Caçadores de Orion
2 De volta a Alfea

A jovem fada caminhava pelos corredores perdida em pensamentos, tão distraída que nem ao menos se dera conta de que já estava em Alfea. Seis meses haviam se passado desde seu aniversário, e ela ainda se sentia estranha. Seu corpo parecia diferente, sua mente parecia ter espaço demais, e agora seus poderes estavam descontrolados. Às vezes, ela se transformava involuntariamente em momentos inoportunos.
A ruiva esbarrou em uma mulher loira, que parecia tão perdida quanto a própria Bloom.
— Oh, perdoe-me, princesa Bloom, eu estava distraída — a loira fez uma breve reverência, e Bloom apenas a encarou, sentindo uma estranha familiaridade. A mulher estranhou o silêncio e, ao mirar o rosto de Bloom, viu que ela estava encarando a marca em seu braço.
— O que é? — Bloom perguntou curiosa, apontando para o desenho de um escorpião.
— Bem... — ela parecia hesitante, afinal, não era todo dia que alguém lhe perguntava sobre sua marca. Sim, era uma marca, dada desde o nascimento. — Este é o escorpião da constelação de Orion. Pertence ao meu povo, é um símbolo para reconhecer aquelas que completarão o ciclo.
Bloom franziu o cenho. Já tinha visto aquele símbolo antes, e a explicação não fazia sentido.
— Princesa Bloom? — a mulher chamou novamente. — Está tudo bem?
— Não, quer dizer, sim — a ruiva grunhiu frustrada e suspirou. — Na verdade, não sei dizer. Tudo parece estranho ultimamente.
Ela se recompôs e sorriu para a loira à sua frente, observando-a bem. A mulher tinha cabelos lisos, de um loiro era quase branco, olhos verdes e rosto redondo que a fazia bela. No entanto, algo no jeito como ela se vestia indicava a Bloom que ela era mais velha do que aparentava.
— Desculpe os meus maus modos. Me chame apenas de Bloom, dispenso títulos. Na verdade, todos nós aqui em Alfea os dispensamos.
A mulher sorriu e assentiu. Bloom mirou as malas dela e apontou para o objeto, de repente se lembrando de quando havia chegado ali. Tinha apenas quinze anos, a idade em que todas as fadas iniciavam a escola, mas aquela mulher não parecia ter quinze anos.
— É nova aqui? — Bloom perguntou, e a mulher assentiu com um sorriso. — Desculpe, nos conhecemos?
Bloom parecia tão confusa. Tudo em sua mente estava extremamente bagunçado e suas perguntas talvez nem fizessem sentido.
— Não, Bloom — a loira negou bem-humorada. — Não nos conhecemos. Sou nova aqui, mas não tenho idade para iniciar aulas. Apenas vim a pedido de Faragonda. A propósito, me chamo Amália, sou a fada do arco-íris e a sereia guardiã dos sonhos.
— Sereia e fada? Como é possível?
— Tecnicamente não é, pelo menos não na geração de vocês — ela deu de ombros e mirou o papel em sua mão. — Bem, preciso achar meu quarto, mas foi um prazer conhecê-la.
Sem dizer mais nada ou esperar por uma resposta, a loira deixou Bloom enquanto procurava seu próprio quarto. A ruiva continuou parada, perdida demais para dar qualquer passo.
Como poderia haver duas espécies misturadas? Aquilo era impossível, não era? Bem, existiam poderes Sirenix que lhe permitiam criar caudas, mas aquela mulher definitivamente não era uma fada Sirenix. Ela tinha o DNA de duas espécies, e aquilo era intrigante demais.
Bloom sacudiu a cabeça e foi até seu quarto. Ele estava silencioso, como se ninguém morasse ali. Ela duvidava que suas amigas ainda não estivessem ali, e sua suspeita se confirmou ao ver Flora, sua colega de quarto, deitada na cama, diferente do habitual. Normalmente, Flora estaria cuidando de suas plantas, e não amuada daquele jeito.
A porta do quarto de Stella estava aberta, e a loira estava sentada no sofá, olhando pela janela, enquanto segurava uma xícara nas mãos. Alfea sempre iniciava o período letivo no inverno. Musa e Tecna não estavam tão diferentes assim, cada uma no seu próprio mundo. Musa com seus fones de ouvido e os olhos fechados, e Tecna analisando algo em seu dispositivo tecnológico, seja lá qual fosse o nome daquilo.
Aisha ainda não havia chegado, e Bloom duvidava que ela chegaria, já que geralmente era uma das primeiras a estar ali. Bloom se deitou em sua cama e olhou pela janela. A neve caía do lado de fora, e aquele silêncio era confortável, mas estranho, já que Alfea nunca fora tão silenciosa. Parecia que todos sentiam que algo ruim estava acontecendo.
Bloom fechou os olhos e suspirou, adormecendo rapidamente. Já era noite quando Aisha a acordou, mandando-a tomar banho e se arrumar para o comitê de boas-vindas. Suas amigas estavam mais caladas do que o normal, mas aquilo não era culpa de ninguém. Cada uma delas estava tentando lidar com as mudanças em seus corpos, mentes e poderes, era muito para digerir.
— Faragonda tem algo importante para hoje, está com aquela roupa horrorosa do século passado — Stella comentou enquanto andavam pelos corredores.
— Fico impressionada com sua implicância com a moda passada — Aisha resmungou.
Stella apenas deu de ombros, e elas caminharam até o salão principal, que estava decorado para as boas-vindas das novas fadas. Antes do jantar, Faragonda fez um discurso, mas nenhuma das Winx prestou atenção, até que ela apresentou as "novas" fadas.
— Meninas, conheçam Amália, Alice, Kimmie e Sasha. Elas passarão o ano letivo conosco e lecionarão novas matérias — Faragonda terminou, e Bloom finalmente entendeu o que Amália quis dizer com não ter idade para estudar.
— Elas parecem novas demais para serem professoras — Flora disse confusa.
— Vocês já viram mistura de espécies? — Bloom perguntou, mirando Amália, que tinha um sorriso deslumbrante nos lábios. Suas amigas franziram o cenho, achando que ela tinha ficado louca. — A tal Amália disse ser uma fada e uma sereia.
— Isso é impossível — Tecna retrucou, já começando sua pesquisa em seu dispositivo tecnológico.
— Foi o que achei, mas parece que não — Bloom ergueu a sobrancelha em um claro desafio, ao ver a mulher lhe encarando com diversão.
— E aproveitando, quero também comunicar que este ano teremos a presença frequente dos nossos queridos especialistas, não só como convidados, mas também como estudantes — Faragonda anunciou. — É um prazer informar-lhes, queridas fadas, sobre o Atlantis, o novo ensino para fadas e especialistas.
Um burburinho de vozes se iniciou, todas as fadas pareciam satisfeitas, mas não as Winx. De quem havia sido aquela ideia mirabolante?
— Diretora, e quanto às bruxas de Torre Nebulosa? — uma garota de cabelos laranjas perguntou.
— Torre Nebulosa foi infelizmente fechada, o castelo foi inteiramente lacrado e todas as bruxas foram mandadas para seus lares — Faragonda disse, mexendo os dedos nervosamente. — Aproveitaremos para receber nossa querida Griffin como parte do corpo docente neste ano.
Aquilo era um desastre. O que uma bruxa, magos e especialistas iriam ensinar a fadas? Elas eram seres dominantes de magia, não de combate, ou fosse lá o que eles iriam ensinar.
— Aproveitem o jantar — Faragonda finalizou e se retirou com as outras quatro, seguindo para a mesa dos professores, onde estavam não somente os citados, mas também Saladin, diretor de Fonte Rubra, e Codatorta, um dos professores de lá.
— Algo me diz que tem algo errado acontecendo aqui — Musa disse, enquanto seus olhos mudavam de cor.
— Musa, seus olhos — Flora disse preocupada, e a garota fechou os lumes e colocou seus fones de ouvido. A música não estava alta, mas era apenas para ela conseguir controlar.
— Eu posso sentir tudo, absolutamente toda e qualquer emoção, só de olhar para alguém. Isso tem sido um saco — Musa grunhiu, e Tecna alisou suas costas.
— Vai ficar tudo bem, ficaremos todas bem.
Era o que elas esperavam firmemente.
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