CINZAS E BRUMAS
28 ESTRANHA E PRISIONEIRA
Entre as sombras das árvores, um grupo de guardas de Vilini carrega uma Draco: Mirabel. Ela acorda zonza e confusa, mas, ao perceber que está sendo levada por elfos, rapidamente recobra os sentidos e questiona:
— Onde eu estou?! Quem são vocês?!
Um dos guardas responde secamente:
— Permaneça em silêncio, Draco. Vejo que não é uma guerreira ou soldado, mas ainda é uma inimiga de nossa nação. Você será interrogada.
Mirabel apenas murcha, dizendo em voz baixa para si mesma:
— Ah... que engraçado. Parece que não importa onde eu esteja, sempre sou a prisioneira, não é?
Após algum tempo de marcha, a patrulha chega a Zelena, uma cidade élfica que serve atualmente como posto avançado. Com construções belas e integradas à natureza, a cidade, que antes abrigava apenas civis, agora ecoa o passo dos militares em guerra. Os soldados aproximam-se de uma tenda de comando, onde encontram um elfo de cabelos castanhos e olhar penetrante. O guarda ajoelha-se:
— Meu senhor, encontramos esta Draco perto da fronteira. Ela não apresentou resistência, mas ainda pode ser uma espiã.
O elfo, claramente um superior com seu uniforme distinto, responde com autoridade:
— Deixem-na aqui e deem-nos licença. Eu mesmo vou confirmar essa suspeita.
— Como quiser, meu lorde! — diz o soldado, retirando-se.
O Encontro de Duas Nobrezas
Os guardas deixam a prisioneira no chão. O ar na tenda torna-se pesado. Mirabel não possui brilho nos olhos; parece não ter vontade própria, carregando apenas uma tristeza e amargura sem fim. O elfo a observa fixamente antes de perguntar:
— Qual o seu nome?
Ela mantém-se em silêncio, alimentando a esperança de que ele apenas decrete sua morte. Ele percebe o estado dela e continua:
— Aparentemente, você não come nada há algum tempo, não é? Tome, eu ainda não tive tempo para comer.
Ele oferece um prato de comida que estava sobre sua mesa. Mirabel olha para o alimento e sente sua fome despertar, mas, sem hesitar, responde:
— Por favor... apenas me mate.
O elfo se surpreende com o pedido. Após um breve silêncio, ele faz uma pergunta inesperada:
— Diga-me, você gosta da guerra?
Confusa, ela o encara. Ele continua:
— Eu, particularmente, a detesto. Vejo mortes diariamente; famílias enterrando pais e filhos, mães chorando, crianças ficando órfãs. E tudo isso por divergências culturais e desejo por terras. Você também não sente que isso não deveria acontecer?
A princesa fica reflexiva, perplexa ao ouvir tais pensamentos vindo de um "inimigo". Ele insiste:
— Diga-me, qual é o seu nome?
Desta vez, a Draco cede:
— Meu nome... é Mirabel.
O elfo sorri suavemente e se apresenta:
— Muito bem, Mirabel. Meu nome é Lórien. Sou General de Guerra de Kidma e também Príncipe de Vilini.
Ambos os membros da realeza se encaram com uma compreensão pacífica. Em meio ao caos da guerra, algo poderoso e inesperado começa a se formar.
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