Cabra Cega

1 Capítulo 1 - Uma lembrança difícil


Notas iniciais
Boa leitura, queridos! E conto com sugestões de melhoramento pra dar continuidade a história.

— Agatha, meu amor, tome um copo d’água e tente respirar fundo. Sei que está nervosa, mas preciso entender o motivo. Diz que está grávida, sorri, me abraça, e de repente passa a chorar desesperadamente. Confia no amor enorme que tenho por ti e me conta qualquer coisa que esteja lhe apavorando. Por favor!

— Desculpe por ficar desse jeito, não me estranhe, eu peço. Saiba que estou feliz com nosso bebê que se prepara pra ver a luz do mundo. É que basta eu pensar nele que logo lembro de coisas antigas que tento enterrar sem sucesso no esquecimento. Uma tragédia de minha infância que nunca lhe contei, não por falta de confiança no teu conforto e carinho, mas porque me dói, muito!

— No tempo em que estamos juntos sei que há coisas que nunca me contou sobre teu passado, e respeito isso. Mas talvez, agora, com esse novo momento que estamos vivendo, seja melhor que me conte. Se enterrar no esquecimento não tem lhe ajudado, quem sabe o inverso seja o necessário?

— Pois bem, querido, não será fácil pra mim, precisarei de mais copos d’água, com certeza.

Eu tinha dez anos, estava brava porque meu irmão Joel e seu amigo, Adão, não queriam uma menina brincando com eles. Eram um ano mais velhos que eu. Estávamos em casa, deliciosamente sozinhos. Isso porque minha mãe, Ana, ainda que não nos dissesse, passava por um momento difícil. Não sei bem o que houve, mas tinha recentemente se separado de nosso pai, que já vivia com outra mulher. Mãe estava triste, saía de casa pra que não a víssemos chorando ou bebendo, achando que com isso nos protegia. Que ironia. Era um sábado, fim de tarde, quando a maldita campainha tocou.

— Quem é?! – Joel gritou.

— Sou eu, a mãe, meu querido! Perdi minhas chaves na rua, abra pra mim, por favor!

Era claramente a voz de nossa mãe, e Joel destrancou a porta. Mãe fez uma pergunta estranha:

— Posso entrar?

— É claro! – Disse Joel.

A casa tinha dois andares e eu estava no segundo, corri em direção as escadas para reclamar dos meninos, mas Joel e Adão deram um grito espavorido, como se tivessem visto algo horrível, e era. Assustada, não consegui me mexer, e os meninos continuaram gritando, gritando, mas eram gritos de dor... Ouvi passos pesados subindo a escada, e o calor da urina escorrendo em minhas pernas me atentou pro risco que eu corria. Tentei fugir na direção do meu quarto, mas tropecei e caí de bruços. Cuspi um dente de leite amolecido, e fiquei ali, sem querer ver o que se aproximava. Sentia frio, o medo é frio, sabia? Estava perto de mim. Vi uma mão enorme, com pelos brancos, unhas amareladas e grossas pegando meu dente, depois o jogando no chão outra vez. Notei então que a... A coisa se afastava, descia as escadas, até que fechou a porta, partindo. Desmaiei de medo, provavelmente, e quando acordei, bem... Havia policiais por toda a casa, minha mãe chorava aos berros, um cheiro ruim, e pedaços de Joel e Adão por toda a sala.

Notas finais
Grato pela leitura!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.