Café e Verdades
1 Capítulo 1: Café
Notas iniciais
Assim que desliga o celular, Brennan segue seu caminho. Tinha um compromisso com um importante antropólogo, que a contatou em busca de orientações sobre uma recente descoberta que interessaria a ambos em suas respectivas carreiras. Brennan caminha despreocupada, tinha ido um dia antes da reunião pois queria conhecer o trabalho do colega antes de se envolver em algum projeto com ele. Não queria ter seu nome envolvido em um projeto liderado por alguém que não fosse tão capacitado quanto ela.
Envolta em seus pensamentos, ela caminha prestando atenção ao local, buscando conhecer o local. Era a primeira vez que ela viajava sozinha desde que se casara, seriam apenas dois dias, mas mesmo assim isso a deixava um pouco desconfortável, se preocupava um pouco com seus filhos, mas sabia que estariam bem.
Sente seu celular vibrar novamente, e ri imaginando se era Booth de novo, mesmo tendo passado poucos minutos desde a última conversa deles por telefone, enquanto mexia na bolsa e andava, ela se choca contra alguém. Na confusão e pedidos de desculpas, Brennan levanta os olhos para ver contra quem havia se chocado e ambas se encaram em silêncio. Passado o susto inicial, elas abrem um sorriso e se abraçam.
— Hannah. – Brennan fala, admirada. Elas se afastam do abraço, se examinado.
— Temperance, quanto tempo!
— Nossa! Que bom te ver, como tem passado?
— Eu estou bem, e você?
— Ótima. – Elas sorriem. Um misto de surpresa e constrangimento.
— Um café?
— Como? – Brennan a olha, sem entender direito a proposta.
— Como nos velhos tempos, vamos tomar um café? – Hannah responde, sorridente. Indicando um local ali perto, uma lanchonete do outro lado da rua.
— Ah, claro. – Elas atravessam a rua, entrando no estabelecimento. Se encaminham para uma mesa próximo a janela, se sentam, uma de frente à outra. Inicialmente ficam em silencio, trocando um sorriso. Até que Hannah rompe o silêncio: — Nossa! É um pouco estranho.
— Surpreendente, eu diria. Não sabia que estava no país, soube que estava fazendo uma investigação em...
— Isso foi há alguns anos. – Hannah a interrompe. – Mas voltei, tenho feito um trabalho muito satisfatório aqui, correndo o mesmo risco, claro, mas em solo americano. Tenho uma equipe agora. Mas, eu nunca imaginei encontra-la aqui.
— Eu vim por causa de uma pesquisa, antropologia, sem crimes. É raro, mas acontece. – Elas riem. Hannah a analisa, claramente estavam evitando o assunto principal. Mas Hannah decide falar de uma vez, para sair dessa zona de constrangimento.
— Você e o Booth, eu soube que se casaram.
— Sim, temos dois filhos. Christine e Hank. – Brennan pega o celular, mostrando a tela de bloqueio, onde havia foto dos filhos.
— Uau. São lindos!
— Obrigada! – Brennan volta a guardar o celular. Cruzando as mãos sobre a mesa, o silêncio voltando a atormenta-las.
— Você... – Brennan fala, mas logo é interrompida pela garçonete, que traz xícaras de café para ambas. Acabam aceitando também a sugestão de torta que a garçonete oferece e se retira para buscar o pedido, deixando-as novamente a sós.
— Ia perguntar algo? – Hannah sorri, e beberica o café.
— Você se casou? Tem alguém?
— Sim, tenho alguém, moramos juntos há 2 anos. Também é jornalista.
— Ah, ótimo. – Brennan sorri mais relaxada, não entende o porquê, mas, ouvir isso a conforta. Hannah parece sentir o mesmo, espelhando o relaxamento. Porém, estragando o momento de paz, Brennan lança uma pergunta direta: — Por que você não aceitou?
— Não aceitei o quê?
— Se casar com Booth.
Hannah sorri, sabia da personalidade da Temperance, de como era direta em falar o que se passava em sua mente. E sabia que não havia armadilhas em suas perguntas, era uma dúvida genuína, ela suspira, olha nos olhos da Brennan, e responde:
— Achei que você sabia, ou pelo menos entenderia com o tempo.
— Não sei o que isso quer dizer.
— Eu amava o Seeley. Mas ele não me amava.
— Não, o Booth amava você, você partiu o coração dele ao ir embora, ao não aceitar.
— Temp, eu fiz um favor ao Seeley dizendo não. Eu sei que ele me amava de alguma maneira, tínhamos algo bonito, mas não o suficiente para nos casarmos. Eu na época não me imaginava casada com alguém, isso é verdade também, mas isso muda quando você sente segurança no amor que você recebe e que você sente. E eu não sentia isso vindo do Seeley.
— Eu não entendo.
— Essa segurança, esse amor, toda essa força que vem do coração, para o Seeley não era algo que ele transmitia para mim. Temperance, ele transmitia isso para você.
— Não, ele... – Hannah sorri vendo a consternação no rosto da Brennan. Ela se inclina, ficando mais próxima, Brennan se cala.
— Temp, nós mulheres sabemos, a gente sente algo assim, quando nosso homem ama outra mulher. Na época eu deixei durar a relação, acho que eu esperava que ele me amasse, ou as vezes eu me deixava iludir pensando que vocês eram unidos pelo trabalho, que corriam riscos juntos e ele dedicava a vida dele para proteger a parceira, mas eu sabia que era muito mais que isso.
Hannah se afasta, voltando a posição normal em sua cadeira.
— Eu ainda fiquei muito tempo com ele. Desde o momento que você confessou seus sentimentos por ele, eu sabia que seria uma provação muito difícil para meu relacionamento com ele, até então eu sentia algo que ele poderia sentir por você, mas saber que você também sentia por ele, nossa, era aí que eu deveria ter me retirado, mas eu não ouvi minha intuição.
— Ele quis casar com você, Hannah, casar.
— Sim, eu sei. Os homens demoram mais para perceber essas coisas, Temp, se eu tivesse dito sim, eu faria nós dois infelizes. Ele ia perceber o erro mais cedo ou mais tarde.
— Entendo.
— Houve um momento que eu tive certeza, sabe, de que ele amava você.
Brennan a olha nos olhos, prendendo a respiração, sentindo o coração acelerar. Naquela época ela havia sofrido muito, achava ter perdido sua chance de felicidade para sempre. Havia ficado confusa, triste, chorado, passava madrugadas sem sono, sentia seu coração doer cada vez que via uma interação entre eles, cada vez que via Booth olhar para Hannah com carinho, ou quando ele a deixava sozinha no balcão do bar para correr para casa, para Hannah. E agora está diante dessa verdade contrastante. Seria possível que enquanto ela sofria tanto, ele a amava?
— Um momento?
— Sim, um momento específico, que eu soube que ele não me pertencia. Eu nunca contei a ninguém e é irônico que eu vou dividir isso justamente com você, mas acho que você deve saber. Pela forma como você me olha agora, confusa, achando que um dia o Booth foi meu, ou que você esteve perto de perde-lo para sempre. – Hannah sorri, se aproximando novamente, e fala: — Você merece saber que ele nunca deixou de ser seu.
Hannah volta a posição normal, vendo a garçonete chegar com as tortas, servindo-as, elas agradecem. Hannah continua:
— Lembra do dia do atentado? Na farmácia?
........
(Continua)
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