CAOS

4 02. Quando Coisas Estranhas Acontecem


— Isso nem é justo! — exclamou ofendida. — Como você pode ter outra missão, e eu não? Você! Um ser medíocre, que nem sabe o quer da vida.

Thalia poderia se sentir ofendida com o que a filha de Atena estava dizendo, mas primeiro, e sendo sincera, já tinha ouvido coisas muito piores sobre o seu comportamento e sua falta de responsabilidade. Em fato, era por isso que no fundo se sentia aliviada por ficar longe das caçadoras. Uma parte sua estava cansada de se esforçar demais para ser algo que não era. Ela queria a liberdade, queria as estrelas, o céu definitivamente não era o seu limite.

E segundo, todos estavam agindo de maneira estranha desde que ela havia chegado, não sabia se o motivo tinha sido a sua chegada ou os moradores do acampamento já estavam alucinados antes disso. Provavelmente sim, porque para Percy Jackson tê-la chamado com urgência, algo estava acontecendo, algo estranho e ruim, pode notar.

Era como se o clima ali fosse de pura desordem, as pessoas estavam implicando uma com as outras por nada, haviam brigas, empurrões, a energia era negativa ao extremo. E ok termos dias ruins, mas todos, ao mesmo tempo? E pessoas que nunca perdiam a calma, como a loira em sua frente. A querida Annabeth Chase ofendendo alguém por nada?

Por Zeus.

Às coisas estavam muito erradas.

Em um clássico movimento mau educado ela contornou a garota que apontava o dedo em sua cara e correu em direção ao chalé de Quirón. Ao adentrar ali teve que se segurar para não sorrir ao perceber que o ambiente era muito mais confortável e aconchegante que qualquer cubículo ao lado de fora. Nem mesmo seu primo ali estragaria aquele momento de paz momentânea e muito satisfatória.

— Olá senhores, a que devo a honra de proporcionar o prazer da minha presença a vocês? — Não podia perder o humor ácido, era tudo o que lhe restava.

— Você sentiu, não é? Lá fora. Está cada vez pior, as pessoas estão enlouquecendo, dizendo coisas sem pensar, criando conflitos por nada, é o fim.

Não tinha notado a presença do oráculo-ruivo-pintor antes, mas revirou os olhos sabendo que aquilo significava. Confusão. Oráculos era o sinônimo de "tá todo mundo ferrado, a menos que vocês..."

— Ah não! Não quero uma missão. Já entendi tudo, oráculo mais convocação misteriosa é igual a Thalia sofrendo. Passo, muito obrigada.

Foi impedida de sair pelo centauro que surgiu do nada, esse que olhou nos olhos da caçadora como se pudesse ler a sua alma. Nervosa, ela se sentiu obrigada a continuar na sala, mas claro, de cara emburrada e braços cruzados, mostrando o quanto estava desgostosa com a situação.

— É uma missão, uma que tem uma profecia que certamente pediu sua presença.

— Pediu, essa é boa, como se tivemos opção! — Deu uma risada sarcástica. É, ela não era boa em descontrair.

— Já percebemos que algo está errado, precisamos saber quem está entrando na mente das pessoas. Já descartamos a maioria das possibilidades, até porque manipular tantas emoções e de tantas pessoas ao mesmo tempo não é uma tarefa para qualquer Deus. É alguém poderoso demais, não podemos arriscar deixar as coisas como estão, se isso começa a se espalhar por entre os mortais, o mundo vai entrar em colapso, mais guerras, tudo que vai restar é morte e destruição, não me digam que não estão sentindo isso, toda essa negatividade.

— Impossível não sentir, mas ao mesmo tempo não me sinto afetado como os outros. Pelos sete mares, Annabeth terminou comigo por eu ser filho do inimigo de sua mãe, como se isso tivesse atrapalhado a gente em algum momento! Vamos descobrir que está acontecendo, espero que esses quatro saibam.

Thalia ignorou a parte do término, estava entediada, mas tentando entender o assunto da conversa, se remexeu na cadeira. — Opa, que quatro são esses?

Rachel contou a profecia para a morena, que sentiu sua intuição aflorar, trazendo informações que nem ela sabia que tinha para a sua cabeça.

— Eu sei onde eles estão.

— Como?

— Não sei? — respondeu incerta, fazendo a resposta soar quase como uma pergunta — Coisa de caçadora talvez...

Sua expressão era contrariada, como se soubesse de algo que não queria contar, acabou revirando os olhos ao notar os olhares acusadores que foram direcionados por Percy.

— Ok! Eu sei! Tenho sonhado com um maldito lugar nos últimos dias, não fazia ideia do porque até agora, e sinceramente faz até mais sentido uma missão do que eu sonhar aleatóriamente com uma escola qualquer de Nova York.

— Uma escola?

— De Nova York?

— Sim, foi o que eu disse. — respondeu debochando. — Uma maldita escola, daquelas com uniformes horríveis e alunos arrumados até demais. O tipo de lugar que eu nunca gostaria de passar nem pela frente. Que Zeus nós proteja.

...

Durante a madrugada os três jovens se encontraram na saída do acampamento, com poucos pertences, o que incluíam poucas roupas, armas disfarçadas e dracmas de ouro. Depois de discutirem sobre a profecia e suas múltiplas interpretações tiveram que sair da cabana, o que resultou em momentos nada bonitos de jovens sangrando, gritando, brigando e sendo maldosos de um jeito nunca visto antes.

Estavam exaustos, mas o sentimento que fluía deles, a ansiedade pelo novo e desconhecido exalava, e com uma troca de olhares cheia de significados, eles saíram pela barreira e adentaram à uma nova história.

Uma história que o Caos tinha escrito há milhares de anos e não tinha margens para falhas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.