Cadeia dos espíritos
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Will abre os olhos e está em meio a um local cheio de fogo. Ao seu lado, há uma mulher grávida chorando. Ele olha para seus pés e pôde os ver acorrentados. Eragoum surge em segundos depois, esbarrando nele e fazendo um leve corte em seu rosto devido suas unhas.
— O que aquela mulher fez? — Indaga.
— Já disse que todas suas respostas serão dadas assim que possível — Respondeu Eragoum, bufando.
Will se cala por um instante. Os dois estão caminhando em meio a que ele deduziu como, um túnel. Um grito soa ao lado direito do ouvido de Will, ele olha rapidamente e se depara com dois jovens criando bolhas fortes de queimaduras e gritando de dor. Eragoum olha para cima, sorri e diz:
— Você pode fazer muito melhor, Mestre. — Ele olha para trás e vê Will desestabilizado.
De repente, um calor toma conta de seu corpo, ele olha pra Eragoum e depois olha para os dois jovens e logo retorna seu olhar aos seus pés planejando cada passo que iria dar.
— Onde está me levando? — Pergunta, mas não obtém resposta — Eu não darei mais nenhum passo até você me responder tudo o que eu quero saber! — Exclamou.
A cabeça de Eragoum vira 360 graus, seus olhos se escurecem como uma noite sombria sem estrelas, ele olha para Will com fúria e chega mais próximo possível dele.
— Olha só, garoto. Você acha que se eu quisesse, estaria aqui cuidando de um garoto estúpido como você? Você é Planetero, você pertence aos humanos, mas por algum motivo, você tem uma ligação com nosso mundo. Você acha que isso é um conto como os livros idiotas que você lê, mas não é. Presta atenção, eu posso te matar só em olhar para você. Eu sei de coisas que só de ouvir, você congelaria. Eu fiz coisas das qual você acha impossível. — Ele segura em sua camisa e o levanta — Eu posso cortar sua garganta quanto eu quiser, mas serei punido. Você deveria me agradecer por ainda estar vivo. Entendeu? — Conclui.
Will está paralisado. Tudo o que acabara de ouvir. Nada disso parece real.
— Eu preciso de um tempo para poder pensar em tudo o que está acontecendo. Preciso assimilar tudo, ok? Não é tão simples assim. Dias atrás eu estava em um conflito familiar e agora eu to em... Sei lá, no inferno — Responde.
Eragoum sorri. Encosta um dedo no peito de Will. Dois dedos. No terceiro, ele foi lançado contra a parede, quebrando—as e entrando em uma cela onde havia mais três pessoas. Por incrível que pareça, os buracos das paredes foram se consertando e em segundos não havia mais arranhões. Will bate com a cabeça na parede e caí inconsciente. Um dos garotos que havia no quarto se levanta.
— Precisamos colocá-lo na cama, Peter — Diz, virando-se para outro garoto que estava sentado em uma cadeira com sangue no braço.
— Ah... — Murmura Peter — Qual é Rick? Deixa ele ai, daqui a pouco ele se levanta. Temos mais com o que nos preocupar.
Uma menina sai de um buraco no chão. Seu cabelo bagunçado e seu rosto sujo de terra. Alguns pequenos machucados nos dedos e uns cortes no braço.
— Nada, gente — Sua voz soa com um tom de decepção — Nenhum sinal de saída, só terra e mais terra.
Ela dá um impulso maior para poder sair do buraco e vê Will jogado no chão.
— E quem é esse? — Pergunta para Peter.
— Esse é o eu-ainda-não-sei-o-nome — Ele responde e dá uma risada.
Ela chega para frente e da um tapa em sua cabeça e vira-se para Rick.
— Vai me falar ou vou ter que enfiar meu dedo babado em seu ouvido de novo? — Ela sorri, levando seu dedo dentro da boca e o erguendo fazendo giros com ele.
— Não, senhora das babas, poupe-me de seu castigo — Ele zomba e ri.
— Insultando e ironizando minha realeza, infiel bobo da corte? — Ela dá um passo para frente e logo em seguida Rick estende as mãos.
— Não, não, não — Implora — Ele chegou aqui agora, ta deitadão faz uns dez minutos.
Ela se agacha e toca na bochecha de Will para ver se está acordado.
— Hanna, o que você vai fazer? — Rick chega perto para observar.
— Calado — Ela sorri
Hanna pega o seu pulso para ver se ele estava respirando e conclui que sim. Ela chega maliciosamente no ouvido de Will, encosta seus lábios macios, direciona seu olhar para Peter e Rick e depois se volta ao que estava fazendo.
— Hanna, não! — Ordena os dois ao mesmo tempo.
Ela abre um sorriso. Põem levemente sua mão no pescoço de Will. Fecha seus olhos. Abre sua boca.
— AH! — Grita estendendo a letra por vinte segundos.
Will se assusta, seu coração se estremece, suas pernas estão tremulas e olhos estão arregalados olhando para a garota que acabou de estourar todos os seus tímpanos.
— Ei, olha. Você acordou, que bom. — Hanna age como se nada tivesse acontecido. — Então, bonitão, seu nome?
— É... — Gagueja — Meu nome é... — Ele olha em volta e observa cada detalhe de onde estava e enfim resolve falar — Meu nome Will.
Hanna ri e estende a mão para cumprimentá-lo.
— Oi, Will. Meu nome é Hanna. Aquele monstro ali, — Disse apontando para Rick — o nome dele é Rick. Aquele outro monstro do lado dele é o Peter. Digam “oi” pro Will meninos — Ela pede.
Os meninos riem, estendem as mãos e vão cumprimentá-lo. Rick puxa Hanna para o canto da cela.
— Você é louca? — Indaga — Você acabou de acordar um garoto na base dos gritos e ta agindo como se não tivesse feito nada.
— Meu caro amigo, se você fizer uma merda e agir como se tivesse feito a merda, você ta ferrado. — Explicou — Agora, se você finge que nada aconteceu, você sai ileso.
Ele ri.
Hanna chama todos para se conhecerem e confortar Will, ela realmente tentava tornar aquele lugar algo melhor para compensar o sofrimento que há ali dentro. Sempre agindo como se nada a abalasse. Eles se sentaram e conversaram durante horas. Contaram como chegaram lá. Rick havia pulado de uma rocha para o mar, mas bateu a cabeça em uma pedra quando chegou ao fundo, então quando acordou já estava na cela. Logo em seguida Hanna relatou que dois homens a fecharam em um beco, ela estava prestes a ser estuprada, quando de repente eles passaram a se contorcer e a dizer palavras estranhas fazendo-a ter uma convulsão e acordar com dor de cabeça, também contou que Rick quem cuidou dela por um tempo até ela se recuperar das dores e do trauma. Peter disse que, havia sido assaltado, mas que negou passar seu dinheiro e levou um tiro de raspão no braço — daí vem o corte em seu braço. Will perguntou o porquê de até hoje não ter sarado e Peter explicou que não dói, porém não sarava. Era como algo artificial. Todos esperaram Will contar sua história e ficaram boquiabertos. Por fim, Hanna juntou-se com Rick e Peter e cochichou algo e os três entraram em acordo. Ela começou a contar sobre o seu plano para fugir e quando terminou olhou para Will.
— Podemos contar com você, não podemos? — Perguntou.
— Com certeza.
Os quatros se entreolharam e riram. Esse era o começo de uma nova aliança.
Fale com o autor