Cadeia dos espíritos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
***
— Will, Will, acorda! — Hanna balança o corpo de Will até que ele acorda. — Precisamos começar, Peter está prestes a ir para o julgamento, lembra do nosso plano, né?
Will balança a cabeça concordando e rapidamente se levanta e arruma seu cabelo. Hanna está do outro lado conversando com Rick e Peter.
— Eu não tenho arma, como posso escapar se for pego? — Indaga Will.
Peter se aproxima e abre um sorriso.
— Você é um Planetero, sua arma é a mente. — Responde — Apenas concentre-se no que quer e palavras surgirão.
Os quatro se juntam e esperam até o determinado momento.
***
Um buraco surge na parede e uma sombra se aproxima.
— Peter Turbion, seu julgamento começará, favor me acompanhe. — Uma mulher sem cabelo e pele velha, com seu rosto descascando, chama seu nome.
Hanna se levanta e olha para Rick e Will.
— Oi, é... — Ela tenta olhar nos olhos da mulher, mas percebe que eles não existem — Então, você poderia me ajudar? Estou com meu pé machucado e não sei nenhum juramento que o faça melhorar.
A mulher se abaixa em direção ao pé e Hanna saca seu joelho em sua cabeça. A mulher a empurra e Hanna bate de costas na parede e se dificulta em levantar. Do outro lado, Peter fala palavras estranhas e seu corpo começa a se contorcer. Rick está agora em cima da corcunda da mulher, com os braços envolvidos em seu pescoço.
— Diga seu nome! — Ordena Rick.
Will se lembra de sua parte do plano e olha para parede e vê o buraco que havia nela se fechando. Ele se joga para o lado direito e entra no meio do buraco. Ele tenta se concentrar em algumas palavras para impedir o fechamento, mas toda a movimentação o atrapalhava.
— Peter, agora! — Hanna exclama, com a mão nas costas tentando amenizar a dor.
— Ele ainda não está pronto — Rick apertava mais ainda o pescoço da mulher e pôde perceber que ela estava ficando pálida.
— Eva... Meu nome é Eva — Ela diz forçando sua voz, pois estava sufocada.
Então Peter se joga em cima dela e Rick se retira em um pulo. Eva passa a chorar sangue e de sua boca sai fumaça preta. Todos se protegem e ela explode, deixando no chão, ao invés de sangue, larvas.
— Forjatilus Gran Promum — Will grita do outro lado, estendendo sua mãe em direção ao buraco que já havia diminuído na parede.
— Andem seus boiolas, não percam tempo — Hanna corre e se joga no chão primeiro, se arrastando até passar pelo buraco.
Em seguida Rick, depois Peter e por último Will. Ainda jogados no chão eles erguem seus olhos e enxergam tudo vermelho-sangue e preto, sem muitas cores. Ouviam gritos de todos os lados. Hanna põem sua mão atrás da camisa e puxa uma faca.
— Como arranjou isto? — Will pergunta se levantando e estendendo a mão para ajudar os outros.
— Juramento de objetos, novato. — Responde Rick — Com o tempo você aprimora alguns de seus poderes.
— Ok, mocinhas. Quando sairmos daqui teremos bastante tempo para conversar sobre isso. — Ela se levanta e arruma seu cabelo — Agora andem, quanto mais rápido melhor. Não se separem por nenhum motivo.
Eles andam durante um tempo, até que algo puxa o pé de Will que cai de imediato.
— Por favor, me tira daqui. — Era uma menina, aparentemente seis anos de idade que estava chorando; seu rosto machucado e sua camisa manchada de sangue.
Hanna se vira e imediatamente se joga no chão e a agarra no colo.
— Ai meu Deus, como esses diabos podem fazer algo assim com você? — Questiona, descendo a menina e a pondo no chão — Quero matar um por um.
— Vocês não vão me maltratar, não? Nem me fazer sofrer? — Pergunta a menina.
— Claro que não, meu amor. — Rick responde — Qual seu nome?
— Iara — Ela olha Rick e analisa-o.
— Iara, confie em nós. — Hanna segura em sua mão e se agacha na tentativa de ficar na altura dela — Não deixarei nada de ruim te acontecer. Eu prometo.
Elas se abraçam e continuam andando.
Um corvo, com cerca de um metro e cinquenta, surge voando acima dos cincos.
— Porra, isso não é bom — Exclama Peter — Vamos andando, rápido.
— Por que não é bom? — Interroga Will
— No nosso mundo, corvo é sinal de morte. Precisamos nos afastar o mais rápido possível deles para fugirmos da morte. — Explica Peter.
Hanna olha para Iara e nota que ela está assustada. Ela lança sua mão em seu ombro a trazendo mais próximo.
— Vai ficar tudo bem, logo sairemos daqui — Sussurra para Iara.
Na frente, Rick e Will estão conversando e escutam Peter gritando para todos se abaixarem.
Uma aranha, de dois metros de altura surge, jogando teias para os lados. Um pedaço de teia atinge o braço de Hanna e ela desaba no chão.
— É teia de paralisia, fujam! — Ela grita, empurrando Iara para o lado de Will — Leve-a, cuide dela por mim.
Do outro lado, Peter está conjurando outro feitiço.
— Levitium Mortífero — Ele estende seus braços em direção ao aracnídeo, o fazendo flutuar, e o joga na parede, esparramando-o.
Iara se solta de Will e corre para levantar Hanna. Ela era baixa, não tinha força e mesmo assim relutou contra si para poder salvá-la.
— Iara, você precisa ir — Exclama.
— Eu não vou sem você, você me salvou, eu preciso retribuir — Explica, tentando puxá-la.
Ela faz tanta força que fica fraca. Seu rosto se avermelha e ela começa a suar. Uma lágrima cai de seus olhos.
— Alguém me ajuda, por favor — Ela choraminga — Eu não vou sem ela!
Os meninos voltam correndo, Rick segura o braço direito de Hanna e Will o outro. Peter segura Iara e os cinco voltam a caminhar.
***
Os movimentos de Hanna retornam aos poucos e agora ela já está caminhando sozinha.
— Ei, você está bem? — Pergunta para Iara
— Sim, estou — Responde — Só um pouco assustada com tudo.
Hanna ri.
— Você foi bem corajosa para uma menininha de seis anos.
— Tenho 11 anos e meio — Iara ri.
As duas se juntam a Will e Rick enquanto observam Peter abrindo caminho.
— Qual é a dele? Por que ele se arrisca indo na frente? — Pergunta Will
— Ele é o mais experiente em juramentos entre nós, consegue se safar fácil das coisas. — Explica Rick.
Will fica em silêncio e olha para trás para ver se não havia nada. Ele bate nas costas de Peter e quase cai no chão.
— Ei! — Exclama — Por que parou de andar?
Peter anda três passos para trás e suas pernas estavam trêmulas.
— O que aconteceu? — Hanna joga Iara para trás de suas costas — O que você viu?
Peter vira sua cabeça levemente, sua cabeça doía.
— Dor, — Gagueja — morte, maldade, sofrimento.
— Ok, isso nós já sabemos que existe aqui, mas precisamos nos concentrar pra sair. — Rick segura no braço de Peter e tenta arrastá-lo.
Peter se solta com um movimento brusco. Firma-se no chão e olha em volta.
— Vocês não entendem. — Explica, havia uma pontada de tristeza e medo em seu tom de voz — Não tem como sair daqui. Não há saída. Estamos presos aqui — Ele faz uma pausa, engole em seco e continua — Estamos presos aqui. Para sempre.
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