Café e Verdades

2 Capítulo final: Verdades


Notas iniciais
Segundo e último capítulo.

Anos antes:

Brennan olhava a rua pela janela do carro, a cabeça encostada no vidro, e em silencio. Booth as vezes olhava para ela, lamentando que ela se tornara tão quieta nos últimos dias. Ele sabia que o motivo desse afastamento entre eles era o fato de ela ter finalmente assumido para si mesma o que sentia por ele, embora tarde demais. Booth evitava alimentar pensamentos sobre isso, pois era angustiante demais pensar nas implicações daquilo.
Teria que pensar sobre o que ele sentia, e não iria mexer em algo que estava enterrado e até onde ele pensava, encerrado. Mas tinha que admitir que as coisas estavam diferentes, cogitar que ela poderia estar sofrendo tirava sua paz, sentia o coração se apertar. Mas ele tinha seguido em frente, não tinha? Tinha a Hannah agora. E a amava. Ponto final.
Ele escuta um suspiro, e olha novamente para Bones, sente um pesar, ela estava muito longe dali, o que poderia estar pensando?
Seus pensamentos são interrompidos pelo toque do celular, Brennan prontamente atende, se comunicando de forma rápida e eficaz, aparentemente Hodgins havia descoberto o local onde precisavam ir buscando mais pistas para solucionar o caso.

— Ele passou o endereço, é uma farmácia. – Brennan passa as coordenadas, e Booth acelera o carro, levando-os ao destino.

Assim que estacionam o carro, Booth avista Hannah do outro lado da rua, conversando com um homem de aparência duvidosa, e sem avaliar direito a situação, Booth se dirige até lá, chamando-a.
Brennan permanece ao lado do carro, já entendendo o motivo de Booth ter desviado do caminho, ele havia encontrado a Hannah. Ela permanece ali, decidindo esperar por ele ao invés de ir até lá. Ela assiste a cena aparentemente conflituosa. O homem assim que vê Booth vai embora, Hannah protesta a ida dele, e em seguida aparentemente discute com Booth. Brennan vai tentando entender o que está vendo, mas os dois se dirigem para perto dela. Então ela se obriga a sorrir.

— Hannah. – Brennan a cumprimenta.

— Eu não tinha como saber... – Booth continua falando com Hannah, mas Hannah o ignora e cumprimenta Brennan: — Tempy, olha essa visita inesperada de vocês me custou semanas de trabalho para me aproximar das pessoas daqui.

— Não viemos visitar você, viemos falar com o dono da farmácia, algo relacionado ao caso que estamos trabalhando.

— Ah, entendo.

— Era o que eu estava tentando te dizer, e você não me deu ouvidos. – Booth protesta. Hannah sorri pra Brennan, dizendo: — Eu imaginei que seria algo do tipo, só quis tortura-lo um pouco, já que perdi minha fonte.

— Que cruel! – Booth fala, embora num tom mais descontraído.

— Mas do que se trata? Talvez eu possa ajudar, já que aqui é um ponto de comercialização de drogas, a polícia faz vista grossa, eu não sei se a farmácia está envolvida, mas pode ter alguma relação. Passei um tempo conversando com os moradores.

— Pela nossa linha de investigação, não parece ter ligação, mas pode ser útil saber o que você sabe. – Brennan fala enquanto eles entram na farmácia. Booth e Brennan se encaminham ao balcão, e Hannah circula pelo estabelecimento, indo aos corredores, mexendo em alguns produtos. Procurando não atrapalhar o trabalho deles.
Alguns minutos depois, Brennan se junta a Hannah.

— Laxantes?

— O quê? – Hannah olha confusa para Brennan, que aponta na direção da prateleira à frente delas.

— Ah, não, eu estava olhando a rua, pensei ter visto... – Hannah se cala, prestando atenção ao movimento lá fora, Brennan acompanha o olhar, olhando através do vidro.

— Booth! – Hannah o grita, parecendo preocupada. Booth as alcança, notando o tom alarmante na voz da Hannah.

— Acho que precisamos sair daqui. – Hannah fala inquieta, olhando algo através do vidro.

— O que está acontecendo? – Booth a questiona, passando a mão pelo coldre, em momentos assim, ele costumava se certificar de que tinha sua arma ali. Uma forma de ter controle da situação.

— A matéria que estou fazendo, envolve, envolve... – Hannah fica na ponta dos pés, ainda olhando a rua. Enquanto fala: — Acho que fui descoberta! Pensei ter visto... – Hannah é interrompida por tiros que atingem o vidro, um carro para bruscamente, e só o que eles conseguem ver é uma arma apontada para dentro da farmácia. Eles se encolhem ao ouvir o vidro se estilhaçar. Booth sem parar para pensar, age de acordo com seu instinto, segura Brennan pela cintura, abraçando-a e se lançando ao chão, protegendo-a com seu corpo. Tão rápido quanto chegou, o carro segue em velocidade, desaparecendo na rua. Booth se levanta, sentando-se, trazendo Brennan consigo, ele envolve o rosto dela entre suas mãos, enquanto fala:

— Você está bem? – Booth pergunta enquanto a analisa.

— Sim. – Brennan olha ao redor. E sente Booth se enrijecer, eles se olham, e ela não entende porque o semblante dele ficou tão sério, pálido. Booth se volta para trás, a tempo de ver Hannah se sentando do outro lado da farmácia.
Booth se encaminha rapidamente para perto dela. E se agacha ao seu lado.

— Você está bem?

— Estou.

— Graças a Deus! Meu amor... – Booth se cala ao notar a expressão do rosto dela, um olhar gélido, que lhe causa calafrio. – De onde isso veio? Os tiros...

Booth se levanta, vendo o dono da farmácia xingando e praguejando, lamentando o estrago causado.
Brennan recebe o impacto gelado do olhar da Hannah sobre ela. Elas se encaram, sérias.

...

Dias atuais:

— Entende? – Hannah sorri, embora o olhar tinha uma certa tristeza. – Isso foi claramente uma demonstração de amor, Tempy. Estávamos ambas ali, o instinto de proteção e cuidado do Seeley foi totalmente e exclusivamente para você.

— Eu não...

— Eu sei. – Hannah a interrompe. – Mas eu vi, eu senti, e ignorei. Acho que nós três ignorávamos os sinais. Ou pelo menos eu e o Seeley ignorávamos. Ele amava você, ele ama, e eu fiquei feliz de saber que vocês conseguiram se entender, se entregar.

— Hannah

— Temperance, não me olha assim como se estivesse com pena de mim. – Ela sorri, e continua: — Eu também me beneficiei com toda essa experiência, eu entendi que eu queria sentir por alguém o que você sentia por ele, apesar de ama-lo, você apoiava nossa relação, você queria ver o Seeley feliz mesmo que não estivesse com você. Isso é um amor puro, e eu queria sentir isso por alguém um dia. E também percebi que eu queria alguém que sentisse por mim o que o Seeley sente por você. E eu encontrei isso, com o Mark, e estou feliz.

Hannah estende a mão, segurando a mão da Brennan.

— Foi um prazer te rever, e eu fico aliviada e contente em te contar tudo isso, em ter essa conversa com você.

— Eu também. Obrigada!

— Não me agradeça, apesar de ter passado, de estar bem hoje, ainda me lembro da raiva que eu sentia.

Elas riem. Hannah pega o celular ao sentir vibrar, vendo uma notificação.

— Eu preciso ir. Foi ótimo conversar com você.

— Espero que a gente se encontre de novo.

— Sim, você tem que conhecer o Mark, ele é maravilhoso. E eu quero conhecer seus bebês.

— Claro. Vai ser ótimo!

— Nos vemos.

Elas se despedem, e Hannah segue seu caminho. Brennan volta a se sentar, notando que apesar de terem combinado de se verem, nenhuma das duas teve a iniciativa de trocar números de telefone. Brennan sorri, voltando a atenção a torta a sua frente, pondo um pedaço na boca, e volta a rever a cena da farmácia em sua mente. Vendo as coisas em retrospecto. Encaixando suas próprias memórias com o relato na perspectiva da Hannah. Ela abre um sorriso iluminado e feliz, ao entender o amor envolvido naquele gesto protetor do Booth para com ela.

Fim.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!