CINZAS E BRUMAS
27 HOMENS E FERAS
De volta ao grupo de John, ele, Sike e Vivian chegam à entrada de Zival. John sente olhares o observando, semelhantes aos que sentiu em Nádej quando apareceu na vila. Vivian para e anuncia:
— Aqui está! Zival. Agora, vamos levar você para ver esses ferimentos, grandão!
Antes que possam continuar, um grito de comando corta o ar:
— Parem! Quem são esses dois?!
O grupo olha adiante e vê um Homem-Fera grande e imponente. Ele possui características de leão e músculos volumosos. Vivian responde prontamente:
— Pai! Calma aí! Esse é o Foguinho, lembra? O que passou por aqui com aquele elfo!
O Homem-Fera observa o garoto por um instante.
— Sim... me lembro. O mago Foguinho!
Sike segura ao máximo a vontade de explodir o local. O homem continua, analisando John:
— Dele, já conheço as habilidades e as respeito. Mas e quanto a esse trapo ao lado dele?! Além de estar ferido, suas vestes são uma vergonha! Aparentemente esse aí apanha muito! Hahahahaha!
John, sem demonstrar se importar com as provocações, apenas olha para o Homem-Fera e diz, sorrindo:
— Hahaha, realmente minhas roupas estão horríveis. Acho que um casaco de pele de leão iria cair bem agora, haha.
A zombação da fera para no mesmo instante. O clima pesa. Em um tom ameaçador, ele questiona:
— Será que você tem noção do que diz, humano?
John retruca sem hesitar:
— Você quer vir descobrir, leão?
Os dois se olham fixamente por vários segundos. Todos ao redor seguram a respiração, apreensivos. Até que o Homem-Fera quebra o silêncio com uma gargalhada:
— Hahahaha! Gostei de você, humano! Não é todo dia que se vê uma ousadia dessas! Meu nome é Rokar! Sou líder de Zival e pai da garota que os guiou até aqui! Qual o seu nome, humano?
— Meu nome é John Dickson, Rokar, líder de Zival! — responde John.
Com um sorriso largo, Rokar anuncia:
— Muito bem, John Dickson! Vou permitir que receba tratamento em nossa vila, mas com uma condição! Fique alguns dias e, após se recuperar completamente, quero que me enfrente em um combate!
John, com um olhar que raramente parece tão animado, aceita:
— Ora, se essa é a condição, acho que não tenho muita escolha.
Os dois se olham sorrindo; parece que se entendem perfeitamente. De repente, Vivian surge por trás de Rokar e o aplica um estrangulamento, gritando nervosa:
— Então é assim que você trata as pessoas que eu trago aqui, é?!
Rokar, desesperado e ficando sem ar, dá três tapinhas no braço de Vivian, rendendo-se ao golpe da filha. Após ser solto, ele se vira para ela, irritado:
— Que isso, Vivian! Quer matar seu velho?! Não posso nem me divertir um pouco, caramba!
Após o "atentado", Vivian convida John e Sike para se hospedarem em sua casa. Os dois aceitam, agora com um pouco de medo da garota após verem aquela "cena amorosa" de família.
Ao anoitecer, John já recebeu os tratamentos e os pontos necessários em seu ferimento. Ele e Sike descansam no mesmo quarto.
— Cara, tem certeza que é uma boa ideia aceitar o duelo com o Rokar? — pergunta Sike.
— Como você viu, eu não tive escolha — retruca John.
Sike fala de forma sarcástica:
— Claro, com aquele sorriso, realmente você não tinha escolha alguma.
Ele muda para um tom mais sério e continua:
-John, sei que você é forte. Mas o Rokar é um monstro. Quando vim pela primeira vez, também tive que enfrentá-lo para provar meu valor. Eu não consegui nem derrubá-lo, mesmo usando tudo o que tenho. A velocidade dele é de outro nível, além da força monstruosa. Se ele quisesse me matar, faria isso facilmente. Eu vi o que você fez com os assassinos na floresta e como finalizou o Tamuth mesmo ferido... mas acho que nem isso será o suficiente.
Ambos ficam em silêncio por um momento, até que John responde:
— Sike, você sabe que eu não sou normal. Na verdade, eu nem sei o que eu sou. Às vezes sinto que posso varrer todos os meus inimigos facilmente. Outras vezes, sinto que não posso sequer salvar uma única pessoa com quem me importo. Mas uma coisa eu sei desde pequeno: eu sei lutar, Sike. É o que eu sempre fiz.
Sike se surpreende com a confiança de John. É a voz de quem viveu luta após luta, seja para sobreviver nas vielas de Rôga ou para derrotar grandes inimigos. John nunca parou de lutar.
— Ah, e eu só preciso de um bom descanso e um pouco de comida — conclui John. — Daqui a alguns dias, vou varrer a cara daquele leão no chão.
Os dois apagam as velas e vão dormir. Faltam três dias para o duelo.
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