Notas iniciais
Oi, pessoal! Feliz ano novo!!! Que 2016 seja um ano maravilhoso para todos vocês! Nesse capítulo não teremos Taylor e Damien, mas em compensação... ;x Agradecimentos, como sempre, às pessoas lindas que deixaram seus comentários cheirosos e gostosos: Lola, JDeschamps, DCC, Ruth Echelon, Marte, Michele, butterfly, keshy yamani, bomer, Antonio Dutra, LunaBiju, Fern, Nilla, Lucy, Agridoce, cut, Vêh Kant, LuOrtensi, Ti Rorschach, Sayori, Mariana Lótus, Rafaella Lima, paozinhois, Yuna, Mapa e angels!

Era uma quinta-feira de noite.

Aquela semana, assim como a anterior, havia voado para Sam. Seus dias corriam sem grandes alterações. Suas maiores emoções era imaginar John sob seus pés. O loiro adorava imaginar-se pisando naquele desgraçado. Ok que em outros momentos John se levantava e o pegava de jeito, mas Sam definitivamente queria mesmo era pisar naquele idiota! Bem, para tentar parar de surtar um pouco com essas ideias, acabou aceitando sair mais uma vez com Scott.

Ele era um cara legal e tudo mais, mas... Simplesmente não lhe despertava aquele fogo. E isso ficou óbvio durante as horas que passaram conversando no barzinho. Sam mais pensava em ir para casa dormir em certo ponto da noite, do que arrancar as roupas do instrutor de ginástica. E olhe que Scott tinha um corpão em plena forma. Era bonitão, gay bem resolvido e solteiro. O que mais Sam poderia pedir?

– Scott... – Falou em dado momento da noite, antes que acabasse bocejando em frente ao moreno. – Olha... Eu acho que quero ir para casa.

– Quer que eu te acompanhe? – Ele perguntou com um quê sugestivo.

– Não, vou voltar com meu carro. – Sam mordeu o lábio. – Scott... Você é um cara legal. Mais do que legal, mas... Nós dois... Eu acho que não vai dar certo.

Scott abaixou a cabeça, parecendo atingido por aquelas palavras.

– Ao menos me deixa te acompanhar até o carro. – Ele pediu e Sam, se sentindo uma pessoa horrível, acabou aceitando. Havia sido um erro aceitar sair com ele novamente. Sam sabia que Scott nutria um sentimento maior do que apenas atração física.

– Ok. – Murmurou, chateado consigo mesmo. – Só vou terminar esse drinque. – Falou e entornou o copo. Bem, esse foi um erro, porque sua cabeça pareceu girar segundos depois.

Os dois pagaram e deixar o barzinho, seguindo para o pequeno estacionamento nos fundos.

– Uou... Minha cabeça começou a girar. Nós bebemos tanto assim? – O loiro perguntou começando a perder o equilíbrio. Parecia que o álcool o atingira como um soco assim que se levantou. Sentado, não percebera o tanto que havia ingerido. Acabou rindo descontraído. – Se eu bater o carro nesse estado, o Damien me mata!

Scott o segurou pelos ombros antes que chegassem no carro.

– Sam... Por que você não pode me dar uma chance? – Ele perguntou com o olhar triste, e Sam o encarou deixando o sorriso desaparecer. – Eu gosto de você! Gosto de verdade! Adoro seu jeito, sua alegria... – Tocou o rosto do loiro. – Eu queria tanto te fazer feliz...

– Scott... – Sam murmurou ficando acanhado. Desviou o olhar, sentindo uma bola entalar na garganta. – Por favor, não dificulte as coisas. – Sua voz saiu engrolada.

– Eu sou louco por você. – Scott murmurou e, também afetado pelo álcool, virou o rosto do mais novo e tentou beijá-lo.

– Scott, não...! – Sam fechou os olhos com força e tentou se afastar, mas Scott havia passado um braço por sua cintura e os lábios dele se fecharam forçosamente sobre os seus, com gosto de álcool e ansiedade.

John estava estacionando o carro quando viu Sam sair acompanhado do barzinho com aquele brutamontes cheio de músculos.

“Já não basta o desocupado?!”, pensou furioso e enciumado. Será que o ruivo sabia que o “namoradinho” dele estava com outro no barzinho?

Naquela confusão toda John só conseguia realmente perceber que não fazia o tipo de Sam. Tanto o ruivo desocupado como o brutamontes cheio de músculos tinham bem mais massa corporal que John. Ele não era fraco nem nada, mas não era um maníaco por academia como aqueles dois. Pelo visto Sam adorava aquele tipo de homem.

“Como se fizesse diferença o tipo de homem que ele gosta ou deixa de gostar!”, John desceu do carro e bateu a porta. Estava decidido a ir direto para o barzinho sem nem dar bola para o casal, mas ao ouvir Sam dizer que não queria ser beijado e depois quando foi tentar se libertar do agarre do outro, algo dentro de John fez com que ele mudasse de trajetória e fosse até eles.

Sem se importar que o cara era realmente bem mais forte, John o puxou, o arrancando de cima de Sam e ficou entre os dois.

– Ele disse “não”, idiota! – John exclamou em um tom seco.

– E o que isso importa para um homofóbico desgraçado que nem você? – Scott empurrou John e tentou puxar Sam pelo braço de volta para si. O loiro ficou tão chocado com o surgimento inesperado de John que nem conseguiu esboçar alguma reação, principalmente não quando estava parcialmente alcoolizado.

John segurou o braço de Scott e com a outra mão deu um soco certeiro no nariz dele fazendo com que ele recuasse. O moreno não queria brigar. Ainda lembrava bem dos socos doloridos que levou de Damien, mas se aquele idiota não recuasse iria partir para cima dele sem nenhum medo.

– Não vou ficar quieto ao ver um imbecil tentando abusar de alguém que não tem forças para se defender! – John retrucou. – Eu faria isso por qualquer um.

Bem, com certeza ele ajudaria alguém que estivesse passando por algo semelhante, mas se não fosse Sam ali John não estaria dando sua cara da tapa daquele jeito.

– Parem! – Sam gritou, atarantado. – Ai meu Deus, Scott, seu nariz... Deixa eu ver!

– Não. – Scott colocou a mão sobre o nariz sangrando e se afastou. – Droga, Sam. Ele tem razão... Eu não deveria ter te forçado... Eu...

Sam abriu a boca e tentou falar que não havia problema, mas Scott se afastou antes disso, de cabeça baixa ainda tentando estancar o sangue. Assim que ele se afastou, Sam se virou para John, apontou o dedo indicador contra o peito dele, mas... tropeçou nos próprios pés, caindo nos braços do maior. Bastou que John colocasse as mãos em sua cintura para um arrepio subir por sua espinha e ele se esquecer do que tinha engatilhado na garganta.

– Eu tenho forças para me defender, seu idiota. – Murmurou.

John segurou Sam firme pela cintura para ajudá-lo a ficar de pé.

– Claro. Você estava lidando com a situação muito bem antes de eu chegar. É tão difícil dizer: “Muito obrigado, John, você salvou a minha pureza”. Ah, espere. Você não tem mais pureza – disse com desdém.

As orelhas de Sam inflamaram, e ele empurrou John com as forças que lhe restavam.

– É! E de quem é a culpa por isso?! – Exclamou e começou a caminhar em passadas um pouco desequilibradas para seu carro. Quando tentou pegar a chave do carro, deixou-a cair no chão. Quando a juntou, não conseguiu colocá-la na fechadura do carro. Soltou um gritinho de frustração. – Chave idiota!

John se divertiu observando Sam lutar com a chave. Se aproximou e colocou a mão sobre a dele para pegar a chave.

– Eu te levo pra casa. Você não está em condições de dirigir – sussurrou perto da orelha dele.

Sam colocou a mão sobre a orelha, tremendo de leve.

– É claro que eu estou! Eu não quero sua ajuda. Eu quero que você suma! – Deu soquinhos no tórax dele.

– Você pode até querer isso, Sam, mas seu corpo diz exatamente o contrário. – John provocou deslizando a mão pelas costas do loiro e, antes que ele tivesse tempo de reagir, o moreno o jogou no seu ombro e começou a levá-lo até a sua caminhonete. Ele não soube o que o levou a provocá-lo daquele jeito. Só sabia que era divertido e sexy ver Sam vermelho.

Sam esperneou e continuou a dar-lhe soquinhos que doíam muito pouco.

– Seu convencido arrogante! – Exclamou e tentou arranhá-lo nas costas, mas John logo o jogava dentro da caminhonete. Sam caiu sem jeito sobre o banco e, quando John entrou também e se preparou para ligar o veículo, o loiro bateu duas vezes em seu braço. – Eu te odeio! Odeio! – Exclamava, mas, em algum ponto, acabou descansando a testa contra o braço no qual batia, respirando ofegante.

John segurou Sam pelos ombros e o fez se afastar um pouco. Depois segurou o queixo dele e aproximou seus rostos. A respiração quente de Sam batia em seu rosto e isso o fazia se lembrar de dois anos atrás, de como, num carro que ele havia vendido por não aguentar as lembranças, eles transaram como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte.

– Você também estava bêbado naquela noite. – John disse. – Eu deveria ter te deixado lá com aquele cara? Talvez você tenha fetiche por transar em banco de trás do carro. – E lá ia o ciúme falando por ele outra vez.

Sam rangeu os dentes.

– Eu não saio beijando qualquer um só porque estou bêbado! Aquela noite... Aquela noite você deu sorte! – Explicou, tentando convencer seu eu bêbado daquilo. – Eu estava deprê porque meus melhores amigos iam me deixar! – Ele afastou o rosto de John e riu aéreo por causa do álcool. – Eu nunca tinha nem prestado atenção em você! Mal sabia seu nome! Sempre confundia com Jones. – Zombou.

John trincou os dentes enquanto sentia o sangue correr mais rápido. Como assim ele nunca tinha prestado atenção nele? O moreno sofreu por quase dois anos só pensando naquele loiro de uma figa!

“Ah, eu era casado na época e ele não tinha como saber a grande bosta que o meu casamento era”, John pensou, mas mesmo assim sua raiva não diminuiu.

Pensando nisso, ele já vinha sofrendo por causa daquela “coisa” que sentia por Sam há tempos. Talvez ele só precisasse de mais uma vez... Só uma para desintoxicar. As lembranças daquela noite eram confusas e talvez se ele fizesse sóbrio veria que nem foi essas coisas todas que a sua mente fantasiava.

– Eu dei sorte? – John aproximou ainda mais o rosto do dele enquanto passava a língua pelos lábios. – E eu daria sorte hoje? – Sussurrou e seus lábios estavam quase roçando nos de Sam.

– N-Não... – Sam gaguejou fracamente, colocando uma mão sobre o peito dele para mantê-lo afastado. Seu coração estava batendo freneticamente, como um trem descarrilhado. – S-Só me leva logo pra casa, John. – Virou o rosto e se afastou, mal acreditando que havia encontrado forças para isso quando seu corpo todo implorava pelos toques do moreno. Sam abraçou a si mesmo, mandando seu orgulho resolver dar as caras e não se deixar ser pisado de novo. – Você nunca mais terá aquela sorte.

John passou as mãos pelos cabelos, os desalinhando ainda mais e se perguntou onde diabos estava com a cabeça para falar aquilo. Sam estava bêbado e se o moreno tentasse alguma coisa estaria no mesmo saco daquele idiota que tentou agarrá-lo antes.

“Mas você não fez isso há dois anos? Você não o agarrou e o forçou?”, uma vozinha irritante perguntou na mente dele.

Ele se inclinou e puxou o cinto para prender o loiro no assento enquanto respondia para vozinha irritante que Sam não pareceu nem um pouco forçado a aceitar o que ele fazia.

– Eu... – John deu partida no carro e apertou o volante com força. Sam estava bêbado e com sorte não iria se lembrar do que o moreno diria a seguir. – Eu... Me desculpe pelo que eu fiz. Ao contrário de você que nunca havia prestado atenção em mim, eu não conseguia parar de pensar em você. Acabei me... Excedendo.

Excedendo era uma forma bonita de dizer.

– Só... Desculpa. – Repetiu. – Digamos que eu estou me redimindo pela ajuda que você deu quando o Davi desapareceu.

Sam o olhou incrédulo por alguns segundos, perguntando-se onde estavam os alienígenas que haviam abduzido o John verdadeiro e o substituído por aquele homem que dirigia a caminhonete. Sam voltou o olhar novamente para a janela, vendo a rua passar mas sem registrar nenhuma imagem. Eu não conseguia parar de pensar em você. Era isso mesmo que John havia dito, ou sua mente alcoolizada estava lhe pregando uma peça?

– O problema não está no passado, John. Está no que você faz no presente. – Acabou dizendo simplesmente, de maneira um pouco seca, quando John parou o veículo em frente a onde morava. – Obrigado pela carona. – Desceu e, tentando não parecer abalado, caminhou para dentro de casa.

John ficou alguns minutos parado diante da casa do loiro pensando no que ele disse. Ele sabia que costumava ser bem maldoso (para não dizer coisa pior) com Sam, mas isso se devia à sua criação no rancho por um pai que não aceitava qualquer tipo de “modernidade” e o criou fazendo acreditar que aqueles sentimentos, que tudo aquilo que ele sentia por Sam, era pecado, era abominação, era errado. Aliado a isso havia o ciúme. John não conseguia aceitar o que sentia, mas também não conseguia deixar Sam ir.

“Eu vou acabar enlouquecendo”, pensou enquanto dava partida no carro e voltava para casa. Toda a vontade que tinha de beber desapareceu e ele só queria dormir.

[...]

Dois anos antes...

Sam entrou no barzinho com karaokê da cidade junto com dois amigos da época do colégio, Richard e Deborah. Os dois haviam começado a namorar no último ano da escola e agora, dois anos após terminarem os estudos, tinham decidido tentar a vida em Toronto, onde Deborah tinha uma tia e uma prima mais velha.

Aquela era uma espécie de despedida. Era uma grande flechada no peito de Sam, pois ele estaria, de certa forma, perdendo seus dois melhores amigos de infância de uma única vez. Richard e Deborah haviam lhe ajudado a enfrentar o pai nos momentos difíceis, lhe deram abrigo quando precisava fugir de casa por uns dias, e lhe deram todo apoio do mundo quando enfim saiu do armário. Eles eram seus pilares.

O que faria sem eles?

Tudo que Sam queria naquela noite era beber.

– Você está irreconhecível hoje. Onde está o Sam todo alegre e positivo que a gente conhece? – Deborah perguntou ao loiro após sentarem no bar e pedirem umas bebidas.

– Vocês esperam que eu pareça feliz por estarem me deixando? Meus dois melhores amigos me deixando para trás... Eu sempre soube que não era amado de verdade. – Lamentou, fungando.

– Lá vem o drama. Ao menos isso está igualzinho. – Richard brincou, colocando um braço sobre os ombros de Sam, enquanto Deborah abraçava o amigo. – Você pode sempre nos visitar em Toronto, loiro.

– É, quando tivermos filhos, você será o padrinho deles, com certeza! – Deborah garantiu, apertando uma bochecha de Sam. – E é claro que nós te amamos.

– Se amam, não deveriam ir embora. – Sam continuou a birra, porém ele não falava a sério. Estava feliz que os amigos pretendiam seguir seus sonhos, pensando grande. Sam apenas começara o curso técnico de enfermagem assim que terminou a escola. Terminaria no final do ano.

Se pensasse grande, talvez tivesse tentado entrar em alguma faculdade, fazer enfermagem ou medicina. Mas ele não era assim tão inteligente e, se fosse sincero, nunca tivera planos de deixar Canmore. Ele amava viver ali, num pedacinho do mundo um pouquinho mais perto do céu, entre aquelas montanhas e pinheiros.

– Promete que irá nos visitar?

– Prometem que também aparecerão por aqui vez ou outra?

– Meus pais e os do Richard vão continuar morando aqui, bobinho. É claro que apareceremos! – Deborah rolou os olhos. – Mas aposto que se você visitar Toronto, irá se apaixonar. Quem sabe se não acaba se mudando também?

Sam desconsiderou a opção com uma careta. Os três continuaram bebendo e curtindo a noite juntos. Se aventuraram no karaokê e se perderam em memórias da época da infância e adolescência. Era incrível como o tempo passava rápido. Já bêbado e, sentimental como era, Sam precisou se esforçar para não chorar pela nostalgia e saudades em antecipação por aqueles que iriam partir.

– Já são duas da manhã... Que tal irmos voltando? – Richard sugeriu, parecendo bem cansado. Também pudera, ele vinha trabalhando como um condenado para juntar dinheiro para a mudança e realizar todos os preparativos, e Deborah não ficava para longe.

– Eu estou bem bêbada. – Deborah riu por motivo nenhum. – Acho melhor irmos antes que eu e o Sam acabemos decidindo cantar no kara-kê de novo e espantemos o resto da clientela. – Gargalhou, errando a palavra. Os outros dois riram com ela.

– Eu seduzo quando canto, ok? – Sam falou engrolado. Se cantasse naquele estado, seria uma coisa linda. Lindamente vergonhosa. – Eu vou ficar um pouco mais.

– Sozinho!? – Deborah perguntou.

– Sozinho nada, gata. Está vendo aquele bartender novo ali no balcão? Ele está me dando mole a noite inteira. Eu só estou esperando que vocês saiam para que eu entre em ação. – Jogou os cabelos que chegavam um pouco abaixo das orelhas. Havia decidido deixá-los crescer.

– Me sinto trocado. – Richard reclamou.

– Extremamente esnobados. Por um qualquer desconhecido? Ultrajante. – Deborah concordou. – Mas ele é uma delícia, então vai lá e fisga esse peixão, gato!

– Hei, quem é uma delícia?! – Richard perguntou, fingindo ciúmes.

– Ninguém é mais delícia que você, lindinho. – Ela mimou o namorado.

– E ninguém é mais gatinha que você, minha linda. – Richard retribuiu, acariciando a bochecha da garota.

– Oh, vão embora logo antes que vocês me façam vomitar. – Sam colocou a língua para fora.

– Ele está com inveja. – Deborah explicou ao namorado.

– Sempre foi um tipinho invejoso. – Richard deu de ombros, com ar de fatalidade.

Sam rolou os olhos.

– Quem nasce perfeito não precisa se preocupar com coisas mundanas como a inveja. – O loiro esnobou, entrando na brincadeira.

Os três se despediram então, cheios de abraços exagerados e mais implicâncias bêbadas. Sam dirigiu-se para o balcão quando eles saíram. O bartender não havia lhe dado mole, essa havia sido apenas a desculpa que havia encontrado para que eles o deixassem sozinho no lugar. Porque queria um tempo sozinho, bebendo e pensando. Queria poder parecer um pouquinho mais triste sem ninguém tentando animá-lo.

– Noite ruim? – O bartender perguntou ao servir-lhe mais um copo de bebida. – Você parecia estar se divertindo com aquele casal até pouquinho tempo.

– Eu estava... O que dói é justamente saber que não terei mais noites assim com eles. – Sam suspirou, segurando o copo e o balançando, sem real vontade de beber mais. Se passasse demais da linha, não conseguiria chegar em casa sozinho.

O loiro não soube quanto tempo ficou ali no balcão até a comoção começar. Alguém falou e riu, e outro se levantou e agarrou o trocista pela gola da camisa.

– Quem você está chamando de corno, seu filho da puta?! – O ofendido vociferou. Sam se virou, atraído assim como todo mundo pela confusão, e reconheceu John, o homem que cuidava do orfanato em que ele começara a realizar trabalho voluntário assim que iniciou o curso técnico. Recentemente, John havia se separado da mulher. Os boatos diziam que ela havia encontrado outro homem em uma das viagens a trabalho e havia decidido deixar o marido e os filhos para trás.

Uma coisa horrível, na opinião de Sam. Ele apenas podia imaginar o quanto aquele homem deveria estar sofrendo.

Sam aos poucos foi arregalando os olhos. John socou o outro homem quando este reforçou que ele era corno e que seus filhos talvez nem fossem realmente dele. Sam tapou a boca com a mão, sentindo seu queixo despencado. Os dois caíram na porrada ali mesmo. Era uma coisa devastadora. Mesas e cadeiras foram derrubadas. Os socos pareciam extremamente dolorosos, ao ponto de Sam pensar que desmaiaria assim que levasse apenas um deles. John parecia levar vantagem, furioso como estava, a tal ponto que até Sam se mobilizou a ir tentar impedir a continuidade da briga junto com outras pessoas no lugar.

– Acalme-se! – Sam pediu, segurando um dos braços de John, enquanto o bartender dava uma chave de braços nas costas do moreno. – Ele já está todo machucado!

John por outro lado parecia bem mais inteiro e, apesar de continuar furioso, ele milagrosamente deixou que Sam o puxasse e impedisse de continuar aquela briga.

– Tire-o daqui! – O bartender pediu. – Leve-o para o carro dele, antes que as coisas piorem. Por favor.

Sam acabou acatando o pedido, talvez em parte por simpatizar com a dor que John deveria estar sentindo. Ele havia perdido uma pessoa, Sam perderia duas. Eram situações completamente diferentes, mas havia certa semelhança. O loiro então deu apoio a John, que apesar de levar a vantagem na briga também estava machucado e parecendo perdido em pensamentos, e o levou até o estacionamento atrás do barzinho.

– Eu sou técnico de enfermagem, lembra... Na verdade termino o curso agora no final do ano. – Sam falou no meio do caminho. – Posso ajudar com seus machucados, se você quiser... Apesar de eu estar um pouco bêbado.

John não respondeu, apenas continuou caminhando.

– Aquelas coisas que aquele cara falou... Foram horríveis. Você não merecia ouvir aquilo. – Sam tentou cortar o silêncio pesado alguns segundos depois. Eles já quase alcançavam o carro. – Eu sinto muito pelo que aconteceu, John.

John parou e o encarou então, tirando o braço de cima dos ombros do loiro.

– Você é o garoto que vai ao orfanato brincar com as crianças. – Ele pareceu reconhecê-lo apenas agora. – O que estava fazendo aqui a essa hora? – Sua voz era áspera, como se o acusasse de alguma coisa.

– Eu... Estava bebendo com uns amigos. Eles foram embora e eu fiquei um pouco mais. – Sam relatou e, um pouco inseguro, se aproximou um passo. Estendeu a mão e tocou um corte no canto da boca do moreno. – Você está sangrando... Tem certeza que consegue dirigir nesse estado? Está machucado e deve ter bebido... – Mirou-o nos olhos, reparando no quanto pareciam escurecidos, ainda mais na parca luz do estacionamento.

John estava com a mente confusa.

Ele havia bebido muito e todos seus sentimentos em relação àquele garoto estavam mais misturados ainda. Sam só tinha 18 anos quando começou a aparecer no orfanato. John tinha vinte e oito. No começo o moreno o achou diferente e engraçado, mas agora, depois de dois anos, ele não conseguia parar de ter outros tipos de pensamentos em relação ao loiro. Pensamentos que envolviam os dois deitados, nus, abraçados. John se sentia um velho pedófilo por imaginar essas coisas (mesmo sabendo que Sam já era maior de idade).

– Eu... – John fixou os olhos nos lábios do loiro. Justo naquele momento, Sam passou a língua pelo inferior, umedecendo-o, e o moreno não conseguiu se segurar mais: o agarrou pelos ombros e o puxou de encontro ao próprio peito. John gemeu baixinho com o calor do corpo do menor e deslizou as mãos pelas costas do rapaz até alcançar as nádegas, onde cravou as mãos. – Não aguento mais. – Disse antes de colar sua boca na dele.

Sam nem conseguiu entender o que estava acontecendo. Num momento estava fazendo uma pergunta ao moreno, no outro era beijado daquela forma voraz. Sua mente deu um giro maluco e seus braços circundaram os ombros de John, enquanto um gemido seu era abafado entre o beijo. John praticamente o ergueu do chão, apertando seu traseiro a ponto de machucar, e o prensou contra a porta lateral do carro.

Sam ofegou, subindo uma mão até os cabelos do mais velho e apertando os fios quando John agarrou uma de suas coxas por trás e a ergueu, aumentando o contato entre suas pelves. O loiro pôde sentir a dureza do membro de John contra o seu, o que disparou um arrepio através de suas costas. Como assim aquele homem estava tão excitado? Ele era casado até uns dias atrás!

Quando John desceu a boca para seu pescoço, roçando a barba em sua pele e chupando e mordendo de maneira intensa perto de sua orelha, Sam, sentindo as pernas completamente sem forças, tentou racionalizar um pouquinho o momento.

– John... – Chamou. – O que você...? – Mas um gemido irrompeu de sua garganta, atrapalhando suas palavras e seu raciocínio. John havia colocado a mão entre suas pernas e apertado o volume em suas calças.

Os gemidos e sussurros de Sam estavam deixando John ainda mais fora de si. Ele não conseguia se reconhecer. Sua vida sexual com a ex-esposa sempre foi morna, quase um ato mecânico. Ele realmente pensou que o problema era com ele e tanto foi que nem ficou tão surpreso assim quando a esposa o deixou. No ano que antecedeu a separação eles mal se tocaram.

Com Sam... Ah, com Sam. Eles não tinham feito nada ainda e John sentia que ia explodir.

– Mais... Eu preciso de mais, Sam. – Sussurrou enquanto dava um jeito de afastá-lo um pouco para abrir a porta do carro e o empurrar lá para dentro.

Ele olhou para o rosto do loiro. Sam parecia confuso, assustado, mas ao mesmo tempo estava quente e corado.

– Você quer isso, não quer? – John perguntou enquanto arrancava a própria camisa e abria o botão da calça. Ele deslizou a mão pelo peito nu, lentamente, observando como os olhos de Sam ficavam ainda maiores.

John deitou sobre Sam, o beijando com mais força do que antes, fazendo com que o loiro quase não conseguisse acompanhar o ritmo pela loucura e paixão que impunha. O espaço não era muito confortável já que o banco de trás do carro era apertado para um homem do tamanho dele, mas John pouco se importou e estremeceu quando sentiu que, ainda um pouco hesitante, Sam colocou as mãos em suas costas e começou a arranhá-las de leve.

– Você quer, não quer? – Voltou a perguntar em um tom ansioso quando suas bocas se desencontraram, e ele mordiscou de leve a orelha do menor. A mão de John voou até o cós da calça do loiro, abriu o botão, deslizou o zíper... E John não pôde deixar de gemer ao descobrir que não havia cueca. Ele segurou o pênis de Sam e começou a massageá-lo enquanto sua boca continuava mordiscando e lambendo a orelha do loiro.

Sam não conseguiu responder. Por Deus, ele não conseguia nem pensar. Seu corpo parecia que iria explodir, tamanho era o calor e as reviravoltas em seu estômago. Borboletas alcançando voo? Nem pensar. Aquilo eram elefantes pisoteando em seu estômago. O loiro se contorceu sobre o corpo maior, mais musculoso... Céus, como nunca havia reparado naqueles bíceps, ou naquele tórax e abdômen fortes? Sam gemeu dobrando uma das pernas, enquanto sentia a mão áspera de John masturbando-o.

– John... – Gemeu, fechando os olhos e respirando pela boca. Por um momento havia morrido de vergonha por não ter colocado cuecas aquele dia. Ele havia achado que se daria bem naquela noite e se preparara todo. Na real costumava fazer isso só pelo friozinho na barriga de imaginar que poderia rolar, mas nunca ia para frente, nem mesmo quando achava algum raro pretendente. Sam era romântico e sonhava com uma primeira vez especial. Porém nem conseguiu se importar por muito tempo, nem com sua falta de cueca, nem com romantismo. Cada vez que John movia a mão, ou lhe beijava o pescoço, Sam achava que iria desfalecer.

Suas mãos arranharam as costas dele com mais força e, um pouco tímido, desceu uma delas para o traseiro dele apertando uma das nádegas. Isso pareceu deixar John ainda mais descontrolado. Ele se afastou e puxou suas calças para baixo, quase o arrastando pelo banco pela força exagerada do ato. Sam ofegou nervoso e tentou se afastar um pouco na direção contrária, ficando parcialmente sentado no banco.

John jogou suas calças no chão e fechou a porta do carro. Ele o olhou com um desejo selvagem que arrepiou a nuca de Sam, e se inclinou sobre o loiro de novo, acariciando com a ponta dos dedos uma das coxas brancas e macias exposta, fazendo o menor estremecer. O moreno tentou beijá-lo de novo, mas Sam colocou uma mão sobre o peito dele.

– John, espera. – Pediu, nervoso e corado. – E-Eu sou virgem. V-Vá com calma. – Pediu, morrendo internamente de vergonha.

John parou por um segundo e o fitou com os olhos arregalados. De alguma forma aquilo o encheu de satisfação e o deixou ainda mais excitado. Ele seria o primeiro. Seria o único. Ele queria verbalizar isso, mas sua língua estava travada e enrolada. Talvez fosse a bebida. Talvez fosse o nervosismo. Ele nunca imaginou, naqueles dois em que o admirou e o desejou de longe, que um dia teria coragem de fazer aquilo.

Sem saber muito bem o que fazer, John decidiu usar os dedos primeiro. Colocou um e começou a massagear, de leve. Sam suspirou alterado e segurou seus ombros, respirando agitado. Apenas a massagem nas pregas estava lançando jatos de prazer e arrepios por seu corpo. John o fitava intensamente, parecendo hipnotizado por sua expressão de deleite. Ele voltou a beijá-lo com fúria e Sam gemeu ao sentir dois dedos invadi-lo. Estava tão, tão excitado que não houve dor, ou talvez o álcool estivesse amenizando isso. E a maneira como John dominava sua boca e sua língua era um entorpecente ainda mais poderoso.

Num primeiro momento, não havia muito prazer na invasão em si, apenas era prazeroso todo o conjunto do que acontecia. As respirações quentes, os toques, o nervosismo, o beijo ansioso, a exploração... Mas mesmo inexperiente John moveu um dos dedos de tal forma a pressionar de leve um ponto gatilho. Sam soltou uma exclamação baixinha de surpresa, virando o rosto um pouco para o lado e assim interrompendo o beijo, em busca de ar.

John não aguentou mais. Não queria preliminares. Precisava de Sam. Urgentemente. Ardentemente. Ele tirou os dedos e colocou seu pênis no lugar. Ele sentiu Sam ficar tenso, mas ao estar envolvido por ele, sentindo como ele era quente e estava apertado, ficou ainda mais fora de si. O moreno nunca havia sentido algo parecido na vida. Nem quando descobriu, aos 13 anos, o que era sexo com a filha de uma das mulheres que trabalhava no rancho de seu pai. Ele se sentia um bilhão de vezes mais ansioso e não conseguia se controlar.

– Sam... – Gemeu na orelha dele. Ele tentou se mover, mas Sam não o acompanhou.

– John... D-Devagar. – O loiro pediu de novo, abraçando-o forte, sentindo a dor de ser invadido daquela forma abrupta. Meu Deus... Ele estava mesmo transando. E com um cara que mal conhecia! Que conhecia apenas através das eventuais visitas ao orfanato! Jogou a cabeça para trás e gemeu, entre a dor, a perplexidade e o prazer.

John não conseguiu atender ao pedido e começou a investir com mais força, cobrindo todo o corpo do menor. Porém, como Sam não conseguia acompanhá-lo, ele saiu e fez o loiro ficar de quatro. A visão daqueles glúteos empinados o deixou ainda mais descontrolado, e ele entrou outra vez, afundando naquele corpo. A posição pareceu ajudar um pouco mais e Sam começou, finalmente, a se mover com ele, ondulando o quadril de maneira enlouquecedoramente sensual. Nos segundos seguintes, tudo o que se ouviam eram as respirações alteradas, os suspiros e gemidos e o som dos corpos se chocando. John lentamente deslizou a mão até o falo de Sam e começou a mover a mão no ritmo das estocadas.

– Sam... Você é tão gostoso. – John conseguiu sussurrar e deu um beijo na nuca dele enquanto continuava estocando em um ritmo alucinado.

Sam gemeu e ronronou como um gato, arrepiado e escaldado. O elogio o deixou envergonhado, mas mais confiante. Ele empinou mais os glúteos, seu braço esticado com a mão espalmada no vidro que já estava embaçado pelas respirações. Suas peles estavam pegajosas de suor, seus corpos pareciam fundir-se em um só vórtex de calor. As investidas de John sacudiam seu corpo e, cada uma delas, fazia-o vibrar e ter espasmos. Ele percebeu que adorava a forma forte, possessiva e dominante com que John o possuía. Deus, era tão sexy.

Toda aquela necessidade primitiva.

Sam não conseguiu resistir por muito mais tempo. Não quando era virgem e, logo na primeira vez, já era tão vorazmente devorado. Todo aquele desejo explosivo de John o havia levado ao limite. Abafou um grito contra o braço ao derramar o sêmen no banco do carro do moreno. Seu corpo inteiro amoleceu, numa sensação inexplicável. Choramingos chegaram a deixar seus lábios, enquanto aquela sensação atravessava cada músculo de uma maneira devastadora, que lhe tirava o resto das forças.

Ver o loiro gozar e sentir a maneira como as paredes quentes dele se apertaram ao redor de seu falo foi o golpe final sobre John. Ele cobriu o loiro e, pressionando seus lábios contra a nuca suada de Sam, onde alguns fios loiros se grudavam, John também estremeceu e gozou, sentindo o orgasmo o atingir como um raio em meio à tempestade de sensações que devastavam sua mente. O que havia acabado de fazer? E como podia ter sido tão bom? Tão viciosamente bom...

Ficaram naquela posição alguns segundos, até que John se afastou, sentando-se na outra ponta do banco tentando controlar sua respiração. Estava abafado ali dentro, então ele abriu um pouco o vidro, buscando urgentemente o ar fresco da noite. Quando olhou para o lado de novo, viu que Sam já recolocava, acanhado, a camisa. John grunhiu baixinho, frustrado por achar o loiro, apenas com a camisa desalinhada, os cabelos bagunçados e as pernas de fora, uma visão que gostaria de ter em sua cama todas as noites e todas as manhãs.

Ele passou a mão pelos cabelos rebeldes e suspirou, perguntando-se o que diabos faria agora.

Sam observou John reajustar as próprias roupas de maneira atrapalhada, como se não tivesse paciência ou calma para abotoar os botões da camisa novamente. O loirinho não sabia muito bem o que dizer, ou como agir depois do que havia acontecido. Ele havia experimentado uma das melhores sensações de sua vida, e apenas olhar para John o deixava arrepiado e vermelho. Mesmo assim, aproximou-se dele e, ajoelhado sobre o banco, começou a ajudá-lo com os botões.

– Acho que estou tão trêmulo quanto você. – Soltou uma risadinha sem-jeito quando suas mãos também se atrapalharam um pouquinho com a camisa.

A mente de John ficou completamente em branco outra vez. Ele segurou a mão de Sam enquanto a outra erguia o queixo do loiro. John fixou seus olhos nos azuis-claros do menor, desejando poder guardar na memória cada pedacinho do rosto de Sam, cada expressão, cada suspiro, cada gemido. Porque era isso que aquela noite seria a partir da manhã do dia seguinte: apenas uma lembrança.

John inclinou o corpo para frente e capturou os lábios de Sam em um beijo lento, cheio de sentimentos que o moreno nem ao menos conseguia definir. O beijou com paciência, lentamente, saboreando a boca dele sem qualquer malícia ou pressa, sentindo o loiro suspirar entregue com as mãos paradas, esquecidas nos botões de sua camiseta.

Quando se separaram, John passou os braços em volta da cintura de Sam e o puxou de encontro ao próprio corpo enquanto escondia o rosto no pescoço dele e inspirava profundamente.

– Vou te levar para casa. –Disse após vários minutos e, ainda relutante, deixou Sam sair de seu colo.

O caminho até a casa do loiro foi tenso e perturbador, e nenhum dos dois falou nada. Quando chegaram, Sam murmurou um agradecimento e saiu rápido do carro sem dizer qualquer outra coisa.

John balançou a cabeça e tentou não pensar no amanhã. Essa noite não. Essa noite, pelo menos em seus sonhos, Sam continuaria sendo seu.

Notas finais
Eita, que essa noite foi intensa mesmo HUAHUASA Eu surtei demais escrevendo esse capítulo com a Bia, espero que tenhamos causado esse efeito em alguns de vocês também! Beijos, e até a próxima! (obs: próximos capítulos voltarão a ser postados normalmente nos sábados!)