Caia Sobre o Inferno
8 Capítulo 8: O Passado Antes de Tudo
Notas iniciais

– Ela nasceu! Ela nasceu! – Enfermeiras deformadas corriam pelos corredores gritando, com um bebê chorão e de chifres enormes em seu colo. – Rápido, para a sala de ex... Treinamento!
O bebê foi colocado em uma pequena cama, dentro de uma sala inteiramente branca. Na sala, tinham apenas uma porta que dava para o corredor e uma janela, que ocupava uma parede inteira e mostrava uma sala de controle.
As enfermeiras saíram da sala, e logo apareceram na sala de controle, com uniformes pesados e exagerados. Estavam cautelosas, como se não quisessem ser descobertas. O bebê, confuso, tentava se mexer, sem sucesso, enquanto chorava incansavelmente.
– Vamos, inicie logo o experimento. Antes que Satan apareça.
Hesitante, uma das enfermeiras pousou o dedo em um dos milhares de botões da sala de controle. Todos na sala observaram atentamente os raios de magia negra atravessando a sala branca, atingindo em cheio o bebê que gritava no centro da sala.
– Maravilhoso... Ela sobreviveu aos raios de magia negra... Aumente a força! – gritou uma enfermeira, em meio ao barulho das máquinas, que atingiam o bebê sem piedade.
Outra enfermeira mexeu em botões com pressa, assim fazendo com que raios vermelhos e grossos se juntassem aos negros, e atingindo o bebê, que agora se sacudia, tentando se libertar da pequena cama.
–Enquanto isso-
– VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO COM ELA, NÃO! – Lilith tentava se libertar dos fortes braços de Satan, enquanto enfermeiras levavam Bianca para longe.
– Se acalme. – Satan a encarou com impaciência.
– COMO POSSO ME ACALMAR? ELA PODE MORRER! –Lilith continuava tentando se libertar, gritando cada vez mais alto, enquanto lágrimas percorriam seu rosto – ELA ACABA DE NASCER! NÃO! BIANCA!
– Ela não vai morrer, se acalme... – Satã a puxou e a sentou em uma cadeira próxima – Você acaba de sair de trabalho de parto, precisa descansar... – Lilith estava quieta, encarando seu marido, que agora limpava as lágrimas de seu rosto e falava com calma – Assim que ela nasceu, eu percebi que ela tinha um poder especial, eu te garanto que ela vai sobreviver ao treino, não é nada demais. Não é como aquele... Bem, é um treino simples, sem perigos.
– T-Tá bem... – disse Lilith, se acalmando.
Um garotinho, com uma espadinha de pedra em mãos, olhava as enfermeiras ao longe, com um tanto de tristeza no olhar.
– Mamãe, a irmãzinha vai morrer?
Lilith o olhou com uma mistura de pena e surpresa.
– Não, querido, ela não vai.
O garotinho, apesar de pequeno, já tinha certa habilidade com a espada, e dizia que ia proteger a família toda e ter muitas mulheres ao seu dispor. Ele, ao saber que sua irmã seria treinada fortemente, se sentiu enraivecido, e jurou treinar para ultrapassá-la.
O garotinho saiu do castelo e foi para o jardim de plantas mortas treinar seu combate.
Enquanto isso, mais e mais magias, ataques e fenômenos caiam sobre o corpinho cansado de Bianca, que já nem chorava mais, de tanto cansaço.
Ao fim do dia, os experimentos foram encerrados, e o corpo quase desmaiado do bebê recém-nascido fora levado para um quarto que mais parecia uma gaiola. Lilith, ao ver o estado de sua pequena filha, caiu em lágrimas, mas concluiu que tudo aquilo era parte do treino, enquanto Anúbis continuava treinando para proteger sua querida família.
Anos se passaram, e Bianca, agora criança, continuava nos experimentos de guerra, mostrando que tinha um corpo muito mais resistente que o normal, e um estoque de energia quase inesgotável. Anúbis, por sua vez, já era um adolescente paquerador, saia com centenas de garotas e treinava com sua espada, agora de um metal mágico, quase todos os dias.
– Já preparou os experimentos? – questionou uma enfermeira a um dos cientistas.
– Sim... Mas há algo de errado... –respondeu o cientista.
– O que aconteceu?
– Não sei dizer ao certo... Mas parece que há uma grande onda de poder vindo da criança...
– Bem, deve ser normal, com a quantidade de poder que estamos injetando nela...
– Sim, deve ser... –disse o cientista, ainda desconfiado.
E então, as luzes piscaram. As lâmpadas balançaram, e um tremor foi sentido.
– Mas que porra é essa? – disse um médico, assustado.
O corpo infantil preso à cama de ferro levantou a cabeça.
Seus olhos, naturalmente vermelhos, brilharam mais do que nunca.
As paredes laterais da sala de experimentos se juntaram, esmagando todos os médicos e cientistas ali presentes. As correntes que prendiam Bianca à mesa metálica derreteram, e a criança saiu da sala, calmamente, e foi para o que seria seu quarto de agora em diante. Um aposento grande, com banheiro próprio e cama de casal, de um tamanho absurdamente grande. À esquerda, um guarda-roupa muito grande, e à direita, a porta do banheiro e uma escrivaninha. A garota, exausta, se deitou na cama vestindo seus trapos e logo desmaiou de sono.
No dia seguinte, Lilith foi verificar o estado de sua querida filha, como fazia todas as noites, mas viu que ela não estava lá. Logo ela foi correndo avisar Satan.
Anúbis, que estava próximo ao seu pai, ouviu todo o relato da mãe, e logo foi correndo, verificando de porta em porta, procurar Bianca pelo castelo.
Finalmente, ele viu a pequena irmã dormindo tranquilamente, em um dos quartos de visita. Ele a olhou carinhosamente, passou a mão em seu rosto e a pegou no colo. Avistou seus pais e logo disse onde a tinha encontrado.
Satan estava abismado. Ele tinha encontrado a sala de controle, e logo concluiu que eles estavam injetando poder na filha, mas ele não conseguia investigar adiante, pois a sala de controle estava inteiramente destruída. Como uma garotinha daquele tamanho poderia fazer algo daquele nível?
Lilith estava assustada, mas ao mesmo tempo feliz, pois sua querida filha já não iria precisar do doloroso treino. A pegou no colo, e a levou para um quarto ainda maior, com closet e eletrônicos. O quarto tinha um estilo gótico, e a pequena foi deixada em uma cama que era duas vezes maior que a anterior. Lilith a cobriu, e deu um beijo em sua testa. Bianca nunca tinha visto a cara dos pais ou do irmão, pois sempre que eles a visitavam, era quando a pequena estava dormindo.
No dia seguinte, Bianca acordou confusa: aquele não era o quarto onde tinha entrado noite passada. Quando foi se levantar, levou um susto. Na cadeira ao lado da cama, tinha um garoto, adolescente, muito bonito. Bianca estava confusa, pois pensava estar sozinha naquele castelo. Examinou o rosto do garoto, que lhe parecia familiar.
Os seus olhos se abriram lentamente, e se depararam com grandes olhinhos vermelhos examinando seu rosto. Anúbis levou um susto, mas logo percebeu que quem o encarava era ninguém mais que Bianca. Suspirou, e encarou os grandes olhos curiosos da garota. Que olhos brilhantes!
– Ahn... Olá...?
– Quem é você, moço?
E agora? Como Anúbis explicaria que era seu irmão?
Quando ele abriu a boca para responder, Lilith e Satan entraram no quarto. Bianca, assustada por ter tanta gente perto dela, se enfiou debaixo das cobertas.
– Quem são vocês? O que querem?
Lilith sorriu e se dirigiu à cama onde só se via um olhinho espiando entre as espessas cobertas.
– Ah, querida... – Lilith se sentou na beira da cama e passou a mão onde supostamente seria a cabeça da Bianca – Com certeza não se lembra de mim, mas sou sua mãe...
O olhinho que espiava por entre as cobertas se arregalou.
– Então quer dizer que você...
Continua...
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