Cadeia dos espíritos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Will acorda assustado no meio da noite. Achava que estava tendo um pesadelo, mas era apenas seus pais brigando — o que era algo normal para ele -, desceu as escadas e passou pela sala se escondendo para que não o vissem, encostou-se atrás do armário e viu seu pai, John, agredir sua mãe. Já desconfiava disto, mas nunca havia presenciado ou perguntado algo a respeito. Achou isso a gota d'água. Subiu rastejando e se escondendo e entrou direto em seu quarto. Caiu em lágrimas.
Não estava decidido do que faria no dia seguinte, porém sabia que não queria ver sua mãe junto com aquele homem monstruoso que ele preferia não chamar de pai.
Will era uma criança que tinha de tudo para ser totalmente descontrolada. Sua mãe era viciada em drogas e seu pai um alcoólatra viciado em jogos, gastava tudo o que tinha para pagar dívidas, mas ao invés disto Will jurou ser o oposto dos dois.
Voltou a dormir, não tinha muito tempo até que seu despertador tocasse com uma música de rock bem pesada que o fazia levantar da cama num pulo, mas queria aproveitar as 2 horas de sono que ainda lhe restavam e tentar esquecer do que havia ocorrido.
6 horas. O despertador tocou. Deu um pulo tão grande que foi parar praticamente no banheiro. Tirou a roupa e entrou de baixo do chuveiro.
Normalmente tomaria um banho quente, mas pôs água gelada para despertar mais rápido. Ajeitou seu cabelo castanho claro e liso, de forma que levantasse um topete, vestiu a camisa do colégio e pôs sua calça, arrumou sua mochila rapidamente, pois já estava atrasado. Olhou-se no espelho por um minuto e observou seus olhos azuis que aparentavam estar cansados. Desceu correndo as escadas, deu um beijo em sua mãe — que ainda estava dormindo — e correu para escola.
Não era nada popular, vivia sozinho. Todos o chamavam de "estranho", eles sabiam dos problemas familiares que sofria e ninguém conversava com ele, pois não queriam ter a reputação manchada.
Will andava sozinho, nunca quis se enturma. Seus únicos e fiéis amigos eram os livros, era fascinado por tudo que envolvia leitura sobre terror, romance, comédia e tudo que você possa imaginar. Chegou à sala, sentou na última cadeira que restava no fundo e ouviu risadinhas sobre ele.
– Sentem-se crianças — Disse Professor Lombrado, que chegou extremamente atrasado e confuso.
– Quando ele vai entender que temos 15 anos e não somos mais bebês?! — sussurrou Milenna para sua amiga que estava sentada atrás dela. Will achava-a linda e no fundo. Ele tinha um amor platônico pela menina.
– Silêncio, Sra. Milenna — Disse o professor em voz alta, mostrando autoridade. — Crianças, abram o livro na página 178 e leiam em voz alta juntos!
Lombrado era professor de literatura e adorava fazer coisas clichês do tipo: Ler junto, fazer redações sobre as férias e refletir sobre coisas bobas, Will adorava isto, literatura era sua aula favorita.
– O amor é o perigo que todos nós estamos arriscados... – Leram todos da classe. Lombrado perguntou a alguém da turma se poderia dizer o que entenderam e Will não deixou escapar a chance, levantou a mão e se ofereceu para falar na frente da turma — a aula de literatura era a única que o deixava confiante e seguro.
– Ótimo Sr. Will Azeste, venha até aqui e nos diga o que achou.
Will levantou-se e foi em frente.
– O amor é algo arriscado, a vida nos decepciona com pessoas que nem podemos acreditar. Amar é um risco que corremos, às vezes as pessoas em que sonhamos ser as mais perfeitas são as que mais acabam conosco, a atitude de amar me leva a acreditar que é idiotice, milhares e milhares de pessoas se destroem por amor e isso faz com que elas mesmas acabem se matando tanto por dentro quanto por fora. Amar é algo que não podemos escolher, mas sim evitar e eu evito! — O que era mentira, pois Milenna fazia seu coração bater mais forte, mas Will não gostava de admitir para si mesmo que era amor.
Professor Lombrado o aplaudiu com um sorriso enorme no rosto, ele gostava de Will.
– Muito bom, pode se sentar.
Will olhou diretamente para Milenna, que estava trocando olhares com Guilherme. Guilherme era o menino mais popular da classe, todas as meninas queriam abraçá-lo ou namorá-lo inclusive Milenna, que deixava bem claro que sentia uma atração por Guilherme. Não sabia o motivo daquilo tudo, Guilherme era um menino relativamente normal, era forte, loiro dos olhos castanhos cor de mel e tinha um corpo físico bom, mas nada demais para Will.
Sentou-se e tentou prestar atenção no que o professor falava, porém aqueles dois — Guilherme e Milenna — tiravam totalmente a atenção dele.
O sinal toca, era tempo vago. Will pegou seus livros, levantou-se e foi levá-los até seu armário. Guilherme esbarra em seu ombro e ele percebe que foi proposital. Ouviu a risada dos dois amigos que estavam junto a ele. Não ligava para isso, estava acostumado a ser ignorado. Abaixou-se para pegar seus livros que estavam espalhados no chão e quando se levantou deu de cara com Milenna. Não sabia que ela havia mudado de armário, o susto foi tão grande que um livro voltou a cair no chão.
– Ai, minha nossa... Desculpa, eu não queria... — Disse Milenna com um tom meio de culpada.
– Tudo bem. — Falou antes que ela terminasse de falar, economizou palavras, não por que queria e sim por que estava nervoso ao lado dela. Agachou-se e pegou o livro.
– Até mais — Disse Milenna. Will explodiu por dentro, mas preferiu calar-se e guardar seus livro no armário e sair andando pela escola sem rumo como sempre faz.
Fim da escola,foi de pressa para fora — não gostava de muitas pessoas em um só lugar. Na porta Milenna o grita:
– Ei, foi bom te conhecer!
Will sorriu de um jeito bonito e charmoso para ela, virou e continuou andando em direção à sua casa — que por sinal era bem longe e naquele momento mal se importou em andar.
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