Caçador

22 Uma piada quase fatal, seguida de um plano que milagrosamente dá certo


Notas iniciais
Desculpe a demora. Tive uma semana cheia, e só voltei a escrever hoje. Mas tenho alguns prontos. Bom, pelo menos já terminei a saga da briga com Harren. Vou postar ela hoje, se der.

— Achei todos. — Empurro a cadeira, me afastando da mesa e me espreguiçando. Olho pro relógio. Três e meia da madrugada.

— Hã? Que? Onde? — Megan rola ainda meio dormindo, e se esquece que está no sofá, caindo no chão. Se não estivesse tão cansado poderia ter rido. Reprimo um bocejo.

— Achou todos? — Amanda aparece na porta. Tenho de admitir que estou impressionado com sua resistência. Está aguentando tanto quando eu. Mas parou no sétimo copo de café. Eu já estou no décimo sétimo.

— Ahã. Todos. E deu trabalho. — Mostro para elas a lista. Megan parece ainda estar dormindo, mas seu rosto está bem acordado. — Nome com endereço. E fiz mais. Procurei nas câmeras de segurança até achar todas as posições exatas. Nem vou falar o quanto de trabalho deu conseguir acesso a elas.

— Bom — Megan relanceia os olhos pela lista. — Imagino que em uns dois dias acabamos com todos os lobos, se formos depressa.

— Sim, vamos. Mas só em três horas. Eu e Amanda estamos quase dormindo em pé. Ainda vamos nos matar se formos caçar nesse estado.

— E qual é o plano?

— Por que eu sempre tenho de ter um plano? — Pergunto.

— Por que você sempre tem. — Megan responde simplesmente.

— Está bem, eu tenho um. Vamos botar uns contra os outros. Essa aliança de lobos e vampiros deve estar muito instável, pois as raças sempre foram inimigas. Vamos aproveitar isso. Caçamos alguns lobisomens, e tiramos todo o sangue do corpo de depois largamos perto de um dos depósitos onde eles estão. E o mesmo com os vampiros. Arrancamos o coração depois de matar. Com sorte, vão pensar que um está matando o outro e vão entrar em combate sozinhos, sem a nossa ajuda. Depois, caímos em cima dos sobreviventes. E se Harren mandar os zumbis apartarem a briga, tanto melhor. O quanto mais eles se matarem, melhor.

Amanda e Megan se entreolham. Parece que a antiga antipatia diminui. Um pouco.

— É um bom plano, presumo. Mas possui muitas coisas que podem dar errado. — Amanda comenta lentamente.

Megan sorri.

— Bem vinda ao nosso mundo.

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Desligo o despertador. Meio dia em ponto. Acho melhor eu dar um jeito de ajeitar minhas horas de sono. Estou virando uma coruja. Dormindo de dia, ficando acordado de noite.

Rolo do sofá, caindo agachado no chão (de propósito). Então me levanto e me espreguiço. Reprimo um bocejo e vou até a mini-geladeira do quarto e pego uma Coca. A última Coca, por sinal, mas tenho quase certeza que vamos sair daqui hoje.

Começo a abrir a boca para chamar Megan e Amanda, que ainda estão dormindo (eu coloco o celular debaixo do travesseiro e boto o volume do despertador baixo — tenho sono leve), então penso melhor. As duas ficaram com as camas, já que achei melhor não alugarmos dois quartos. Então dormi no sofá, e agora acho que vou dar uma surpresinha para elas ao acordar.

Indo devagarinho, com todo o cuidado, pego os fones do meu celular na mesa. Então pego os de Megan também, que deixou junto com o celular dela em cima da mesa-de-cabeceira.

Com todo cuidado, não fazendo mais barulho que um gato ao andar (li muitos livros de ficção de assassinos, acabei pegando a mania de praticar andar sem fazer barulho, o que, para falar a verdade, já me salvou mais de uma vez), coloco os fones em Megan. Ela nem se mexe, dorme que é uma pedra.

Amanda é um pouco mais difícil. Coloco o fone no ouvido direito facilmente, mas quando estou colocando no esquerdo, ela se mexe um pouco e resmunga, ainda dormindo. Paraliso no ato, prendendo a respiração. Mas Amanda apenas muda de posição e continua dormindo. Coloco o outro fone e me afasto.

Conecto os dois fones no meu notebook (que tem uma entrada a mais, adaptação minha) e ponho o volume no máximo. Seleciono a pasta que quero, e ponho para tocar.

Mesmo estando longe dos fones, consigo ouvir muito bem a letra do Eternal Rest do A7X.

Amanda dá um pulo e cai da cama. Megan pula, fazendo os fones caírem dos ouvidos, já segurando o punhal que deixa permanentemente debaixo do travesseiro, olhando em volta tentando achar alguém em quem enfiar a faca.

Dou pause na música rindo.

— Bom dia. — Falo, ainda rindo. Megan me fuzila com o olhar e Amanda se levanta, com uma expressão assassina no rosto. — Preparadas para puxar briga com alguns lobinhos?

— Sim. — Megan responde, esfregando a orelha com a mão. — O quanto mais rápido, melhor.

Amanda olha de relance para ela, mas concorda com a cabeça, contrariada.

— Quem pegamos primeiro?

Penso por um momento, avaliando as possibilidades.

— Vocês vão atrás dos lobos. Eu cuido dos morcegos.

— Por quê? — Amanda pergunta na hora. — Os lobos serão mais fáceis, e são em menor número. Não precisaremos matar tantos. A lógica seria ter dois de nós nos vampiros.

— É, só que... — Eu falo dando um passo para frente, me aproximando dela. Antes que Amanda consiga sequer notar o que eu fiz, estou com ela no chão e uma faca em sua garganta. — Eu luto melhor.

Amanda tenta se levantar, mas estou com seus principais pontos presos. Se tentar mexer as pernas, a posição do meu joelho vai fazer ela sentir dor como se estivesse com câimbras. E como conseguir derrubar ela de bruços no chão, é fácil impedir que mecha os braços.

Pulo de cima dela, guardando a faca na bainha. Megan reprime um sorriso e fala para Amanda.

— Eu poderia ter te avisado. Lian foi treinado por um antigo Caçador que era faixa preta em karatê e jiu-jitsu. No corpo-a-corpo, ele é ótimo, embora eu atire melhor.

Amanda se levanta, esfregando a garganta e me olhando cuidadosamente. Megan ri.

— Vamos lá, sua assustada. Vamos pegar as coisas.

Deixo elas irem, pensando que seria bem mais fácil se eu pudesse derrotar Harren com a mesma facilidade. Num um contra um, eu confio no meu taco. Mas o mini-exército dele e a presença de Megan e Amanda criam variáveis demais para eu poder prever tudo perfeitamente.

Olho para o relógio.

12h:07min.

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É mais fácil do que devia. Os vampiros nem sequer sabem o que os atingia. Até tira a graça de fazer tudo.

Retirar os corações é meio nojento, mas já fiz coisas piores. Coloquei os corpos em frente aos endereços dos lobinhos. E a cronometragem sai perfeita. Num dia, os vampiros morrem. No dia seguinte, Megan a Amanda dão cabo de alguns lobisomens. Isso vai fazê-los ficar em polvorosa.

E faz.

Dois dias depois dos nossos ataques, a policia acha mais 20 corpos. Cinco são dos lobisomens que eu conhecia, e 15 dos vampiros. Bom, são quinze cadáveres decapitados, embora só nove eu soubesse quem era.

Dois dias depois a policia acha 40 corpos carbonizados, 17 decapitados e 15 estraçalhados e sem sangue.

No dia seguinte, um ataque em massa acontece. Uma briga de gangues em um beco. Uso uma identidade falsa e consigo entrar no laboratório legista. Das 150 vitimas, 70 eram do sobrenatural. Quarenta e três zumbis, dezessete lobisomens e dez vampiros.

Decido que é a hora de atacar. Harren deve saber que perdeu o controle. Suas defesas físicas estarão fracas, e das outras eu cuido.

Amanda e Megan concordam comigo. Combinamos de atacar amanhã à noite. Elas irão cuidar de qualquer remanescente leal do exército de Harren. E eu cuidarei dele.

Espero que não estejamos indo para nossas covas.

Notas finais
Quem não conhece a música, bom, acredite. É bem hard. Acordaria um defunto se usasse como despertador. Vai ver é por isso que Lian usa. Sabe, necromante, acordar defuntos...