Notas iniciais
Editado em: 11/04/2013

Chegamos ao Shopping, no local combinado, e Daniela veio correndo em minha direção, pulou no meu pescoço e me beijou na boca. Em seguida, segurou o meu rosto e o virou, mostrando-me aos seus amigos:

— Este aqui é o meu gatinho, Mario Calderón.

Fiquei um tanto sem lugar. Sentia-me um pouco velho pra essas coisas, entretanto, não pude deixar de ficar animado com a recepção.

Fabrícia pegou o Marinho no colo e brincou:

— E este aqui é o meu gatinho — e deu-lhe um beijo estalado no rosto que o menino logo limpou com a mão.

Era bonito vê-la com o menino. Nunca pensei que aquela histérica poderia ser uma boa mãe um dia. Como as pessoas mudam.

Marinho desceu do colo dela e veio colar no meu paletó:

— Olá, senhor Mário. Só vim aqui hoje porque sabia que o senhor viria!

Baguncei o cabelo dele:

— Obrigado pela consideração, xará.

— A gente pode se sentar junto no cinema?

— Dei um sorriso pálido:

— Pode, claro.

Daniela pendurou no meu braço e me tirou de perto dele, levando-me para perto dos dois casais de amigos que trouxera. Alívio. Fabrícia veio atrás com o menino.

Compramos o ingresso. Era um filme de comédia. Sentei-me entre Daniela e Fabrícia que estava com o menino no colo. Situação estranhíssima.

No primeiro minuto de filme, Daniela me puxou pra ela, me beijou e quase me fez subir pelas paredes. Beijou minha orelha e começou a sussurrar:

— Imagina eu beijando seu pescoço... Agora vou descendo um pouco mais e arrancando cada botão dessa camisa sua com os dentes.

O pior é que fui mesmo imaginando...

— Agora, minha mão está te acariciando por cima da calça, e você está louco pra tirar tudo...

Segurei o rosto dela e beijei-a intensamente. Ela se afastou e disse ao meu ouvido:

— Agora vamos fazer isso tudo ali no banheiro, vamos?

Beijei-a de novo:

— Eu saio primeiro porque escutar e imaginar isso tudo tendo que me controlar até dói, sabia?

Ela sorriu como se soubesse disso.

Levantei-me. Estava no corredor quando escutei Fabrícia dizendo:

— Não atrapalha o tio Mário, não, Marinho. Ele vai fazer coisas que menino não pode ver.

Continuei andando sem olhar pra trás e esperei Daniela na porta do banheiro feminino. Ela não demorou muito a chegar. Entramos para o banheiro, tranquei a porta. Coloquei-a sentada na pia, subi sua minissaia jeans e ela entrelaçou suas pernas em mim. Foi desabotoando minha camisa e me beijando em cada ponto, conforme disse, e com a outra mão me acariciava conforme me pedira que imaginasse e eu não aguentava mais. Enrolei-me todo pra desabotoar a blusa dela e ela o fez sorrindo pra mim.

Minha cabeça rodava feito um caleidoscópio desenfreado numa boate barulhenta. Como eu queria essa mulher! Ela conseguia apagar tudo da minha mente e fazer apenas com que a quisesse.

Fizemos amor feito loucos, embora quase sem nenhum barulho. Ao fim de tudo, estávamos exaustos.

Ela beijou-me longamente e intensamente. Depois começou a se ajeitar e e eu também.

Saí do banheiro alinhado, exceto por leves amassados na calça, mas quase imperceptíveis. Uma lição aprendida há muito tempo...

Estava quase na entrada da sala quando dei de cara com a Fabrícia. O menino colou de novo no meu paletó:

— Tio Mário — eu tinha que aguentar cada uma —, senhor me leva ao banheiro. Minha mãe sempre me leva ao banheiro das mulheres e eu sou homem!

Ergui as sobrancelhas. Olhei pra Fabrícia:

— Vai lá, "tio" Mário, faz pelo menos uma coisa útil pr'o menino.

Sorri nervoso. Peguei o menino pela mão:

— Vamos, xará, mas se eu fosse você, aproveitava o máximo possível entrar no banheiro das mulheres pra ver um monte de garota bonita. Se der sorte, pega alguma se trocando.

— Mário! — Fabrícia tinha batido o pé no chão e estava com as mãos na cintura.

Dessa vez eu sorri irônico, triunfante.