Notas iniciais
A fanfic está revisada. Então se ainda apresentar erros, conto com vocês para me ajudar nessa empreitada =)

*Cap editado em: 05/05/5012*

Um belo dia, sem explicação como este texto, eis que vi um certo anjo atrapalhado. Por incrível que pareça, mirava uma flecha de ponta de coração em mim. Enganei-o uma vez, duas, três mas, acabei tropeçando e, quando caí no chão, fui flechado, tão desengonçadamente como a vida que levava todo esse tempo.

Tudo bem, sem floreios. Andava pelo parque da 93, em Bogotá, quando tropecei e caí. Uma moça veio correndo em meu socorro. Vestia trajes esportivos e não possuía lá grande beleza. Não vou me ater a isso.

Agradeci o gesto e fui para o restaurante me encontrar com meu amigo Armando, escondido da esposa dele, obviamente, como já o fazia há seis anos. Meu plano era trazê-lo de volta à vida, ressucitar meu companheiro de aventuras e grandes histórias, e eu sabia que o sangue de solteiro ainda lhe corria nas veias. Uma vez assim, sempre assim, não há como negar a natureza.

Cheguei ao estacionamento e, quando fui dar uma gorjeta para um flanelinha de modo que ele olhasse meu carro ( e não o arranhasse), notei que estava sem minha carteira... E eu pensando que pessoas como aquela moça faziam do mundo um lugar melhor... Fiz um gesto para o menino dizendo que estava sem nada e ele apenas suspirou. Suspirei de volta. Devia sair dali agendando uma visita à uma funilaria qualquer.

Entrei, esperei por Armando uma, duas horas, e nada de ele aparecer. Até que ele ligou (escondido) me pedindo desculpas, e disse que estava no hospital com a filha febril. Definitivamente, aquele não era meu dia.

Quando retornei ao meu carro, ele, obviamente — como previsto — estava arranhado de lado a lado. Observei-o mais demoradamente e notei que a porta estava arrombada. Então me lembrei que tinha me esquecido de tirar o maldito som que comprara há poucos dias. Daí não aguentei e soltei um grito em plena rua, e depois xinguei vários palavrões a esmo que não convém serem citados aqui...

Nesse exato momento senti alguém tocar em meu ombro. Olhei para trás e vi uma mulher estonteante, loira, olhos claros, vestida formalmente, como se estivesse saindo de alguma festa. Ela me sorriu e disse:

– É o seu carro? Posso testemunhar para você se quiser, vi como eram as pessoas que o arrombou. Estava aqui no "Bogotá Beer Company" quando aconteceu.

Respirei fundo:

– Obrigado. Eu te levaria para jantar se estivesse com a minha carteira.

Ela me mostrou aquele sorriso de cristal de novo:

– Pobrezinho...

– Se importa de me acompanhar até a delegacia?

Só Deus sabe onde ficava a delegacia que eu estava imaginando...

– Em vista do estado em que se encontra seu carro, acho melhor irmos no meu, vou ficar mais à vontade também.

– Quem sou eu para negar — disse sorrindo.

– Então, vamos.

Antes, porém, liguei para um guincho e mandei despachar meu carro até em casa.

O carro dela estava um pouco longe dali de modo que pudemos ir conversando, ainda que, devo ressaltar, quem começou foi ela:

– Bom, minha mãe me ensinou a não falar com estranhos, portanto, mudaríamos essa situação se você dissesse seu nome.

Eu sei que havia minutos que a conhecera, mas quase senti que não poderia mais viver sem aquele sorriso lindo e natural que ela tinha...Quase, e isso era um alerta constante, uma espécie de despertador irritante que não me deixava dormir um minuto sequer... Por um momento eu quis dormir... Meu deus, quantas idéias...

Estendi minha mão para ela:

– Mario Calderón, a partir de hoje, seu criado.

– Daniela Watson.

Já havia ouvido falar vagamente de uma empresa com o nome Watson, uma empresa nova, algo relacionado a tecidos...:

– Não me é estranho seu nome.

Fiquei surpreso com a resposta que recebi:

– O seu também não é, não...

Uma ótima oportunidade para jogar uma das minhas:

– Será que a gente se conhece de alguma outra vida?

Ela entendeu a mensagem e riu-se:

– Se tivéssemos o mesmo nome em duas vidas, seria realmente muito estranho! Você o deve conhecer de alguma coluna social, não o meu especificamente porque estava nos Estados Unidos, mas a empresa do meu pai... Só que não sei falar nada a respeito dela, e confesso que tenho pavor de entender sobre esse mundo dos negócios — enfatizou a palavra "mundos" — ... Não quero conhecer as pessoas através do que elas fazem, então, nem vou perguntar sobre o seu trabalho.

E sorriu de novo:

– Meu carro.

Era um chevrolet ômega 2006, preto, o carro que eu queria comprar ano passado... Disse isso e ela não acreditou, disse que era impossível estarmos envolvidos em tantas coincidências. Particularmente, estava me deliciando com tudo.

Fomos até à delegacia, mas não obtive resultado. O lugar estava cheio, eu teria que esperar por horas até que me atendessem, e esperar mais ainda para que a polícia fosse fazer uma vistoria no local, e ainda assim a situação não se resolveria. As coisas estavam indo muito bem até aquele momento e confesso que cheguei a pensar que poderia melhorar a partir dali. Há momentos em que eu me apego a cada tipo de coisa...