Notas iniciais
Papai noel deixou presente na árvore para vocês :) Sejam bons meninos e meninas e quem sabe o bom velhinho continue sendo legal ho ho ho Muito obrigada a Ruth Echelon, Vêh Kant, Sayori, JDeschamps, imouto kawaii, paozinhois, Zenya, DCC, Misami, LunaBiju, Agridoce, j2rugila, Bomer, Miyu, LuOrtensi, Safira Rosa, Mapa, angels, Michele, SopaDeBatata e Mariana Lótus pelos reviews lindos. Feliz Natal :D

John estava encostado em sua caminhonete esperando Sam chegar com Davi. Eles não combinaram o horário e o homem já estava ali há pelo menos meia hora. Quando chegou, ele ficou esperando dentro do carro e viu quando a mãe de Sam saiu acompanhada de um homem que chegou para buscá-la.

Aquele final de semana foi uma tortura. John não conseguia parar de pensar em Sam. No que ele poderia estar fazendo. Se ele e aquele desocupado conseguiram alguma privacidade para... Ele começou a pensar nessa frase várias e várias vezes, mas o ciúme nunca permitia que ele terminasse de completá-la. John não queria pensar no que Sam fez ou deixara de fazer.

Após voltar para casa depois da cena do rato, John tentou se ocupar e foi cuidar do jardim. Não funcionou. Tentou ir descobrir a origem do barulho estranho que sua camionete andava fazendo. Não deu certo. Tentou assistir um filme com Teo. Bem, ele até ficou de corpo presente na sala, mas sua mente se recusava a pensar em algo que não fosse em Sam.

De noite, seu amigo Paul apareceu para assistir ao jogo de futebol e tomar uma cerveja. Paul gritava com a tela, xingava ou aplaudia, mas John apenas permaneceu introspectivo, pouco vendo o que se passava.

– Você tá bem, John? – Paul perguntou, de repente, atraindo a atenção do moreno.

– Alguns problemas do orfanato não saem da minha cabeça. – John respondeu um pouco evasivo. – Estamos com pouco dinheiro em caixa.

– Por que você não aproveita o festival da cidade pra conseguir mais doações? – Paul sugeriu.

– Sabe que não é uma má ideia... – Ponderou lentamente e os dois acabaram engatando numa conversa do que poderia ser feito no festival para contribuir com o orfanato.

Isso acabou distraindo o moreno um pouco. Mas, depois que Paul foi embora e os assuntos do orfanato voltaram para escanteio, Sam voltou a tomar a mente de John por completo.

O domingo não foi lá muito diferente. Ele passou o dia inteiro tentando encontrar coisas com as quais se distrair e falhou miseravelmente.

E agora ele estava na porta da casa de Sam esperando o loiro.

Já estava começando a se irritar com a demora quando um carro despontou na esquina. Ele estreitou os olhos ao identificar Sam dirigindo com Davi, sorridente e aparentemente cantando, no lado do passageiro.

Quando o loiro estacionou, John se desencostou da caminhonete.

Davi saltou do carro e veio correndo até ele.

– Pai, pai! – O menino disse afobado. – Olha o que o Damien deu de presente pra o Sam! Não é legal? O som tem entrada pra pen drive e até DVD portátil no banco de trás tem!

John estreitou os olhos e teve certeza que uma veia saltou na sua testa.

– Vai esperar no carro, Davi. – Pediu ao menino.

– Mas, pai...!

– Agora! – John não gritou, mas o tom que usou não dava margem para qualquer tipo de tentativa de argumentação.

Davi abaixou a cabeça e foi para a caminhonete, entrando comportadamente para esperar o pai. Sam descia do seu novo carrinho na mesma hora e caminhou já com uma expressão não muito boa na direção de John.

– Não vai nem deixar eu me despedir do menino? – Perguntou encarando o mais velho com indignação.

– O que você fez para ganhar esse carro? – John ignorou a pergunta. Ele estava com tanta raiva e ciúme juntos e tudo que saía de sua boca era uma grande bomba quando os dois sentimentos se uniam. – Ficou de joelhos na frente dele e usou a boca? – Acrescentou com desdém.

O queixo de Sam caiu e, de imediato, a raiva atingiu níveis estratosféricos. Ele ergueu a mão e tentou estapear John, como havia feito da outra vez, mas o maior conseguiu segurar-lhe o pulso e impedir o ato. Os dois se encararam olhos nos olhos, respirando pesadamente. John parecia igualmente irritado, mas mesmo assim puxou Sam um pouquinho para perto.

O loiro sorriu irônico.

– Está com ciúmes, John? Queria que eu me ajoelhasse e usasse a boca em você? – Perguntou jocoso, ainda com o sorrisinho no canto do lábio. Por trás de sua expressão irônica, transbordava de raiva. Já não havia acordado de tão bom humor naquele dia, para início de conversa. – Damien, diferente de você, sabe como me deixar com vontade. Uma pena que você é tão covarde e não consegue tomar nenhuma atitude. – Provocou.

John trincou os dentes e prensou o mais novo contra a porta do carro. Ele não queria, mas malditas imagens mentais de Sam ajoelhando diante dele invadiram a sua mente e isso começou a deixá-lo excitado. O moreno simplesmente não conseguia entender como podia sentir tanto desejo e tanta raiva por aquele loiro ao mesmo tempo. Ele pensou que depois daquela vez, há dois anos, fosse ficar satisfeito e superar o que sentia. Mas parecia que tudo só piorara e que essas sensações que Sam provocava estavam triplicadas dentro do seu corpo.

Ele manteve as mãos do loiro para o alto para impedi-lo de fugir ou de bater nele. O moreno já tinha sentido o peso da mão dele em seu rosto e não queria repetir a experiência.

– Você parecia bem à vontade há dois anos. – John disse em um tom rouco, aproximando mais o rosto do dele. – Gemendo o meu nome... Duvido que qualquer outro tenha feito você gemer ou gozar daquele jeito.

Sam sentiu o rosto queimar violentamente com o comentário dele, mas, principalmente, seu corpo reagiu de maneira ainda mais violenta com a proximidade e a forma como John o prendeu contra o carro. As memórias daquela noite o atingiram em cheio... É. Nenhum outro cara havia conseguido despertar em seu corpo o que moreno havia lhe causado naquela única vez. Parecia uma maldição. Porém, isso não era motivo para John falar assim tão convencido. Isso o deixou ainda mais furioso, junto com todas as outras sensações confusas e quentes em seu corpo.

– Você não sabe disso! – Mentiu, respirando pesado e depois tentou se debater. – Me larga, John! Seu filho está olhando!

Aquela frase fez com que John se afastasse como se tivesse levado um choque. Ele olhou do loiro para o filho que assistia à cena com os lábios entreabertos e os olhos arregalados.

– Vá se despedir dele. Eu vou... Vou... Vou até a esquina e volto daqui a pouco! – Disse, nervoso, enquanto começava a se afastar. Precisava andar um pouco para que seu corpo esfriasse. Iria até a esquina e voltaria. Era o tempo que Sam precisava para se despedir de Davi.

Sam exalou o ar e passou a mão pelos cabelos compridos, sentindo-se tremer. Precisou de alguns segundos antes de conseguir caminhar até a caminhonete e abrir a porta dela, deparando-se com um Davi de expressão preocupada e ansiosa.

– Papai ia bater em você? – Ele perguntou.

Sam ergueu as sobrancelhas com surpresa.

– N-Não... Seu pai só... Ele só estava... – Sam tropeçou nas palavras, não conseguindo encontrar uma explicação razoável para o que recém havia acontecido. – Nós só estávamos conversando e tivemos um leve desentendimento. Mas está tudo bem agora. – Forçou um sorriso e puxou o menino para um abraço. – Comporte-se, viu? Mas só um pouquinho porque seu pai merece um pouco de dor de cabeça.

Davi riu abraçando-o de volta e, antes que Sam se afastasse, sussurrou no ouvido dele:

– Na verdade, eu achei que o papai ia te beijar.

Sam se afastou de olhos arregalados.

– É isso, ele ia?

– Não! – Exclamou consternado. O que diabos aquela criança de seis anos estava pensando? Por Deus! Suas bochechas ficaram vermelhas enquanto Davi esboçava uma expressão desanimada. – Seu pai está voltando. Nós nos vemos em breve, ok? – Deu um beijo na testa do menino e depois caminhou para dentro de sua casa, não querendo olhar para John outra vez.

O moreno passou por ele, tentando manter os olhos à sua frente, mas os malditos acabaram desviando para o canto para ver o loiro passar, e John quase voltou correndo para a esquina quando focou no bumbum de Sam. Dois anos sem conseguir ficar com ninguém por causa daquele bumbum.

– Como foi lá? Afundaram na poeira? – John perguntou enquanto batia a porta do carro com força. – Você dormiu no quarto de quem? – Acrescentou naquele tom de quem não quer nada.

– Eu e Sam ficamos no quarto do Taylor! Taylor nos contou histórias de médico antes de dormir. Foi engraçado! – Davi falou e, empolgado, começou a contar várias coisas que haviam feito no final de semana, o quanto a casa estava suja, como Fubá era fofo e sobre como tinha feito amizade com Charlie! Enfim, ele engatou em tudo que ele podia lembrar.

John não pôde deixar se surpreender com a mudança do filho. Davi sempre foi quieto, introspectivo e agora estava alegre e falando pelos cotovelos. Querendo ou não, ele tinha que admitir que Sam estava sendo uma influência benéfica para o menino.

Apenas ouvindo o filho falar, John dirigiu para casa.

XxxX

Damien bateu na porta e tentou abri-la, mas nem com toda sua força conseguiu dar um jeito para que a maldita destrancasse. A cada segundo o quarto parecia ficar ainda mais apertado e sufocante enquanto lembranças que o ruivo tentava esquecer surgiam na sua mente antes que ele as pudesse suprimir.

Ele ouvia o som distante da voz de Taylor falando com o cachorro e a luzinha do celular do médico mal e mal iluminar o local.

– Abre... – Sussurrou enquanto escorregava até o chão. – Abre... Abre... Eu não fiz nada... Abre... – Sem que pudesse controlar, as lágrimas começaram cair dos seus olhos enquanto ele sentia que estava sufocando e lutando para respirar fundo, mas parecia que quanto mais fundo respirava menos ar conseguia botar nos pulmões. – Eu não fiz nada. Abre, por favor! Por favor! – Levou as mãos às orelhas tentando abafar o som dos gritos dos avós. – Eu não tive culpa! ABRE! – Gritou desesperado.

Taylor se virou assim que Damien aumentou o tom de voz. Ele pôde ver, mesmo com dificuldade, o ruivo encolhendo-se contra a porta, parecendo em meio a uma crise de ansiedade. O médico arregalou os olhos e correu até Damien, ajoelhando-se à frente dele e segurando suas mãos.

– Damien... Damien! – Exclamou, a fim de chamar atenção do ruivo. Era consternador e até um pouco assustador ver o ruivo naquele estado. – O que está acontecendo? – Perguntou preocupado, aproximando-se um pouco mais. Mas, com um estalo, ele achou ter entendido, enquanto o mais novo respirava cada vez com mais dificuldade e Fubá gania baixinho, roçando a ponta do nariz na perna do ruivo.

Claustrofobia.

– Damien, olha para mim. Olha para mim, Damien, por favor. – Pediu, segurando as mãos dele com força.

Damien continuou respirando fundo num ritmo alterado enquanto sentia as paredes começarem a se pressionar ao redor de seu corpo, engolindo-o aos poucos. Demorou um pouco para perceber que Taylor estava chamando seu nome.

– Por favor, diz pra eles que não fiz nada... – Pediu desesperado. – Diz pra abrir a porta.

– Você não fez nada. Damien, olha pra mim. – Repetiu e colocou uma mão sobre a bochecha do ruivo, tentando lhe chamar atenção. Damien finalmente focou os olhos em seu rosto. – Eu estou aqui. Só eu, você e o Fubá. Vamos ficar bem. Você vai ficar bem. Você só tem que respirar com calma. Puxar e soltar o ar. – Taylor fez o movimento para mostrar como era, respirando fundo e lentamente. – Puxar e soltar o ar... Confia em mim. Concentre-se em mim.

Demorou um pouco, mas Damien conseguiu manter o foco no que o médico dizia e começou a respirar pausadamente, puxando e soltando o ar, como ele estava instruindo. As paredes pareciam estar se afastando um pouco mais e já não pareciam tão intimidantes como minutos antes, apesar de ainda serem uma ameaça em potencial.

– Eu... Eu estou melhor. – Disse com a voz rouca, tremendo um pouco. Damien não queria nem pensar no que poderia acontecer se Taylor não estivesse com ele. Fubá continuava roçando o nariz no joelho do ruivo, que acabou pegando o bichinho no colo para começar a coçar atrás das orelhas dele. – Estou melhor. – Engoliu a saliva pastosa da boca e tentou colocar mais convicção na voz. Seus olhos mantinham-se alerta, olhando para os lados, procurando o inimigo.

Taylor exalou o ar e, atravessado pelo alívio, acabou descansando a testa contra a do ruivo, enquanto fechava os olhos e acariciava os cabelos dele.

– Você me assustou, ruivo. Que bom que está melhor. – Sussurrou. – Mas continue focando apenas em mim.

Damien manteve os olhos abertos, e concentrou-se para observar apenas o rosto de Taylor próximo do seu. O coração dele, que antes estava acelerado pelo medo, agora acelerava pela alegria que sentia as perceber o carinho e preocupação que Taylor demonstrava por ele.

Ficaram naquela posição por alguns segundos, ou foram minutos, Damien nem conseguia precisar. Apesar de tudo, apesar de estar preso no quarto, ele se viu querendo parar o tempo para continuar daquele jeito com Taylor. Quando o médico pareceu estar convencido de que o ruivo estava realmente melhor se afastou e Damien abriu a boca para reclamar, porém no segundo seguinte ele se viu deitado nas pernas de Taylor. O médico havia feito um sinal para que ele deitasse e Damien não pensou duas vezes antes de fazê-lo.

– Desculpe. – Ele murmurou com a voz fraca e um pouco envergonhado pelo surto que teve. – Fazia tanto tempo que eu não ficava em um lugar tão apertado e trancado... Pensei ter superado isso.

Taylor não resistiu e continuou acariciando os cabelos do ruivo. Fubá havia se acomodado sobre a barriga de Damien e parecia bastante satisfeito com isso.

– Não precisa se desculpar... – Taylor passou a ponta dos dedos pela testa, bochecha e queixo do ruivo, com movimentos suaves. Queria mantê-lo distraído das paredes. – Não sei quem fazia isso com você, mas... Não vou permitir que você fique sozinho em um lugar assim novamente. Hoje você não está sozinho, amanhã também não vai estar. Fubá também não vai deixar. – O canto da boca de Taylor repuxou em um sorriso leve.

Damien sorriu com a promessa e fechou os olhos enquanto aproveitava o carinho que o médico fazia.

– Meus avós. – Ele sussurrou ainda com os olhos fechados. Não queria ver a expressão de pena no rosto de Taylor. – Foram meus avós. Quando eu fazia algo errado, ou que eles achavam que era errado, eles me trancavam no armário. Na noite em que eles morreram, eles me deixaram trancado, saíram e... Não voltaram. Morreram em um acidente. Me encontraram três dias depois trancado lá dentro. Por isso que... Que... – Ele não conseguia mais falar.

– Shhhhh. – Taylor fez e colocou dois dedos sobre os lábios do ruivo. – Você não precisa falar. Não agora. – Seu coração se apertou com o que escutou e tudo que ele queria era abraçar aquele rapaz de vinte e quatro anos que parecia, naquele momento, nada além de uma criança assustada, com medo de ser deixado abandonado em um armário novamente. – Vou ligar para o Carl. A porta pelo que eu vi tinha uma trava pelo lado de fora... Deve ter trancado quando a porta bateu. – Ele pegou o celular e discou, porém, depois de dois toques, sua bateria acabou. – Droga! – Sussurrou frustrado.

Quando Taylor colocou os dedos sobre os lábios do ruivo a vontade dele foi de beijar cada um deles. Mas se conteve. Aquilo não era momento nem lugar para aquele tipo de reação.

– Acho que vamos ter que dormir aqui. – Damien disse e tentou levantar para ver se havia algo que poderiam usar, mas naquele quartinho só estavam os móveis antigos que ele não usava mais. – Está um pouco frio. Talvez seja melhor ficarmos abraçados. – Sugeriu.

Taylor hesitou por um momento, mas então pensou que Damien provavelmente ainda estava afetado pelo medo de se sentir sozinho e, por isso, concordou com a cabeça, sentindo um friozinho na barriga ao pensar nos braços do ruivo circulando sua cintura, puxando-o para perto para compartilhar o calor... Mordendo o lábio, Taylor se deitou e, segurando a mão do mais novo, puxou-o para se deitar com ele.

– Ok. – Murmurou. – Não aumentamos a temperatura da calefação agora de noite. Está mesmo frio...

Damien suspirou, feliz, ao abraçar Taylor e puxá-lo para mais perto de si. Daquele jeito poderia até ficar trancado no quarto por mais tempo e nem ligaria. Ele fechou os olhos enquanto sentia o médico esconder o rosto na curva do seu pescoço. Damien pôde sentir a respiração dele roçando na sua pele. Ok, aquilo estava um pouco perigoso e ele deveria ter pensado um pouco melhor antes de sugerir aquilo. Mas, agora, dane-se. Não ia voltar atrás. Ele deslizou a mão pelas costas de Taylor lentamente e não sabia até onde iria se Fubá não tivesse resolvido se intrometer entre os dois.

Taylor riu e Damien bufou.

– Ei, sai daí. – Damien resmungou para o cachorro e foi solenemente ignorado. Ao invés de sair, Fubá subiu mais e começou a lamber o rosto dos dois. – Argh! – O ruivo gemeu.

Taylor, rindo, começou a acariciar o bichinho que, então, acomodou-se entre os dois para dormir.

– Melhor seguirmos o exemplo dele e dormimos também. Alguém deve aparecer amanhã cedo... – Falou, descansando a cabeça no braço e fechando os olhos. Seu coração batia rápido pelo abraço intenso de segundos atrás, e Taylor não queria que Damien percebesse seu estado.

Damien, exausto, não retrucou e acabou adormecendo poucos minutos depois. Mas, mesmo durante o sono, manteve Taylor junto ao seu corpo, sentindo-se aquecido e protegido por ele.

XxxX

Na manhã seguinte, Damien acordou um pouco desorientado. Ele tentou se mover, mas “algo” deitado sobre o seu peito o impediu de levantar. Lentamente as memórias da noite anterior foram voltando, por alguns segundos ele sentiu como se as paredes estivessem se fechando sobre ele outra vez, mas aí ele olhou para o “algo” que estava sobre o seu peito e relaxou.

Taylor.

Ele dormia pacificamente nos braços do ruivo que, por sua vez, estava com um dos braços em volta da cintura do médico. Damien sorriu enquanto apertava o abraço. Sem pensar muito no que estava fazendo, o ruivo ergueu pelo queixo um pouco a cabeça de Taylor e começou a diminuir a distância entre suas bocas.

Mas Fubá também acordava naquele momento. E resolveu começar a latir.

Damien, assustado, fechou os olhos e fingiu que estava dormindo.

Taylor abriu os olhos e acariciou a cabeça do cachorro para que ele parasse de latir, mas quando Fubá começou a lamber seus dedos, Taylor percebeu no que estava deitado. O médico se sentou tão rápido que chegou a ficar com a visão escurecida por alguns segundos. Ele olhou para Damien, que parecia ainda estar dormindo.

– Ele é um baita dorminhoco. – Contou para o Fubá.

O ruivo girou para o lado, fingiu resmungar alguma coisa, e virou de novo para o outro lado, resmungando de novo.

– Estou com dor nas costas. – Falou, com a voz rouca, ainda mantendo os olhos fechados. – Acho que foi porque além do chão ser duro alguém me usou de almofada a noite inteira. Quer dizer, dois me usaram de almofada porque esse cachorro é muito folgado também.

Taylor abriu e fechou a boca antes de conseguir articular alguma coisa decente.

– Eu não sou folgado! – Reclamou. – V-Você é que se acomodou de baixo de mim. – Desviou o olhar, olhando para Fubá esperando que ele concordasse, mas o cachorrinho apenas inclinou a cabeça para o lado enquanto o mirava de volta. Ele mordeu o lábio. – M-Mas se quiser, posso fazer uma massagem nas suas costas depois se a dor continuar... – Ficou vermelho ao sugerir. Bem, agora que sabia que Damien e Sam não tinham mais nada, não custava tirar uma casquinha do ruivo, certo?

– Sério? – As sobrancelhas de Damien se ergueram e ele sentou se sentindo totalmente animado pela ideia. Com certeza seria um pouco perigoso se ele não conseguisse controlar o seu amigo lá de baixo e Taylor percebesse, mas Damien não perderia aquela oportunidade. – Eu vou cobrar! – Disse sorrindo.

Fubá começou a grunhir naquele momento e correu para a porta.

– Damien? Taylor? – Era a voz de Carl.

O ruivo levantou de um salto e correu para porta.

– Estamos aqui, Carl! – Ele gritou enquanto batia na porta. – Estamos presos!

– Cara, como vocês conseguiram ficar presos aí? – Carl perguntou enquanto forçava a porta e não demorou muito para que ele conseguisse abri-la.

Damien praticamente correu para fora do quarto assim que Carl conseguiu libertá-los. O fato de Taylor ter conseguido acalmá-lo não queria dizer que o ruivo não continuava com medo ou ansioso para sair.

– Foi culpa desse cachorro folgado! Ele correu para dentro do quarto e a porta bateu antes que nós percebêssemos!

– E vocês dormiram aí? – Carl olhou para o interior do quarto. – Juntos? – Ergueu as sobrancelhas quando Damien confirmou. – A mãe vai adorar saber disso!

– A tia Camille? Por quê? – Damien perguntou confuso.

– Err... Eu encontrei uma pessoa lá na porta. Ela disse que soube que vocês encontraram um cachorro e quer ver se é o dela. Eu a deixei entrar. Está lá na sala. – Carl mudou drasticamente de assunto.

Fubá pareceu farejar alguma coisa e, com um latido, saiu disparado em direção à sala da casa. Taylor agradeceu Carl e depois seguiu o bichinho, encontrando-o já nos braços de uma adolescente de uns dezoito anos, que o abraçava e enchia de beijinhos.

– Leãozinho! Que bom que te encontrei! – Ela falava com lágrimas nos olhos, enquanto o cachorro tentava enchê-la de lambidas no rosto. – Obrigada por terem cuidado do Leão durante esses últimos dias. Ele escapou de casa no dia que eu e meus pais saímos para comer fora. – Ela explicou, emocionada por ter reencontrado seu bichinho.

Taylor não pôde deixar de achar a cena tocante, porém lhe doeu o coração saber que perderia a companhia de Fubá... Ou melhor, Leão.

– Foi um prazer cuidar dele. – Taylor sorriu e se aproximou. Ele acariciou a cabeça do cãozinho, que latiu e lhe lambeu a mão. – Parece que você encontrou sua dona, filhotinho.

Damien percebeu como os ombros de Taylor caíram e que ele não conseguiu sorrir como geralmente fazia. O ruivo quis até ele e dizer alguma coisa idiota para fazê-lo se sentir melhor, mas não sabia o quê poderia dizer. O próprio ruivo estava um pouquinho triste (e ele nunca admitiria isso em voz alta) pelo cachorrinho estar indo embora. Aquela bola de pelo já era praticamente de casa.

– Não quero ‘tá por perto quando a Charlie descobrir que o cachorro foi embora – Carl disse de repente, fazendo com que Damien lembrasse que o amigo estava ali.

– Ela vai chutar a minha canela de novo. – Damien gemeu.

– Provavelmente, e vai dizer: “Padrinho mal jogou o filhotinho fora!” – Carl imitou o tom de voz da filha.

– Já sei! Vou comprar três barbies e um monte de roupas! – Damien exclamou.

– Não vai adiantar, padrinho mal. – Carl deu uma batidinha no ombro do amigo enquanto balançava a cabeça. – Taylor, eu passei pela clínica e tinha uma fila lá para você. Parece que alguma virose atacou as crianças. Graças a Deus os meus pirralhinhos estão bem e vou mantê-los em casa até segunda ordem.

– Isso se o Phil já não tiver fugido. – Damien zombou e ganhou um olhar azedo de Carl.

– Ah, meu Deus! Já são quase nove horas! – Taylor percebeu. – Eu vou tomar um banho voando e depois vou para a clínica! – Ele exclamou atarantado e, com um último abraço no cachorrinho, ele precisou correr para o banheiro.

A dona do Leão agradeceu também ao ruivo e depois partiu, levando seu cachorrinho.

Damien observou Taylor sumir no corredor e acabou suspirando quando o médico saiu do seu campo de visão.

– Ok, agora o que você quis dizer com a tia Camille ficar feliz?

– Hum, nós não deveríamos preparar o café? O pobre Taylor não pode ir trabalhar sem comer nada. – Carl tentou fugir, mas Damien o segurou pela gola da camisa.

– Você não vai fugir! – Retrucou irritado.

– Olha, a mãe me falou que você anda suspirando pelos cantos... Ok, eu acabei de ver isso. Ela disse que você anda melhor, mais feliz e tal. Eu não tenho nada contra... Só achei estranho porque você sempre foi adorador de peitões e eu não consigo ver graça em outro pênis... Mas gosto é gosto. E se você gosta, ok. Eu apoio. – Carl falou sem respirar e foi ficando roxo no processo.

Damien suspirou e soltou o amigo.

– Não é que eu goste de outro pênis. Eu gosto do Taylor. Mas ele não sente o mesmo. É unilateral. E eu não falei nada pra você porque fiquei um pouco com medo da sua reação. – Encolheu os ombros.

– Damien, eu sou seu amigo. Me chocou no começo? Sim. Mas eu não tenho problema com isso. Você é como um irmão, cara. – Carl falou enquanto colocava uma mão no ombro do ruivo.

– Isso me fez ter tendências gays e vontade de te abraçar. – Damien disse com a voz embargada.

Carl riu e o puxou para um abraço.

– Agora vamos fazer o café senão o Taylor vai trabalhar com fome! – Carl o puxou em direção à cozinha.

Quando Taylor terminou de se arrumar, já era nove e vinte. Ele passou na cozinha apenas para pegar uma fruta, mas se surpreendeu com a mesa do café da manhã prontinha e arrumada.

– Carl! Você preparou um café da manhã! Obrigado! – Agradeceu emocionado e, agitado como estava, acabou dando um abraço rápido no rapaz. Depois o soltou e foi pegando uma torrada em cima da mesa. – Acho que vou comer no caminho. Tem uma maquininha de café na confeitaria quase ao lado da clínica. Eu pego algo para beber lá. – Foi falando com pressa.

Damien fuzilou Carl com o olhar quando ele ganhou um abraço do médico e todos os elogios e agradecimentos pelo café.

– Ei! Eu ajudei também! – Avisou mal-humorado.

– Pois é, Taylor, ele fez a maior parte. Ele merece um abraço também. – Carl provocou.

O ruivo arregalou os olhos e, de novo, se olhares matassem Carl estaria deixando as crianças órfãs naquele exato segundo.

Taylor riu.

– ‘Tá certo, vou fingir que esse ruivo faz alguma coisa além de dormir. – Brincou e, dando uma mordida generosa na torrada, ele deu um abano rápido em despedida. – Vou indo! Até depois!

Carl balançou os ombros assim que Taylor saiu da cozinha e disse:

– Eu quero ser o padrinho do casamento. – Declarou com a maior cara de pau do mundo, e Damien só não atirou nada na cara dele porque todos os objetos eram de vidro e ele não queria estragar nada, digo... Machucar Carl de verdade.

O ruivo só sabia que, agora, estava enrolado com aquela família de casamenteiros intrometidos tentando fazer com que ele e o Taylor se acertassem.

Que dor de cabeça”, pensou e tomou um bom gole de café.

Notas finais
Errrrr.... Lembrem do espírito natalino antes de chutar, ameaçar e nos xingar. xDD Beijinhos. Bia Yuuji.