CAOS
3 01. Quando A Profecia Chama
O ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE NÃO TINHA UMA CRISE FAZIA MESES, o que era estranho se você pensar em quantos jovens viviam ali juntos, lidando com claras divergências entre personalidades e habilidades. Sem deixar de fora que aqueles jovens ali eram especiais de muitas maneiras.
De primeira vista, era um acampamento comum, até os alojamentos eram extremamente simples, mas se você chegasse mais perto veria. Você podia observar enquanto caminhava pelo extenso terreno.
Os jovens correndo livremente em meio ao um céu azulado sem nuvens, com um clima ambiente estável, nunca frio demais ou calor demais, você veria amigos conversando, fazendo jogos, esportes, mas se prestasse atenção, alguns pontos se sobressairiam, como por exemplo, o ringue de luta lotado de jovens gritando e torcendo por um vencedor, espadas entrelaçadas em uma batalha ardilosa e cheia de expectativas, os dois adolescentes suavam de exaustão, mas não parariam até o apito final, ou melhor, a desistência do oponente.
Poderia parecer cruel ver os golpes rasgando as peles, que mesmo com armaduras, ainda se via em meio ao caos de um campo de batalha. Os olhos calculavam cada passo, mas sem se deixar distrair, afinal, era uma luta, e só o melhor poderia vencer.
Ao som do apito, o garoto deixou os ombros caírem com pesar, já estava cansado demais, quase desistindo, suspirou aliviado. Observou a garota na sua frente retirar o capacete de proteção e quase babou ao ver os sedosos cabelos loiros que ele adora brincar entre seus dedos, e sorriu sincero para a namorada.
Annabeth Chase era a garota mais linda do mundo na sua opinião, mesmo com a testa franzida e os olhos cinzentos acusadores, ela era para ele, a personificação de felicidade e amor.
— Por que você está sorrindo feito um idiota? Eu acabei com você, Percy.
— Nem vem, a batalha acabou com o tempo esgotado e não por eu ter perdido. — sorriu divertido sabendo que ela odiava perder, ainda mesmo quando ele sabia que tinha usado estratégias durante a batalha.
— Bom, eu me considero vencedora, cabeça de alga. — levantou o nariz com certa prepotência — Porque eu simplesmente deixei o tempo rolar, podia ter ganhado de você em questão de segundos.
— Ah, claro. A estrategista Annabeth Chase nunca perde, muito menos empata, eu tenho conheço bem para afirmar que você não teria essa pena de mim, me deixando ficar no seu patamar, até parece!
A loira revirou os olhos e sorriu quando saíram do ringue, dando uma olhada para os lados, ela o puxou e selou seus lábios. Era bom ter sossego e finalmente estar com Percy ali, sem missões, sem profecias, sem caos.
Mal ela sabia...
...
Para eles, acostumados com o azar, onde tudo fugia do seu controle, sabiam que era demais pedir por tanto tempo sem confusão, então quando o céu límpido, e encantado, do acampamento começou a escurecer, eles nem deram tamanha importância, de qualquer maneira, todos já sabiam que em algum momento algo ruim iria acontecer.
Rachel, a recente oráculo, sentiu todos os seus nervos ficarem a flor da pele ao sentir seu ventre pusar de maneira agoniante. Ela sabia o que significava, uma profecia estava por vir, e ela não podia acreditar que outro mal tão grande assolava os meio-sangue novamente, afinal, nos últimos anos tudo que eles viram era a guerra, e agora que essa havia terminado, o que de tão ruim poderia estar por vir?
Se preparou para o momento, tentando imaginar quem seriam os escolhidos para a próxima missão, ansiosa para desvendar mais uma profecia cheia de entrelinhas. Estranhamente era um passatempo divertido, já que nunca acontecia o que você esperava, as palavras brincavam com sua cabeça, e as vezes, a frase mais óbvia, era simplesmente a obviedade, mas você acabava buscando mil explicações para uma coisa banal, na verdade, era meio estressante também.
Engraçado e triste, pensou a ruiva, pensar nisso como diversão, ela que por muito tempo era só uma garota rica que gostava de pintar no tempo livre, vivendo sempre com seus cabelos ruivos cacheados presos em coques, as roupas sujas das mais diversas cores do aquarela, ela, aquela garota simples, que descobriu um mundo totalmente novo ao poder olhar entre a névoa, o que era uma maldição para alguns, era uma salvação para ela, que se viu diante de se tornar uma causa muito maior do que ela, do que todos ali, e ela adorava sentir que tinha um propósito.
Ouviu a porta se abrir e os passos calmos em sua direção, e ao ver os olhos azuis de Percy, sentiu sua visão começou a ficar turva. Uma névoa começou a surgir em volta de seu corpo, seus olhos verdes entraram em órbita, se tornando brancos como a neve, seus braços se esticaram sentindo cada pedaço do seu corpo recebendo a energia necessária para ter a visão correta, e então aconteceu.
Pelas mãos da calamidade
O conflito começará
Entre os filhos dos grandes
O novo chegará
Buscando a solução
Eles cairão
E entre as badaladas de um coração
O amor retornará
Os quatro novos virão
Para poder ajudar a visão
A calda é esperança
E entre as flechas
As batidas pararam
E ao entardecer da nova lua
Um mundo de gratidão encontraram
Percy estremeu a cada frase, porque sabia o que significava ouvir uma profecia, era ele o escolhido da missão. De novo, sempre ele. Não podia acreditar no tamanho do seu azar, ainda se lamentava quando Rachel retornou ao seu eu, com a mente ainda turbulenta, ela estranhou ao ainda lembrar cada verso da profecia, era estranho, ela não costumava lembrar.
A sensação de angústia ainda ardia em seu peito, e ela nem conseguiu sorrir ao encontrar os olhos oceânicos de Percy, quando estes encontraram os seus.
— Ah Percy, isso vai parecer... Não sei, mas essa missão...
— Eu sei... — suspirou cansado, sabendo que não tinha alternativas, quando uma profecia te chama, não se pode negar o seu pedido. — Eu! De novo!
— Sim, você! Mas não é só isso. Eu tenho que ir, eu sinto isso em todo o meu corpo, que loucura, eu! Nem semideusa eu sou, como vou ser mais útil lá fora do que aqui, como oráculo? Esse é meu papel, ficar aqui.
Atropelando as palavras, a garota tentava controlar a sua respiração, tentando assimilar o que estava por vir. Já ele, confuso, tentou se lembrar com exatidão dos versos, sabia mais do que ninguém que as profecias vinham com instruções, nem sempre claras, mas muito importantes para o andamento da missão.
— Meio que faz sentido, não é? "Para poder ajudar a visão", é você que tem visões, ou melhor, você é a própria visão.
— "Entre os filhos dos três grandes", porque eu acho que isso envolve outra pessoa também?
O garoto de olhos azuis estremeu ao lembrar da prima rabugenta, Thalia. Não queria acreditar que iria numa missão com a caçadora e sua ex, e o pior de tudo, sem Annabeth. Ele nunca tinha ido para nenhuma missão sem a loira e não queria ficar longe dela logo naquele momento em que estavam tão bem, tão unidos, no momento que estavam mais apaixonados do que nunca. Os deuses o odiavam, só podia ser.
v Mas afinal Perseu, o que veio fazer aqui? v Rachel lembrou, já que era estranho uma visita do mesmo em sua cabana.
— O céu estava esquisito, e não sei, tive essa sensação de que você saberia o porquê. Agora entendi tudo.
— É Jackson, vamos atrás de Quirón. — a ruiva sorriu travessa, mesmo que por dentro sua intuição gritasse que coisas ruins aconteceriam — E que os jogos comecem!
Eles não sabiam, mas longe dali, o caos tinha sua pupila esmeralda brilhando, observando tudo acontecer.
Sim, minha querida, os jogos iriam começar.
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