CLE 2 - A Furia do Inverno
9 A Fuga
Notas iniciais
POV Lux
Na sua forma Observadora, Vel’Koz tinha um olho branco, como os de Lissandra e outro roxo-rosa, como o da criatura em que ele tomava forma.
Seus cabelos eram negros, diferentes dos outros, que eram brancos, em alguns casos loiros, olhos sempre azuis, prata, lilás…
Ele nos olhou com um de seus olhos, e o olho no portão parecia nos encarar também, ele abriu um sorriso, fez um gesto com a mão, e risco roxo que passou pelo gelo, ele se estilhaçou, como se fosse vidro, Lissandra também pareceu surpresa, mas deu uma risadinha irônica depois.Todos os outros Observadores olhavam ainda sem acreditar para todos os lados, é claro, tinham passado milênios no Abismo, agora, de volta a sua terra natal, devia ser a melhor coisa do mundo.
Vel’Koz murmurou alguma coisa no ouvido da Lissandra, ela assentiu, um frio percorreu minha espinha, Vel’Koz nos olhava com o canto de seu olho, peguei a mão de Ez e apertei, ele me olhou, parecia muito tenso, olhei para Garen e Katarina, eles pareciam atordoados, então veio o ruído, era como se soassem milhares de trombetas, coloquei minhas mãos sobre os ouvidos e apertei bem forte, para abafar o som, os Observadores pareciam fazer o mesmo, olhei para Ez, depois para Garen, assenti a eles, esse era o momento certo para fugir.
Garen pegou a mão e começamos a correr, os Observadores pareciam não perceber, somente se agonizavam com o som da trombeta do Glacinata que guarda a ponte, corríamos numa velocidade incrível, eu sentia como se não houvesse amanha, o Glacinata soava a trombeta com força, e quando dava uma pausa, já começava de novo, olhei pela primeira vez para traz, e percebi que alguns já procuravam por nós, Garen acenou para nos escondermos atras de uma das torres, haviam duas, guardando um Nexus, fontes de poder inimagináveis, deviam ter sido formadas após a Queda dos Observadores, pois grande poder foi usado naquele dia.
Ficamos ali um tempo, e a trombeta parou, o fantasma pareceu ser engolido por algum tipo de costelas, devia ser a cama dele, mas arrisquei uma olhada, os Observadores estavam inquietos, alguns nos procurando, alguns simplesmente testando seus poderes, alguns eram incríveis, mas a maioria era efeito sobre o gelo.
Fiz sinal para os três, não podíamos ficar ali para sempre, tínhamos de escalar a montanha e dar o fora dali, Katarina me olhou como se fosse louca, mas Ez pareceu entender, saímos de la e corremos para a montanha, começamos a subi-la com cuidado, mas de repente, algo fez ela estremecer, o chão ficou liso, e nós quatro escorregamos, não estávamos numa distancia muito grande do chão, mas quase saímos do alcance da ponte, caímos em sua beirada, logo minha perna começou a latejar, Katarina parecia desacordada, Garen se arrastava na direção dela e Ez parecia estar tendo outro ataque, ele já parecia bem, como poderia estar sobre efeito de Nocturne ainda?
Fui em sua direção mancando, ignorando os Observadores que vinham em nossa direção, uma lagrima caiu em sua testa, assim que percebi que estava chorando, íamos morrer, ali, nas mãos de Observadores, e com Ez tendo mais um acesso.
A única coisa que pensei foi abraça-lo, alguns pensam que namoramos, mas de fato, nunca nem se quer nos beijamos, mas mesmo assim, essa sempre foi minha vontade, sempre quis te-lo só para mim, mas agora, nos últimos segundos de nossas vidas, ele estava incapacitado de fazer algo, estava aos gritos, entrelaçado aos meus braços, vislumbrei Katarina beijando Garen, e os dois deram as mãos, e ficaram esperando.
Mas percebi que os Observadores pararam de avançar em nossa direção, agora estavam agrupados fazendo alguma coisa, sem pensar, tentei levantar e carregar Ez, mas minha perna estourou em dor e cai novamente, mas então, uma ave surgiu de baixo da ponte, ela era azul-gelo, parecendo ser feita de gelo, ela fez sinal para eu subir nela, sem hesitar olhei para Garen e Katarina, eles assentiram e começaram a subir a montanha, com Garen ajudando Katarina, pois ela ainda estava um pouco atordoada.
Subi com Ez na ave, ela começou a subir a montanha rapidamente, com uma força extraordinária, ela pousou no alto da montanha e ouvi uma voz de uma mulher dizendo:
– Sou Anivia, a Criofenix.
Fiquei parada olhando para todos os lados, desci da ave e ela me olhou e a voz veio de novo:
– Sou a ave, Luxanna.
– O que? — falei.
– Sim, sou Anivia — respondeu a ave.
– Aquela das historias? — Perguntei.
– A maioria das historias são verdadeiras — falou Anivia — se não, não seriam historias.
– Precisamos sair daqui! — Gritei em meio desespero, olhei para Ez, ele estava no chão, murmurando algumas palavras — e rápido.
– Sigam para o sul e encontrem Sejuani, ela poderá ser útil nessa guerra — recomendou a ave, guerra? Mas que guerra?
– Guerra?
– Sim Luxanna — respondeu a criofênix — os Observadores Gélidos estão de volta, e querem seu território de volta, isso significa guerra, e uma guerra bem sangrenta.
– Ok — respondi — estamos indo.
Peguei Ez e tentei me levantar, mas como não sou esperta, esqueci de minha adorável perna, cai novamente de cara com a neve que cobria a montanha, estava tão cansada que até meu cajado parecia um saco cheio de aço.
– Terá de pedir ajuda à Garen, Luxanna — afirmou Anivia.
– Por Demacia — murmurei com metade da cara enterrada na neve.
Garen e Katarina chegaram ao topo e Anivia levantou voo, Garen correu e me levantou, mas quando me soltou, cai novamente como uma boneca de pano, ele foi verificar minha perna, ele arregalou os olhos e me lançou um sorriso, a coisa estava feia.
– Como está minha perna? — Perguntei.
– Linda — respondeu ele. — Só esta um pouco roxa e inchada, parecendo uma beringela, uma das grandes, mas de resto esta linda.
– Isso não tem graça — falou Katarina, com as mãos nos joelhos devido ao cansaço.
– Como iremos sair daqui? — Reclamei, olhando para Garen, ele não poderia carregar eu e Ez, e ainda ajudar Katarina, impossível.
Ez parou de murmurar e abriu os olhos, ele tentou se levantar mas acabou ajoelhado, olhando para mim, seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se tivesse chorado alguns dias seguidos, me arrastei até ele e o abracei, Garen me levantou e apoiou meu braço em seu ombro, começamos a marchar em direção a Primeira Cadeia de Montanhas, mas hesitei e falei para eles o que Anivia havia falado, sobre falar com uma Sejuani, mas Garen se queixou e disse que devíamos achar um lugar para ficar.
Do topo da montanha, avistamos uma pequena cidade, uma vila, com casas de madeira, alguns pontinhos pretos se mexendo, fomos até a floresta e começamos a andar na direção da vila.
Chegamos lá ao anoitecer, falamos com um morador e ele nos indicou um hotel, na verdade, era uma casa com muitos quartos, chegamos lá e o homem pediu dinheiro, não tínhamos é claro, então Garen e Katarina foram caçar algo, e voltaram com um alce, o homem ficou feliz e nos cedeu o melhor quarto, pegamos a chave e começamos a andar pelo corredor.
Haviam vários quartos, alguns deles abertos, o nosso era o ultimo, sempre as pessoas dos quartos nos olhando, quando de repente ouvi uma voz familiar, pedi para Garen, Katarina e Ez parassem e escutassem, a voz ficou mais clara, e conversava com uma outra voz masculina.
Chegamos ao quarto da voz e bati na porta, as vozes pararam e uma mulher abriu a porta, seus cabelos negros agora estavam soltos, ela não usava mais seus óculos, usava vestimentas de seda branca, mas seu olhar era inconfundível.
– Vayne?
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