Próximo de sua casa, Will vê John — seu pai — e lá estava ele com uma mulher meio estranha que mantinha um belo corpo. Os dois se beijavam e Will deu de frente com aquilo. Seu pai estava traindo sua mãe na frente de seus olhos e ele não pôde acreditar.

Correu para sua casa, sua mãe estava trancada no banheiro. Will se desesperou e gritou para que ela se afastasse da porta. Deu um chute tão forte que foi possível que John ouvisse da rua o som da porta se quebrando. Abraçou sua mãe que disse para ele que estava trancada ali por horas e que estava perdendo as esperanças de viver. John chega embriagado dentro de casa, correu para o banheiro e viu que não havia mais porta e que também já não tinha ninguém lá. Correu pela casa inteira. Will estava puxando sua mãe à procura de um lugar seguro para escondê-la até que seu pai se acalmasse.

– Fique ai — Pediu em um tom desesperado.

– Não deixarei que o enfrente, ele está alcoolizado e acima de tudo é seu pai. — Preocupou-se Miranda. Ele mal a ouviu. Deu um beijo em sua testa e prometeu que tudo ficaria bem e que ele vai mudar tudo.

Foi para seu quarto e arrumou sua mochila com suas roupas e desceu desesperadamente. Foi para cozinha e deixou um bilhete para sua mãe. Na saída, se depara com seu pai desmaiado por efeito da bebida. Will nem ligou, saiu de casa correndo e sem rumo. Andando pela rua sem destino, pensou em voltar, mas queria resolver tudo e alguma coisa o falara que indo embora era a melhor maneira.

Will saiu do seu mundo de fantasias para poder viver o mundo real. De repente ele viu que a sua vida era de alguma forma boa ao mínimo, após andar e andar pôde ver centenas de pessoas na rua, jogadas e sem vida, sabia que ele ficaria desta maneira caso não encontrasse um lar.

Ali estava ele, sentado em frente a uma loja de ferramentas, com sua mochila e só, sem amigos, sem comida, apenas seus velhos e companheiros livros. Abriu sua mochila e pegou o primeiro livro que veio à sua mão, sua capa era verde clara, com letras brancas e borradas com o título A vida não é nada, olhou e sorriu de uma forma triste. Lembrou de tudo que estava ocorrendo com sua vida, queria que tudo fosse somente uma fase, mas ele sabia que não e tinha que fazer algo para mudar isso.

O céu estava escuro. Eram 20h34min e Will estava prestes a dormir pela primeira vez na rua, sentiu medo, achava que não passaria nem 30 minutos sozinho, quanto mais uma noite.

Will pegou seu casaco que havia posto na mochila e o utilizou como cobertor. Pôs a mochila atrás de sua cabeça e ali mesmo tentou dormir. Ia fechando os olhos quando ouviu passos e logo despertou, coçou os olhos para que pudesse ver melhor e nada mudou.

Viu uma sombra preta, estranha, como se não tivesse forma. Ela chegava perto e mais perto. Não sabia o que fazer, na verdade ele não sabia nem onde estava. Vozes começaram a soar no ouvido de Will mandando que fechasse os olhos, ele negou de primeira, mas a voz insistiu e ele fechou. Os passos começaram a aumentar. Alarmes de carros começaram a tocar. Tentou se levantar, mas seu corpo prendeu no chão de forma que ele não pudesse se mover. Manteve os olhos fechados.

Uma voz grossa e estrondosa dizia em sua cabeça: "Acalme-se, é o seu desespero que eles querem!", Will não retrucou, queria que tudo aquilo passasse. Ventos ficavam mais fortes a cada momento e ele manteve seus pensamentos concentrados. Parou de um segundo para o outro. Todas as folhas, papéis que estavam voando pararam no tempo, se mantiveram flutuando lentamente — em uma velocidade tão reduzida que aparentemente estavam parados -, os alarmes pararam de tocar, mas as luzes continuavam ligadas. Will forçou seus olhos, enxergou a sombra de uma criança baixa, parecendo tão vulnerável que ele chegou a sentir pena.

– Venha, ele quer falar com você. — Disse o menino com uma voz fraca.

Will hesitou, não quis ir, mas algo parecia empurrá-lo.

– Quem quer falar comigo? Quem é você? — perguntou tentando manter a calma, mas estava mais que óbvio seu medo.

A criança para. Will fica logo atrás e recua três passos. A criança o observa durante alguns segundos, sua fisionomia foi ficando mais velha e diferente.

– Ele vai gostar de saber que estás com medo. — Disse o menino que já não tinha mais uma voz suave e sim tão grossa que parecia assustadora para Will. — Vamos, siga-me.

A criança começou a apertar seu passo. Will tentava acompanhá-la, mas estava com tanto medo que não conseguia se mover rapidamente. Um portão enorme apareceu em sua frente, estava pegando fogo, um fogo diferente de tudo que ele já havia visto.

– Verde? Onde estamos? — Perguntou.

– Creatos é um fogo verde que serve para punir todos os que cometem erros diante do meu supremo. Se você tiver sorte, talvez saia imune daqui. Estamos em Fideliuns, não gostará de saber o que é este lugar. — Respondeu a criança — Vamos, entre.

Will olhou para trás para ver se tudo era real, mas viu que estava em um lugar totalmente preto, só havia ele, a criança e o enorme portão de Creatos. Os carros e papéis não existiam mais. Deu um passo, dois passos e no terceiro passo seu corpo ardeu, seus pés já não se moviam mais.

– Não é a hora dele, afaste-se — Gritou uma voz grossa e estrondosa vindo do nada.

Will começou a brilhar com uma cor branca por todo seu corpo.

– ELE É MEU! – Retrucou a criança que se transformou rapidamente em um bicho de olhos totalmente brancos, de 3 metros e meio.

– CHEQUEBRON VILARGE! — Gritou o a voz misteriosa tão alto que os ouvidos de Will doeram. Uma fumaça branca voou em cima da criança fazendo com que ela voasse para longe. — Um Terramus, deveria desconfiar. Vocês nunca pensam. Agora suma, essa luta não é sua! — Avisou a voz misteriosa.

Will estava paralisado pelo feito da fumaça. De repente, tudo volta ao normal. O portão de Creatos se desfez.
Os papéis caíram no chão, carros pararam de apitar, ventos se acalmaram, nada parecia ter acontecido. A visão de Will foi escurecendo, foi perdendo a consciência rápidamente e acabou dormindo.
Acordou com um homem barbudo o chutando, era o dono da loja de ferramentas — um tal "Josh" -, Will não sabia o que fazer, está totalmente desnorteado.

– Ô menino, vamos, preciso abrir minha loja — falou.

Will se deu por conta que já eram 13h46min, levantou em um pulo, arrumou suas coisas e novamente foi andando pelas ruas sem ter um rumo