Quatro mil anos atrás, o equilíbrio no mundo mágico era mantido pela união entre bruxos, magos, sereias e fadas, conhecidos como os Caçadores de Orion. Este nome lhes foi concedido como uma bênção do próprio Orion, em forma de proteção ao mundo natural da amada Ártemis.

Reza a lenda que esses caçadores eram criaturas ancestrais, os primeiros de sua classe, e habitavam a antiga Atlantis. O equilíbrio do mundo prevalecia porque eram responsáveis por caçar criaturas do lado negro. No entanto, um dia, foram traídos por um dos seus e, sem forças para lutar, foram aprisionados nas profundezas da dimensão ômega.

Antes de serem encarcerados, uma poderosa fada chamada Helga criou o que eles chamaram de Círculo Branco. Este existia para garantir que alguém encontraria o traidor e os vingaria. Mas essa história se perdeu e o Círculo desapareceu em algum lugar do mundo.

A música estava alta e todos se divertiam, batendo palmas, dançando e rindo, como deveria ser. Comemoravam o aniversário de 18 anos da princesa de Domino.

— Rei Oritel, Rainha Marion — disse o homem, curvando-se perante os anfitriões. — Princesa Bloom, feliz aniversário.

— É uma honra, majestade — a garota curvou brevemente a cabeça, enquanto encarava o homem à sua frente.

— Rei Erendor, Rainha Samara, Príncipe Sky, é um prazer recebê-los — Oritel falou com alegria, levantando-se junto com sua esposa e filha. — Acho que finalmente podemos apresentá-los, sim?

— Claro — Erendor disse, virando-se para Sky e indicando que desse um passo à frente. O rapaz obedeceu. — Sky, esta será sua futura esposa, princesa Bloom de Domino.

Os dois fizeram uma breve reverência. Aquilo já havia sido cogitado desde os 15 anos, e ambos sabiam que teriam que se casar pelo bem do reino, mesmo que parecesse antiquado. Ainda assim, eram obedientes, amavam seu reino, amavam seu povo e jamais diriam não aos seus pais.

— Sky, tire a bela Bloom para uma dança — Samara disse encantada. Eles pareciam combinar de um jeito extraordinário.

— Princesa, me concede a honra de uma dança? — Sky estendeu a mão e Bloom aceitou.

Os dois caminharam até a pista de dança, aproveitando a nova música que havia começado a tocar. Todos pararam de dançar para apreciar o casal, enquanto seus pais também os admiravam.

— Dança muito bem, minha princesa, que mais qualidades tens? — Sky perguntou cordialmente, após girá-la.

— Algumas, creio que conhecerá com o tempo. E você, meu príncipe? Me contaram que é um especialista excepcional — Bloom sorriu, enquanto se encaravam e acompanhavam a música.

— Não tanto assim, mas eu me esforço.

— Hmm, modesto — Bloom parecia ter gostado dele. Não parecia um príncipe esnobe que usava seu título como desculpa para ser arrogante.

— Eu tento — ele deu um pequeno sorriso e girou novamente a ruiva. — Soube que está em Alfea.

— Sim, é meu segundo ano lá — Bloom disse animada, um pouco demais para os modos de uma princesa, mas Sky não pareceu se importar. Ele gostou de saber que Bloom era espontânea. — Me desculpe os maus modos, às vezes esqueço das etiquetas.

— Não se preocupe com isso, apenas seja você mesma.

A música finalmente terminou e os dois retornaram aos seus pais, rindo e de braços dados.

— E então, para uma primeira dança, podemos dizer que se deram bem? — Oritel perguntou sorridente, conhecendo bem sua filha sabia que ela havia se encantado pelo loiro.

— Sim, vossa majestade, tens uma filha encantadora — e Sky também parecia ter boas impressões de Bloom, ele havia gostado muito dela.

— Obrigada, príncipe Sky, é muito formidável sua observação — Marion disse com um sorriso materno, estendendo a mão e segurando a mão livre da filha.

— Então vamos anunciar? — Erendor perguntou, e eles assentiram.

O rei de Domino segurou sua taça e chamou a atenção dos convidados, fazendo-os prestar atenção no anúncio. Tudo parecia ocorrer bem, até demais. Mas a entrada da mulher naquele recinto surpreendeu a todos. As pernas de Bloom fraquejaram e, se não fosse por Sky, ela teria caído.

— Bloom, está tudo bem? — ele perguntou, sustentando o corpo dela.

— Querida — Oritel chamou preocupado.

— Está tudo bem — Bloom disse, encarando Sky, mas seus olhos cor de fogo não diziam o mesmo. Ela definitivamente estava mal.

— Stella — o grito foi ouvido, e alguns moveram suas cabeças, vendo a princesa de Solaria desmaiada, sendo acudida por Luna, sua mãe.

Elas não eram as únicas. As outras amigas de Bloom que também foram convidadas, mesmo não sendo da realeza, também estavam se sentindo mal. Flora estava em uma cadeira, ao lado de Musa, que também não parecia bem. Tecna estava se sustentando na parede, sentindo-se tonta. Aisha estava sendo amparada pelo noivo. Aquilo chamou a atenção de Oritel, que conhecia as jovens Winx, como elas gostavam de ser chamadas. Era o grupo de sua filha, e ele se importava com todas igualmente.

— Lilith, o que é isso? — ele perguntou bravo, enquanto Sky colocava Bloom sentada no degrau.

A atenção de todos se voltou à mulher ofegante. Suas roupas pretas pareciam fora de lugar, e nem ela parecia certa de onde estava, mas seus olhos vasculhavam a sala, ela podia senti-los.

— Quem é ela? — Luna perguntou preocupada.

— Ela é uma bruxa — Radius acusou, agachado ao lado da esposa e da filha. — Veja, está amaldiçoando nossas crianças.

— Não, Radius — Marion falou com calma, levantando-se e deixando Bloom aos cuidados de Sky. Ela foi até Lilith, segurou as mãos da mulher, fazendo-a focar os olhos em si. — Diga, minha querida, por que está aqui? O que houve?

Lilith era uma das únicas bruxas que ainda praticava magia branca. Ela era aliada do reino de Domino, até vivia ali, mas os outros reinos a temiam, devido ao seu poder de premeditar a morte.

— Essa não, já está acontecendo — Lilith disse perdida, enquanto suplicava a Marion silenciosamente, como se a mulher pudesse salvá-la de algo.

— Seja clara, Lilith, o que há de errado?

— Eu vi todos vocês mortos — ela sussurrou, e apesar de Marion ser a mais próxima dela, alguns ouviram, e um burburinho se iniciou.

— Lilith, o que minha filha e as amigas dela têm a ver com isso?

— Elas estão elevando seus poderes, receberão seus dons, mas isso não significa que será bom.

Marion franziu o cenho, confusa. Toda aquela explicação não fazia sentido.

— E o que isso significa? — Marion insistiu, fazendo a mulher apertar suas mãos.

— Eles estão vindo, e logo todos pagaremos o preço da ambição.

— Eles quem?

— Os Caçadores de Orion.