CLE 2 - A Furia do Inverno
8 A Volta dos Mais Frios
Notas iniciais
Avarosa nos deixou a beira do abismo, Lissandra estava furiosa.
Havíamos falhado, apenas um erro nosso destino foi talhado, estávamos condenados, os Glacinatas haviam ganhado, podia ver isso, sendo um Observador Gélido.
Havíamos nos rendido, para não acabar na nossa extinção, mas Avarosa era impiedosa, somente perdoou sua irmã Glacinata, a Bruxa Gélida, ou na sua personalidade normal, Lissandra, pois Avarosa acreditava que Lissandra ainda vivia a desilusão de que elas estavam ajudando o mundo, o que era verdade, mas Avarosa negava isso.
Ela, acreditava que os Observadores tinham esse nome pois eram manipuladores, observavam tudo, e faziam as pessoas observarem diferente, e que nós éramos frios, impiedosos, mas na verdade, Avarosa fazia isso, e acredita que ela esta certa.
Tudo isso esta escrito no seu rosto, é claro somente olhos de um Observador poderiam observar isso, como eu sou, então não é nada difícil.
Mesmo com a rendição, Avarosa disse que nos jogaria no Abismo, que todo Observador sabia que lá havia o Vazio, mas não dizíamos isso a ninguém, pois o Vazio é temido por tudo e a todos, e somente de olhar para ele, o Vazio as consumia, e sendo um Observador, esse é seu ponto fraco, olhei para baixo no penhasco, não vi trevas e mais trevas como os Glacinatas, vi um ambiente nulo, tenebroso, um frio percorreu minha espinha e senti vontade de matar, como uma criatura do Vazio, desviei o olhar, não passou de imediato, mas sabia que passaria.
Olhei para Avarosa do outro lado de Howling Abyss, ela parecia confiante e realizada, ao lado da Bruxa, ou melhor, Lissandra, que estava derrotada e arrasada, ela olhou para meus olhos azuis-gelo, como a maioria dos Observadores, senti uma vontade de me atirar em cima de Avarosa, mata-la depois me jogar no Abismo, mas no momento que Lissandra piscou duas vezes, minha ideia mudou totalmente.
Os Observadores se exprimiam e tentavam não olhar para o Vazio, mas fiz ao contrario, com toda minha visão, penetrei no Vazio, e ele logo me consumiu.
A fúria penetrou todo meu corpo, me senti mais poderoso do que era, meus poderes se floresceram, consegui ver mais que qualquer Observador, sai correndo, meu corpo era rápido e ágil, flechas zuniram no lado dos meus ouvidos, mas barreiras invisíveis me protegiam.
Eu corri até o Portão da Montanha, que fava passagem a uma gruta que não havia muita coisa, agitei minha mão e fiz uma passagem de Runeterra até o Vazio, me senti mais fraco, mas olhei para trás sem me virar e Avarosa me lançava uma rajada final de flechas, daquilo eu não desviaria.
Me tornei a chave do portão, me uni a o ferro, o tornando roxo e resistente, mais resistente que o próprio Gelo Verdadeiro.
No lugar da fechadura, um de meus olhos tomou lugar, brilhando num tom roxo bem forte, três tentáculos saltavam dele, como se fosse um monstro, fiquei invulnerável e as flechas passaram por mim e não me atingiram, olhei para trás, com um olho totalmente branco e o outro roxo brilhante, eu havia conseguido garantir uma volta dos Observadores.
A essa altura, alguns Observadores já haviam entendido e se jogavam no Abismo, Lissandra ria, mas ainda estava com raiva, Avarosa estava vermelha e com o arco apontado para minha cara, ela jogou a flecha em meu ombro, fazendo com que estilhaços de gelo arroxeado voassem, deixando um buraco em meu ombro, e dentro, Gelo do Vazio estava me mantendo vivo.
Era quase impossível matar um Observador, criaturas eternas, mas quando você cortava um membro, não jorrava sangue e ficava em carne viva, era como quebrar uma estatua de gelo, no lugar da carne havia gelo, segurando a imortalidade dos Observadores.
Alguns Glacinatas tentavam deter os Observadores que pulavam, pois se eles conseguissem, alguns iriam voltar, com uma sede insaciável de vingança, iriam matar Glacinatas, ou conhecido em Valoran por Humanos, iríamos matar todos eles, mas Avarosa também foi esperta, pegou um Glacinata ferido, enfiou uma flecha nele, fez um ritual incrível e rápido, e transformou o Glacinata no Guardião da Ponte, ele iria soar uma trombeta quando os Observadores voltassem, esperto, mas nada poderia impedir nossa volta.
Todos os Observadores haviam pulado, e os que haviam ficado tinham os braços e pernas decepados, deixando gelo a mostra, Lissandra parecia um pouco mais satisfeita, ela era bondosa, não mais que sua irmã, Serilda, a mais forte, que trazia garra consigo, se pudesse, derrotaria todos os Observadores sozinha, mas era boa de mais para isso, e se tivesse um exercito, poderia transportar sua garra a todo o exercito, ela era a preferida por todos os Observadores, exceto por mim, que amava Avarosa, queria viver a eternidade com ela, mas agora, não há mais volta, nunca mais ficaríamos juntos, nunca.
Ela começou a jogar algumas flechas nos Observadores, mirando em seus olhos, é claro que ela sabia, Serilda sempre soube, e para a segurança de suas irmãs, contou a elas, e ameaçou fazer isso á cada Observador que encostasse em suas irmãs.
Mas agora, estávamos tentando matar sua irmã, e uma delas queria matar a outra, e Serilda não fez absolutamente nada.
Lancei um sorriso malicioso para Avarosa, olhei para o lado e vi as garras da Bruxa Gélida se formarem, seu capacete escondendo sua cegueira, ela lançou estilhaços de Gelo Negro em sua irmã, que se jogou para trás, mas os estilhaços pegaram em vários Glacinatas, que acabaram caindo, sangrando, ela congelou a si mesma, e as pessoas que estavam a sua volta cogularam e quebraram, o poder da Bruxa Gélida era enorme, mas Avarosa jogou uma flecha congelante
nela, ela acabou voltando a ser a pequena Lissandra, ela correu, enquanto estava tudo um caos, Avarosa tentou persegui-la, mas acabou voltando furiosa, ganhou a guerra, mas não havia derrotado o adversário, ela veio em minha direção, mas recuei, não queria mata-la, então cheguei mais perto do portão que ligava Runeterra com o Vazio, aquilo me guardaria por anos, décadas ou até séculos, mas eu me libertaria, nem que seja em forma de uma criatura com três tentáculos, e libertaria os Observadores, e nós nos vingaríamos dos Glacinatas, encostei no portão, minha mão se fundindo ao ferro, olhei nos olhos de Avarosa, ela estava magoada, derrotada, com raiva e feliz, tudo ao mesmo tempo, um olho Observador foi sacrificado para abrir os portões, seria outro para abri-lo?
Me juntei ao ferro, e o olho que eu havia perdido se abriu, continuei a olhar Avarosa, mas desta vez, eu olhava pelo olho no portão.
POV Katarina
De longe, a vila parecia pequena, mas de perto, era enorme.
Aquilo era uma cidade, com casas e tudo, sabendo que aquela não era a capital, imaginei a verdadeira enorme, pois essa já era grande, na frente da estatua de uma mulher com um arco, que se chamava Avarosa, uma casa maior que as outras pairava no centro da cidade, era feita com janelas de gelo e mármore branco, como um palácio, no meio de casas de pinheiro.
Batemos na porta de madeira, ela se abriu com dos guardas vestidos com peles e armaduras negras abrindo-as, era uma sala bem grande, e sentada em um trono feito de gelo, uma mulher de cabelos prateados estava segurando um arco também de gelo parecido com o da estatua, era Ashe.
Os guardas ajoelharam-se e a rainha fez um sinal para se levantarem, eles voltaram para seus lugares e Ashe nos olhou e fez uma cara de: falem.
– Olá rainha Ashe — disse Lux — viemos…
– Você é daqui? — Interrompeu Ashe.
– Não — respondeu Lux — sou…
– Então não sou sua rainha — afirmou Ashe — continue.
– Sou Luxanna Crownguard, filha de um membro da Guarda Real do rei de Demacia, não posso vê-lo, pois isso o deixaria desatento, sou sua segunda filha.
– Para que tudo isso? — Indagou Ashe.
– Achei que poderia querer saber de tudo isso, já que é uma rainha — respondeu Lux.
– Aqui em Freljord o sobrenome etiqueta cada pessoa, não há necessidade disso — afirmou a Rainha de Freljord — qual seu nome garoto?
– Garen Crownguard — respondeu ele.
– E você querida?
– Katarina Du Cote…
– Olha — cortou Lux — não há necessidade de tudo isso, e esse é o Ezreal, só para você saber, precisamos de sua ajuda.
– Se vieram avisar sobre Piltover, pedir para nós nos rendermos, você pode ir embora sem uma resposta ou ficar e morrer depois de saber o que eu desejo — disse Ashe. — E então?
– Não — disse Garen. — Precisamos investigar alguma coisa, umas criaturas, para ser exato.
– E o que seriam? — Perguntou Ashe.
– Vel’koz — respondeu Ezreal. — E os Observadores Gélidos.
– O que quer dizer? — Indagou Ashe.
– Vel’koz, uma criatura com um grande olho e três tentáculos saindo dele — disse o garoto de Piltover — disse algo sobre a volta dos Observadores Gélidos.
– Estranho — refletiu Ashe. — Em Howling Abyss existem desenhos dessa criatura, e tem uma no Portão do Abismo, estranho.
– Onde é Howling Abyss? — Perguntei, ansiosa para descobrirmos alguma coisa, ou fazer algo mais útil que questionar uma rainha ríspida.
– Onde aconteceu a Queda dos Observadores, dizem que é conto de fadas — contou a Rainha Ashe. — Mas eu acredito muito nisso, pois o arco de Avarosa está em meu domínio, e uso ele para tudo, muito forte, obras de Avarosa.
– Em que lugar? — Perguntei com uma voz mais alterada, Garen olhou para mim, fiz uma cara de gatinha e ele desviou.
– Depois da Garra do Inverno — respondeu Ashe, com uma voz tensa — nos locais mais profundos de Freljord, na entrada para o Abismo, depois das montanhas mais distantes — ela foi a umas gavetas, pegou um mapa, abriu e pendurou na parede, pegou uma flecha, apontou num canto de Freljord e disse: — Aqui.
– É bem longe — disse Lux, parecendo querer sentar e nunca mais andar.
– Mas somente encontraram uma ponte lá — afirmou Ashe — se acreditam que os Observadores voltarão, só acreditarei nisso quando ouvir a trombeta.
– Trombeta? — Perguntou Ezreal.
– Sim — respondeu Ashe começando a andar em círculos — ha um guardião em Howling Abyss, para os Observadores Gélidos, Avarosa o colocou lá para quando os Observadores voltassem, o guardião usaria a trombeta, e todos em Freljord iriam ouvi-la, mas até agora não ouvimos nada, então acho que Lissandra desistiu de faze-los retornar.
Ashe deu uma risada, nós nos entreolhamos, como Ashe dizia, quase ninguém mais acreditava nos Observadores, ela mesma, que acreditava neles, diz que eles não irão voltar nunca, esse é exatamente o momento certo para traze-los de volta, parecia que todos nós entendemos, viramos para Ashe e eu disse:
– Se estivermos lá, os Observadores voltarem, e o cara soar a trombeta, você irá fazer o que?
– Irei tentar derrota-los, como Avarosa fez — respondeu ela indiferente.
– Então estamos indo! — Exclamou Lux, estávamos indo em direção da porta quando Ashe gritou:
– Vocês não encontrarão nada lá, estive investigando cada centímetro de la, ja até adentrei na vila de Lissandra, não havia nenhuma agitação!
Continuamos a andar, ignorando ela.
Saímos da vila de Ashe e seguimos por algumas montanhas, elas eram grandes é claro, mas mesmo assim não foi difícil passar por elas, pois elas não eram íngremes.
Quando acabou a primeira cadeia de montanhas, uma floresta extensa se erguia, e bem longe, podíamos ver a segunda cadeia de montanhas, e era depois dela, que a ponte se instalava, e cada vez que avançávamos, mais frio ficava.
Quando a noite começou a cair, montamos a barraca e uma fogueira, Garen caçou alguns animais, como raposas, coelhos e mais alguns, assamos e comemos, montamos uma guarda, que iniciava por Lux, e terminava no Ezreal.
Fui deitar, mas num piscar de olhos, Garen estava me acordando para meu turno, já era de madrugada, Lux já estava dormindo e era minha vez na patrulha, coloquei uns casacos a mais e fiquei sentada numa pedra ao lado da fogueira, esperando algo acontecer.
Depois de eu quase dormir algumas vezes, algo se mexeu na floresta, peguei minha faca, e fui em direção do barulho, mas percebi que o barulho vinha de longe, um grupo de criaturas grandes, cada uma com alguma coisa nas mãos, tinham narizes enormes, trolls.
Acordei todos, apagamos o fogo, desmontamos a barraca e ficamos escondidos, não queríamos nenhum conflito até Howling Abyss, pois não saberíamos o que lá nos esperava, ficamos em meio do mato até o amanhecer, depois fizemos uma vista geral, os trolls haviam desaparecido, então continuamos a caminhar.
Quando finalmente chegamos a montanha, descobrimos que ela era íngreme, e demoramos mais do que deveríamos, acampamos no meio de duas montanhas, somente no dia seguinte chegamos ao fim da Segunda Cadeia de Montanhas.
Quando chegamos no topo da ultima montanha, vimos algumas pontes atravessando uma ravina que se abria no meio de duas montanhas, mas uma delas se destacava, estava bem gasta e algumas partes quebrada, do outro lado, um grande portão de ferro com uma fechadura de um grande olho com três tentáculos saindo dele, Vel’Koz.
Na nossa extremidade, uma aura esverdeada pairava com uma trombeta presa em suas costas, era o Glacinata que havia sido posto ali para avisar quando os Observadores Gélidos voltarão.
Mas um ponto negro estava perto do portão do Vel’Koz, estava indo em direção do grande portão.
– Estão vendo aquilo — disse Ezreal apontando para o ser indo em direção do portão.
– Sim — respondi.
– Eu não estou vendo nada — falou Luxanna.
– É um ponto pequeno e preto se movendo — dei a dica a eles.
– Achei — exclamou Garen, ele pegou a mao de Luxanna e apontou para o pontinho.
– Esta se aproximando! — Gritou Luxanna — estamos atrasados! Corram.
E foi assim que descemos a ladeira, rapidamente, uma das vezes Garen quase caiu, mas Luxanna e eu ajudamos ele.
Pulamos na extremidade sul da ponte, o Glacinata olhou para nós e disse alguma coisa, algo sobre a grandiosidade de Avarosa e os Observadores, mas não havia tempo para isso, corremos o mais rápido possível, com o ponto negro tomando forma, algumas torres estavam no meio da ponte, dificultando a visão, ela estava numa torre, ultrapassando um Inibidor, um altar de poder, quando Luxanna jogou um feixe de luz, o ponto apareceu mais perto, tomando forma, ele não parecia abalado, sem se quer algum ferimento, quando percebi quem era, meu fôlego sumiu, era Lissandra em carne e osso.
Seus olhos eram leitosos, sobrando somente a parte branca, seus cabelos negros caiam sobre seu manto azul escuro, ela nos fitou, mesmo sem olhos, e provavelmente se visão, percebi que o chão estava coberto por uma camada fina de gelo, poderia ser por isso que ela sabia onde estávamos.
Ela soltou uma gargalhada, como se aquilo não passasse de uma brincadeira, quando as suas risadas cessaram, ela disse:
– Como ousam tentar me impedir? Crianças tolas!
– Como ousa a me chamar de tola? — Retrucou Luxanna.
– Pois eu sou o que sobrou dos Observadores — respondeu Lissandra — trouxe Vel’Koz de volta, agora faltam os outros!
Ela criou uma barreira de gelo entre nós e ela, Ezreal soltou alguns feixes, Luxanna correu e bateu seu cajado no gelo, Garen tentou quebrar o gelo com sua espada, eu, como sabia que aquilo era inútil, observei Lissandra pelo gelo, ela chegou perto e tocou o portão, no mesmo instante, um brilho roxo iluminou entre a Terceira Cadeia de Montanhas, e voando, rapidamente, desceu Vel’Koz, ele olhou para nós e soltou uma risada, sem boca aparente, depois falou:
– Olhem só! Eles foram fundamentais para o experimento, agora estão tentando impedi-lo.
– Pare de falar como um robô Vel — debochou Lissandra — agora vamos fazer isso rápido, pois da ultima vez não deu certo! E não quero esperar mais duzentos mil anos!
– Ok, mas só não me traia igual sua irmã, Bruxa Gélida — retrucou Vel’Koz.
– Não sou Bruxa Gélida nesse momento! — Gritou Lissandra enfurecida.
– Você já foi menos fria Lissandra — disse a criatura de um olho só.
– Faça! — Mandou Lissandra.
Então Vel’Koz aproximou-se da fechadura, um brilho roxo ardeu dentro das grades, um barulho estrondoso tomou conta da ponte, algum estilhaço caiu no Abismo, assim como os Observadores haviam caído uma vez, Vel’Koz abraçou a fechadura e com um brilho roxo ele se uniu ao ferro, e então um click alto tomou conta de tudo, como se um buraco tivesse sido aberto, então o portão se abriu, e do brilho roxo varias figuras encapuazadas saiam do portão, todas elas tiraram seus capuzes, e com um tiro roxo, saiu da fechadura um homem, que parou ao lado de Lissandra, ele olhou para seus braços e disse:
– Como é bom voltar a vida!
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