, né, mãe? Por favor, por favor, por favor!
— Levo, levo, sim, calma, senhor apressadinho. 'Tá louco pra ver a namoradinha?
— Ela não é a minha namorada! É a minha amiga Camila.
— Tudo bem, tudo bem... — virou-se pra mim — se importa de ir lá comigo, Mário?
— Não, eu não. Betty é que não pode me ver, você sabe.
— Eu a distraio para você trocar uma palavrinha com o Armando.
— Opa, então vamos.
Ao chegarmos, fiquei dentro do carro. Armando veio receber Fabrícia e ela apontou na minha direção. Ele veio ao meu encontro e Fabrícia foi ao encontro de Betty com o menino.
— Fala, mano.
— Tem certeza de que você não voltou com a Fabrícia, Calderón?
— Como assim? Claro que não, só aceitei uma carona, estava com o carro da Daniela, você bem se lembra.
— E você e Daniela ainda estão saindo?
— Mano, eu acho que eu estou apaixonado, aquela garota é um vulcão. Perfeita. Hoje, no cinema, ela me tentou tanto que não aguentei, fizemos amor no banheiro feminino, foi adrenalina pura.
— Mário, que loucura!
— Pode ficar com inveja, pode ficar...
— Fico e não fico, sou feliz com a Betty, me encanta poder acordar do lado dela todo dia. Nenhum dia é como o outro.
— Ah, não acredito nisso, não mesmo...
— Ainda torço para que você descubra isso, Calderón, é melhor do que qualquer coisa que você pode imaginar.
— Não me roga praga, Armando. Ah, não.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou, mas você precisa tomar um jeito, já não é mais aquele mocinho de antes.
— Se você for ficar falando essas coisas, pode descer, que que isso..,
Armando riu:
— Desculpa, desculpa.
— Agora, mudando de assunto, porque este está muito chato, Armando, você sabe quem foi o pai desse filho da Fabrícia?
— Não, por que? — Ele olhou pra esquerda — Espera, espera... Esse menino tem sete anos, na mesma época em que você teve aquele romance com ela... Ele se chama... Ah, não me diga que esse menino é seu, Calderón?
— Sai fora, isola, bate na madeira — dei três socos de leve no painel do carro — nem fala uma coisa dessa que pode atrair coisa ruim. Fiquei encucado com isso, foi só. Mas nunca que esse menino é meu filho.
— Sabe que ele me lembrava alguém que eu conheço? Ele se parece com você...
Cerrei as vistas. Armando ficou rindo.Fabrícia apareceu.
— Vamos?
Armando desceu do carro:
— Descubro esse assunto pra você e te aviso.
— Obrigado, irmão.
E foi-se.
— Do que vocês falavam? — Perguntou ela.
— Coisas de homem... — eu disse, doido para que ela não perguntasse mais nada.
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