C.A.S.U. [Em Revisão]

6 Primeira voz: Um bom pássaro ao ninho retorna


Notas iniciais
Oi, meu povo!!!! Fui rápida dessa vez.^^ Primeiro os agradecimentos: a Amy Lee por favoritar, a Nanahoshi por colocar nos acompanhamentos e a todos que colocaram nos acompanhamentos de modo privado e aos que comentaram. Minha gente esse capítulo é curto. Desculpas a quem não curte, mas quando cheguei ao último parágrafo senti que não cabia mais nada, por isso decidi encerrar com o que tinha em vez de "encher linguiça". Espero que entendam. Mesmo sendo curto, é um capítulo muito bom! Então quem está preparado para ver o retorno do pássaro? Música: Disturbed - Stricken (https://www.youtube.com/watch?v=Jjdh5wFdbcE)

“Você vem sozinha, deixando a todos nós o sabor do momento.

Você vem como um furacão manchado de sangue

Deixe-me sozinho, deixe-me desta vez.

Você continua como um homem santo que empurra redenção

Eu não quero mencionar, a razão que eu sei...”

Os rumores vieram como um vendaval. Repletos de detalhes diferentes sobre o mesmo assunto ao qual me mantinha indiferente. Há três dias, a primeira faísca sobre o fato chegou aos meus ouvidos e até agora novos pontos surgiam para complementar a informação que se tornara ultrapassada. Kaoru fora capturada pelo Time Dez, algo que não fazia o menor sentido e passava longe da verdade, na fronteira com o País da Grama sendo conduzida a Konoha pelo trio. A prisão foi imediata a sua chegada e o interrogatório se arrastou por um tempo estranhamente longo para obter declarações que Inoichi facilmente arrancaria.

Igualmente estranho era pensar nela como uma nukenin. Oferecendo, ou não, perigo à aldeia, Kaoru ainda era uma desertora e a inclusão de seu nome no livro dos procurados justa, assim como sua permanência em uma cela. No entanto, em vez de ganhar uma nova moradia, apenas recebeu um rastreador como adereço e a vigilância de ninjas designados por Minato, atitude que fomentou boatos sobre a diminuição da penalidade devido à relação entre sua família e a Uzumaki, porém a decisão foi mantida dando a ela uma liberdade não merecida.

Independente do veredito, a história estava impregnada de pontos mal explicados.

Kaoru não era uma estúpida. Viajara praticamente todo o mundo quando criança e sabia sobreviver em qualquer lugar, além disso, possuía Haiiro. O lobo cinzento que carregava um mapa mental de todos os países era seu guardião desde o nascimento e apesar do relacionamento complicado que vivia com sua protegida, não poupava esforços para cuidar dela. Juntando a e b, eu poderia apostar que ela não estava viajando sozinha e que Haiiro não permitiria sua captura. Ainda mais incomum era Minato suavizar a pena. Obviamente não havia necessidade de mantê-la cativa, pois Kaoru jamais foi uma ameaça e permanecia dessa forma, porém isso não justificava deixar de aplicar a medida cabível à violação cometida.

O motivo permanecia tão incerto quanto o clima que se equilibrava entre o céu desejoso de continuar estrelado e o vento que insistia soprar as nuvens para cobri-lo. Não pude impedir o pensamento de que ela apareceria diante de mim e uma inexplicável sensação se acomodou em meus ombros como se repousasse a cabeça sobre eles. Apaguei a luz e observei através da janela a movimentação na rua, seu vazio se preenchia em alguns instantes de passos calmos. Era sempre assim quando anoitecia no distrito Uchiha, o silêncio se tornava gradativo a cada hora rumo à madrugada até alcançar praticamente a totalidade. Parecia um consenso entre os moradores de que a noite servia para o descanso e a agitação ficava reservada ao dia.

Eu apreciava esta característica. Por noites, a tranquilidade daquele cenário limpo dispersou sentimentos que me inquietavam, varreu pensamentos e soprou dúvidas para longe de minha mente, entretanto especialmente naquela, o poder da pacata paisagem havia esmaecido diante de mim.

Acordei com a mente presa nas cenas de meu sonho. Um pedido de perdão dotado de mais sinceridade do que eu poderia ver em minha vida, uma lágrima pesada e um único toque.

A água deixava a torneira indo direto para o orifício no centro da pia. Eu fitava o fluxo sem realmente prestar atenção, apenas paralisado, enquanto os minutos corriam e escorriam junto ao líquido incolor. Podia sentir o rastro deixado por aquele contato fictício, o calor mantinha-se em minha pele como se mal tivesse deixado-a lançando a incerteza quanto à convicção de que foi uma utopia. A escova de dentes permanecia em minha mão exibindo o dentifrício branco imaculado. Voltei meu olhar a ele despertando do transe e pondo-me a fazer o que deveria, dois movimentos depois me dei conta que utilizava a mão esquerda.

Nunca gostei de sonhos. Não possuía lembranças de imagens agradáveis provenientes das ilusões que meu cérebro criava, por isso preferia quando passava a madrugada num sono profundo e escuro.

O desagrado foi notado por minha mãe assim que me viu.

— O que houve?

— Pesadelo.

— Desde quando você dá atenção a essas bobagens?

— Não dou. Só me senti incomodado.

— Se estiver com medo de dormir sozinho, cedo um pedaço do chão do meu quarto para você. — Sasuke fez questão de participar da conversa.

— É mais fácil você pedir para dormir com Itachi — rebateu meu pai fazendo-o desistir da implicância.

O desjejum seguiu o ritmo dos últimos dias. O clima em nossa casa rumava a harmonia apesar de eu evitar o diálogo com meu pai desde o noivado com Aya. Em contrapartida, ele agia normalmente. Nada lhe perturbava, menos ainda o olhar que eu lançava vez ou outra procurando vestígios de uma nova ideia brilhante que pudesse ter para acrescentar a minha vida nem o retorno de seu eterno objeto de antipatia. Em relação a este, nenhuma sílaba foi pronunciada me fazendo concluir que ele possuía certeza da efetividade de seu plano matrimonial ou que eu jamais reataria com Kaoru. O silêncio me deixava aliviado, porém a ausência de opinião quanto a minha vida e atitudes alimentava a desconfiança de que deveria me preparar para o que viria.

— Itachi! — Sasuke chamou alto. — Não ouviu uma palavra do que eu disse, não é?

— Se ouvi não prestei atenção.

Minha reposta foi além de lhe provocar um bufar irritado, ela atraiu dois pares de olhos que se fixaram em mim revelando desconfiança e complacência.

A insatisfação com o ócio se apresentou naquele dia corroendo o sossego que havia adquirido. Fazia um tempo considerável desde a última missão e a vontade de algo a mais que contemplar a natureza crescia se transformando em inquietação.

Assim que dei o primeiro passo para fora de casa, senti que não estava sozinho. Quis ignorar a sensação e caminhar normalmente, entretanto foi inútil. Inconscientemente eu esperava o desenrolar da teia do futuro.

— Ita... — murmurou como se o passado jamais tivesse se perdido na história.

Por um momento, ele congelou abraçado ao presente.

Eu me vi naquele Itachi de doze anos diante da garota de longos cabelos vermelhos, que insistia em ser minha companhia e não se preocupava caso a tarde se transformasse em noite enquanto sonhava, descobrindo que chamar seu nome era ineficaz para despertá-la, perdendo um quarto de hora somente naquilo até finalmente pensar em lhe sacudir o ombro. Fazendo menção de tocá-la e percebendo a mão parar a dois dedos de seu braço e permanecer no ar como se estivesse petrificada para depois de mais algumas voltas do ponteiro no relógio, vê-la bocejar e me encarar confusa ao mesmo tempo em que esfregava o olho.

“Você não sabe o que seu poder fez a mim

Eu não posso continuar, com um holocausto prestes a acontecer

Você nunca saberá como sua face me assombrou.”

Poucos metros me separavam da protagonista de minha recordação e eu a fitei notando como os traços guardados permaneciam fiéis a sua imagem. Eram os mesmo olhos que me prendiam, o mel de flores de café que refletia a luz do sol se tornando similar a camomila, carregados de expectativa e inúmeras emoções que se misturavam dificultando sua distinção. A pele branca imaculada que permitia aos lábios rubros se exibirem sem pudor, tão vermelhos que eu poderia jurar terem sofrido o castigo de seus dentes ansiosos. O espelho de um pretérito no qual meu coração descompassava pelas nuances daquela que recordava um prisma resplandecendo em infinitas cores. A mesma que se retirou deixando em seu lugar uma lacuna monocromática que eu havia superado.

Um sopro se apresentou carregando o cheiro inconfundível que penetrou minhas narinas alcançando o cérebro, arrancando as camadas de memórias até roçar o sedimento e perfurá-lo espalhando os fragmentos por meus pensamentos. Eles flutuaram sem direção, prontos para se agarrar ao que primeiro encontrassem e enquanto eu me preocupava em impedi-los de contaminar meus sentimentos, as engrenagens do tempo voltaram a girar trazendo o calor do corpo dela.

— Desculpe... — Enfiou o rosto no meu peito. Apertou-me com a força da ansiedade esmorecendo a cada frase que soltava. — Eu não queria demorar tanto! Eu tive receio de voltar, aí os dias foram passando e passando...

Não tive reação. A realidade se apresentava como uma mentira coberta de ilusão e a visão que eu tinha misturava os conceitos em minha mente. Nada fazia parte do que esperava. O Itachi que ansiava por explicações e pedido de desculpas se desintegrou junto ao desejo e a disposição de esperar por elas.

— Eu senti tanta saudade... — murmurou.

Minha garganta queimou e eu pude sentir o fogo se alastrando pelo resto do corpo. Aquele escárnio ultrapassara o limite da paciência e com o fim dela, a raiva crescia rapidamente. Inspirei me concentrando em buscar um resquício de serenidade, segurei seus braços e a tirei de mim como a crosta de uma ferida. Imediatamente a surpresa lhe tomou e as palavras evaporaram de sua boca.

— Guarde as justificativas e demonstrações de afeto. Nada há entre nós.

— Está certo... — concordou fracamente. — Eu fui covarde por não ter me despedido pessoalmente. Você merecia ouvir de mim em vez de saber por um pedaço de papel.

— Não sei do que está falando.

O espanto se espalhou por seu rosto mais intensamente que da primeira vez. A boca articulou uma pergunta que permaneceu na intenção dando lugar a um sorriso amargo acompanhado de um vocábulo sussurrado.

— Entendi...

O ímpeto para dar explicações se desintegrou totalmente, e ela pareceu entender que nenhuma seria aceita não voltando a me encarar até ouvir a pergunta.

— Acabou?

Kaoru piscou algumas vezes como se precisasse disso para assimilar o questionamento, voltou a baixar os olhos e devolveu um sim quase inaudível. Não esperei o epílogo de nossa conversa e parti sem despedidas. Caminhei com a certeza de seu olhar grudado em minha nuca e cruzei os limites do distrito esperando que aquele fosse nosso último encontro.

Decidido a ignorar a cascata de reflexões que fluía contra minha vontade, empenhei-me em cultivar paciência para o encontro com Aya. Ela havia me intimado para almoçar no dia anterior alegando que o assunto era de meu interesse.

Cheguei ao local marcado com quinze minutos de antecedência. A sobriedade dele remetia ao perfil de Aya. Mesas de mogno contrastavam com o assoalho de cedro que reluzia refletindo os passos dos poucos clientes, persianas cobriam metade das duas janelas existentes traçando um limite para o feixe de luz tocar a madeira e um tímido corredor a meia sombra conduzia ao reservado destinado ao nosso encontro. O espaço continha uma mesa, duas almofadas e um singelo lustre responsável por quebrar a penumbra. Uma porta de correr o separava do restante do recinto e lhe conferia a privacidade necessária àquela conversa.

Aya não demorou. Entrou lançando um olhar que nada dizia e sentou calmamente antes de iniciar.

— Vê-lo aqui mais cedo que o previsto é um bom sinal — disse com um fio de ironia.

— O que pretende?

— Livrar-me do enlace — exprimiu com frieza. — Um homem sem ambições e subserviente que cospe no próprio orgulho em prol dos outros, que se curva continuamente pregando os ideais de uma paz utópica,... esse é você. Pateticamente submisso e insuficiente para mim. Preciso expor mais motivos? — Silenciou-se por um sopro de tempo e finalizou: — Tendo em vista que não, considere este o fim de nosso noivado.

O ponto final incluiu comunicar o fato ao meu pai.

Aya o deixou mudo quando terminou de relatar a razão, de modo mais suave que o proferido a mim, e pediu, com um tom de voz que parecia impossível de ser concebido por ela, compreensão quanto à decisão.

Ao contrário do que pensei, ele não exibiu raiva. Sua expressão era um misto de descrença e meditação, mas nada que remetesse ao desapontamento, parecia mergulhado em algo que não estava naquela sala. Dispensou a mínima atenção quando sua antiga aluna foi embora, encarou-me mantendo o silêncio tão enigmático quanto pesado e o estilhaçou subitamente:

— Você ouviu, está livre.

— Sim, graças à sensatez de Aya.

— Porque você não foi capaz de lutar por seu interesse preferindo evitar o confronto e engolindo o que determinei. Como em todas as vezes, calou-se diante de mim.

O rumo da conversa se tornava confuso, e sua voz carregada de um tom indistinguível.

— Desde pequeno você finge me obedecer e ouvir. Não contesta mesmo contrariado, incapaz de ser sincero com seu próprio pai. Creio que me veja como um estranho, alguém que apenas deseja obter algo através de você, talvez até me julgue opressor e provavelmente eu seja, pois este foi o lugar que destinou a mim.

— Desde o começo, eu lhe disse...

— Uma vez. A única em que o senti totalmente sincero comigo foi na noite em que estava bêbado.

— Então deve se lembrar do que ganhei em troca.

Ele se calou e nós permanecemos assim observando a expressão um do outro.

— O noivado com Aya foi um teste — afirmei.

— Uma forma de adquirir confiança, entretanto o fim dele mostrou o que temia, sua passividade não diminuiu com o tempo. Ninguém o respeitará se continuar aceitando imposições pacificamente.

Tive vontade de dizer o quanto suas atitudes eram absurdas e detestáveis e o quão forte era minha vontade de me afastar dele em momentos como aquele.

— As pessoas esperam muito de um líder, mas o principal é que possam confiar nele. Não é possível acreditar em mentirosos e da mesma forma não é possível crer naqueles que escondem seus verdadeiros sentimentos — articulou serenamente.

Mergulhei num oceano de reflexões. Suas ondas iam e voltavam revolvendo o cascalho, puxando-o para si e devolvendo-o em maior quantidade. Palavras zumbiam em meu ouvido soprando promessas antigas e novas desculpas. Cenas surgiam sendo esmiuçadas em frangalhos de dúvidas e perguntas.

As impressões estalavam em conclusões que formavam fileiras puxando outras e se transformando num emaranhado de hipotéticas verdades incapazes de satisfazer minha procura. Frases, imagens e sensações se misturavam e convertiam em inúmeras possibilidades que só poderiam ser confirmadas ou refutadas pela pessoa que evitava buscar.

De nada me serviriam. Estilhaços não produziam novos vidros.

“Eu não quero mencionar, a razão que eu sei

Que eu estou ferido e não posso deixar você ir

Que eu estou incapacitado por tudo que você fez

Sim, eu estou ferido e não posso deixar você ir.”

Notas finais
E aí??? Eu gostei do reencontro sofrido e do Ita dar um chega para lá na Kaoru, achei que a Aya divou horrores dando o "fora" no Ita e a conversa dele com o Fu, algo tenso e com umas coisas nas entrelinhas. Falem comigo!!! Fantasmas também! Caramba gente, eu sou legal! Pode perguntar para quem comentou e pode ler minhas respostas que terão certeza disso. ^^ Bjs e até o próximo!