C.A.S.U. [Em Revisão]

13 Segunda voz: Mergulho no passado - Parte V


Notas iniciais
Yo! Cá estou com o bendito capítulo! Como o título sugere, narrado pela Ka. Confesso que estou bem desanimada com a fic e a ideia de desistir passeia pelos meus pensamentos. :( Agradecimentos: — a CupcakeChoco, Ashamy e Elabeth Wert por terem favoritado; — a Thais Fernandes e Sayuri pelos comentários — pelos acompanhamentos ocultos. Música: Day and Night - Gummy (https://www.youtube.com/watch?v=vykOje8QvZ8)

5º Ato – Quando o amor parece inalcançável

“Onde você está? O que você está fazendo?

Pensamentos sobre você têm mudado meus dias e noites.

Eu fico tonta, minha cabeça gira

Sempre que vejo você, mesmo por um momento.”

Meus músculos não me obedeciam, ou talvez fosse meu cérebro que se tornara incapaz de comandá-los, apesar disso, sentia-me trêmula como finos galhos sacudidos pelo vento. Meu coração ditava suas batidas num ritmo frenético e doentio, fazendo parecer que me levaria a uma síncope.

Era certo de que aconteceria, mais óbvio, impossível! Mas me livrar da ordem de Kushina para ir ao mercado se mostrou uma das maiores batalhas da minha vida. Miseravelmente perdida, diga-se de passagem. Aquela mulher se transformava num demônio quando ficava com raiva, e eu que não era besta de contradizê-la. Por isso, e um debochado pontapé do destino, encontrei Itachi naquele dia.

Prendi a respiração para esconder a hiperventilação, apertei as alças das sacolas e caminhei decidida a não olhá-lo. Era só o que eu precisava: passar ao lado dele e ignorá-lo. Um pequeno gesto que me permitiria seguir firme em meu propósito de esquecê-lo. Calculei a quantidade de passos e conforme os dava, contava regressivamente. Os dez últimos renderam um nervosismo absurdo que se remexeu dentro de mim como se meu estômago estivesse travando uma batalha pelo controle do meu corpo e quando iniciei os cinco, duvidei de minha capacidade por um instante.

Mantive os olhos vidrados no horizonte, notando silhuetas passando de um lado para o outro. Não as segui para evitar o risco de encontrar com o olhar dele e finalizei: “um,... zero”. Senti como se acabasse de cruzar uma linha. Estava agora do outro lado de algo que não entendia bem. Continuei meu caminho com uma estranha mistura de sentimentos no peito e paralisei ao ouvir meu nome.

“Não pode ser!” O cenário de superação desmoronou diante de meus olhos ao vê-lo se materializar diante de mim. Mentalmente, neguei outra vez. A voz da intuição sussurrava que nada de bom viria se eu o deixasse começar.

— Preciso falar com você. — Ele disse calmo.

— Não tenho tempo. Kushina está esperando que eu leve isso para preparar o almoço — respondi tentando desviar dele e sendo impedida.

— Faça um bunshin e o mande levar — replicou sério. — É importante... — suavizou o tom.

— De verdade, agora não pos-...

— Por favor.

O pedido enxugou as últimas gotas de determinação, desmanchando meu equilíbrio feito um barco de papel na água e uma sensação incômoda nasceu dentro de mim impedindo que eu ignorasse a minúscula frase pronunciada num quase murmúrio. “Vá embora!” Gritei em pensamento, mas foi inútil. Aquelas luzes negras já haviam me prendido.

Caminhamos mais do que esperava, saindo do centro da vila e nos embrenhando numa área verde próxima ao distrito Uchiha. A cada passo que Itachi dava, eu me perguntava quando aquelas indesejáveis palavras arrebentariam meus ouvidos e coração. A cada minuto, maior era a certeza de que meus sentimentos sairiam daquela conversa em farrapos.

Ele parou próximo a um cedro gigante, que estendia seus galhos sobre nossas cabeças, ficando de costas por um tempo, parecendo observar os detalhes da árvore. Virou-se devagar e me encarou, permanecendo mudo.

O silêncio continuou, cortado em breves momentos pela brisa que derrubava a grama para o lado que corria, pelas folhas que se desprendiam caindo de mansinho, formando um tapete esverdeado de diferentes tons, pelos estalos dos gravetos quebrados por pequenos animais.

— Eu não posso retribuir da forma que você deseja — disse lentamente, cravando em meu cérebro aquela frase acompanhada de sua expressão indiferente.

Fechei a mão direita. As unhas machucavam a pele, ardiam. Igual a minha garganta que lutava contra um emaranhado insistente e atrevido que se formava aos poucos. Eu não queria ouvir o resto.

— Ta! Já chega! Eu sei o que vai dizer, não precisa continuar... Tudo vai ficar do mesmo jeito... e a gente se vê por aí... se der. — Forcei o sorriso e com ele peguei o rumo para casa. Quase cuspi meu coração quando Itachi surgiu na minha frente, anunciando que não havia terminado. — Não tem que explicar mais nada, já entendi. Eu não sou burra... — sussurrei fracamente, reunindo coragem e força para dar um ponto final. — Então para de tentar ser bonzinho comigo! Não quero palavras de consolo, promessa de amizade ou qualquer merda que pareça gentil!

Ele arregalou os olhos e entreabriu a boca por um segundo, encarando-me com uma estranha expressão para depois proferir em voz baixa:

— Não quero parecer gentil... Só vim dizer que do meu jeito, eu posso... — calou-se de repente.

Eu possuía a resposta na ponta da língua, no entanto ela ficou no ar quando senti seus lábios tocarem minha testa. Perdi a voz, a noção do tempo e o nervosismo que me enchia. Quis compreender o que dissera, quis empurrá-lo e exigir que fosse claro. Nada fiz. Apenas naveguei e afundei na sensação de tê-lo perto, na convicção infantil de que ele era tão meu quanto eu era dele.

Por causa de Itachi, adquiri um vício que prometia me levar à falência. Semanalmente, eu passava na maior loja de doces de Konoha para deixar lá parte do que ganhava em missões. Toda vez tinha uma novidade que me fazia gastar além do que pretendia e minha carteira chorar com o vazio. Sorte minha que ainda morava com Minato e Kushina, caso contrário, almoçaria manju e jantaria as sobras do almoço.

Numa bela terça, na qual a vontade de me intoxicar com açúcar era maior que meu medo de ficar sem um ryo para contar história, fui ao meu estabelecimento preferido comprar várias porções de maravilhas carameladas.

Eu sempre me perdia escolhendo o que iria mastigar. As opções eram tantas que decidir rapidamente era impossível. Chocolates, balas, anpan, dango, taiyaki etc. Tudo exposto estrategicamente para que uma pobre criança como eu não conseguisse resistir à tamanha tentação.

Olhei para a cestinha cheia até a metade e resolvi pegar a última guloseima para finalizar a compra. A indecisão entre o ohagi que brilhava na segunda prateleira e o monaka que da terceira me chamava com sua voz suave, tornava-se maior a cada instante. Fiquei ali, passando o olho de um para o outro como se aquilo fosse me ajudar a encerrar o assunto e quando estendi a mão a fim de conceder a vitória ao monaka, eu a percebi.

Akane, e sua discrição típica de Uchiha, pegava alguns doces e colocava na cesta com um gesto gracioso e calmo que refletia seu semblante. Andava devagar e parava em frente à outra prateleira, em dúvida quanto ao que levar.

Escondi meu rosto atrás de uma caixa, lembrando do que Shisui me dissera: “ela não tem nada contra você, apenas está em um momento que não quer conhecer pessoas.” Na época, isto soou muito estranho e tentei arrancar dele os motivos, entretanto não consegui uma palavra.

— Por que você está vigiando a Akane? — Itachi indagou.

— Fica quieto! — Tapei a boca dele, sentindo-me frustrada ao vê-la ir. — Muito obrigada! — Encarei-o e envergonhada retirei a mão, justificando. — Você me assustou...

— Estava fazendo algo errado?

— Claro que não! Por quê?!

Ele negou com a cabeça e pôs um pacote de ohagi em sua cesta.

— Ei, Itachi! O que você sabe da Akane?

— Ela é prima do Shisui.

— Além disso?

— Por que quer saber?

Aquilo parecia o interrogatório do interrogatório e desistir, a melhor alternativa. Disfarcei pegando um pacote rosa e fingindo ler os ingredientes. Itachi não insistiu no assunto e se distraiu recrutando guloseimas.

Ele não tinha problemas para se decidir, simplesmente jogava o que queria na cesta e passava para a estante seguinte, apenas parando por um instante para observar a validade. Às vezes, demorava em algum rótulo que lhe era desconhecido, correndo os olhos pelo mesmo antes de acrescentá-lo à montanha que crescia sem fim, e num desses, a indecisão o pegou.

Itachi inflou de leve as bochechas, formando um bico infantil, franziu um pouco o cenho, piscando algumas vezes e inclinou a cabeça sutilmente, deixando parte dos fios negros descansar em seu rosto enquanto a outra balançava no ar.

— É gostoso! Tem essa cara estranha, mas é muito bom mesmo!

Ele me fitou por segundos e incluiu o pacote em suas compras, continuando-as.

Eu me sentia estranha por segui-lo com o olhar, observando seus gestos e expressões, admirando seu caminhar e me desprendendo do que acontecia ao redor. As pequenas coisas que Itachi fazia chegavam a mim como ondas de um tsunami e me arrastavam, engoliam, inundavam de sentimentos que tentavam arrebentar meu peito.

— Nunca se sentiu incomodada por ser parte da família do Hokage?

— Por que me sentiria? — retruquei tentando ver seu rosto através das caixas.

— Por que as pessoas comentam sobre aqueles que se destacam. Têm curiosidade de saber o que acontece na vida de quem é importante, criam expectativas e acabam julgando eles e os que lhe são próximos.

— Não me importo com nada disso. Podem falar, julgar e esperar o que quiserem. Não vou viver de acordo com o que os outros querem.

— Mesmo com as críticas?

— Eu ouvi várias coisas desde que cheguei a Konoha e um bocado delas só serviu para me deixar triste. Por que continuar dando ouvidos?

— Por que algumas podem ser verdades.

— E se não for? — Contornei a estante até ele. — Vou sofrer à toa.

— Prefere ignorar tudo? Fechar os olhos por teimosia?

— Prefiro não acreditar porque há muitas pessoas ruins que vão me dizer mentiras como se fossem verdades.

Eu me afastei, pensando na conversa. Por que nossos diálogos eram sempre tão esquisitos? Por que Itachi gostava de divagar sobre aqueles assuntos? Que diferença minhas respostas faziam para ele?

Peguei minha carteira para conferir quanto perderia e gelei ao ver mais pano do que dinheiro.

— Mas eu sou uma idiota mesmo... — choraminguei ao lembrar que havia escondido uma boa quantidade de ryos para evitar gastar mais do que deveria.

Devolvi às prateleiras o que não podia comprar, ficando apenas com um pacote de manju e um saco de balas. Avisei a Itachi que havia terminado e decidi esperá-lo, entretanto ele disse que demoraria e me pediu para aguardar do lado de fora. Durante os dez minutos que demorou, remoí minha estupidez olhando para a sacola, que de tão leve era sacudida pelo vento.

Nós andamos devagar e em silêncio como de costume. A atenção de Itachi voltada para algo que não estava ali e a minha para os companheiros que fui obrigada a abandonar. Não importava o quanto falássemos, nossos trajetos sempre eram mudos e o ponto de despedida, o mesmo.

— Tchau... — disse com um rápido aceno. Preferia ser a primeira a falar e me livrar da possibilidade de me atrapalhar nesses momentos.

— Espere. — Estendeu uma das sacolas que segurava.

— Não! Não posso aceitar! — Recuei um passo, mostrando as palmas que se agitavam de nervoso.

— Por quê?

— É que... não é certo que gaste tanto dinheiro comigo. — Engasguei a resposta. Aquela droga de capacidade de atirar perguntas como facas deveria ser proibida.

— Não tem problema. Eu quase não gasto o que ganho em missões.

— Por que não leva para o Sasuke?

— Ele não gosta muito de doces. — Aproximou-se, deixando sua mão a centímetros da minha. — Seria mais fácil se você aceitasse logo... — Sussurrou, desviando o olhar para a direita.

Eu o acompanhei com o meu, contando cinco pares de olhos interessadíssimos no que acontecia entre nós.

— Obrigada. — Peguei a sacola, sentindo meus dedos deslizarem pelos dele. — Tchau! — Corri, sentindo o calor da pele ainda queimar a minha.

“Quanto mais eu tenho que amá-lo para você conhecer o meu coração?

Quanto mais tempo tem que passar para você me amar?

Meu coração dói

Hoje eu sinto um pouco mais do que ontem.”

O tempo me fez desacreditar das palavras que ouvi, afirmando conforme o seu passar, que elas não passavam de um punhado de vazio enfeitado para ludibriar. Ele também devolveu a inquietude que descansava dentro de mim e aflorou uma ansiedade cortante que despencava numa cachoeira de tristeza. Fez-me enxergar a verdadeira face da esperança, uma cruel personagem que enxugava minhas lágrimas a fim de saboreá-las numa taça de cristal e, por fim, mostrou que eu ficava para trás, perdida na tormenta daquelas águas, enquanto o resto do mundo seguia seu fluxo. Feliz.

— Não acha chato ficar aqui? — Minato questionou, parando de assinar os papéis.

— Não.

Ele aceitou a resposta, assinou algumas folhas e disparou:

— Está evitando encontrar o Itachi?

— Os pais são todos iguais... — suspirei, colocando o relatório no chão. — Eu pensei que você e Kushina eram diferentes por serem mais novos, mas me enganei. Pelo visto, fofocam sobre a minha vida antes de dormir.

— Foi só um comentário... — Minato tentou amenizar. — Mentira, ela contou tudo. Mas não precisa saber que eu lhe disse, certo?

— Tem sorte por eu confiar em você, caso contrário, seria dedurado sem dó!

— Depois dizem que não se parecem... — murmurou, logo retomando o assunto. — Fugir não é uma boa opção.

— Não é fugir, é esquecer.

— Acha que pode se forçar a esquecer um sentimento? Não é algo fácil.

— Eu sei,... mas estou cansada de gostar sozinha. — Abracei os joelhos e pressionei os dedos dos pés com o indicador. — Parece que... estou esperando uma coisa que nunca vai acontecer... como aqueles sonhos em que a gente tenta voltar mesmo sabendo que não vai conseguir... Não queria mais incomodar a Kushina com isso,... aí vim para cá e o assunto me perseguiu... É chato saber que estou preocupando vocês com uma coisa tão idiota... É chato ficar triste por causa dessa coisa... Não quero me sentir assim, mas...

— Não consegue controlar. — Minato completou, e eu assenti. — Às vezes, os assuntos do coração são complicados. Não se sinta mal por isso nem menospreze seus sentimentos.

— Não sou eu quem menospreza meus sentimentos... — sussurrei, fitando o chão.

Aquela verdade era dolorosa demais para ser pensada, e dita cravou um espinho em meu interior, que ardia com a intensidade e frequência de meus pensamentos inundados por Itachi.

O centro comercial vivia apinhado de gente e não estava diferente naquele dia: um verdadeiro inferno para quem desejava sossego, uma tábua de salvação para quem não queria escutar a própria mente. Eu me encaixava no grupo que ansiava pela surdez dos pensamentos e tentava me distrair com a confusão do lugar, entretanto nem as cores e os cheiros conseguiam tirar de mim mais do que um breve olhar.

Parei em frente a uma barraca de dango, observando o preparo, mergulhando no oceano do qual fugia, engasgando com as perguntas há muito respondidas, mas que eu insistia em questionar repetidamente na esperança de ouvir respostas diferentes. Por que eu esperava? Por que me frustrava com a espera? Por que acreditei em palavras quebradas e me iludi com gentilezas? Não significava amor. Não era amor... E por que essas quatro letras pareciam tatuadas na minha cabeça?... Eu não queria a certeza delas.

Pisquei um par de vezes para voltar à realidade, percebendo que muitos minutos tinham corrido desde que havia estacionado ali e dois olhos negros me fitavam de soslaio. Reconheci de imediato o rosto de Akane e a leve interrogação em sua face, cumprimentei-a tentando limpar a voz da tristeza, abstendo-me de encará-la para não me expor.

Caminhei pelas ruas dividida entre a tranquilidade de saber que não encontraria Itachi e o anseio por dar um ponto final naquela história. Ela estava se arrastando, tornando-se mais complicada e densa, deixando novas marcas a cada dia. Eu estava sucumbindo, permitindo o prolongamento dela, consentindo que minha vida girasse em torno de uma fantasia.

Eu encontrei a saída treinando. Foram manhãs, tardes e noites, nas quais apenas o desejo de me tornar mais forte permeava minha mente. Estipulei altas metas que testavam minha capacidade e a forçavam a evoluir, desafiei diversos ninjas, mesmo aqueles que não podia vencer, pedi missões mais difíceis e nos momentos de descanso físico, alimentei o cérebro com o máximo de informações possíveis. Meu período preferido para treinar era quando o sol começava a ficar preguiçoso e se preparava para dormir. Gostava do vento gelado que anunciava a chegada da lua e as chuvas que tinham o costume de aparecer naquele horário. Apesar do local de treinamento abranger uma cachoeira, a água que caía das nuvens provocava uma sensação única, que me animava a continuar ainda que o cansaço fosse um peso cruel.

Fitei o corvo empoleirado no galho. Fazia cerca de duas horas que ele estava ali e durante elas se mexeu poucas vezes: inclinou a cabeça em umas, abriu o bico em outras, porém nenhum dos movimentos parecia natural. Atirei uma shuriken em sua direção, vendo-o planar graciosamente para um novo galho e repeti o gesto com cinco kunais, notando sua destreza em desviar delas.

— Saia daqui — disse, dando as costas. — Não quero ficar perto de você.

Ouvi o bater de asas se transformar em passos e continuei caminhando. A paisagem se modificava lentamente, deixando a nascente para trás e apresentando a mata ciliar que abraçava o rio que expandia sua largura até formar uma pequenina queda d’água seguida de outras. A terra recebia as pisadas, cedendo um pouco por conta delas, sofrendo o dobro do que deveria e o vento soprava a meu favor, denunciando a posição de quem deveria ter partido.

Girei a shuriken com o indicador direito aumentando a rotação com o chakra e concentrei a energia nas pontas dos dedos esquerdos. Lancei a arma e me coloquei diante dele, golpeando-o no rosto e vendo seu corpo se espalhar em corvos.

— O que há de errado? — Itachi indagou ao reaparecer.

— Já disse. Vá embora antes que eu lhe machuque.

Ele permaneceu imóvel, tragando-me para a escuridão de seus olhos, dissolvendo minha convicção e estremecendo o ímpeto de mantê-lo longe enquanto eu lutava para não recuar, para não permitir que meu esforço terminasse no desejo infantil de me aninhar em seus braços e experimentar seu beijo, de ver seu sorriso e caminhar de mãos dadas.

— É sua última chance — ameacei.

Itachi não reagiu, e eu não hesitei em socá-lo. O golpe que de início acumulava raiva, chakra e velocidade, esmoreceu em algum momento de sua trajetória, chegando ao seu alvo como um fraco toque, provocando um resmungo baixo dele.

— Como?! Eu tirei todo o chakra...

— O elemento vento pode ser canalizado em lâminas, você provavelmente fez isso sem perceber e quando retirou a energia, a última parte a se dissipar provocou os cortes.

— Eu disse que ia machucá-lo! — Levantei sua camisa, vendo os talhos em sua barriga. Aproximei as mãos para curá-lo e notei que ele recuou alguns centímetros, por um segundo tive a impressão que ele havia prendido a respiração. — Por que não acreditou?!

— Você não tinha intenção de me ferir.

— Claro que eu tinha! Aqui a prova! — Encarei-o e encostei os dedos em sua pele, sentindo-a retesar.

— Por que me atacou? — questionou calmo.

— Por que eu quero esquecer você! — rebati em bom som. — Estou cansada dessa... coisa! Por isso resolvi tirá-lo da minha cabeça. — Abaixei o olhar, perdendo a força na voz. — Eu não vou procurá-lo nem chegar perto, e você pode voltar a me ignorar,... fingir que não existo... Seja gentil pela última vez e me faça esse favor...

— É o que realmente deseja? — A voz fria perfurou meu coração, extinguindo a última chama de esperança.

— Sim.

Notas finais
Por mais que eu sofra junto, gosto de explorar o sofrimento da Ka com seu amor pelo Itachi. Não consigo imaginar que se apaixonar por ele seja mil maravilhas no início. Eu faria como ela, tentaria esquecer de qualquer jeito. Próximo capítulo: o primeiro beijo dado pelo Itachi. Se leu, deixe um review.^^ Opiniões são bem-vindas. Bjs!