Em algum lugar do mundo, um futuro desejado!

Dica: ouça Bon Iver – Holocene


Estava chovendo quando o sono me pegou em uma noite qualquer, de repente me assusto e acordo em uma casa toda de madeira, com janelas de vidro fumê, a cama era macia, os cobertores eram quentes, todos os detalhes da casa eram feitos de materiais naturais, saí da cama e fiquei frente uma janela próximo a onde estava deitado, e avistei uma paisagem única, havia uma floresta imensa em meio ao crepúsculo do dia, um lago extenso que me levava de encontro as montanhas com seu pico coberto de neve, e queria logo seguir para conhecer aquele lugar, cheguei na sala e vi o quão simples era, cheirava a manhã, por algum motivo a manhã ali tinha cheiro e vida, era longe de toda urbanização, não havia carros, motos, pessoas, simplesmente nada o que compõem hoje na sua sociedade, era natureza pura. Estava tão abismado com aquilo que nem percebi que estava nu, então peguei meu roupão e sai para visualizar de fora, ao abrir a porta (suspirei)... meus olhos fecharam ao sentir aquele ar adentrando em meus pulmões, tão suave, frio e natural, então deixei aquele sentimento me levar, ao me deparar apenas com uma casa de madeira coberta de vegetação, em toda parte, só conseguia ver as janelas e as portas, e a simples chaminé que havia ali. Então percebera eu que estava sozinho, junto aos animais e a vegetação, assim pensava até...
— Oi! Oi! Tudo bom!

Um homem de pele branca, alto, olhos castanhos bem claros, loiro, roupas de frio, segurava varas de pescar, e um balde. Acredito eu que morava por ali perto, quando aparece um outro moço, bem mais baixo que ele, cabelos pretos, pele branca e com roupas parecidas, e toca no ombro dele e diz.

— Cara, vamos logo pescar! com quem você est... uau!!! de quem é essa casa?...

Respondo eu:

— Oi! Tudo bem, o que estão fazendo? Quem são vocês?

Então percebi que não tinha sido apenas eu que descobrira a minha própria casa, parece engraçado, mas eu sabia que pertencia aquele lugar, mas nunca o tinha visto antes. Se aproximam e percebo que o “homem loiro” olha fixamente em meus olhos, e parece que não estava encantado com o lugar, mas com quem estava no lugar, e logo pesei que devia ser coisa da minha cabeça. Então ele fala:

— O..o..o...oi (gaguejando) ! tudo bem? Quer dizer, bom dia? Tudo bem? Qual seu nome?

Eu rindo em pensamentos:

— Que destrambelhado! Hahahaha!!

E respondo: — Bom dia rapazes, me chamo... (você define leitor), o que fazem?

O outro responde: — Pescando, deseja ir conosco?

Eu: — Nossa nem me conhecem e me chamam para pescar, desculpe-me mas deixa para próxima, pode ser?

Retrucam: — Sim, claro!

O “homem loiro” apenas observando tudo aquilo, distraído e ainda olhando para mim, se assusta ao sentir seu amigo lhe cutucar, pedindo para irem. Então antes de ir ele fala:

— Ei! Hoje tem o festival na Aldeia fica a 2 km daqui, vamos? vai ser bom, eu prometo que venho te deixar na volta!

Sem entender nada, apenas digo que vou pensar e que qualquer coisa apareceria, e ele apenas balança a cabeça confirmando um ok! Em seguida tiro o dia para conhecer a floresta e as montanhas, os lagos e o principal que me interessara conhecer a Aldeia e fui a caminho. Por trás das moitas avisto a famosa Aldeia, era como coisa de filme medieval, tinha uma amplo centro como se fosse uma rua, e tinha casas em fileiras dos dois lados esquerdo e direito, estavam organizando a festa, tinha tudo preparado com uma enorme fogueira que seria ateada a noite, eles viviam em comunidade, trabalhavam juntos em prol de todos, estava adorando admirar aquele espaço, mas tinha que retornar a minha casa. Voltando, pensava eu, eu sou daqui? me encontrei? consegui escapar do capitalismo? da ignorância? eu posso me identificar? E enfim uma certeza, eu não queria mais sair daquele mundo!

Ao cair da noite, me visto e sigo rumo ao vilarejo, ao chegar ouço músicas sendo tocadas por gaitas de fole, pandeiros, violão, os instrumentais eram lindos. Parei em uma barraca e pedi algo para beber, melhor dizendo uma cerveja, nossa era deliciosa, então ali me assentei e comecei a apreciar aquele espetáculo. Vejo alguém se aproximar na minha visão bilateral, e toca no meu ombro, então:

— Boa noite! Sabia que viria.

Era ele, o qual não sabia o nome e nem me interessara a saber, o “homem loiro”, não sei a razão do homem loiro, me sinto até preconceituoso(a) quando penso isso, mas não era uma imagem criada por mim, sabia disso, pois cor, era o que menos me importava, então disse:

— Ah oi! Boa noite! Não tinha como não vir com um fogo desse tamanho, e essas músicas maravilhosas.

Ele: — Tenho que concordar, aliás quer sentar e beber algo comigo?

Eu: — Pode ser!

Em minha mente ficava me perguntando o que este homem queria, não sabia mas dentro de mim dizia que era confiável, então aceitei e fui. Passamos quase que a noite toda conversando sobre “coisas para a vida”, sempre me vem à cabeça é falar dos planos para o futuro. Percebo o horário e aviso-o que tenho que ir e ele lembra: — Ei! Eu prometi que ia deixar você, lembra? Eu: — Sim, mas não precisa, a natureza está em mim, e eu nela, acho que nos protegemos.

Ele: — eu sou um homem de palavra! E eu vou mesmo não querendo (com um sorriso torto).

Então apenas aceito e seguimos. Ao chegar percebo que está um pouco tarde e frio, então o ofereço um chá e uma dormida explicando o motivo. Ele diz que não quer incomodar, mas insisto até aceitar. Então conversamos frente a lareira sentados no chão, e de repente ele se aproxima de mim, e toca com suas mão frias e fortes, uma em meu rosto, e outra em minha cintura, e me deixei levar e apenas vejo minhas mãos escorrerem por suas costas largas e quentes, e começamos a nos beijar, era tão surreal, eram pegadas quentes, beijos doces e tinha amor e verdade, entretanto tinha um problema... sentia que aquele momento era o firmamento de algo que viria acontecer não em curto prazo, mas sim em longo, pois sentia que no dia seguinte teria que partir. Então acordamos despidos nos lenções que pareciam plumas, ele levanta-se, veste –se, e me beija e diz que vai aparecer logo para pescarmos juntos, e apenas confirmo, dizendo para que venha ainda hoje. Horas depois ele aparece e apenas pega em minha mão e vamos em direção a canoa.

Ao longo da chegada até a canoa, vejo que está com feições de tristeza, e não entendo o motivo, depois de uma noite tão única. No barco percebo que fica calado e de cabeça baixa. Então indago-o: — Ei, me diz o que você tem? eu fiz alguma coisa errada? Por que está assim?

Levantando a cabeça em lágrimas ele diz:

— Eu estou assim porque você se vai, temos pouco tempo, ainda não é você aqui, é somente sua forma, nem sequer eu falo sua língua, você só veio preencher o vazio e confirmar que meu laço de amor está distante, e que eu posso nunca encontrá-lo, essa pode ser a primeira e última vez! Nosso tempo é tão pouco que eu só posso dizer, te am...!

E assim ele me empurra do barco, em profundezas percebo que ainda não era para sempre, não era hora, talvez eu não realize agora, mas carregarei até o fim, aquilo foi e sempre será a coisa mais verdadeira que me aconteceu, e eu não descarto a ideia de que tudo possa ser possível, eu tinha acabado de quebrar uma barreira, atravessar a corrente do tempo, ou seja, estava do outro lado, eu estava vivo e alguém estava vivendo a minha espera e eu estava no mesmo estado. Mas eu sei que retornarei.